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As mentiras que a gente ouve…

18/06/2015

Há mentiras crônicas que mantêm a plebe acalentada, ou abobalhada, num delírio de que o governo governa para o povo. Umas recentes, outras crônicas. Exemplos:

  1. Legisladores estão criando leis que os impedem de roubar ou vão reformar a política e matar de vez o fisiologismo corporativista.
  2. Grandes figuras foram e serão condenadas por seus crimes, com penas que passaram a desestimular assustadoramente os possíveis imitadores.
  3. Os programas sociais não têm caráter eleitoreiro e favorecem somente aqueles que realmente necessitam.
  4. Políticos nunca mentem.
  5. Os horários políticos gratuitos na televisão são gratuitos e apresentam picos assombrosos de audiência.
  6. Juízes são sempre justos e conscientes da crua realidade da grande massa.
  7. Os meios de comunicação não cortam as notícias que denigrem a imagem de seus associados.
  8. Os ministros são sempre os mais capacitados para o gerenciamento de suas atribuições específicas.
  9. O governo tem total controle da situação econômica e sabe perfeitamente como resolver qualquer problema emergente.
  10. As empresas que doam milhões para as campanhas políticas o fazem por puro e desapegado altruísmo.
  11. A Pátria Educadora existe e educa.

Agora vem gente me dizendo que não é o Dunga que escala a seleção da CBF, mas um pool de empresas árabes envolvidas com o terrorismo internacional! Só falta sair a notícia de que não é o coelhinho da páscoa que fabrica os próprios ovos! Que é uma terceirização! Aí vai ser o fim!

A verdade sobre o encontro de Lula, Jobim e Mendes.

29/05/2012

A matemática é linda. Nela se baseiam a lógica, a mecânica universal, e sua prima divagante: a filosofia. Para nós, simples mortais e amnésicos patrões no contexto democrático, a matemática é oracular. Podemos concluir (e me contradiga quem quiser) que:

1º) SE Lula, Jobim e Mendes comungassem o mesmo posicionamento sobre o  assunto (fosse ele qual fosse) de 26 de abril, ele morreria lá, e nós nunca saberíamos de nada.

2º) Como houve vazamento eles NÃO falam a mesma língua, embora pertençam, cada um a sua moda, à mesma corporação.

3º) A pressão que um dos lados sofre É maior que sua capacidade de ser administrativamente coerente (e quando falo de coerência falo sobre a necessidade de manter sigilo, mesmo que os enganados sejamos nós (para o nosso próprio bem, como diria minha avó!)).

4º) O assunto (fosse ele qual fosse) É sobre algo que nos diz respeito (mesmo que alguém jure sobre o túmulo da mãezinha que o tamanho da propina na compra da latrina seja só pra gente fina!)

5º) Entre Lula, Jobim, e Mendes nós TEMOS um ou dois mentirosos, embora eu esteja sendo condescendente em nome da matemática.

6º) E que nós NÃO ficaremos sabendo, realmente, a verdade sobre o assunto (fosse ele qual fosse).

Considerando o quilate dos protagonistas, não me permito pensar que esses indivíduos sejam de má índole, gatunos, interessados no próprio bolso. Não penso dessa forma, e até alimento uma sincera simpatia por dois deles. Posso conjecturar que nas tratativas ocultas eles se deixem levar pela vaidade ou pela soberba do poder, pecados perdoáveis no Olimpo, quando confabulam sobre a logística política num país desse tamanho. Mas o cheiro que nos chega, e esse nós não perceberíamos  se fôssemos anósmicos, é de que os grandes julgamentos das bilionárias rapinagens nacionais podem estar sendo consideradas picuinhas divertidas, adiáveis, que podem ser roladas como jogos que distraem a massa democrática, e que com o passar do tempo, e para o bem da corporação (artigo primeiro da verdadeira constituição), algumas blindagens devem ser obtidas a qualquer custo. Mesmo correndo riscos idiotas. E é ISSO o que nos assusta.

Horário Político.

22/06/2011

Os cordeiros da propaganda se transformam rapidamente em lobos após a eleição. Num logro perpetuado. Isto tem que acabar. A nossa ignorância tem que acabar. O nosso senso crítico frente ao que é propagado deve acordar.

