Posted tagged ‘realidade’

A herança do PT!

03/02/2016

Em 10/02/16 o PT completa 36 anos. Nesse período alcançou números impressionantes e foi protagonista de fatos importantes em nossa história recente: Tem a maior bancada do Congresso e conquistou quatro mandatos presidenciais… Gerou o maior rombo econômico da história… E uma decepção imensurável, para quem acreditou que essa força nova poderia redimir moralmente a nação… Criou o pensamento mágico de que é possível respirar o poder sem saber de nada… Prometeu salvar o país e se aliou aos ladrões, afogando, de forma fantástica, a nossa esperança em encontrar gestores públicos confiáveis… Enfim, jogou o P e o T na velha e azeda sopa de letrinhas da canalhice da política nacional… É uma herança e tanto!

E eu votei 5 vezes no PT! Duas para vereador, uma para prefeito e duas vezes para presidente! Duas vezes no Lula…!!! Que Deus me perdoe!

Coisas que todo sexagenário deveria saber!

23/01/2013

 

  1. Ler obituários não faz bem pra saúde!
  2. Se você quer ter o prazer de chegar aos oitenta pare de usar tudo que lhe dá prazer.
  3. Álcool, sal, açúcar, farinha de trigo, nata, manteiga, e carne vermelha podem matar!
  4. É obrigatório ter um cardiologista!
  5. Melhor seria ter dois cardiologistas, um urologista, um ortopedista, um geriatra…!
  6. Aprenda a mijar deitado! Um dia vão lhe dar um papagaio e exigir isso de você.
  7. Um velho careca ou grisalho é mais sexy do que um velho de cabelo pintado.
  8. Um velho de cabelo pintado é tão ridículo quanto um velho de peruca.
  9. Políticos são indivíduos que precisam muito de você de 4 em 4 anos.
  10. Quem aos 60 acredita no Papai Noel e no Coelho da Páscoa deve continuar votando.
  11. Sexagenário não é uma palavra derivada de sexo!
  12. Se alguém lhe perguntar “qual posição sexual o vovô prefere?” você já acabou!
  13. Aposentadoria é um salário doente e em fase terminal. Geralmente você acaba antes!
  14. Aos 60 é impossível ficar mais inteligente. Então procure ficar mais sábio!
  15. E é impossível explicar seja o que for para quem não quer saber. É melhor ficar calado!

O justo paga pelo pecador.

29/11/2010

Naquela ilha todos viviam de acordo com os mais sagrados princípios religiosos. Na verdade, nem todos! Numa colina havia uma casa onde moravam mulheres pecadoras. Durante a noite, alguns homens pecadores iam até lá. E lá eles cometiam os pecados que homens e mulheres costumam cometer quando não estão nem aí para os sagrados princípios religiosos. Os outros habitantes da ilha não viam com bons olhos esta atividade que maculava o desejo dos mais puros de transformar aquela ilha num paraíso do Senhor sobre a Terra. Mas o quê há de se fazer?

Numa noite a ira do Senhor se deitou sobre a ilha na forma de uma onda enorme e lavou tudo e matou todos. Na verdade, todos não! A casa da colina não foi atingida e os que estavam lá foram poupados. Um pequeno erro de cálculo, diria o Senhor. Coisas da vida.

Quando a natureza se acalmou os sobreviventes trataram de se mudar para outra ilha onde terras mais altas os protegeriam de futuras ondas. Por via das dúvidas resolveram fazer uma média com o Senhor e passaram a viver de forma mais comedida. Nunca se sabe! E assim viveram felizes para sempre!

Você Já foi visitado por um recenseador? (Alguma vez na vida?)

