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A verdade sobre o encontro de Lula, Jobim e Mendes.

29/05/2012

A matemática é linda. Nela se baseiam a lógica, a mecânica universal, e sua prima divagante: a filosofia. Para nós, simples mortais e amnésicos patrões no contexto democrático, a matemática é oracular. Podemos concluir (e me contradiga quem quiser) que:

1º) SE Lula, Jobim e Mendes comungassem o mesmo posicionamento sobre o  assunto (fosse ele qual fosse) de 26 de abril, ele morreria lá, e nós nunca saberíamos de nada.

2º) Como houve vazamento eles NÃO falam a mesma língua, embora pertençam, cada um a sua moda, à mesma corporação.

3º) A pressão que um dos lados sofre É maior que sua capacidade de ser administrativamente coerente (e quando falo de coerência falo sobre a necessidade de manter sigilo, mesmo que os enganados sejamos nós (para o nosso próprio bem, como diria minha avó!)).

4º) O assunto (fosse ele qual fosse) É sobre algo que nos diz respeito (mesmo que alguém jure sobre o túmulo da mãezinha que o tamanho da propina na compra da latrina seja só pra gente fina!)

5º) Entre Lula, Jobim, e Mendes nós TEMOS um ou dois mentirosos, embora eu esteja sendo condescendente em nome da matemática.

6º) E que nós NÃO ficaremos sabendo, realmente, a verdade sobre o assunto (fosse ele qual fosse).

Considerando o quilate dos protagonistas, não me permito pensar que esses indivíduos sejam de má índole, gatunos, interessados no próprio bolso. Não penso dessa forma, e até alimento uma sincera simpatia por dois deles. Posso conjecturar que nas tratativas ocultas eles se deixem levar pela vaidade ou pela soberba do poder, pecados perdoáveis no Olimpo, quando confabulam sobre a logística política num país desse tamanho. Mas o cheiro que nos chega, e esse nós não perceberíamos  se fôssemos anósmicos, é de que os grandes julgamentos das bilionárias rapinagens nacionais podem estar sendo consideradas picuinhas divertidas, adiáveis, que podem ser roladas como jogos que distraem a massa democrática, e que com o passar do tempo, e para o bem da corporação (artigo primeiro da verdadeira constituição), algumas blindagens devem ser obtidas a qualquer custo. Mesmo correndo riscos idiotas. E é ISSO o que nos assusta.

Horário Político.

22/06/2011

Os cordeiros da propaganda se transformam rapidamente em lobos após a eleição. Num logro perpetuado. Isto tem que acabar. A nossa ignorância tem que acabar. O nosso senso crítico frente ao que é propagado deve acordar.

Ligo a televisão e vejo uma jovem dizer: “eu sei que a maioria das pessoas não gosta de política, mas não há democracia sem políticos, e há os políticos do bem…” ou algo assim, ou coisa muito parecida, numa fórmula em que os políticos não falam, mas uma outra pessoa, jovem, inocente, crédula, esperançosa, vulnerável, ali possivelmente uma atriz, consegue transmitir aos telespectadores a idéia de que alguém “igual a você” acredita realmente naquela sigla, que não me lembro qual e não importa saber qual seja, naquela falsa ideologia, que repete a mesma música partidária universal que repete o mantra: “venha se unir a nós, pois nós somos os bons, nós temos a solução dos problemas de sua cidade, faça isto por você”.

Os métodos mudam até a náusea. Goela abaixo. Hipoteticamente gratuito num horário nobre em que o minuto custa mais de um milhão para as empresas privadas.

E o que isto muda? A quem isto convence? O que isto melhora para o processo democrático do país? Em que termos esta enganação teatralizada melhora o senso de escolha do brasileiro que vota?

Num mundo que parece paralelo, mas é contíguo, as fraudes continuam, a corrupção vergonhosa ofende a nossa inteligência, e o fisiologismo corporativista maquiado em nuvens de regimentos, leis, normas, conchavos, acordos, e arquivamentos inexplicáveis continuam.

Parece que o mundo da propaganda política fica num planeta diferente daquele em que vivem os protagonistas da política que rege o nosso país.

É real que não há democracia sem políticos? Na nossa realidade é! Partindo do princípio de que a democracia é um governo coordenado pelos políticos eleitos pelo povo, é! Mas há duas realidades: a da propaganda em busca da eleição, e a da consagração após a eleição ter sido efetuada. E o que nós vemos neste momento? Que aquilo que é feito não é aquilo que foi propagado. Os cordeiros da propaganda se transformam rapidamente em lobos após a eleição. Num logro perpetuado. Isto tem que acabar. A nossa ignorância tem que acabar. O nosso senso crítico frente ao que é propagado deve acordar. A tal democracia apregoada constitucionalmente deve começar a valer. A imunidade parlamentar deve acabar. Os sigilos administrativos não podem existir. A mentira televisionada pela propaganda política gratuita deve acabar.

