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Seja dono do seu país.

23/04/2017

A política apodreceu! Cheira mal! Alguém não notou? A consciência média dos políticos, o que tomam como moralmente certo ou errado, revela verdadeiros psicopatas. Dessas criaturas, apartadas da humanidade, chafurdando na corrupção, não nascerão soluções para a nossa absurda crise de competência. A atual atividade política está totalmente focada na arte de parir artifícios que perpetuem a imunidade no usufruto do crime. Depois, o conluio dos três poderes, apurando as responsabilidades, se perguntará: o zé-povo povo soube “votar-da-forma-correta”? Pois, é sabido, “tudo-isto-que-aí-está” é fruto da “imaturidade-democrática-do-povo-brasileiro”. Se “todo o poder emana do povo”, a culpa só pode ser de quem exerce o poder! E deles! dirão gravatas e togas! Pura matemática! A responsabilidade deles começa no voto e continua na hora de pagar a conta, quando eventuais incompetentes enterrarem o país,

Em 2005, no Referendo do Desarmamento, 64% dos eleitores foram contra a proibição, mas, mesmo assim, o governo nos desarmou. Não os criminosos, apenas os não criminosos. E depois virou as costas para as questões de segurança e se esqueceu do assunto. Mas ainda nos deixou uma arma. O voto.

Você é obrigado por lei a votar. Mas não é obrigado a dar seu aval aos canalhas. Também sabemos que voto nulo não anula eleição. Se apenas o próprio canalha votar em si aquela eleição estará legitimada! Não se escandalize! É a lei! Mas esse eleito terá credibilidade? O atual processo eletivo, a farsa que nos querem fazer engolir, unge um bando de inaptos mal intencionados como imunes e é visto como a fórmula perfeita em nossa fantasia democrática. Precisamos sacudir os fazedores de leis. Nas últimas eleições a soma dos nulos, brancos e abstenções sobrepujou o número de votos dos vencedores nas principais capitais do país. Essa soma representou 26,5% dos votos em 2012 e 32,5% dos votos em 2016. A desilusão e a indignação popular com a classe política cresceram sensivelmente desde então. Todos os partidos estão sujos. Todas as lideranças estão sujas Queremos e merecemos uma reforma na consciência dos políticos e não uma reforma política feita por políticos comprometidos. Podemos e temos o poder de balançar as estruturas em 2018. Se você não é um idiota e não é um cúmplice, diga não aos sociopatas. Seja dono do seu país.

Eleições chegando!

15/06/2016

Eleições chegando! Aquele processo crônico que nos obriga a escolher o menos pior e depois nos responsabiliza (e onera) pela incompetência dos eleitos.  Só os inocentes não percebem que esse sistema ultrapassado parirá sempre o mesmo ovo podre. Nada melhor virá dessa corporação corrupta. Quem trabalha e move o país observa impotente a alternância das gangues que comandam e fazem conchavos em nome da governabilidade. Não sejamos ingênuos! Esse penico nunca ficará limpo! Os representantes da tal democracia representativa não vão mudar o jogo que os enriquece. Essa reforma política jamais partirá da classe política atual ou da que for eleita pelo sistema atual. A reforma deve ser democrática e obedecer ao livro esquecido que diz que “todo poder emana do povo”. Votar no sistema atual é o mesmo que dizer: “Sim! Eu concordo com essa mecânica corrupta e aceito o meu papel de cúmplice!” Isso é Democracia? Você vai continuar votando?

Confissões de um eleitor!

02/10/2014

Eu já fiz campanha para o voto nulo. Tempo perdido! A massa sempre vai eleger alguém. Não o melhor, mas alguém! Um alguém qualquer que passado o momento eleitoreiro se esquecerá de nós, pelo menos por quatro anos, e mudará o foco dos seus interesses, única e exclusivamente, para a forma de se manter no poder. Aquela história ecoada de “educação-saúde-segurança”, esqueça! Se sobrar algum tempo no afã da política real – não essa idiotice romântica idealizada pelos que acreditam nas promessas de campanha – podem ocorrer alguns respingos que beneficiem a massa votante, para que fique a impressão de que nem tudo foi perdido.

É claro que estou generalizando! Nem todo mundo é tão podre. Mas podem ficar certos que estou muito perto da verdade. Infelizmente! Os eleitos honestos que, com o tempo, não se deitarem na cama fisiológica e corrupta, boiarão ao largo, isolados, impotentes e acomodados ao fato de que mais vale ser um eleito triste e frustrado, mas bem pago, do que um eleitor indignado e rouco, mas mal pago.

