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Oração por Sérgio Moro.

16/12/2015

Num país em que os significados de roubar e de fazer política, repetidamente, se misturam; onde a dúvida fica entre quem roubou mais e quem roubou mais ainda; onde as estrelas dos noticiários costumam ser políticos corruptos, empresários corruptos, ou corruptos de segunda linha; é do nosso interesse reconhecer quem é o protagonista do único roubo que nos interessa. Quem roubou a cena? Quem era cotado para coadjuvante e desbancou as estrelas da cleptocracia? Depois de Joaquim Barbosa andávamos meio órfãos. Então aparece um paranaense de 43 anos e nos devolve a esperança de um final feliz. Meu voto para quem roubou a cena em 2015 vai para Sérgio Moro.
Sérgio! Rezo todos os dias para que seus seguranças sejam atentos e ágeis, que sua integridade moral continue impávida, já que a do governo brasileiro fugiu à luta e foi pr’as cucuias, e que você consiga chegar ao fim desse emaranhado de rabos presos, para o nosso bem, amém!

Qual é o significado de golpe?

16/12/2015

Quando contarem a história para os nossos bisnetos, será difícil explicar o significado de GOLPE. GOLPE é essa canetada do Fachin, alegando que precisa dar mais uma olhadinha no processo pra ver se ele segue as regras do esoterismo juridiquês? GOLPE é, num timing perfeito, uma carta pessoal de Temer, circulando num ambiente totalmente impessoal, rompendo o namoro de décadas e sinalizando a articulação de um governo paralelo na coxia? GOLPE é o início do processo de “impíxima” através de Eduardo Cunha, no transborde da chantagem compartilhada entendida como ato de governar? GOLPE é mentir nas eleições sobre a contabilidade do país, cobrindo programas sociais com dinheiro inexistente, fechar as contas com um déficit bilionário e mandar a conta pra nós? Ou será que ainda vão dizer que GOLPE é a somatória dos votos equivocados que permite a eleição de incompetentes e desonestos?
Está ficando cada vez mais difícil escrever livros de história.

Vote! Eleja o ladrão!

02/12/2015

E eles roubam…
… insensíveis às mazelas sociais,
…às crianças que choram seus pais,
…às mães cansadas de ais.
E eles debocham,…
…sorrindo, indiferentes,
…destruindo, negligentes,
…desfazendo, incompetentes.
E a lei lhes é morosa e branda…
…porque provas são apenas perfumes,
…eles vivem em casas imunes,
…frutos dos nossos costumes.
Enquanto isso você vota e torce,
…transformado, perdendo a razão,
…virando as costas a irmão,
…gritando, em toda eleição:
…Vote! Eleja o ladrão!

Ou nós acabamos com a política velha, ou a política velha acaba com o Brasil.

06/04/2014

Entre espantados e indignados, ano após ano, vemos o nosso país ser palco e plateia de escândalos financeiros bilionários e inexplicáveis aos olhos da democracia. Como pode? Como deixamos isso acontecer? Qual é a consciência que move essa gente? Para algumas dessas perguntas, como a última, é fácil encontrar uma resposta! A consciência que move essa gente é a do ladrão! Elástica! Cheia de gatilhos que a justificam! Nem um pouco interessada nas pessoas ou em suas necessidades. Essas vítimas anônimas são transformadas numa massa amorfa e despersonalizada chamada país, que tudo aceita, como a mãe de um criminoso, que não desconhece os delitos do filho, mas fecha os olhos e o afaga. E todos os dias ouvimos pelos meios de comunicação mais e mais notícias de desvios inacreditáveis que salvariam milhares.

