Posted tagged ‘piada’

Prêmios para quem pecar e pagar rápido!

06/11/2016

Há quem argumente que não há uma indústria da multa, mas uma penalização educadora com o objetivo de coibir excessos e proteger a vida.
Então, acompanhe! A partir de novembro as multas ficaram, em média, 50% mais caras. Há várias gradações, mas, para ser didático, imagine uma multa de 100 reais passando a 150 reais. Ponto. Simultaneamente foi lançado um aplicativo para celular que permite que a multa seja paga sem toda a burocratização que esses processos costumam ter. Como prêmio, para quem fizer o download do aplicativo, os multados receberão um desconto de 40%. Ou seja: aquela multa de 100 reais que havia passado a 150 reais ganha um desconto de 60 reais e passa a custar 90. Logo, há uma indústria da multa! Agora ficou muito mais fácil arrecadar! E mais difícil educar! E que se exploda a tal ação que transformaria a dor no bolso numa valorização da vida.

A aplicação da grosa na política.

10/04/2012

Grosa é o coletivo designativo de doze dúzias. Ou seja: dizer uma grosa de um objeto qualquer é o mesmo que dizer 144 daqueles objetos específicos . Hoje essa medida de quantidade caiu em desuso, mas num passado recente era comum ver nas pequenas cidades do interior um caixeiro viajante, o equivalente a um vendedor ambulante que, trabalhando de forma independente, ou como representante de grandes lojas atacadistas da capital, oferecia seus produtos e os quantificava em grosas. O número 144, ao ser dividido por 2, 3, 4, 6, 8, 9, e 12 fornece resultados inteiros, e isso facilitava os cálculos envolvendo as mercadorias negociadas, com algumas vantagens sobre o sistema decimal.

Conta o causo que o velho Alphonso Herzverraten, o proprietário de um armazém do interior das Cachoeiras, enquanto limpava o balcão, com um olho num pinguço impertinente e com o outro nuns moleques que fuçavam no baleiro, atendia um vendedor, que, com um bloco de pedidos, perguntava e anotava:

 ― …e carretel de linha, seu Alphonso! Quanto vai?
― Bota uma grossa!
― …e agulha?
― Também! Uma grosa!
― …e botão, boto o quê?
― Bota uma grosa, também!
― Mas uma grossa é pouco, seu Alphonso! Se dá uma febre no mulherio de consertar camisa vai faltar botão!
― É mesmo! Bota meia dúzia de grosa, então!
― Alfinete?
― Também! Meia dúzia de grosa!
― Ah! E penico, seu Alphonso?
― Também… bota meia dúzia de grosa! ― respondeu o dono do armazém, distraído.
― Sóóó? ― disse o caixeiro viajante, meio rindo, como se fosse piada, mas vendo claramente que era distração do velho.
― Tá certo! ― respondeu Alphonso, não percebendo o absurdo da questão e entendendo a exclamação do vendedor no sentido literal. ― Bota uma dúzia de grosa, então! ― E deu um pito na gurizada que misturava as balas no baleiro.

O vendedor, velhacamente, anotou o pedido e foi embora.

A atual geração dos Herzverraten, a que herdou o armazém, até hoje tem um depósito com muitas e muitas grosas de penicos. Eles são pessoas honestas e trabalhadoras que pagam rigidamente os seus impostos, e ainda arcam com os custos adicionais na saúde, na educação, e na segurança; que já foram pagas, mas não retornaram depois de caírem nos desvios da corrupção pública.  Agora, eles bolaram uma promoção e pretendem desovar o desconfortável estoque de penicos. Para quem comprar um fardo de papel higiênico eles estão dando de brinde um penico com a foto de um político colada no fundo. E o cliente ainda escolhe a foto.

Onde está a piada está a tragédia.

14/11/2010

Um velho sentado no banco da praça lia o jornal.  De vez em quando soltava uma gostosa gargalhada. Ria ao ponto de ter que deitar o jornal no espaço a seu lado e pegar um lenço para enxugar as lágrimas. Em outro banco um casal de namorados avaliava a cena e sorria.

Depois da quinta ou sexta gargalhada o casal se aproximou e não resistindo quis saber quais eram as piadas. O velho disse que não havia piadas. Só notícias. E o casal sem entender questionou o motivo das risadas. O velho disse que naquele dia ele saíra de casa com a intenção de rir. Amanhã talvez fosse o dia de chorar. Mas as notícias seriam as mesmas.

A piada não está no fato. Está no homem. A tragédia também.

O dia em que o Hubble quase caiu!

10/08/2010

No dia 24 de abril deste ano o Hubble completou 20 anos dando uma de piorra ao redor do nosso planeta. Então, depois de 7300 dias fazendo fashion books das estrelas, pediram para que ele virasse um pouquinho pra cá e tirasse uma foto desse  nosso mundinho plebeu. E, após quase quatro meses analisando a foto, os cientistas ficaram estupefatos! Descobriram que o nosso mundo havia se partido em três mundos.

Nós vivemos no mundo do meio. A maioria. E isto não depende de cor, credo, estado sócio-econômico ou cultural. Nós somos a massa que movimenta o mundo. Os seguidores de regras. Os indignados e os amorfos. Os roubados.

