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O significado do Natal!

15/12/2010

Um grupo de meninas desenvolvia na saída do colégio uma acalorada conversa sobre o Natal. Os temas variavam sobre os planos para o feriadão, quais os presentes prováveis que ganhariam, ou que gostariam de ganhar, quais planejavam dar para seus namorados, onde fariam a ceia, e sobre os preços de um ipod ou de um smartphone. O padre Omero, que era o professor de religião, ao passar por elas fez uma curta mas severa reprimenda: “Seria muito bom se as senhoritas, em vez de ficarem ocupando o tempo com frivolidades, mudassem o foco para o real significado do Natal, que é a comemoração do nascimento do Menino Jesus.” E foi embora pelo corredor com uma dúzia de olhos indignados cravados em suas costas. Marilu foi quem disse: “Era só o que faltava! Agora os padres querem também achar um significado religioso pro Natal!” E todas concordaram. A religião queria se apropriar até do Natal! Quanta desfaçatez!

Em nome do Senhor!

16/10/2010

Entrei num daqueles “lugares” na internet onde são feitos os comentários sobre uma notícia qualquer. Fiquei impressionado com a necessidade catequizadora da grande maioria dos participantes. Na verdade há um grupo formado por aqueles que achincalham sistematicamente. Não estão nem aí pro conteúdo da notícia. Eles querem é zoar. E há aquele outro grupo gigantesco, a que me referi no início, que prega sem medidas a “palavra do senhor”. Lembro dos tempos em que eu era evangelizado. Uma das coisas que me diziam era que não se devia usar o nome de deus em vão. Não que ele, existindo, se importasse com a retórica usada nessas picuinhas. Mas cá entre nós! Não lhes parece que fé goela abaixo é algo no mínimo incômodo? Não lhes parece que o púlpito em qualquer lugar e a qualquer custo, nem que seja numa privada, perde a elegância e a eficácia? Não lhes parece que aquele que reza demais pode passar do céu?

A relação do cu com as calças!

07/09/2010

A expressão “O que o cu tem a ver com as calças?”, conta a lenda Levi’s, era justificável para os mineiros que não entendiam a razão de se usar brim de barraca para fazer calças. A razão era que as calças durariam mais nos fundilhos.

Quando eu digo que Pongo é quem tem razão me chamam de louco. Terry Jones, pastor americano de uma igreja cristã carismática, prometeu queimar exemplares do Alcorão na 9ª passagem do 11 de setembro. Ou seja: Word Trade Center ligado com ataque terrorista, ligado com origem árabe, ligado com muçulmanos, ligados com Alcorão, tá ligado! Silogismo fundamentalista cristão. Já nos países em que a fé predominante é a islâmica, populares queimam bonecos do pastor e a bandeira dos Estados Unidos e atiram pedras nos veículos deste país. Efeito rebote em defesa de seu livro sagrado.

Num planeta cada vez menor todo mundo é vizinho. Para justificar uma cruzada ou um jihad basta um cabeça de bagre ensandecido e com poder. Pronto: está feito o pirão. Os dois lados voltam a se matar em nome do deus único que um lado chama de Jeová e o outro de Allah. E cometem todas as barbaridades em nome do mesmo deus que a ignorância dividiu. Deixe o Alcorão em paz, Sr Terry. Não incite a violência em nome de deus.  “Se eu fosse um teísta não conseguiria encontrar nenhum pecado maior.”

A Bíblia!

17/03/2010

Li a Bíblia inúmeras vezes. Não saberia dizer quantas. Nas duas primeiras eu ainda usava batina e a li com a fé e o deslumbramento dos fundamentalistas. Depois eu voltei a ler ou movido pela curiosidade ou pela crítica, conforme os apelos do momento. A li comparando-a com as bem mais antigas lendas sumérias ou acadianas, e encontrei releituras ou plágios gritantes com nomes dos personagens trocados. A li procurando referências justapostas as dos livros de Erich Von Daniken, e encontrei uma estupenda biblioteca ficcional.  A li a procura das maldades perpetradas por um deus ambíguo que ora ama e ora manda o pai matar o próprio filho, e, tirando os excessos do ateu sem dúvidas, que são quase idênticas aos do fanático religioso sem dúvidas, pude entender Richard Dawkins. A li fazendo comparativos entre a cronologia bíblica e o conhecimento geológico, e vi enormes contradições entre a história contada e as constatações científicas. A li até para traçar um paralelismo entre o relato bíblico e as aventuras de Jasão de J.J.Benítez na série sem fim de “Operação Cavalo de Tróia”, ao ponto de ficar enjoado. A li tentando achar argumentos que corroborem as afirmativas criacionistas mas conclui que Charles Darwin ganha de goleada. Mas aconselho a todos que a leiam. Nunca tome de empréstimo opiniões sobre a Bíblia. É como uma experiência mística: você só pode amá-la ou odiá-la depois de passar por ela.

A bíblia é tão rica na permissividade para variadas interpretações que o próprio diabo pode ganhar incontáveis discussões citando seus versículos. A bíblia serviu de guia e bandeira para as nove cruzadas que, em nome de Deus, da fé, da igreja, do Papa, e para obter o perdão dos seus pecados, e alcançar as graças de uma vida eterna cheia de delícias, marchou sobre a Palestina com a finalidade de conquistar a Cidade Santa de Jerusalém, matando todo e qualquer muçulmano pelo caminho, fosse homem ou mulher, fosse velho ou criança, sob o fio das espadas bentas pelo sumo pontífice, aprofundando indefinidamente o abismo preconceitual entre as duas religiões. O que nem Deus sabe quando vai terminar. Quando a chacina começou, em 1096, a ignorância e o medo do fim do mundo que, como sempre, estava próximo, justificaram o cego deslumbramento religioso que moveu os “firanj” contra os irmãos do leste, mas depois a Igreja criou gosto pela atividade e a manteve por dois séculos, até 1272. Pilhagem é um negócio muito lucrativo. Na época ninguém percebeu que a briga era motivada por uma diferença lingüística. O que num lugar era chamado Deus lá adiante era chamado de Allah. O cara era o único e o mesmo, só os idiomas eram diferentes. Mas a palavra do verdadeiro Deus, expressa na Bíblia, necessitava entrar na alma daqueles infiéis nem que fosse goela abaixo.

O Papa Leão X em seu divino poder de representante de Pedro, inspirado pelo Divino Espírito Santo, debruçou-se sobre a Bíblia e fez ótimos negócios vendendo indulgências aos crédulos. Nesta negociata ficava acordado que pelo pagamento de quantias variáveis, utilizáveis na reforma da basílica de São Pedro, se podia comprar o perdão de pecados, inclusive de parentes mortos penando no purgatório, considerado na época uma espécie de ante câmara para o inferno, onde os pecadores ficavam a espera de que algum familiar amoroso pagasse sua fiança. Graças a esta aberração a Igreja fomentou o surgimento do teólogo e monge agostiniano Martinho Lutero, que, com razão e com a Bíblia em punho, sentou o pau na corrupção da Igreja Católica e daí nasceu o protestantismo e toda esta infinidade de seitas que conhecemos hoje. Inclusive as que rezam, atualmente, frente às câmaras em agradecimento pelo recebimento das propinas que sacramentam a política laica.

É por isso que afirmo: a única palavra verdadeira é a minha, e quem for meu seguidor estará completamente perdido!