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Y Viva Fidel!

13/09/2013

– Al llegar a Brasil, usted puede encontrar algunos movimientos de hostilidad. Nada físico. Sólo protestas verbales y carteles. Estas costumbres populares de las democracias. Al final, el folklore nativo. De hecho, los brasileños son como los perros que ladran pero no muerden. Ellos son un pueblo pacífico y pasivo. De lo contrario, sus gobiernos no iban a durar todo el tiempo que duran, o hacer las cosas que hacen. Pronto estas personas volverán a preocuparse por su fútbol y su samba u otros trucos para cambiar el enfoque y contra la qual, nosotros, los socialistas, somos inmunes. Lo que importa es plantar las semillas del colectivismo revolucionario y desinteresado en ese país. En poco tiempo se dan cuenta de cómo nuestro sistema educa a los profesionales para causas sociales. Mientras tanto, aquí estamos, tomando el cuidado de sus familias durante estos tres años, con el dinero enviado por el gobierno brasileño. Y Viva Fidel!

– VIVA FIDEL!

20 Conselhos e Afirmações quickies!

11/04/2010

Para pagar menos imposto: se demita. Para não pagar nada: morra!

Quando for às urnas não leve dinheiro.

Se o Ratzinger abrir a boca reze mais alto.

Ao falar com um padre certifique-se de que você não é mais criança.

O bacalhau é um peixe de água salgada. Muito salgada.

A diferença entre o touro e a vaca não está nos chifres. Nem nas saias.

O bicho-papão comia criancinhas. Hoje o papa diz que não.

Se alguém lhe cobra a conta não faça de conta que é uma cobra.

Durma com as janelas abertas. Isto confunde os ladrões.

Na salada, sal, nada. No peixe, nada. Logo, nada, é saudável.

A semelhança entre o Péle e o Maradona não está na carreira, mas nas carreiras.

Pedófilo é um cara que não cresceu mas ficou grande.

Se um médico diz “vamos operar!” ele está pensando na soma ou na multiplicação.

Todo advogado deve ser avaliado com muito carinho. Mas muito, muito carinho mesmo!

Ao votar lembre: depois não tem mais volta.

Dizer que todo deputado é corrupto é faltar com a verdade. Há corruptos que não são deputados!

Nós evoluímos do macaco e eles nem se sentem ofendidos com isto!

Quando um senador mente para você finja que acredita e se sinta vingado.

A diferença entre o dinheiro embolsado e o dinheiro encuecado está no cheiro.

Se você riu da última é porque não percebeu que o dinheiro era seu.

O laudo de J.S. – ou mais uma caso impressionante no Hospital de Torres

06/11/2009

Fui procurado pelos familiares do Sr J.S., uma vez que eu já conhecia o paciente e o atendera de 2005 a 2007. O Sr. J.S. veio a falecer em 28 de outubro aos 40 anos de idade. O Sr. J.S. foi levado ao Hospital de Torres (Nossa Senhora dos Navegantes), distante 30 km de sua casa, às 4 horas da madrugada, por apresentar dor em aperto no peito, TA 200×130, 120 bpm, dispnéia, histórico de dislipidemia severa, e ansiedade associada. Segundo a recepcionista o plantão estava anormalmente tranqüilo naquela noite. O médico de plantão  prescreveu um comprimido de Captopril 50 mg, um comprimido de Diazepan 10 mg e uma ampola EV de Furosemida. Depois o paciente aguardou sentado, por mais de uma hora, antes de ter sua pressão averiguada após pedido insistente do Sr Altemir, que o acompanhava.  A enfermeira fez referência a uma TA de 160×110 às 5hs15min. Recebeu alta às 6hs30min, sem laudo, com informações de que estava assintomático, com TA de 120×70, e ausculta cardio-respiratória  considerada sem particularidades. Foi aventado que o paciente pediu para ir para casa.

Trinta e cinco minutos depois, às 7hs05min, o paciente retornou ao hospital em PCR, ou seja: parada cardiorespiratória. Neste período os atendentes descreveram uma série de manobras como tentativas de ressuscitação. E o óbito foi declarado às 7hs45 min, 40 minutos após o retorno.