A propaganda é uma arma poderosa. Ela fez uma geração fumar. Ela matou de câncer uma boa porcentagem desta geração. Ela agora esta tentando reverter este quadro por que os custos médicos com as doenças cardio-respiratórias são maiores do que os ganhos com os impostos pagos pelo cigarro. A propaganda pode ser usada para o bem ou para o mal. A propaganda política está tentando nos convencer com imagens que não podem ser comprovadas pelos telespectadores, de que indivíduos que nós não conhecemos são os mais capazes para nos governar. Será que um dia a propaganda terá que nos convencer de que nossas escolhas estavam erradas para poder banir os corruptos da administração pública? Não podemos ser mais inteligentes e encurtar este caminho? Não podemos fechar os ouvidos e os olhos a este teatro televisivo que quer convencer com palavras e imagens que nos mostram o vento e a sombra? Não podemos observar o que realmente está acontecendo na vida real e usar a nossa consciência para julgar? Se a TV é obrigada por lei a vomitar em nossa casa uma propaganda enganosa não será hora de desligar a TV?

E assim caminha a humanidade…

15/08/2010

As leis definem o direito da mentira bem contada e fundamentada. A verdade deixou de ser o fato real, ou o justo, mas a história travestida por artigos e incisos coerentemente entrelaçados, conforme um código que defende o melhor contador de histórias e não o detentor da consciência mais limpa.  Já não é válido ensinar a um filho que ele não deve mentir, ou que o crime não compensa. Preparar um filho para a vida é ensinar que ele deve saber mentir bem, e que o conceito de crime, sendo volátil, depende da habilidade de sua assessoria jurídica. A ética foi violentada pelas leis. A consciência agoniza.

E isto nos deixa um profundo sentimento de tristeza…

O “poblema” ‘tá nos “pensamento” das “pessoa”!

13/04/2006

Coisa de trinta anos atrás. Era um fim de tarde invernoso. Saía da policlínica em que trabalhava na época. A chuva fina e fria, somada ao barulho da rua, coroava de forma expressiva um dia em que a lei de Murphy fora cumprida em todas as instâncias. Eu relutava em ganhar a rua. *** O porteiro (um sábio anônimo que me abria a porta todos os dias e de quem não guardei o nome) me saudou: “Cara amarrada, doutor!” como nos saúdam os desconhecidos íntimos, comuns nas cidade grande. “Problemas!” respondi num reflexo, e repeti mais para mim: “Problemas!” O porteiro disse, então: “O poblema tá nos pensamento das pessoa!” Naquele instante a semântica ficou encoberta pela concordância torta. Só sorri em resposta. E enfrentei a chuva. *** Hoje, num exercício mnemônico, tento recordar uma frase que me inspire e norteie, das tantas de efeito ditas pelos doutos mestres que tive, mas a única que me vem à mente é a do porteiro. *** O indicativo mais sintético dos problemas da humanidade está nesta frase. Nada expressa melhor o isolamento mental do ser humano e as conseqüências disto. Quantos conflitos, entre pessoas ou povos, ocorrem pela não verbalização do pensamento, ou pela sua má tradução em palavras! Como é difícil descrever eficientemente os sentimentos e as abstrações! As razões que justificam cada certeza estão codificadas na rede neuronal que concatena os inúmeros elos de cada pensamento! A real interpretação que cada um faz da verdade está lacrada em pensamentos individuais e nunca será realmente compartilhada; pelo menos neste estágio evolutivo! *** E se, por um instante, o véu da cegueira fosse rompido, ruindo a Babel neurofisiológica que nos faz ilhas! E se a mente humana (não de um homem, mas sim de todos os homens) fosse capaz de partilhar os pensamentos de forma límpida! Será… será que a moral infame que tantos homens personificam não nos aterrorizaria? Será que suportaríamos o desamor e o escárnio que se esconde sob sorrisos humanitários? Será que o veneno do ódio em suas mil faces não nos cegaria? E se o fedor da podridão nos invadisse a alma nos sufocando… Será!? *** Que tristeza! Quanta dor sentida pela parte que ainda ama e ajuda! Que pena! A humanidade ainda não está pronta para nascer como um ser único. Muitos pensamentos necessitam morrer antes da somatória que nos libertaria. Não podemos transformar nossa possibilidade num câncer cósmico! *** Pensando bem… agora me lembro do olhar triste do porteiro!