Desta vez vou votar! Fiz até uma cola!

Escolhi um deputado estadual com quem um dia conversei sobre as mortes pelo H1N1, na região sul, serem uma consequência da política burra do governo em não vacinar a população daqui quando começa o frio. Não é possível estabelecer condutas preventivas rígidas num país continental em que as diferenças das latitudes entre Oiapoque e Chuí equivalem a um quinto da distância entre os polos do planeta. (Para falar apenas desse aspecto!) Pois o candidato, que era secretário de estado, encabeçou a pressão sobre o distante governo central e conseguiu que os burocratas de lá abrissem os olhos. É evidente que ele não fez isso especificamente porque eu pedi; a pressão sobre ele deve ter sido grande, começando pelos familiares dos que morriam todos os anos; mas o fato é que ele agiu e isso foi bom para muita gente.

Para deputado federal, como não me é permitido votar no Romário, vou votar no, já clássico, 9999! Por mais que me esforce não encontro um que esteja comprometido em assassinar a política do conchavo. Nenhum me convenceu! Os discursos que ouvi me pareceram ou mentirosos, ou voláteis, ou tentaram violentar a minha inteligência. Vou deixar essa tarefa para os meus irmãos eleitores, possivelmente mais expertos, ou talvez mais felizes. Mesmo porque eles serão eleitos com ou sem a minha ajuda e continuarão a fazer as mesmas coisas que vêm fazendo desde que me conheço por gente: montar um balcão de negócios em Brasília e vender o voto para quem dá mais. E aquela história de que você é responsável pelo seu deputado e deve fiscalizar os atos dele, o que sacramenta a situação do eleitor como cúmplice compulsório, é uma propaganda enganosa. Você vai encontrar um trabalho cansativo, indignante, impossível e inútil. Você vai esbarrar numa infinidades de desvios democráticos que passam por votos simbólicos, secretos, de bancada e assim por diante, e um dia você vai se olhar no espelho e enxergar um bobo. Tente fazer isso! Fica o desafio!

Para senador pensei em votar no mais honesto! Ele vai perder! Ainda estou indeciso sobre esse voto! Primeiro porque não estou certo de que o meu candidato em potencial pode fazer algo de útil no senado. E, em segundo lugar, não sou de opinião de que o senado seja algo útil. Se, no lugar de escolher um senador, me fosse apresentada a opção de escolher se essa câmara dos lordes deve permanecer em funcionamento o meu voto, hoje, seria pelo fechamento, com discursos, honrarias e os salamaleques de praxe, mas sem saudades. O senado é uma coisa muito cara e pouco produtiva!

Depois, descendo na cola, temos o voto para governador. Já escolhi! O meu segundo voto convicto no ano! Não esquecendo que, em política, assim como a virgindade, a convicção é um artigo de vida efêmera! Mas vou correr o risco! Por um detalhe fundamental, o meu risco não é exatamente igual ao dos que vão votar de forma diferente, pois o meu candidato não vai ganhar. Infelizmente! Acredito que vou ficar sem saber como é romper essa convicção!

E, finalmente, vou ter que escolher alguém para o cargo máximo da cadeia democrática nacional. Vou ter que desempenhar esse meu direito! Apesar de Dilma insistir em ser chamada de presidenta eu continuei a dizer que ela é presidente do país. E o mesmo se aplicaria à Marina! Se eu tivesse optado pela tratativa que a presidente prefere, hoje, falando em voto para presidente, estaria, obrigatoriamente, abrindo meu voto para o Aécio. Por outro lado, estaria refutando, se falasse em voto para presidenta. Que situação! Que bobagem! Que falta de assunto! Pois sou obrigado a escolher o que não quero! Seria tão mais fácil se eu fosse um bolivariano enquadrado, ou um crente fervoroso, ou um neoliberal genérico!

Voto facultativo é voto livre.

11/01/2014

Um grupo de deputados de 13 partidos aprovou em 24 de outubro do ano passado uma proposta que prevê o fim do voto obrigatório. A intenção é substituir o processo atual pelo do voto facultativo, como já acontece, por exemplo, dos EUA e na França. Hoje a nossa constituição permite o voto facultativo apenas para os analfabetos, para os menores de 18 anos e para os que têm mais de 70 anos.

