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Roubar pode se prender não pode?

04/03/2016

Fiquem tranquilos! O Mensalão não existiu! O Petrolão é uma fantasia. Não há uma crise econômica. A pretensa crise política é somente uma manobra oposicionista para desestabilizar o governo. E o Lula não precisa se preocupar porque nada pode ser provado sobre alguém que não sabe de nada.
Será que março de 2016 vai entrar para a história? Pelo menos essa  é a esperança daqueles que empurram os problemas nacionais com a barriga, a despeito de toda torcida contrária dos corruptos de ocasião.

Os líderes do PT, referindo-se à condução coercitiva a que Lula foi submetido para prestar esclarecimentos à polícia, dizem que “essa manobra da Operação Lava-Jato é ilegal, descabida, de cunho político e fere a Constituição.”  Membros do Supremo Tribunal Federal dizem que “ninguém está acima da lei”. Lula, acuado, dizia que “o Lulinha paz e amor acabou… se for necessário vou pro pau… e tenho certeza que o exército do companheiro Stédile não vai me deixar na mão…”

Recomenda-se juntar as peças ou tomar um medicamento pra memória. Qualquer um tem todo o direito de se sentir injuriado e sem chão depois que fica demonstrado que a sua bandeira tremulava sob premissas falsas, mas continuar a afirmar que isso não é verdade já escancara a absoluta falta de bom senso. Enquanto alguns gritam: “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, o povo brasileiro, o verdadeiro guerreiro, tem pago a conta…

O mistério do ministério da propaganda

25/02/2016

João Santana, informal “ministro da propaganda” de Lula e Dilma, recebeu oficialmente 150 milhões do PT em 8 anos. (Especula-se sobre a origem de outros 30 milhões, aqui já embutindo maldades coxinhas, pois o João também ganhou uns trocados de Chaves e de outros bolivarianos menores.) Os 150 podem nos parecer muito, mas são menos do que 25% das doações, naquelas ficções contábeis que “aconteceram estritamente dentro da legalidade e foram posteriormente declaradas à Justiça”. (Lula 39,3 milhões, e Dilma 282 e 318.) O João deve ser muito bom! Nós, pequenos e mergulhados nesse mar de probleminhas pessoais, não entendemos nada da escala de valores usada nas grandes rodas! A presidência é um negócio tão lucrativo que qualquer valor investido tem retorno garantido… e há quem malde!

Panela Para Todos

06/05/2015

“Panelas novas e seminovas!
Temos todos os formatos, tamanhos e cores!
Os dez primeiros compradores receberão, inteiramente grátis, a novíssima panela de sonoridade “Pongo” com o exclusivo pau-pra-bater-nela.
Ligue já ou acesse o nosso site”

“E não se esqueça:
durante os horários da “propaganda política gratuita” haverá uma grande promoção para atender às mais variadas preferências partidárias.
O nosso lema é:
“Panelaço Para Todos!
Não deixe os mentirosos dos outros partidos de fora.”

#PanelaParaTodos. Um novo conceito ideológico.

A relação de Vaccari com a maionese.

17/04/2015

Convido você para um curto exercício mental. Imagine que nós, eu e você, tenhamos uma empresa qualquer e que as autoridades descobriram que o responsável pelo nosso departamento financeiro movimentou, de forma suspeita, uma quantia fabulosa em contas bancárias que não nos pertencem. Só para dar um nome ao pivô da história, vamos chama-lo de João. A polícia federal afirma que, comparando o depoimento de cinco informantes, João não tem como explicar duzentos milhões de dólares. O que fazemos numa situação dessas? Não sei quanto a você, mas a primeira coisa que eu faria seria espalhar todos os zeros dessa baba sobre uma mesa para tentar ajustar a minha percepção de pessoa comum à realidade. Afinal, são R$ 600.000.000,00! Para ficar em algo atual, mensurável e sensível aos olhos da sociedade, com a Caixa Econômica Federal informando que o custo médio de uma unidade do Programa Minha Casa Minha Vida é, em média, de R$ 120.000.00, João não teria como explicar o que fazia com o dinheiro que poderia comprar 5.000 casas que abrigariam 25.000 pessoas. Agora, com o problema devidamente quantificado, poderíamos dizer para o nosso tesoureiro: “João! Nós não sabemos se você é culpado disso que estão dizendo, mas também não podemos simplesmente fechar os olhos e fingir que nada está acontecendo. A imagem da empresa está sendo terrivelmente prejudicada por sua permanência no quadro. A sugestão é que você se afaste, responda às acusações e, depois, provando sua inocência, retome suas funções. Nesse caso nos juntaremos a você e processaremos os caluniadores.”