20/09/2010

Um dia você para e observa que há coisas que parecem estar acontecendo com todo mundo, menos com você. Foi o que aconteceu comigo. Há um censo em andamento. O 6º desde que nasci. Para todos os efeitos, se as informações colhidas pelo censo são relevantes, eu ainda não existo. Pelo que constatei, eu e muitas outras pessoas. Há propagandas na TV. Há informações detalhadas no site do IBGE. Há um pequeno exército nas ruas colhendo dados em todo o país. Ou não? No entanto nunca fui visitado por um recenseador. Nem em casa e nem no trabalho. Nem agora e nem em toda a minha vida. Fiquei curioso e resolvi ligar para dez pessoas. Nove me disseram que nunca haviam sido visitadas. Uma me informou que se lembra de ter respondido a um questionário em 1991. Perguntei para mais dez durante os seus atendimentos no consultório. Uma me disse que uma pessoa esteve em sua casa e perguntou quantas pessoas moravam ali e quantos banheiros havia na casa. Todos os outros se encontravam na mesma situação que eu. Claro que a minha amostragem é insignificante ao lado da população do país. Então eu pergunto: Você Já foi visitado por um recenseador? Alguma vez na vida? Na verdade o censo está acontecendo! Ou não?

No fim a história é assim…!

11/05/2010

“A comida hoje estava uma merda! Não é, Shiiiu?” E Shiiiu, invariavelmente, balança a cabeça numa concordância frenética seguida de um “gãã”, ou ri, ou chora, ou peida, ou tudo junto, e rimos da vida, ou do que resta dela.                                   

Esta história é verídica! Não em sua linearidade. Pois ela aconteceu em três lugares diferentes e alguns nomes eu troquei porque há personagens ainda vivos. Mas cada pedaço dela, cada episódio, cada drama ou comédia, são instantes verdadeiros da vida de alguém. Nada foi inventado por mais surrealista que pareça. É possível rir, ou chorar. É possível se enxergar aqui e ali. E o pior é que ela continua acontecendo… e talvez venha a acontecer com  você!

Olá! Meu nome é João. Sou um aposentado e moro num asilo. Asilo é um depósito de velhinhos aposentados. É diferente de exílio, que é o lugar para onde mandam os governantes que foram substituídos por inimigos. Exílio é no exterior. Assim como as embaixadas, que é o lugar para onde mandam os governantes que foram substituídos por amigos. O primeiro é um exilado que vive às custas do que ele conseguiu “exilar” enquanto era governante. O segundo é um embaixador, que é uma função remunerada por nós, em que se deve sentir muito pouca dor, como já diz o próprio nome: em baixa dor. (O trocadilho é infame mas irresistível!) Eu não sou um exilado e sim um asilado, e o nome da minha remuneração é aposentadoria. No começo eu recebia 4 salários. Hoje já recebo 2, e, se Deus quiser, vou morrer antes de chegar a 1 salário, que é o custo dos remédios que eu tomo.

Quando eu ganhava 4 salários diziam que eu contribuía para a renda familiar. Depois deixei de ser lucrativo e vim pra cá. Aqui circulam uns 40 aposentados. Uns são “apossentados” em sofás, outros “apossentados” em cadeiras de rodas. E há os “apodeitados” da ala dos “mangueirinhas”, que é como chamamos os alimentados por sonda naso-gástrica e que mijam por uma sonda enfiada na uretra. Naquela ala a rotatividade é bem maior. São aposentados em fim de carreira. Lá embaixo uma mangueira sai de sob os lençóis e se projeta para dentro de uma garrafa debaixo da cama transformando o ato de urinar num contínuo e misterioso gotejar de um líquido amarelo e fedido. Lá em cima a ponta de uma mangueira sai pela narina do cara enquanto a outra se aloja no estômago. Uma atendente conecta um seringão com comida liquidificada na ponta que sai pela narina, injeta o conteúdo e o sujeito fica alimentado; ou hidratado; ou tem seu estômago lavado e aspirado.  Uma facilidade. Estou aqui há 8 anos e quando ouço o zunido do liquidificador na cozinha um reflexo condicionado produz ácido no meu estômago e sinto fome. Mas, se Deus quiser, vou morrer antes de ser promovido a um mangueirinha.

