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E afinal, há copa!

13/06/2014

Brasil 3 x 1 Croácia

Na outra copa no Brasil eu não tinha dois meses completos, portanto me redimo daquela, mas fica difícil dizer que não tenho minha parcela de culpa nessa! Ou na elaboração ou nos resultados! Sejam eles quais forem! Então o negócio é torcer, não importa pra quem…

Como é difícil torcer pelo Brasil! Primeiro sentei torcendo para ser convencido de que valia a pena torcer! Não fui! Depois torci para que o Marcelo empatasse, num gesto heroico de compensação! Mas isso não aconteceu! Torci para que o goleiro croata defendesse o pênalti que só o japonês viu! Não deu! E quando eu pensava que ia ter que engolir que a malandragem, desta vez a do Fred, é o que impera e resolve os problemas nesse país, fui surpreendido pelo bico do Oscar. Pelo menos o melhor em campo, aos 45 minutos, deixou a vitória menos desconfortável.

Tenho um vizinho argentino que gritou do muro, assim que o jogo acabou: “Ganado, pero robado!” E eu me fiz de Dilma no Itaquerão: fiquei quieto! Vá que o hermano resolva cuspir um repertório de baixarias portenhas pra cima de mim!

Ou nós acabamos com a política velha, ou a política velha acaba com o Brasil.

06/04/2014

Entre espantados e indignados, ano após ano, vemos o nosso país ser palco e plateia de escândalos financeiros bilionários e inexplicáveis aos olhos da democracia. Como pode? Como deixamos isso acontecer? Qual é a consciência que move essa gente? Para algumas dessas perguntas, como a última, é fácil encontrar uma resposta! A consciência que move essa gente é a do ladrão! Elástica! Cheia de gatilhos que a justificam! Nem um pouco interessada nas pessoas ou em suas necessidades. Essas vítimas anônimas são transformadas numa massa amorfa e despersonalizada chamada país, que tudo aceita, como a mãe de um criminoso, que não desconhece os delitos do filho, mas fecha os olhos e o afaga. E todos os dias ouvimos pelos meios de comunicação mais e mais notícias de desvios inacreditáveis que salvariam milhares.

Há 4 anos foi feito um cálculo de que, em 2009, haviam sido desviados, dos cofres públicos, “…nas várias esferas do governo, 258 milhões, 326 mil, 432 reais, e 14 centavos. Neste cômputo só está a quantia que sumiu sem deixar nenhuma dúvida razoável sobre a lisura do destino dado…”. Nós sabemos que, nos dias de hoje, se os critérios que definem “dúvida razoável” fossem revisados e atualizados essas cifras inchariam consideravelmente. Eis o fato desdobrado: o dinheiro, sendo público, deixou de ser aplicado nas ações públicas; uma das ações públicas mais carentes de verbas é a solução dos problemas na área de saúde; como, com um indivíduo hospitalizado por um mal tratável, mas que morreria sem os recursos necessários, gastava-se em média, na época, 25 mil e 200 reais, o dinheiro desviado poderia salvar a vida de 10 mil e 251 brasileiros. Matemática euclidiana primária. Mesmo sem contar o que a máquina pública perde pelo caminho, por sua morosidade e ineficiência, isso já poderia ser configurado como um massacre! Ninguém está vendo isso? Se alguém está vendo cabe repetir as outras perguntas! Como pode? Como deixamos isso acontecer? E ainda acrescentar aquela que se impõe: Nós nunca vamos parar essa sangria?

É muito difícil determinar as fronteiras entre os desfalques. Há momentos em que o passado se mistura com o futuro numa terra de ninguém, cheia de números imensos, gatunagens e impunidades recorrentes. Mensalões com sobrenomes de partidos. Vergonhosa desvalorização da Petrobrás. Programas sociais maquiando a compra de votos. Copa do mundo superfaturada. Caixas de campanha comprando candidatos. E por aí vai. Permitindo até que se afirme que é um enorme desafio encontrar uma obra pública em que não houve algum tipo ou algum grau de desvio do dinheiro público.

Nós precisamos acabar com isso!

É claro que essas coisas acontecem com o aval da democracia. Então necessitamos usar os mecanismos da democracia para mudar essa triste realidade. Necessitamos mudar as regras do jogo. O sistema político vigente é ultrapassado, cheio de vícios e não dispõe de regras que coíbam e enquadrem os malfeitores de forma eficaz. É uma fantasia acreditar que os políticos eleitos pelo sistema atual queiram mudar essas regras. A política precisa ser reformada. Precisamos eleger políticos comprometidos com essa reforma. Parodiando o slogan que se referia à saúva, poderíamos dizer: Ou nós acabamos com a política velha, ou a política velha acaba com o Brasil.

Estamos sós? Senhora Presidente!

19/07/2011

Quando você tenta fazer uma análise sobre os escândalos políticos que ocorreram e ocorrem em nosso país entra num mundo surrealista. Não é possível fazer uma contabilidade, em milhões ou bilhões, de quanto foi o desvio de dinheiro, digamos, do mensalão para cá. De quantos recursos foram roubados dos esfomeados, dos doentes, dos sem teto, e dos aculturados, pelos ladrões que se escondem nos parlamentos, tribunais e ministérios. Chegamos ao ponto de não sabermos quando termina um escândalo e começa o outro. Chegamos à banalização. Os meios de comunicação desdobram editoriais veementes. As provas se amontoam e se arquivam, sem interrupção, num constante processo de blindagem de alianças em nome da governabilidade. A chantagem é uma moeda política corrente e todo mundo acha isto normal. O povo toma conhecimento da ilicitude pelas piadas e pelas charges. E ri!

Não há neste país nenhum poder capaz de dizer que isto é imoral? O governo é a cara do povo. Então é apenas isto? Se o povo é corrupto o governo também deve ser corrupto? Nada pode ser feito que nos devolva o orgulho de trabalhar por este país? Não há ninguém com poder suficiente para dizer um basta para a canalhice que nos humilha? Não há ninguém em nenhuma esfera governamental com força suficiente para dizer que não é este o país que queremos para os nossos filhos? Devemos nos conformar? Os poderes têm o poder para quê? Para esquecer? Para olhar para o outro lado? Para serem cúmplices? Estamos sós, Senhora Presidente?

Tá vendo o carro da pinta?

10/03/2010

-Tá vendo o carro da pinta?
-Tô.
-Baita carrão!
-Baita.
-A mina da pinta é a maior vacilona!
-!?
-Quando encosta nem chaveia.
-É?
-Só.
-Beleza.
-Ligou dois e dois?
-Quase… me ajuda.
-Nóis fica na espreita. ..vacilou… nós acha! Sacou?
-Saquei!
-E achado não é roubado!
-Beleza!
-Depois nóis vende por dois pau.
-Isto!
-E defendemo o pó das criança!
-Criança? Quem tem criança?
-As criança semo nóis! anta travada.
-Belezura. Belezura.
-Então vamo nessa!
-Peraí…!
-Pensando?
-Tô! Tá saindo… Dói… Peraí…!
-Pensa logo.
-E o comprador?
-Já tenho.
-Já? Que rápido! Quem?
-A pinta do carro.
-Como assim? Tu acha qu’ele vai querê?
-Claro! Qual o trouxa que vai deixar de comprar um carrão destes por dois pau? Maior negocião!
-Beleeeza!! Maaano! Mas como tu é esperto! Podia sê inté deputado.
-Podia! Mas dispois…