Essa proposta, para ser transformada em lei, necessita ser submetida à votação em dois turnos, na Câmara e no Senado. O projeto de lei que (entre os vários itens que englobam a pretendida reforma política) permitiria dar ao eleitor o poder de decidir se quer votar, ou não, foi apresentado como parte de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) em 05 de novembro. A PEC passa agora a depender do voto favorável de 308 dos 513 deputados e de 49 dos 81 senadores. Se aprovada valerá para as eleições de 2018. Se não atingir esses números, será arquivada.

A proposta deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de voltar para a Câmara dos Deputados. Segundo integrantes do grupo de estudo há expectativas de que a PEC seja discutida naquela Casa em março deste ano.

Embora velho, o tema “reforma política” ressurgiu no calor dos movimentos populares de junho passado, e voltou a ser assunto para os políticos quando Dilma sugeriu uma Assembleia Constituinte exclusiva, que foi rejeitada pelos próprios aliados do governo. Dali evoluiu para um debate mais amplo que agora se esboça na PEC e que pretende, após vencer os trâmites legais, chegar a uma consulta popular ainda em 2014.

Sempre podemos encontrar argumentos favoráveis ou contrários a qualquer uma das formas de votar. Atualmente o voto é obrigatório há 81 anos. Eu defendo a voto facultativo.

A meu ver qualquer ação de cunho político que seja obrigatória fere o princípio da liberdade democrática. Alguns torcem o sentido entre dever e direito argumentando que é um dever democrático usar esse direito. Penso que não é esse o dever democrático do eleitor. É dever do eleitor apenas escolher um candidato de acordo com sua consciência e da forma mais sensata possível. Assim como é dever democrático do político eleito – o que infelizmente não se verifica na prática, com um número vergonhosamente grande de políticos – exercer de forma digna o direito democrático que lhe foi outorgado. Nas eleições deveria prevalecer a liberdade democrática de exercer o direito de voto quando o candidato foi hábil suficientemente para mover o eleitor de sua zona de conforto.

Não sejamos ingênuos de acreditar que o voto facultativo não pode ser coagido, chantageado, ou comprado. A classe política tem uma longa experiência nesse sentido, desde as pequenas manobras individuais envolvendo o arroz com feijão que sacia a fome até as promessas institucionais de bolsas redentoras para quem está acostumado a ter a sua acomodação subsidiada pelo poder público. Teríamos que fazer mais do que uma reforma política para sanar essa chaga. Reformar a consciência requer bem mais tempo, ou, talvez, até um salto evolutivo. Mas – e acredito que nesse ponto deva existir uma concordância quase unânime – essas manobras seriam bem menos eficazes com eleitores de senso crítico mais apurado.

Hoje o eleitor é obrigado a sair de casa para votar no “menos ruim”. E o eleito pode ser o incapaz disponível, ou aquele que consegue transformar uma bizarrice qualquer em votos de protesto.

O voto facultativo atrairia aquele que se interessa pela política e afastaria aquele que não quer se envolver naquele momento. Hoje a abstenção chega a 20%. Sem a obrigatoriedade, a abstenção seria maior, mas o resultado representaria a parcela da população que realmente está interessada circunstancialmente no processo ou que foi seduzida pela argumentação de um determinado candidato.  Nas eleições dos EUA a abstenção é, em média, de 55%, mas ninguém faz comentários contra a legitimidade do processo eleitoral daquele país.

O repúdio aos candidatos seria mais evidente e poderia desacreditar um partido. No voto facultativo os partidos precisariam se esforçar na apresentação de produtos inteligentes que convençam o eleitor de que vale a pena sair de casa e ir votar. A ideologia por trás do partido seria um importante elemento mobilizador e necessitaria ser respeitada, bem entendida e bem explicada.

As pesquisas de intenção de voto transformam os números de uma pequena mostra numa projeção aplicável ao todo, e raramente erram. Eles levam em conta o conhecido contingente de eleitores que respondem passivamente à obrigatoriedade do voto. E eles acreditam piamente que “a massa não quer perder aquele jogo”. É o princípio do voto útil. Com o voto facultativo os resultados das eleições poderiam apresentar grandes surpresas. Surgiria no país o voto inteligente, não manipulado, não cabresteado, que se forma rapidamente no mundo da comunicação instantânea. Aquele voto do indivíduo que fecha o “face-book” e diz: “Chega! Vou lá mudar isso aí!”

Voto facultativo é voto livre.