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Tudo aquilo que você precisa saber sobre corrupção (ou finge que não sabe!).

07/09/2015

A corrupção, se conceituada como doença, é incurável.

Ela pode ser minimizada, mas jamais eliminada.

O melhor que se pode dizer sobre a corrupção, embora não a redima, é que ela representa um processo de autodefesa, quando utilizada pelos mais fracos, nas trocas suspeitas existentes nos contratos sociais.

A corrupção é um reflexo atávico na espécie humana.

A corrupção, logo, é anterior ao homem. Ela nasceu com o conceito informal de sociedade primordial primata, como método para obter vantagens, tanto no exercício do domínio como na busca de proteção junto ao domínio.

Não existe corrupção sem um corrupto e um corruptor.

A corrupção interessa ao corrupto, como forma de manter o domínio.

A corrupção não interessa ao corruptor, mas ele é induzido a pensar que precisa dela.

Quando uma sociedade cresce, abandona suas características nômades e se instala em um território, surge, logicamente, o Estado.

A corrução é anterior ao Estado.

Na atualidade, principalmente nos regimes com tendências não democráticas, as atribuições do Estado, coordenação e gerenciamento, costumam ser suplantadas pela ideia de que o Estado é meramente um protetor. Proteção, domínio e corrupção são conceitos que, intimamente, se entrelaçam no Estado.

Ser considerado protetor interessa ao Estado. Ser protetor permite ao Estado justificar o domínio. O Estado utiliza a corrupção existente para manter o domínio.

Quando um Estado é instalado a corrução se adapta ao tamanho do Estado.

Quanto maior o Estado maior é a corrupção.

A forma que as forças dominantes encontraram para manter a ideia de que o domínio é necessário foi diversificando, justificando, aparelhando e agigantando a ideia de um Estado protetor.

O Estado gigante e onipresente sufoca a democracia, impede a livre iniciativa e alimenta os interesses dos que possuem maior poder de barganha nas trocas corruptas.

O Estado gigante e corrupto é uma característica dos domínios socialistas, dos povos aculturados e das ditaduras de qualquer tipo.

Quanto menor o Estado, maior a expressão democrática, maior a liberdade e menor a corrupção.

Na estrutura e com os métodos atuais o Estado faz parte de uma Corporação que se contrapõe à Democracia, mas utiliza a aparente vontade da opinião pública, manipulando-a e aliciando-a, para mentir que exerce o domínio em nome do povo.

Na democracia, a diluição do domínio pela diminuição do Estado busca, em paralelo, a diluição da corrupção. A diminuição do Estado não interessa à Corporação. A Corporação se interessa pela perpetuação da corrupção em um Estado multifacetado. A Corporação é a entidade aparentemente acéfala, que utiliza os poderes da república e se alimenta com a corrupção.

Os elementos do legislativo e do executivo, no momento que são eleitos, usam o aval do voto (e acreditam que isso justifica os seus atos) e passam a trabalhar pelos interesses da Corporação que os patrocinou. A regra é: aquele que não se corrompe não consegue permanecer ou ser ouvido. A massa crítica dos que se mantêm ou são ouvidos criam leis corruptas ou deturpam a execução dos atos públicos.

O Estado gigante é essencialmente corrupto. O político eleito é a porta por onde a Corporação corrompe o Estado. O Estado onipresente sufoca a democracia com sua corrupção. A forma de minimizar a corrupção é diminuir o Estado.

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A dúvida é sobre o que chega primeiro! A rouquidão de tanto repetir a mesma coisa ou a morte por velhice, ou cansaço, ou indignação.

 

Veja como vota o seu deputado!

01/10/2014

Posicionamento dos parlamentares da bancada gaúcha na Câmara dos Deputados sobre o PLANO DE CARREIRA para os MÉDICOS (a exemplo do que existe para os profissionais da área jurídica); a alternativa correta ao Programa Mais Médicos para o Brasil.

Votaram A FAVOR 
 
Alceu Moreira (PMDB) 
Alexandre Roso (PSB)
Beto Albuquerque (PSB)
Luiz Carlos Heinze (PP)
Nelson Marchezan Jr (PSDB)
Vieira da Cunha (PDT)
 
  Votaram CONTRA
 
Afonso Hamm (PP)
Bohn Gass (PT)
Eliseu Padilha (PMDB)
Fernando Marroni (PT)
Giovani Cherini (PDT)
Henrique Fontana (PT)
Jose Stédile (PSB)
Marco Maia (PT)
Marcon (PT)
Paulo Pimenta (PT)
Renato Molling (PP)
Ronaldo Nogueira (PTB)
Ronaldo Zulke (PT)
Vilson Covatti (PP)

Sobre o Programa MAIS MÉDICOS para o BRASIL, ninguém sabe como cada um votou! Foi usado um voto simbólico! Nem sempre é possível fiscalizar os atos do deputado que você escolheu! É como se um funcionário, contratado por você, tivesse o direito de trabalhar e agir secretamente na empresa que é sua! Piadas da democracia!