Ligo a televisão e vejo uma jovem dizer: “eu sei que a maioria das pessoas não gosta de política, mas não há democracia sem políticos, e há os políticos do bem…” ou algo assim, ou coisa muito parecida, numa fórmula em que os políticos não falam, mas uma outra pessoa, jovem, inocente, crédula, esperançosa, vulnerável, ali possivelmente uma atriz, consegue transmitir aos telespectadores a idéia de que alguém “igual a você” acredita realmente naquela sigla, que não me lembro qual e não importa saber qual seja, naquela falsa ideologia, que repete a mesma música partidária universal que repete o mantra: “venha se unir a nós, pois nós somos os bons, nós temos a solução dos problemas de sua cidade, faça isto por você”.

Os métodos mudam até a náusea. Goela abaixo. Hipoteticamente gratuito num horário nobre em que o minuto custa mais de um milhão para as empresas privadas.

E o que isto muda? A quem isto convence? O que isto melhora para o processo democrático do país? Em que termos esta enganação teatralizada melhora o senso de escolha do brasileiro que vota?

Num mundo que parece paralelo, mas é contíguo, as fraudes continuam, a corrupção vergonhosa ofende a nossa inteligência, e o fisiologismo corporativista maquiado em nuvens de regimentos, leis, normas, conchavos, acordos, e arquivamentos inexplicáveis continuam.

Parece que o mundo da propaganda política fica num planeta diferente daquele em que vivem os protagonistas da política que rege o nosso país.

É real que não há democracia sem políticos? Na nossa realidade é! Partindo do princípio de que a democracia é um governo coordenado pelos políticos eleitos pelo povo, é! Mas há duas realidades: a da propaganda em busca da eleição, e a da consagração após a eleição ter sido efetuada. E o que nós vemos neste momento? Que aquilo que é feito não é aquilo que foi propagado. Os cordeiros da propaganda se transformam rapidamente em lobos após a eleição. Num logro perpetuado. Isto tem que acabar. A nossa ignorância tem que acabar. O nosso senso crítico frente ao que é propagado deve acordar. A tal democracia apregoada constitucionalmente deve começar a valer. A imunidade parlamentar deve acabar. Os sigilos administrativos não podem existir. A mentira televisionada pela propaganda política gratuita deve acabar.

A propaganda é uma arma poderosa. Ela fez uma geração fumar. Ela matou de câncer uma boa porcentagem desta geração. Ela agora esta tentando reverter este quadro por que os custos médicos com as doenças cardio-respiratórias são maiores do que os ganhos com os impostos pagos pelo cigarro. A propaganda pode ser usada para o bem ou para o mal. A propaganda política está tentando nos convencer com imagens que não podem ser comprovadas pelos telespectadores, de que indivíduos que nós não conhecemos são os mais capazes para nos governar. Será que um dia a propaganda terá que nos convencer de que nossas escolhas estavam erradas para poder banir os corruptos da administração pública? Não podemos ser mais inteligentes e encurtar este caminho? Não podemos fechar os ouvidos e os olhos a este teatro televisivo que quer convencer com palavras e imagens que nos mostram o vento e a sombra? Não podemos observar o que realmente está acontecendo na vida real e usar a nossa consciência para julgar? Se a TV é obrigada por lei a vomitar em nossa casa uma propaganda enganosa não será hora de desligar a TV?

E assim caminha a humanidade…

15/08/2010

As leis definem o direito da mentira bem contada e fundamentada. A verdade deixou de ser o fato real, ou o justo, mas a história travestida por artigos e incisos coerentemente entrelaçados, conforme um código que defende o melhor contador de histórias e não o detentor da consciência mais limpa.  Já não é válido ensinar a um filho que ele não deve mentir, ou que o crime não compensa. Preparar um filho para a vida é ensinar que ele deve saber mentir bem, e que o conceito de crime, sendo volátil, depende da habilidade de sua assessoria jurídica. A ética foi violentada pelas leis. A consciência agoniza.

E isto nos deixa um profundo sentimento de tristeza…

A democracia é uma farsa!

06/09/2009

Em algumas postagens usei o termo plutocracia. Alguns dos meus doze leitores me questionaram sobre o uso da palavra e se eu não poderia ser mais explícito, para que ocasionais passeadores por este blog não se sintam afastados do objetivo dos textos.