O laudo, que só foi obtido por reiterada insistência do Sr Altemir as 9hs da manhã, é bastante confuso na forma de expor os motivos, as condutas, e as conseqüências. Foi assinado por dois médicos, e possivelmente uma enfermeira. E emenda o registro de alta do primeiro atendimento com o do retorno como se fossem atos contínuos. Os nomes dos médicos constam no laudo.

Registre-se que obter um laudo de um procedimento efetuado no Hospital de Torres é um acontecimento muito raro. 

Registre-se que o Sr Altemir, cerca de 10 minutos antes de chegar pela segunda vez ao hospital, percebeu que o paciente talvez já tivesse falecido, mas permaneceu em seu intento de levá-lo a um lugar com melhores recursos diagnósticos. 

Registre-se que um paciente apresentando os sintomas e sinais referidos no primeiro parágrafo (em especial dor em aperto no peito, TA 200×130, 120 bpm, e  dispnéia), merece e necessita ser observado por um tempo considerado tecnicamente hábil para diagnosticar, ou descartar, uma lesão do miocárdio. Durante este tempo o paciente deve permanecer deitado, sem fazer nenhum esforço, necessita ser avaliado por um cardiologista, fazer um eletrocardiograma, ser monitorado, ter dosadas as enzimas clássicas que se alteram, em tempos variáveis, quando há lesão do músculo cardíaco (CPK, TGO e DLH), receber vasodilatadores coronarianos por via sublingual e opiáceo parenteral quando necessário. 

Registre-se que um paciente apresentando os sintomas e sinais referidos no primeiro parágrafo jamais tem o direito de “querer ir para casa”, principalmente depois de receber como medicação um benzodiazepínico, que minimizou, em seu senso crítico, a severidade do caso. Nesta hora o bom senso do médico, avaliando o quadro como um todo, é que deve prevalecer. 

Infelizmente este não é um caso isolado. Como morador de Três Cachoeiras, e médico há 30 anos na localidade, é desolador perder a referência hospitalar da região. Outros colegas devem compartilhar comigo este ponto de vista mas quem quer iniciar cruzadas inglórias?

Outra história? Vide:

https://romacof.wordpress.com/2009/03/31/voce-e-um-ser-humano/

Há inúmeras outras!

Você é um ser humano?

31/03/2009

 

O que é um ser humano?

 

 

O que é um ser humano? Quais são os critérios que definem o grau de humanidade de um indivíduo? Para uma mãe ou para um pai que há 30 anos lutam para manter vivo um filho com elevado grau de retardo neurológico, e todas as deficiências imagináveis nestas situações, ele é um ser humano? Aquela criatura semi-vegetativa, já adulta, totalmente dependente no que se refere à alimentação e à higiene, que se relaciona aos grunhidos e socos apavorados com os que os cercam carinhosamente, é um ser humano? Voltamos ao início: pergunte ao pai e à mãe desta criatura com a qual eles convivem há 30 anos, e lhes peçam para que relacionem todas as pequenas ocorrências clínicas, e todas as doenças graves daquela criança que crescia e ocupava suas vidas como um filho a ser amado e protegido. Pergunte a eles sobre a esperança de que um dia aquela doença poderia de um modo mágico ou milagroso ser eliminada. Perguntem a estes pais se aquela criatura, em qualquer momento, em qualquer situação, em qualquer idade, deixou de ser tratada como um filho. Pergunte pelos momentos de desespero impotente frente a realidade crua de que  aquela criança cresceria se transformando num símbolo eterno de uma vida indigna. Pergunte a estes pais quantas vezes não pediram que a bondade divina desse a este filho uma morte digna.

 

No fim de um dia chuvoso minha vontade era ir para casa e esquecer as cruzes alheias. Chegou o Negro Edílio, de capa preta,  bicicleta, e um pedido encabulado: “Preciso que o doutor dê uma olhada num afilhado meu. Mora lá na saibreira. Ele já é grande mas é especial. É muito difícil tira-lo de casa ainda mais numa barreira destas. Acho que a coisa não é boa…mas a família pediu! E eu vim ver se o amigo me faz este favor!”