Sai #OHexaÉNosso e o #NãoVaiTerCopa e entra o #PenseEVote

26/07/2014

Quando me dei conta a Copa havia acabado. Lembro que cheguei a torcer pela Argentina na final. Depois achei que o resultado premiou a organização, a humildade, a simpatia e o lema: “Um nação, um time e um sonho!” O sonho alemão se mostrou mais realista do que a empáfia nacional: “Preparem-se! O hexa está chegando!” Minha avó dizia que na preparação do omelete era necessário cevar a galinha sem espreme-la e o meu avô completava que antes disso era bom conferir se não havíamos pego o galo. Para a geração jovem, que foi massacrada pela mídia com a ideia de que bastava torcer que o resto já estava garantido, o Hexa ganhou um significado torto de coisa inacabada sem prazo de conclusão, como obra prometida por político. Embora só aqui os títulos se acumulem, ignorando os hiatos em que os outros são melhores. Nós ganhamos cinco vezes, de fato, mas na prática o nosso país só foi bi em 1962, assim como a Itália, em 1938.

O #NãoVaiTerCopa acabou com o mesmo tom da promessa do #OHexaÉNosso. Deu chabu! Algo bem previsível, por sinal! Não adiantava você mostrar bandeiras reacionárias para um país que se alimentava das esperanças de êxito em uma festa bilionária. Assim como o contrário! Tente juntar uma dúzia de #FiquemCalmos na frente de uma multidão em pânico. É uma ótima maneira de acabar como purê de hashtag.  Por outro lado, na onda do hexa adiado, os partidários do “não vai ter copa” podem transferir o projeto, ou aviso, ou ameaça, ou profecia para a “2018 Fifa World Cup Russia”, já que naquele ano o Brasil não será sede e não foi campeão. Traduzindo: vai ter que passar pela pedreira da classificação nas Américas, com o nível que se viu neles e com o desnível que se viu por aqui. Ainda que, se tudo der errado, sempre nos resta torcer pela Costa Rica!

Mas o fato é que a festa acabou! O mundo viu que o governo brasileiro, aos trancos, com a barriga e pressionado, pode parecer que dá conta do recado! Os estrangeiros partiram deslumbrados e felizes e ficaram as obras inacabadas e as contas mal explicadas, coisas com as quais já estamos acostumados. Agora vai começar um outro jogo e esse, fieis crédulos do “hexa é nosso” e ferrenhos defensores do “não vai ter copa”, depende exclusivamente de nós. Sai a Brazuca e entra em campo o #PenseEVote. Mas, pelo amor aos seus filhinhos, pensem! Os meios de comunicação vão vomitar em nossas casas um monte de sorrisos e mentiras. O de costume. Não apostem! Não torçam por ninguém a não ser por suas consciências. Lembrem-se dos estádios superfaturados, dos hospitais sucateados, dos remendos fantasiosos, das escolas em ruínas, do ensino decadente, dos assaltos e assassinatos, das refinarias que escorrem pelo ralo, e da interminável lista de coisas que os deixaram perplexos ou indignados e depois votem. Afinal, alguma coisa nós temos que ganhar nesse ano, nem que seja sem chuteiras.

O quê a reforma política reforma?

04/07/2013

 

Dilma pede um plebiscito para definir, afinal, o que “essa gente sem rumo” quer fazer a respeito de política. É interessante que o povo saiba que várias propostas já amarelam nas gavetas governamentais há muitos anos. No entanto, tendo em vista o despencar da popularidade presidencial, apontando para um fiasco eleitoral em 2014, esse assunto virou prioridade, como se dessa cartola pudessem ser tirados, repentinamente, todos os coelhos reivindicados pela população. Também é interessante que o povo entenda que qualquer esforço para parir um plebiscito, de tal complexidade, em tempo recorde, para atender os prazos legais que terminam nos primeiros dias do próximo mês de outubro, será em vão. As novas regras, com todos os santos ajudando e o próprio criador dando uma mãozinha, só serão válidas para as eleições de 2016. E já que essa reforma é tão esperada é bom fazê-la com cuidado, bem pensada, bem discutida, para que seja duradoura, ou, pelo menos, mais protegida contra as manobras corruptoras que, com certeza, já devem estar sendo urdidas.