Há o mundo de cima e o mundo de baixo. Estes dois mundos não seguem regras pré-determinadas. Os de cima geralmente fazem as leis que nós seguimos. Eles se auto definem como aqueles que movimentam o mundo. E os do nosso mundo aplaudem.  Quando os do mundo de cima se misturam com os do nosso mundo você não nota nítidas diferenças entre os elementos de um e do outro mundo. Mas os do mundo de cima são bem remunerados, ocupam cargos na elite dos mundos em geral, são elegantes e pomposos, usam gravatas e roupas finas, têm inumeráveis assessores, e viajam muito entre os mundos. Eles também interagem com o mundo de baixo, mas essa já é outra história. Um detalhe que é do conhecimento de todos os do nosso mundo, mas que a maioria faz de conta que não sabe, é o fato de que os políticos do mundo de cima são pagos por nós. Em tese são nossos empregados. Todos eles sem exceção. Há os que ocupam posições por mérito, ou por um processo chamado eletivo, ou por métodos que não têm um nome definido mas vários apelidos, tais como nepotismo, apadrinhamento, uso de laranjas, cargos de confiança, e caixinha de pênis. Coisas do entrelaçamento entre os mundos. No mundo de cima encontramos também os pavões do entretenimento, que geralmente nasceram no mundo do meio, ou até no de baixo, mas que ganharam um rabo colorido graças à sorte, ou aos patrocínios que hiper-valorizaram alguma de suas habilidades. Mas isto também já é outra história.   

Os do mundo de baixo, de forma semelhante aos do mundo de cima, fazem as suas próprias regras.  Eles, em princípio, não obrigam os outros mundos a seguí-las, mas, os do mundo de baixo são mais incisivos quando querem alguma coisa, e eles estão pouco se fudendo se um indivíduo de outro mundo não está gostando de seus métodos. As pessoas que pertencem ao mundo de baixo fazem questão de não alardearem que são daquele mundo, e isso lhes é muito útil quando planejam interagir com os outros dois mundos. Quando o mundo de baixo tira algo do mundo do meio, o nosso, isto se chama roubo. Quando o mundo de cima tira algo do mundo do meio a isto se chama cobrança de impostos. A parte do imposto cobrado que não retorna como uma aplicação administrativa ao mundo do meio, e só Deus sabe pra onde vai, também se chama roubo, mas isto já é uma terceira história.

A explicação dos cientistas para o fenômeno é a seguinte: quando Deus fez o mundo ele era inteiro.  Um dia um anjo que fazia a faxina deixou o mundo cair e ele rachou. Aí Deus disse: “Putz! Não dá pra colar. Que cada um escolha o mundo onde quiser morar e seja o que o diabo aprontar.” E assim se fez!

Com exclusividade: as novas regras da FIFA!

25/06/2010

A FIFA está elaborando uma lista de inovações que pretendem deixar o futebol muito mais emocionante. Estas sugestões serão apresentadas  logo depois da copa da África do Sul, que está servindo de laboratório. Preste muita atenção pois sua relação com o soccer vai mudar radicalmente. Se tudo ter certo já estarão valendo em   2014, ou seja, na patriamada-brazil :

1)      A Jabulani vai ser substituida pela Saci  (o nome definitivo ainda está em estudo) e será quadrada.

2)      O membro inferior será considerado da 1ª vértebra cervical para baixo. A cabeça só poderá ser atingida com a cabeça.

3)      Não haverá mais faltas quando o membro inferior for atingido. Futebol é pra macho mesmo que seja feminino.

4)      Braço não será  mão. Aliás, isto sempre foi um equívoco semântico. A parte que vai do ombro até o cotovelo fará parte do corpo.

5)      O uso do cotovelo será legalizado. Nusóio, nazurelha, nusbeiço. nugogó e nusovo.

6)      O soco será proibido, pois usa a mão.

7)      O goleiro, além de socar a bola, pode distribuir tapas, bolachas, e sopapos . Só não pode no árbitro. Na mãe do árbitro pode.

8)      Os  jogadores só poderão usar as mãos para fazer gestos obscenos e cobrar laterais. O dedo no “lá” do adversário está em estudo.

9)      O pontapé só será permitido quando atingir o membro inferior. Na cabeça só se ela for quadrada e houver confusão com a Saci.

10)   As partidas não serão mais interrompidas em caso de jogador caído em campo.

11)   Em caso de sangramento profuso ou imobilidade por mais de 10 minutos haverá uma interrupção para a retirada do corpo.

12)   As seleções não  representarão mais países, e sim patrocínios.

13)   Armas, com exceção para as de fogo, serão permitidas apenas para as torcidas organizadas.

14)   Demonstrações públicas de qualquer fé religiosa serão punidas com expulsão.

15)   O jogador expulso deverá sair rapidamente de campo para evitar fuzilamento sumário.

16)   Revólveres, fuzis, espingardas, metralhadoras, bazucas e mísseis, só serão permitidos por concorrentes devidamente credenciados e do lado de fora do campo.

17)   As bebidas alcoólicas serão permitidas até um máximo de 5 litros por torcedor.

18)   Outras drogas só serão permitidas quando adquiridas nos serviços autorizados.

19)   Tirar a roupa na arquibancada pode.

20)   Ter relações sexuais na arquibancada não pode.

21)   As vuvuzelas poderão ser usadas em qualquer orifício corporal, menos na boca.

Loucuras da juventude.

18/06/2010

Vou contar uma que me contaram. Pode até ser velha, e se o autor andar surfando por aí, me perdoe, mas é muito boa para deixar passar: Num ônibus. Naqueles bancos que ficam nas costas do motorista, um de frente pro outro, sentaram de um lado um velhinho segurando o seu guarda-chuva e mastigando a dentadura, e do outro um punk, jaqueta sem mangas, piercings em profusão, e com um multicolorido e espetado cabelo moicano. O velhinho observava atentamente o punk que em dado momento começou a ficar incomodado em ser objeto daquela exame ostensivo. Lá pelas tantas o punk perdeu a paciência e perguntou: “Qual é, vovô? Na sua juventude o senhor nunca fez nada de estranho?” E o velhinho prontamente respondeu: “Fiz sim. Fiz sim. Na década de 60 eu andei comendo uma arara e estou aqui pensando se você não pode ser meu filho!”