Há 4 anos foi feito um cálculo de que, em 2009, haviam sido desviados, dos cofres públicos, “…nas várias esferas do governo, 258 milhões, 326 mil, 432 reais, e 14 centavos. Neste cômputo só está a quantia que sumiu sem deixar nenhuma dúvida razoável sobre a lisura do destino dado…”. Nós sabemos que, nos dias de hoje, se os critérios que definem “dúvida razoável” fossem revisados e atualizados essas cifras inchariam consideravelmente. Eis o fato desdobrado: o dinheiro, sendo público, deixou de ser aplicado nas ações públicas; uma das ações públicas mais carentes de verbas é a solução dos problemas na área de saúde; como, com um indivíduo hospitalizado por um mal tratável, mas que morreria sem os recursos necessários, gastava-se em média, na época, 25 mil e 200 reais, o dinheiro desviado poderia salvar a vida de 10 mil e 251 brasileiros. Matemática euclidiana primária. Mesmo sem contar o que a máquina pública perde pelo caminho, por sua morosidade e ineficiência, isso já poderia ser configurado como um massacre! Ninguém está vendo isso? Se alguém está vendo cabe repetir as outras perguntas! Como pode? Como deixamos isso acontecer? E ainda acrescentar aquela que se impõe: Nós nunca vamos parar essa sangria?

É muito difícil determinar as fronteiras entre os desfalques. Há momentos em que o passado se mistura com o futuro numa terra de ninguém, cheia de números imensos, gatunagens e impunidades recorrentes. Mensalões com sobrenomes de partidos. Vergonhosa desvalorização da Petrobrás. Programas sociais maquiando a compra de votos. Copa do mundo superfaturada. Caixas de campanha comprando candidatos. E por aí vai. Permitindo até que se afirme que é um enorme desafio encontrar uma obra pública em que não houve algum tipo ou algum grau de desvio do dinheiro público.

Nós precisamos acabar com isso!

É claro que essas coisas acontecem com o aval da democracia. Então necessitamos usar os mecanismos da democracia para mudar essa triste realidade. Necessitamos mudar as regras do jogo. O sistema político vigente é ultrapassado, cheio de vícios e não dispõe de regras que coíbam e enquadrem os malfeitores de forma eficaz. É uma fantasia acreditar que os políticos eleitos pelo sistema atual queiram mudar essas regras. A política precisa ser reformada. Precisamos eleger políticos comprometidos com essa reforma. Parodiando o slogan que se referia à saúva, poderíamos dizer: Ou nós acabamos com a política velha, ou a política velha acaba com o Brasil.

A Síndrome de Jaquirana.

01/11/2012

A palavra Jaquirana, nome de uma pequena cidade do nordeste do Rio Grande do Sul, com uma população um pouco menor do que 5 mil habitantes e quase isso de eleitores, foi transformada num meme relacionado à corrupção eleitoral. Falar em Jaquirana, a cidade, antes conhecida pelo frio e pela companhia de avião Jaquirana Air criada pelo chargista Iotti, hoje é o mesmo que falar em compra e venda de votos.  As colunas sérias e as piadas se desdobram em detalhes. E fica a aparência de que as ilicitudes desse tipo só acontecem lá. Ou que apenas lá os mercadores da consciência democrática foram desastrosamente inaptos aos esconderem seus rabos.  Ou ainda: que só lá alguém teve a perspicácia de montar uma arapuca para pegar os fraudadores. Mas todos nós sabemos que comprar e vender votos é uma prática que acontece em 100% dos municípios brasileiros. Alguém gritará lá do fundo: “Prova!”. (Da mesma forma que se discute não se um gol foi de mão, mas se um juiz pode anular um gol que lhe disseram que foi de mão, como se a essência daquele jogo estivesse não no respeito às regras, mas no processo de avaliação.) Eu respondo: “Nós podíamos parar de reclamar, acusar e investigar a compra e a venda de votos; isso toma tempo, estressa e sai caro – além de obter resultados magros a curto prazo e nenhum resultado aplicável daqui a quatro anos – podemos, simplesmente, institucionalizar esse tipo de acordo entre o candidato e o eleitor. Fica valendo o gol de mão, e não se discute mais isso!”