Não adianta gritar “Fora Renan!”, ou “Fora Sarney!”. Pode ser que eles sejam surdos ou, em sua psicopatia egocêntrica, não entendam, tanta incompreensão com indivíduos que “personificam a própria história política desse país”.  Pode ser que o emaranhado de rabos presos não permita que os ecos sejam ouvidos nos corredores palacianos. Esse “fora” só poderá ser ouvido nas urnas, se em seus meandros eletrônicos elas falam a verdade, se os eleitores daqueles currais não estiverem sendo alimentados com uma retórica aliciadora convincente, se o acordar democrático suplantou a acomodação bolsista, e assim por diante, numa longa corrente de condicionantes imponderáveis que só o tempo sepultará.

Podemos pensar em voto distrital, listas abertas e fechadas, candidaturas apartidárias, financiamento das campanhas, duração de mandatos, fim ou permanência das coligações, diminuição ou ampliação do número de partidos, fim de suplências, fim da imunidade impune, introdução do recal político, malha fina para os eleitos, diminuição do número de deputados e senadores, superposição das datas, corrupção como crime hediondo, diminuição dos ministérios e definição das funções governamentais que realmente necessitam de ministérios e, sempre correndo o risco de fazer uma lista incompleta, por aí vai.

Mas para que o povo entenda de que forma esses itens nos atingem, é necessária uma explicação bem feita, que, sabemos, não solucionará todas as dúvidas, mas dará, à grande maioria dos votantes, elementos na hora de responder ao plebiscito.

No entanto, o principal tópico da pretendida reforma, que necessita ser compreendido, de uma vez por todas pelos eleitores é o seguinte: Se aquele que vota não entender que o seu voto é a única arma que tudo pode mudar, podem propor mil reformas, que a corruptela vai continuar lá. E nós continuaremos a achar que o “poder emana do povo”.

A Síndrome de Jaquirana.

01/11/2012

A palavra Jaquirana, nome de uma pequena cidade do nordeste do Rio Grande do Sul, com uma população um pouco menor do que 5 mil habitantes e quase isso de eleitores, foi transformada num meme relacionado à corrupção eleitoral. Falar em Jaquirana, a cidade, antes conhecida pelo frio e pela companhia de avião Jaquirana Air criada pelo chargista Iotti, hoje é o mesmo que falar em compra e venda de votos.  As colunas sérias e as piadas se desdobram em detalhes. E fica a aparência de que as ilicitudes desse tipo só acontecem lá. Ou que apenas lá os mercadores da consciência democrática foram desastrosamente inaptos aos esconderem seus rabos.  Ou ainda: que só lá alguém teve a perspicácia de montar uma arapuca para pegar os fraudadores. Mas todos nós sabemos que comprar e vender votos é uma prática que acontece em 100% dos municípios brasileiros. Alguém gritará lá do fundo: “Prova!”. (Da mesma forma que se discute não se um gol foi de mão, mas se um juiz pode anular um gol que lhe disseram que foi de mão, como se a essência daquele jogo estivesse não no respeito às regras, mas no processo de avaliação.) Eu respondo: “Nós podíamos parar de reclamar, acusar e investigar a compra e a venda de votos; isso toma tempo, estressa e sai caro – além de obter resultados magros a curto prazo e nenhum resultado aplicável daqui a quatro anos – podemos, simplesmente, institucionalizar esse tipo de acordo entre o candidato e o eleitor. Fica valendo o gol de mão, e não se discute mais isso!”

E ao ver as imagens relacionadas às jaquiranas espalhadas por aí se constata algo assombroso: há revolta e indignação popular não pelo que se pressupõe errado, mas pela ação policial e da justiça contra os erros. Logo se vê que a relação entre o candidato corrupto e o eleitor corrupto apresenta vínculos muito mais íntimos do que a do indivíduo com sua consciência. Ou as consciências já foram adulteradas e os conceitos éticos de que falo fazem parte de uma língua estranha. Podemos até observar aqui e ali a influência da inocência e da ignorância, ou da necessidade e do imediatismo desesperado, mas também não nos escapa a mão da má índole, da avidez de sugar sempre não importa de quem, e da triste cultura da impunidade. Afinal, quem vai processar ou prender milhões de fraudadores? Eles afirmam (e eu também!): não há nesse país poder nenhum e ninguém com culhões para tratar essa doença. Trata-se da Síndrome de Jaquirana! Endêmica! Plenamente conhecida! E intratável!

A menos que…! Alguém pensasse um pouco na possibilidade de delação premiada para aquele vendedor de votos que não é um mau sujeito, apenas foi ludibriado, estava necessitado, e nem sabia que era crime. As leis necessitam se adaptar à realidade. Não há como enquadrar milhões. Mas há como cortar o mal pela raiz entendendo que o entendimento da lei tem diferentes níveis de entendimento.

A compra e a venda de voto!

