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Gilmar Mendes, o relativizador.

11/03/2017

Gilmar Mendes está relativizando a prática do caixa 2!

Um membro do judiciário, ao abrir a boca pra dizer bobagem, está, em última análise, dourando crimes. A Corporação bate palmas! Talvez o crime compense, afinal! Talvez roubar só seja crime se for exageradamente! Um milhãozinho aqui e outro ali, quem vai reparar? O Senhor Confronto Político dança uma lambada obscena com a Senhora Governabilidade enquanto nós aplaudimos, sem saber se o sexo é entre eles ou em nós.

Tente explicar a seu filho que aquilo que o juiz disse casa com aquilo que você tenha ensinar pra ele!

O gigante adormecido

20/09/2013

Teorizando! Se o Roberto Jefferson, então um estrela secundária, ao perceber que a própria queda era inevitável, tivesse ficado com a boca fechada, como convinha aos principais protagonistas do governo, nós não saberíamos nada sobre os 2,6 bilhões de reais movimentados, de 1997 a 2005, pelo Valerioduto, mensalão seria uma palavra desconhecida, Dilma e Genuíno, hoje, poderiam ser proeminentes ministros, Delúbio, quem sabe, estaria à frente de uma importante estatal e José Dirceu, ungido por Lula, seria o presidente do país, todos os dias em nossa sala, sorrindo como a estrela do PT, rumo à reeleição.

Pelo menos esse era o plano original! Mas como a canoa furou, se fez necessário um remendo, Dilma virou presidenta, passamos a viver num futuro alternativo que não havia sido previsto, o podre veio a público e o seu cheiro foi negado e provado por nove anos com o nome de ação penal 470. Hoje, sob os olhos crédulos e benevolentes da massa desembolsada, os poderes unidos abençoaram esse teatro, rotulado de esforço das instituições pela governabilidade e manutenção do estado democrático, onde a compra de votos passou a ser institucionalizada, a corrupção um negócio lucrativo e a impunidade, pelo menos quando o ladrão é grande e o roubo é colossal, uma realidade com a qual, parece, vamos ter que nos acostumar.

É infantil pensar que Lula “não sabia de nada”. Assim como é burrice achar que não aconteceu o roubo. Já ouvi, da boca de petistas de peso, que não houve roubo para o bolso de ninguém, ou esse, se houve, foi de pequena monta, mas sim para custear um projeto de governo, de país, pensando no bem do povo como um todo. Lindo!

Mesmo não acreditando nessa teoria da absolvição, podemos entender porque Lula dizia que não havia acontecido nada e, depois, que não sabia de nada. Podemos até entender os esforços do governo para livrar a cara dos companheiros caídos. Afinal, dos encontros para planejar o custeio do projeto de governo devem ter respingado provas para todos os lados. Mais tarde, nas conversas sussurradas, devem ter ocorridos sinalizações do tipo: “Tá legal! Eu seguro o tranco! Mas vocês que ficaram de fora vão fazer todos os esforços para que a coisa seja amenizada! Não seria interessante arrastar todo mundo, não é mesmo?” Foi assim que sobrou para o Valério. O único ladrão sem currículo. Sem companheiros. O estranho no ninho. O bode expiatório ideal. Talvez o mais lento! Sem dossiês. O pato.

Se os bilhões roubados fossem transformados em recursos utilizáveis para salvar vidas podíamos configurar um massacre. Mas como foi tudo no papel fica fácil recitar preciosismos jurídicos e firulas regimentais para encompridar uma novela que já podia ter acabado. Nesse ínterim, o gigante voltou a adormecer, deitado eternamente em berço esplêndido, sob um formoso céu, risonho e límpido, como dizia o profeta Duque Estrada.