Alguns gritarão: “Vocês confabulam com o João a portas fechadas! É impossível que alguém do círculo íntimo de vocês não saiba o que os outros estão fazendo! Ainda mais com um trem desse tamanho!” Bem, nesse caso a coisa ficaria complicada para o nosso lado e o melhor seria defender o companheiro com unhas e dentes… Pelo menos essa é a posição de Rui Falcão e Luiz Inácio sobre João Vaccari. A fidelidade, nas questões com este nível de complexidade, tende à ruptura. É quando as mentiras viram verdades, o amor vira ódio e a maionese desanda.

Fica, Dilma!

15/03/2015

O movimento verde-amarelo de 15 de março teve uma palavra de ordem: o “fora”!

O “Fora, Dilma”. O “Fora, Petê”! E o “Fora, Corruptos”!

O “Fora, Dilma” vai ocorrer, inevitavelmente, em 46 meses! Antes disso só por razões excepcionais que independem dos desejos do movimento. Ou seja: o “fora” vai acontecer.

O “Fora, Petê”, pelo andor da carroça, vai acontecer com a saída de Dilma, podendo se prever um gradativo esfarelamento prévio durante esse período. Mas isso também vai ocorrer não por força do movimento, mas como consequência do desgaste do partido que teve a chance de moralizar a política e a jogou fora. Porém a permanência do Petê no governo, após a saída de Dilma, também pode, remotamente, acontecer, pois Lula anda se desgrudando de Dilma e a fé no lulismo reza, todos os dias, para que ele volte pisando no pescoço de sua cria e diga, mais uma vez, que “nunca antes na história desse país” o povo foi tão facilmente governável. No entanto, sabemos que, mesmo isso, um dia vai acabar. Resumindo: pode demorar um pouco, mas esse “fora” também vai acontecer.

Já o “Fora, Corruptos” é mais complicado! Faça um pequeno exame de consciência. Não pense em milhões de dólares. Pense em conta de luz, em bujão de gás e caminhão de aterro. Pense inclusive no voto que foi vendido pela promessa de um favor que não chegou a se concretizar por falta de oportunidade. Para sustentar um grande corrupto, é necessária uma grande pirâmide de pequenos corruptores e na base dessa pirâmide estamos nós. Mas como podemos julgar o indivíduo pobre que vê na venda do voto a satisfação imediata de uma necessidade básica? Se um presidente de partido pode dizer que “não houve roubo, mas captação de recursos para custear um projeto de governo” um joão-ninguém pode, perfeitamente, deixar de perceber que há corrupção quando vende o voto para comprar o remédio do filho.

A consciência da corrupção necessita se formar, se avolumar e criar uma massa crítica, a partir da base da pirâmide. É claro que os exemplos e um pouquinho de boa vontade deveriam vir de cima. Mas entra governo e sai governo e não temos a sorte de assistir a essa surpreendente iniciativa. Esse último “fora” vai demorar, infelizmente!

A menos que Dilma faça o milagre de movimentar e espremer os legisladores para que criem uma lei específica, abrangente, universal, completa, severa, e imune às imunidades, contra a corrupção. Nesse caso nós poderíamos dizer: “Fica Dilma!”

Quem é essa gente que nada sabe e nada viu?

13/12/2014

Quem é essa gente que diz
que nada sabe e nada viu?
Nessa terra quem é cego é rei?
Só podem ser ladrões da pior espécie!
Ou isso, ou cínicos negligentes!
Ou ainda inaptos e incompetentes!
E nessa hora não sei o que é pior!
Ser culpado pela falta de suor,
ou porque feriu descaradamente a lei.
Fomos roubados e nosso orgulho estilhaçado.
Confiar em políticos virou piada sem graça.
E por falar em Graça!
Se ela fica, a conivência é de quem?
Nessa vergonha já não livro a cara de ninguém!
Cai doleiro, diretor, empresário e certamente
deputado, senador e presidente.

Aos amigo do PT

15/10/2014

Alguns amigos reclamaram, no pé do meu ouvido, da expressão “militância desvairada”, usada, noutro dia, em referência àquelas pessoas que ultrapassam suas atribuições no esforço para obter uma vitória política, utilizando métodos que o candidato, talvez, desconheça e até condene. Circunstancialmente, todos os que reclamaram são simpatizantes do partido dos trabalhadores.