22/10/2012

O Supremo trabalha nas finalizações sobre o Mensalão.  Sabemos que haverá sentenciados. Assim como sabemos que alguns réus serão beneficiados por coelhos atenuantes saídos da cartola mágica da Corporação. Da mesma forma que sabemos que os cofres não serão ressarcidos dos milhões desviados, e que Lula será blindado em nome da poesia histórica e da adolescência democrática. Mas será que sabemos, afinal, o que está sendo julgado? Respondo: a compra e a venda de votos. Alguém pagou caro, com o dinheiro do país, pelo fisiologismo da ocasião. A mercadoria foi a amarrotada e anestesiada consciência parlamentar.

A grande massa amorfa – que somos nós – vibra com as acusações de Joaquim Barbosa e fica perplexa com os posicionamentos controversos de Ricardo Lewandowsky, o advogado do diabo. Alguns do povo babam de satisfação quando percebem que figuras da elite podem receber o mesmo tratamento dos ladrões comuns. Mas eles são ladrões comuns! Apenas roubaram mais, vestiam roupas de grife, consideravam-se acima da lei, e acreditam, ainda hoje, que tudo o que fizeram foi em nome de uma causa maior, revolucionária, semidivina, e que nunca será compreendida por nós. Isso graças àquela tênue e perigosa linha que divide o exercício do poder da psicopatia.

Mas se o assunto é compra e venda de voto, nesse momento a torcida deveria ser toda contra o Supremo, a favor dos réus do Mensalão, pela absolvição (e, se possível, canonização) de Zé Dirceu e os de sua trupe, pois não é nada interessante criar esse precedente nas esferas federais. Vá que a moda pega! Vá que a prática de crucificar os compradores e vendedores de voto se transforme numa onda nacional e acabe respingando nos municípios brasileiros – na grande maioria dos municípios brasileiros – onde uma consciência custa um botijão de gás, ou uma conta de luz, ou de farmácia, ou a promessa de um cabide de emprego. Como é que ficam os miúdos vereadores de 300 votos? E como é que ficam os que venderam o voto?

Pensando bem, acho que a jurisprudência obtida no julgamento que acontece naquele país distante, chamado Brasil, jamais chegará ao nosso torrão. A menos que o pequeno corrupto da ponta, aquele que vende, fosse agraciado com a delação premiada, e que o segundo pequeno corrupto, aquele que compra, fosse agraciado com uma linda e exemplar ficha suja. A partir desse ponto poderíamos pensar em eliminar os ladrões no nascedouro!

Bem que alguém poderia perguntar isso pro Barbosa, mas sem comentar nada com o Lewandowky.   

O que fazer com as fezes!

12/07/2011

ZH no editorial de hoje cita a pergunta de Luis Fernando Veríssimo, feita há alguns dias em sua coluna: “Quem autorizou o feudo com o seu voto?” Referindo-se ao uso e abuso do Ministério dos Transportes pelo PR de Alfredo Nascimento e Valdemar da Costa Neto, e à permanência de uma equipe sem escrúpulos no manuseio de verbas bilionárias em nome de um apoio de barganhas e acordos escusos sob o clichê de que é “preciso manter a governabilidade”.

Pois respondo: Quem autorizou o feudo com o seu voto, com o meu, com o de Luis Fernando e dos editores de Zero Hora fomos nós, os eleitores, quando aceitamos as alianças propostas, aceitamos o sistema eleitoral que abriga todos os tipos de corruptos e criminosos, e votamos bovinamente, achando que com o tempo e a convivência todos se amarão, serão honestos e viverão felizes para sempre. Nós somos os culpados por todas as fraudes, desvios, desfalques, pecadilhos e pecados mortais cometidos em nome da democracia. Todos nós que achamos normal que um político com múltiplos interesses voltados para a satisfação de minorias venha a assumir um cargo que deveria ser exclusivamente técnico. Todos nós, que achamos graça na eleição de Tiririca, que reelegemos os já banidos como Collor e Valdemar, que fechamos os olhos para os arquivamentos inexplicáveis, que acreditamos na fada que apregoa que um nome pode fiscalizar o mar de conluios que existe em toda a estrutura pública, somos os responsáveis pelo feudo criado no PR, pelos enriquecimentos milagrosos de ex-ministros reempossados, e de senadores alimentados com propinas. Nós é que votamos e dizemos: “Sim! Façam como meu voto aquilo que lhe der mais prazer! Aceitamos todo tipo de entulho fantasioso que a propaganda nos apresenta. Somos surdos e cegos para a memória e para a informação real.“

O próprio Luis Fernando, em sua coluna, cita a Noruega onde a eleição é um processo mais complexo. Lá o eleitor responde a um extenso questionário, como num plebiscito, onde escolhe não só o mandatário. Ele necessita responder inclusive a questões triviais como “o que fazer como as fezes dos cachorros.” Talvez seja isto que nos falta: “Dar um destino às nossas fezes.”