 

O Edílio guardou a bicicleta ao lado do consultório e fez as vezes de guia pois eu não conseguiria descobrir a casa do paciente sem sua ajuda. No caminho me confidenciou: “Eles estiveram ontem no hospital (Hospital Nossa Senhora dos Navegantes em Torres). A ambulância levou mas trouxeram de volta. Disseram que era uma cólica e que dessem bastante chá”. Questionei: “fizeram algum exame, um hemograma, um raio X?”. E Edílio respondeu: “Acho que não… ele foi atendido na ambulância, a doutora só olhou e passou uma receita!”

 

A casa, de madeira, era pobre mas tinha o indispensável para manter uma família de interior que vive basicamente da agricultura. O paciente sobre uma cama simples mostrava sinais evidentes de dor intensa. Os indivíduos que sofrem graus elevados de retardo mental, em situações de nítido sofrimento, se mostram muito agressivos, e a ajuda da mãe e de uma irmã foram fundamentais para que o exame fosse possível.

 

O paciente estava pálido, com as mucosas nitidamente descoradas, e defendia-se de forma intensa nas tentativas de uma palpação mais profunda do abdômen. Não apresentava alterações cardiovasculares ou de pressão. Questionei sobre perdas de sangue ou a cor da fezes. A irmã prontamente me informou que as fezes do irmão estavam pretas e que há alguns dias havia sido feito um exame em Torres que constatara uma úlcera gástrica hemorrágica.

 

Expliquei aos familiares de que qualquer medida terapêutica tomada naquele lugar, com os recursos disponíveis, seriam inócuos. O paciente apresentava todos os sinais de uma hemorragia interna, possivelmente uma úlcera perfurada, e a conduta mais apropriada seria uma hospitalização, exames complementares, e medicações determinantes sobre o quadro estabelecido.

 

Houve a angústia natural destas situações. Mas a conduta foi acatada. Um filho necessitava ser hospitalizado, pois corria risco de vida. Foi providenciado um veículo na prefeitura de Três Cachoeiras e o paciente, os exames anteriores que comprovavam a úlcera gástrica, e um longo laudo descritivo de minha visita foram levados ao hospital de Torres.

 

Já era noite quando eu e o Edílio voltamos para casa. No caminho eu segredei ao meu guia. Não deveria ter dito nada, mas disse: “Sabe Edílio! Nestas situações me vem um grande dúvida! O que eu fiz foi certo? Eu deveria ter encaminhado este paciente para o hospital? Quem vai atende-lo  lá? O plantonista vai ver naquela criatura um ser humano doente mas que não teve as mesmas condições que nós tivemos para evoluir até aqui? Vai ver um filho? Vai olhar para aquela mãe? Ou vai ver uma criatura inútil que se morresse só faria um grande favor para todos?” O Edílio quieto só me escutava. “Será que se eu tivesse prescrito uma terapêutica paliativa qualquer, mas que lhe amenizasse a dor até que a morte viesse, não lhe teria feito um favor maior? A morte seria digna, em casa. Seria tratado como um ser humano, com carinho, entre seus familiares.!” “E mesmo!” concordava o Edílio. Então eu expressei minha tristeza definitiva: “A impressão que fica é de que encaminhá-lo a Torres foi o mesmo que lhe dar um tiro!” “É mesmo!” repetiu Edilio.

 

A ambulância levou o paciente a Torres e lhe devolveu para casa duas horas depois com a aplicação de uma ampola de Buscopan. Durante a madrugada o quadro se agravou e o paciente foi novamente levado para o hospital mas faleceu antes de ser atendido.

Alguém havia puxado o gatilho.

 

Afinal! Qual é a tua?

19/03/2009

 

Aos médicos,

aos candidatos a conselheiros da UNIMED,

aos pacientes, sem os quais a medicina perderia a razão de existir,

à UNIMED, como um todo, aos hipocráticos e aos hipócritas,

e aos humoristas, sem os quais não seria possível engolir coisa alguma.