Um dia eu caminhava. E no que me pareceu ser o dia seguinte eu haviam sido instalado numa cadeira de rodas, usando fraldas, com uma branquelinha vesga me obrigando a tomar água por um canudinho. A água teimava em escorrer pelo canto direito da boca e deduzi que alguma coisa de muito torta havia acontecido no interior da minha cabeça. “Que dia é hoje?” Perguntei com uma língua de chumbo. “Faz diferença?” Ela, morbidamente, me devolveu a pergunta. E estava certa. Não fazia. Apareceu a Valquíria, uma mulata forte capaz de segurar sozinha um mangueirinha no colo enquanto dava banho nele. “O que aconteceu comigo?” Perguntei. “Derramo!” Cuspiu Valquíria, numa síntese de delicadeza e conhecimento técnico.

Derramo no cu dela. Eu sentia que minhas mãos e boca voltavam gradativamente para o meu domínio. Dali para os esfíncteres foi um pulo. Mas as pernas não estavam colaborando integralmente. Cai várias vezes na porta do banheiro tentando chegar até o vaso. Até que me amarraram à cadeira com panos. Era para o meu bem, disseram. Eu havia sofrido uma isquemia. Um entupimento. Uma coisa da qual se pode recuperar com força de vontade e fisioterapia. E, se Deus fosse pai, eu ainda iria me livrar da humilhação de ter que cagar e mijar numa fralda podendo perfeitamente fazer isto orgulhosamente sentado na privada. Um dia eu disse para a vesguinha do canudo: “Me dá a porra do copo que eu seguro!” Ela me deu. Eu, vitoriosamente, segurei o copo e bebi toda a água em três poderosos goles sem perder uma gota sequer. A vesga pegou o copo da minha mão, fungou, riscou o meu nome da lista do canudo e foi embora. Aquilo só significou pra ela uma escala a menos na função de aguadeira. A puta havia transformado a minha suada conquista num risco na planilha. Se Deus quiser… ah! deixa isso pra lá.

Eu tenho um amigo cadeirante. Ele é o Shiiiu! Claro que esse não é o nome dele, mas quando ele começa a gritar as atendentes colocam o dedo indicador verticalmente na frente da boca e fazem “shiiiu” e assim ficou sendo o apelido dele. Além de gritar quando surta, ele faz também “gãã”, balança as mãos, baba, peida, ri ou chora sem uma causa aparente, e balança a cabeça no sentido afirmativo. Essa sua última característica é muito útil num monólogo com Shiiiu. Ele concorda com tudo o que eu digo. E quando eu faço perguntas para as quais eu quero que a resposta seja sim ele é o interlocutor ideal. “A comida hoje estava uma merda! Não é, Shiiiu?” E Shiiiu, invariavelmente, balança a cabeça numa concordância frenética seguida de um “gãã”, ou ri, ou chora, ou peida, ou tudo junto, e rimos da vida ou do que resta dela.

Um dia transferiram o Shiiiu pro meu quarto porque concluíram que ele surtava menos quando estava comigo. Não consegui me decidir se aquilo era bom. Tiraram dali um negro não muito velho, que ainda andava, roncava muito, mas não peidava. O terceiro morador do quarto era o Berto, um velho sacana que passava a mão na bunda das atendentes.

No asilo havia também senhoras, que eram poucas e ficavam num quarto grande numa outra parte da casa. Meninos e meninas não podiam dormir juntos. Mas nós nos encontrávamos no refeitório, ou quando nos punham pra quarar em dias ensolarados, ou nas horas das visitas, ou ainda quando um dos asilados aniversariava. Nesses dias nos entupiam de bolo com guaraná, e nos dias seguintes o consumo de fraldas triplicava.