Antes de qualquer especulação esclareço que pluto não se relaciona com o cão mascote de Mickey, ao qual Disney deu este nome em homenagem a Plutão, naquela época um astro recém descoberto, depois rebaixado, em 2006, à categoria de planeta-anão.

Plutocracia tem sua origem nas palavras gregas ploutos e kratos, respectivamente: riqueza e poder; significando um sistema político em que uma classe mais rica e dominante determina a forma de governo, exercendo-a a seu favor, de forma injusta e parcial. Na prática não existe uma plutocracia instituída. A palavra é utilizada quando se quer discutir a veracidade da democracia; do grego: demos e kratos, povo e poder, ou o poder exercido pelo povo! O fato é o seguinte: as democracias, formas instituídas de governo, são farsas que acolhem toda uma gama de variáveis plutocráticas. A democracia para os democratas é um sonho tentado, e tentado, e tentado ad nauseam,  e para os plutocratas uma retórica manipuladora, uma porta para o enriquecimento ilícito utilizando o dinheiro público. (Se alguns necessitam da redundância para que a piada seja compreendida é bom repetir que  dinheiro público é aquele que foi  tirado do povo para ser utilizado para o bem comum).

Com parte desse dinheiro deve ser pago o salário dos empregados do povo, eleitos para administrar a coisa pública – sendo esta, portanto, a verdadeira relação entre o eleitor e o eleito, ou entre o eleitor e o político: uma relação de patrão e empregado. Que se pague um valor justo pelo desempenho e proporcional à capacidade deste empregado-político. Deve ser pago o funcionamento da máquina pública de acordo com sua eficiência, competência e honestidade. E os maus empregados deveriam ser sumariamente demitidos.

Todo, todo o restante deve ser revertido para o bem comum, para as necessidades do povo. Pelo menos assim seria se a democracia não tivesse morrido.

Mas, disse e repito: a democracia é uma farsa! Uma grande mentira que os plutocratas contam periódicamente, endossados pela mídia, pelos grandes administradores privados, pelas igrejas, pelos crentes, pelos fanáticos e pelos incautos manobrados! A versão democrática que interessa ao plutocratas para manter o status quo utiliza a compra do voto, as pesquisas e reportagens tendenciosas, a manipulação das estatísticas, os presentes dos empreiteiros e empresários interessados em manter a tutela sobre deputados, senadores, o emaranhado crônico de favores devidos e ameaças veladas, a distribuição dos canais de comunicação de forma estratégica no aumento do poder, a formação de grupos fiéis em torno de uma determinada fé mesclando crenças religiosas e dinheiro, e assim poderíamos continuar até vomitarmos.

Democracia? Ora! Deixem de ser inocentes…

Mas eu ainda acredito que haja uma saída (os otários não se dão por vencidos). Uma profunda reforma no conteúdo do parágrafo anterior, pondo fim aos recursos da plutocracia que financiam os presentes que pagam as campanhas e cabresteiam políticos, permitiriam pensar em algo mais limpo… talvez não totalmente democrático, mas mais limpo.

O artigo 1º diz que “todo o poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Por enquanto uma grande mentira. O 17º diz: “Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei”. Uma acanhada tentativa de por limites à origem do dinheiro utilizado nas campanhas. Depois as leis eleitorais defloraram a lei principal e criaram regras inconstitucionais permitindo arrecadações e doações numa orgia bem ao gosto da plutocracia.

Não sejamos idiotas de esperar que esta geração política que tão bem vive dentro do Éden criado para usufruto dos eleitos tenha a intenção ou faça a tentativa de mudar as leis que os favorecem.

Só uma revolução iniciaria o debate em direção à mudança. Só um tapa na cara acorda um histérico.

Disse e repito: voto nulo não anula uma eleição! Mas faz pensar!. Dá um tapa na cara! Inicia uma revolução. O voto nulo é, hoje, o único voto não influenciado pela plutocracia. É o único grito realmente democrático. É a única maneira de dizer: basta! Parem de nos roubar! Reformulem a lei. O voto não pode ser comprado ou vendido. O preço não é uma lata de azeite ou um canal de televisão. O preço do voto é a procura pela democracia. Então poderemos voltar a votar!

Mas sei que isto não acontecerá repentinamente. O acordar as vezes demora e para alguns é algo penoso.

Por enquanto eu ainda sou: “999-Confirma!”