E ao ver as imagens relacionadas às jaquiranas espalhadas por aí se constata algo assombroso: há revolta e indignação popular não pelo que se pressupõe errado, mas pela ação policial e da justiça contra os erros. Logo se vê que a relação entre o candidato corrupto e o eleitor corrupto apresenta vínculos muito mais íntimos do que a do indivíduo com sua consciência. Ou as consciências já foram adulteradas e os conceitos éticos de que falo fazem parte de uma língua estranha. Podemos até observar aqui e ali a influência da inocência e da ignorância, ou da necessidade e do imediatismo desesperado, mas também não nos escapa a mão da má índole, da avidez de sugar sempre não importa de quem, e da triste cultura da impunidade. Afinal, quem vai processar ou prender milhões de fraudadores? Eles afirmam (e eu também!): não há nesse país poder nenhum e ninguém com culhões para tratar essa doença. Trata-se da Síndrome de Jaquirana! Endêmica! Plenamente conhecida! E intratável!

A menos que…! Alguém pensasse um pouco na possibilidade de delação premiada para aquele vendedor de votos que não é um mau sujeito, apenas foi ludibriado, estava necessitado, e nem sabia que era crime. As leis necessitam se adaptar à realidade. Não há como enquadrar milhões. Mas há como cortar o mal pela raiz entendendo que o entendimento da lei tem diferentes níveis de entendimento.

A compra e a venda de voto!

22/10/2012

O Supremo trabalha nas finalizações sobre o Mensalão.  Sabemos que haverá sentenciados. Assim como sabemos que alguns réus serão beneficiados por coelhos atenuantes saídos da cartola mágica da Corporação. Da mesma forma que sabemos que os cofres não serão ressarcidos dos milhões desviados, e que Lula será blindado em nome da poesia histórica e da adolescência democrática. Mas será que sabemos, afinal, o que está sendo julgado? Respondo: a compra e a venda de votos. Alguém pagou caro, com o dinheiro do país, pelo fisiologismo da ocasião. A mercadoria foi a amarrotada e anestesiada consciência parlamentar.

A grande massa amorfa – que somos nós – vibra com as acusações de Joaquim Barbosa e fica perplexa com os posicionamentos controversos de Ricardo Lewandowsky, o advogado do diabo. Alguns do povo babam de satisfação quando percebem que figuras da elite podem receber o mesmo tratamento dos ladrões comuns. Mas eles são ladrões comuns! Apenas roubaram mais, vestiam roupas de grife, consideravam-se acima da lei, e acreditam, ainda hoje, que tudo o que fizeram foi em nome de uma causa maior, revolucionária, semidivina, e que nunca será compreendida por nós. Isso graças àquela tênue e perigosa linha que divide o exercício do poder da psicopatia.

Mas se o assunto é compra e venda de voto, nesse momento a torcida deveria ser toda contra o Supremo, a favor dos réus do Mensalão, pela absolvição (e, se possível, canonização) de Zé Dirceu e os de sua trupe, pois não é nada interessante criar esse precedente nas esferas federais. Vá que a moda pega! Vá que a prática de crucificar os compradores e vendedores de voto se transforme numa onda nacional e acabe respingando nos municípios brasileiros – na grande maioria dos municípios brasileiros – onde uma consciência custa um botijão de gás, ou uma conta de luz, ou de farmácia, ou a promessa de um cabide de emprego. Como é que ficam os miúdos vereadores de 300 votos? E como é que ficam os que venderam o voto?

Pensando bem, acho que a jurisprudência obtida no julgamento que acontece naquele país distante, chamado Brasil, jamais chegará ao nosso torrão. A menos que o pequeno corrupto da ponta, aquele que vende, fosse agraciado com a delação premiada, e que o segundo pequeno corrupto, aquele que compra, fosse agraciado com uma linda e exemplar ficha suja. A partir desse ponto poderíamos pensar em eliminar os ladrões no nascedouro!

Bem que alguém poderia perguntar isso pro Barbosa, mas sem comentar nada com o Lewandowky.