Berto gostava de ser o centro das atenções quando havia festinhas. Ele contava piadas e mentiras com duplo sentido. Eu e Shiiiu, estacionados num canto, bebericávamos nosso guaraná enquanto Berto fazia o seu teatro. Eu bebia segurando bravamente o meu copo e o Shiiiu chupava no canudo da vesguinha, babando mais do que bebia. No dia em que a dos Anjos fez 90 Berto lhe disse: “Então a senhora conheceu o Senador Adolfo!” Dos Anjos, translúcida, apoiada em seu andador e educadíssima, respondeu que não estava lembrada desse senador em especial. “Mas como?” Espantava-se Berto. “Todos de sua época conheciam o Senador Adolfo Dias! Foi memorável o histórico discurso que o Senador Adolfo deu ali na esquina da Ambu-Sertório!” Mas dos Anjos permaneceu convicta de que não conhecera aquele senhor e as outras pessoas em volta de Berto sacudiam a cabeça concordando com a aniversariante. Eu ficava abismado com a pureza daquelas criaturas incapazes de captarem o sentido libidinoso dos trocadilhos de Berto. Ali também percebi que Shiiiu não era tão alienado quanto parecia, pois naquela hora riu tanto, e  peidou tanto, que acabou se cagando. Impestou a sala e a vesguinha do canudo teve que guiar rapidamente sua cadeira pra longe, onde pudesse ser higienizado.

Na semana seguinte aconteceu algo com o Berto. Ele estava imóvel, com o olhar vidrado e a boca torta. Respirava, mas não respondia ao ser chamado. Veio o Dr. Noés. Um hondurenho. Entre o momento em que ele entrava no quarto e a saída não se passavam mais de quinze segundos. Vinte seria um recorde. Nesse tempo ele encostava o estetoscópio no peito do paciente durante duas e meia a três batidas do coração e dizia algo que soava assim: “Trankilo! Puede suspender toda la medicacion, no es?” E a Valquíria ou outra perguntava aflita: “Até o Zé?” Que era a gíria local para o diazepan. “No, el Zé puede incluso cambiar a dos, no mas que tres, no es?” E a atendente suspirava aliviada pois todos os asilados recebiam um diazepan meia hora antes da novela das nove. E o Dr. Noés já em seus segundos finais da visita era questionado pela atendente impertinente: “E o que eu boto na ficha?” E ele da porta batia duas vezes com o dedo indicador na própria testa, e do corredor vinha o eco de sua voz: “Uma obliteracion o un rompimento de una vena acá, no es?” E já havia ido embora o sábio Dr. Noés após diagnosticar mais um “derramo”, no es?

Antes do almoço chamaram um padre para, por via das dúvidas, tentar limpar a barra do Berto com o Criador, já que tudo indicava que o caso era grave. Veio um Frei Capuchinho acompanhado de uma freirinha novinha em folha. Ele começou a murmurar os dizeres de um livrinho e desenhar crucifixos no ar, e de vez enquanto elevava mais a voz, talvez para que Deus o ouvisse ou para exortar o paciente a fazer algum gesto que indicasse o arrependimento de seus pecados. Nós, Eu, o Shiiiu, a Valquíria e dois outros asilados curiosos que entraram no quarto atraídos pelo movimento, aguardávamos, respeitosamente, que terminasse a extrema unção ou seja lá o nome que os padres dão atualmente para esse ritual. O Berto, até então mudo e imóvel como uma estátua, fez um gesto com a mão para que o Capuchinho e a freirinha se aproximassem. Essa, cheia de amor no coração, sorriu e disse: “Basta um gesto para que Deus o compreenda e o aceite em seu reino, meu irmão!” Mas Berto, demonstrando impaciência, quis que os dois chegassem bem perto, mais e mais perto, até que os ouvidos do Frei e da Freira estavam quase dentro da boca do Berto. Então ele disse em alto e bom tom: “Vocês dois são uns bundões!” E voltou a ficar mudo e estático, como todos nós, aliás. Até que o Shiiiu teve uma crise de riso e peidos e todos foram embora, menos eu, o Shiiiu e o moribundo.

Na hora do almoço rodei a cadeira e fui pro refeitório. Shiiiu sempre almoçava no quarto porque ele enfiava as mãos dentro dos pratos dos outros. Quando voltei Shiiiu estava quieto. Ainda ostentava um grande babeiro pintado com as colheradas que haviam sido desviadas do alvo, e um longo fio de baba amarelo-cenoura escorria do canto de sua boca. Então notei que o Berto não estava mais em sua cama. “Aonde está o Berto?” Perguntei pro Shiiiu. Ele continuou a me olhar com os olhos muito aberto. Custei a me dar conta que não adiantava fazer esse tipo de pergunta pra ele. “Levaram pro hospital?” Perguntei. Shiiiu estático; pergunta errada. “Morreu?” E Shiiiu balançou a cabeça afirmativamente, mas de uma forma triste, lenta, e depois fez algo surpreendente. Encostou a palma da mão direita sobre a palma da esquerda e as esfregou em um único movimento rápido de fricção, afastando as mãos uma da outra, o que produziu um chiado. E Shiiiu emitiu um som semelhante a “zupt”. O único diferente de “gãã” que algum dia ouvi meu amigo fazer. Ficamos muito tempo olhando um pro outro. Dois seres humanos esquecidos entre o fim da vida e a chegada da morte.