Tentei argumentar que eu também posso ser simpatizante de um determinado grupo, embora não tenha obrigação de concordar com tudo que aquele grupo faça. Que achei interessante a entrada de Lula na história do país que, constitucionalmente, me pertence, uma vez que não havia gostado daquela mudança tucana em favor da reeleição. Que depois o meu desencanto ressuscitou com feições petistas quando a maçã apodreceu no colo de Lula e ele não sabia de nada. E por aí vai, na saudável alternância democrática de querer que, de erro em erro, algo dê certo para o país. Mas, confesso, não fui muito feliz na minha argumentação.

Tenho que dizer uma coisa sobre a militância desvairada, ou sobre aqueles que não vão às últimas consequências, mas acreditam piamente, como Rui Falcão, que tudo pode ser feito em nome de um plano maior, de país, pelo bem de todos, inclusive lesar, roubar, desviar e mentir. Não tente apresentar um ponto de vista diferente dos princípios dogmáticos que regem o pensamento dos profundamente engajados. É perda de tempo trocar ideias conflitantes quando do outro lado há somente pontos de fé. Você pode até estar aberto a colocações lógicas que o convençam de que, afinal, você estava errado e tudo pode ser cor-de-rosa nas entrelinhas de um texto jacobino, mas o outro lado nunca estará.

E é impressionante como o rosário das certezas é desfiado conta a conta.

Foi-me explicado que nunca antes, na história desse país, foi tão fácil planejar uma aquisição, uma empresa e um futuro. Tentei dizer que essas coisas são consequências da estabilidade econômica e, tanto quanto me cutuca a memória, começou quando Collor caiu (esse mesmo que agora é senador por Alagoas) e assumiu Itamar Franco, 20 a 24 anos atrás, nomeando um famigerado tucano chamado FHC para ministro da fazenda e sua equipe engendrou o Plano Real. Antes disso, quando o Sarney era o presidente, a inflação ultrapassava os 80% ao mês e o salário devia ser imediatamente consumido em artigos de primeiríssima necessidade sob o risco de, em 30 dias, ser corroído pela metade sem ter sido gasto um centavo. Não havia como planejar nada! O futuro, naquela época, se resumia a um mês, quando havia o que comprar. Lula soube aproveitar o terreno arado e as sementes plantadas, assim como teve a sorte do mercado mundial passar por um período bom das pernas durante o seu mandato.

Também me explicaram que coisas foram construídas, que pontes foram feitas, que estradas foram asfaltadas e que hospitais foram inaugurados, numa lista interminável de benfeitorias.  Tentei dizer que nos governos da ditadura todas essas coisas foram feitas, até num gigantismo exagerado, mas isso não significa que devamos dar vivas ao regime militar. Que muitas das obras daquela época foram, proporcionalmente, mais visíveis e mais úteis do que as do governo atual e que agora, inclusive, está havendo sucateamento de escolas, diminuição dos leitos hospitalares e asfaltamento parcial das estradas, porém com inaugurações integrais, conforme o calendário político. E que nós não podemos nos deixar enganar com essas realizações funcionais propagadas pelos governos. Qualquer um deles! Eles, quando fazem algo que é intrínseco à sua função, o fazem de forma lenta, cara, cheia de furos contábeis inexplicáveis, e nós não podemos esquecer de que estão fazendo apenas a obrigação, ligada ao cargo que conquistaram por desejo próprio e para a qual estão sendo pagos. Até a galinha, quando canta depois de ter posto um ovo especialmente difícil, tem mais méritos.

E por fim me elucidaram sobre os crimes que foram combatidos e sobre os culpados que foram para a cadeia, outra coisa que, nunca antes na história desse país, havia ido vista ou contada. Tentei contra argumentar que isso ocorreu por uma conjunção de fatores alheios às virtudes do governo, que, aliás, tentou negar o problema e blindar os envolvidos, que o judiciário, que não é perfeito, se mostrou razoavelmente isento; que os meios de comunicação, nos últimos anos, evoluíram da notícia de véspera lida num jornal vencido à postagem instantaneamente jogada na internet, tornando muito mais difícil esconder as ilicitudes para sempre; mas nada disso convenceu os meus amigos.

Depois me senti culpado! Que direito tenho de jogar areia na crença dos que acreditam em alguma coisa? Afinal, parece tão confortante acreditar! Embora eu não me sinta desconfortável sendo um descrente. Acho que o modelo político precisa ser continuamente aperfeiçoado. Um dia nós vamos acertar! Essa é a minha única crença na política. Ou talvez seja simplesmente esperança! Um dia, aos encontrões e tropeços, nós temos que acertar, e quando esse dia chegar, a gente continua de olho bem aberto, torcendo para que o vencedor do momento faça as coisas certas, para o nosso bem… e para o bem dele…