Alguns dias depois da morte de Berto esperei que a Valquíria aparecesse e argumentei com ela que era um contra-senso o meu gasto com fraldas uma vez que controlava perfeitamente a bexiga e o intestino. Eu só precisava ser colocado na privada, já que o asilo não dispunha de uma estrutura adequada para os cadeirantes junto aos vasos sanitários. Eu pensava perfeitamente, me comunicava melhor do que as pessoas que trabalhava no asilo, e não era justo ser privado do direito de fazer minhas necessidades e de me limpar como os seres humanos capazes de desempenhar essas funções básicas o faziam. Ela ponderou entre seus neurônios e disse: “Mas dá trabalho!” E eu, de forma idiota, em vez de seduzi-la, em vez de explicar que limpar a minha bunda dava mais trabalho do que um colinho da cadeira para o vaso e do vaso para a cadeira, perdi a cabeça, a chamei de imbecil e disse que eu iria trancar as minhas saídas até que a bexiga explodisse e a barriga se transformasse num gigantesco depósito de merda. Ela disse: “Duvide-o-dó!” Virou as costas e foi embora.

Eu já estava arrependido antes de terminar de proferir minha ameaça. Mas como voltar atrás? Ficar vários dias sem evacuar é relativamente fácil embora um dia tenha que se pagar com as conseqüências. Mas ficar sem urinar é algo dificílimo. Logo percebi que a capacidade de minha bexiga não era proporcional à minha coragem e nem à minha estupidez. Em um dia não consegui mais sair da cama e nem me alimentar ou tomar água. No dia seguinte comecei a apresentar suadores e calafrios e logo veio a febre. A dor começava a ser insuportável ao mesmo tempo em que eu constatava, horrorizado, que mesmo a tentativa de urinar, capitulando vergonhosamente, tornara-se impossível pois a distensão da parede da bexiga era tal que não deixava espaço para que voluntariamente eu pudesse contraí-la. Por fim a Valquíria apareceu e percebi que ela estava preocupada com as possíveis conseqüências de nossa quebra de braço. “Vou sondar!” Disse ela para a vesga do canudo que quase teve um orgasmo e saiu correndo em busca de uma sonda.

Naquela hora a tortura da sonda seria um alivio comparado com o que eu estava sentindo. A Valquíria abriu as minhas fraldas e aconteceu uma série de eventos que só depois pude reunir de forma lógica. Ela se deparou com uma estupenda ereção. A tesão do mijo. O esforço reflexo da vascularização do pênis tornando-o rijo para fechar a comunicação da uretra com a bexiga na altura da próstata. A Valquíria em sua ignorância gritou: “Velho tarado!” Eu rindo e febril me senti um Rambo armado com uma bazuca apontada para a cara do meu inimigo. As imagens de um geiser de Yellowstone prestes a explodir e outra de um chafariz bruscamente religado me vieram à mente. Um jato poderoso de mijo curtido por mais de 24 horas foi lançado com a força de uma mangueira do corpo de bombeiros na boca, nos olhos, e no cabelo chapado da minha algoz. Ela gritou e fugiu descabelada. O quarto foi lavado pelo meu alívio.  Tonto ouvi as risadas alucinadas e felizes de Shiiiu, que batia palmas e dava tapas na própria testa aos gritos de “Gãã, gãã, gãã, gãã.” Eu joguei as pernas pra fora da cama, mas elas não me obedeceram e eu cai em “slow motion” no chão…

Repentinamente lúcido me arrastei em direção ao banheiro disposto a lutar até a última hora pelo direito de mijar e cagar como um ser humano. Eu, João, aposentado, asilado, sequelado e escorregando no chão mijado, me sentia um herói.

A moça trabalha aqui?

13/03/2010

-A moça trabalha aqui?

-Tr-trabalho.

-Não se assuste com meu cunhado, ele é feio mas é gente boa!

-Ãh, ãh!

-Muito prazer! Meu nome é Liturgo! Mas não dei pra coisa…

-Ãh?… Ah!!

-Mas pode me chamar de Fino..

-Hum. Hum.

-Diz olá pra moça, Coisa-Torta.

-Grunf!

-Ele não fala muito; é meio-irmão da minha Lu… mas é gente boa.

-Sei.

-Tem um doutor que trabalha aqui… um barba branca… de óculos.

-Sei. Sei.

-Tratou do meu menino… a Lu trouxe outro dia… um neguinho, coisa mais amor, tem uma pinta aqui na bochecha.

-Hum. Hum. Estou lembrando!

-Viemos agradecer.

-Ah! O menino ficou bom?

-Está que um demonete.

-Nós gostamos de saber quando o paciente se recuperou…

-Queremos também agradecer porque o doutor foi muito respeitoso com a minha Lu, não sei se me faço entender…

-Ah!… Sim.

-E nós ficamos sabendo que o doutor vendeu um carro prum picareta e o cara ficou devedor, para-com-o-doutor… acompanhando?

-Não sei…claro! sim!

-Então, nós, eu e o Coisa-Torta, tomamos a liberdade de fazer uma visita pro cara citado.

-Prainducá! Grunf!

-Oh! Viu? O Coisa-Torta no fundo é um educador.

-S-sim!

-Este envelope tem a quantia que o cara em questão ficou devendo. Peço à moça o favor de entregar isto ao doutor…

-Mas…

-Diz que é pela saúde do menino. E diz  para ele que amigo do Fino é irmão do Fino.

-Digo.

-… e do Coisa-Torta, que é o dindo… Deus me livre acontecer algum mal pro meu menino.

-Grunf!

-Vocês… não aconteceu nada com o homem?

-Que homem?

-O pica… o cara da dívida!

-Não sei de cara, moça. Viemos aqui só para agradecer pela recuperação do meu neguinho. Passar bem! Foi um prazer conhece-la! Transmita saudações ao doutor, moça.

-Tr-transmito.

-Grunf!

O Senador já chegou?

11/03/2010

-O senador já chegou?

-Qual é o interesse?

-É que eu até aprecio o ômi!

-Biduzão! Tu tá muito fresco pro meu gosto!

-Não! chefia! É no sentido público, sacou?

-Que seja! Não quero tietagem aqui na minha zona! tá sabendo?

-To sabendo! Pode deixar.

-Tem outra…chega mais!

-Pode dizer, chefia!

-Chega mais! ô orelhão! não quero falar alto!

-Ah! Foro íntimo!

-É.

-Sou todo ouvido.

-Ando com um calor aqui na testa… coceira…sabe?

-Nossa!

-Não comenta! Não comenta! Só escuta…

-Hum! Hum!

-Minha fonte diz que a Tê, a… patroa… tá sendo… assediada por um cara!

-Hummm!

-E eu sei quem é o cara!

-Hum?

-O senador…

-Pôrr…hum, hum!

-Então, o meu broder Biduzão vai e convoca o Fino e o Coisa-Torta.

-Hum?

-É! Serviço profissional.

-A chefia quer que o pessoal da catigoria amasse o cara aqui na quadra?

-Não! Lentitude! Não mistura as coisas.

-!?

-Aqui no público nós tratamos a excelência com todo o respeito que o cargo merece. Afinal, nós somos civilizados… depois, no privado,  é outra conversa.

-Ah! É pra matá a excelência?

-Não. Repercute de forma negativa no serviço de assistência social.

-Quebrar, bem quebradinho! Pode?

-Pode. Sem muita marca pra perícia.

-O Coisa-Torta vai gostá!