 

Em especial a todos que ficaram angustiados quando me viram momentaneamente do lado de lá, onde o momento mágico chega e diz: “Fim!”

 

Recebo ocasionalmente uma proposta de:

“quero ser um conselheiro da UNIMED e representar você!”

Impossível passar ao largo da natural suspeita que recai sobre todo aquele que pede voto. Qual é o motor desta intenção?:

 Será que vislumbro no horizonte a sombra da utopia que acalenta a alma?:

“Vou até lá demonstrar que é possível priorizar a vida, a humanidade, a ética, o bom senso, e a consciência!”

Ou será o corriqueiro e nauseante já perceptível nos olhares não sustentados?:

 “Vou até lá participar da turma que orbita o poder, mamar, tirar partido graças às informações privilegiadas, alimentar o sistema administrativo com regras que tornem a UNIMED uma burocracia sempre mais lucrativa!”

 

Qual é a tua? E, qual é a minha?

 

Há duas UNIMEDS:

Uma cujo staff é a de profissionais que fazem medicina, os hipocráticos – aquele lado da medicina que ainda existe. Reflita um pouco e você verá que apesar do lado podre do homem ela existe. Ela existe! E, como em qualquer profissão, principalmente naquelas em que a moral deve morar na forma de amor, depende de conceitos imponderáveis e imateriais que se resumem na capacidade de se colocar (nem que seja por um ínfimo instante) no lugar do outro.

A outra UNIMED está engajada ao sistema global-financeiro-lucrativo-especulativo, como um lobo de orelhas atentas. Ela até compreende intelectualmente os valores éticos da primeira, e, esperta, vende a imagem de sua existência colocando o trabalho da outra como a pele de ovelha que todo bom lobo deve vestir: “Nossa saúde é cuidar da sua!”

 

Alguém argumentará que a primeira não vive sem a segunda pois o custo dos recursos aplicados na medicina atual exige os instintos de um lobo, pois o mundo é uma alcatéia. Mas o lobo não pode ser burro e nem comer a própria ninhada.

 

Publicitários de peso me explicam que toda marca necessita ser vendida, fixada, gravada na mente coletiva.(Para quem não está acompanhando nossa conversa ou se distraiu momentaneamente com as cifras do último balancete a marca em questão é a UNIMED!) Faça uma enquête! Pergunte na rua para qualquer indivíduo de qualquer classe social qual marca se associa naturalmente a atendimento médico de qualidade! A resposta (certamente não unânime mas proporcionalmente significativa) será o eco, o reflexo, a conseqüência do atendimento profissional dos hipocráticos da UNIMED. Atenda mal e a UNIMED vai mal! Atenda bem e a UNIMED terá sua imagem indelevelmente gravada no conceito popular. Ou, como alguns gênios querem nos fazer crer, você ouvirá os entrevistados dizerem: “…a marca boa é aquela que aparece no fundilho do calção dos jogadores do time tal!”

 

Quem ganha com isto? Quem está levando com isto? Ora! Se a marca ali estampada fosse “Personal”, Astoria”, ou “Neve” (entre tantas), ninguém poderia questionar a propriedade da localização, o apelo popular, as eventuais analogias geradas pelo embarrar do esporte na região glútea, e a necessidade de mantê-la limpa. Mas UNIMED? A quem interessa ou ao bolso de quem interessa tão mau gosto? Quem paga isto? …você paga, nós pagamos! Guarda chuvas “verdes-umined” distribuídos gratuitamente às pessoas frágeis nos dias de chuva seriam mais baratos. Protegem. Inclusive a saúde!…se ainda houver a necessidade publicitária de fixar a imagem!

 

Recentemente houve um encontro de secretárias de médicos da UNIMED no Hotel Solar da Barra, em Torres. A necessidade indiscutível exposta em papel de primeira qualidade argumentava sobre normatizações e atualizações. Minha esposa é minha secretária e fui levá-la; três colegas me convidaram para o café no hotel. Um, traumatologista, era um candidato local a membro do conselho. A outra, também traumatologista, era a palestrante. O terceiro um incógnito (um auditor? Pode ser maldade minha!) Eu, clínico, cínico, o estranho no ninho, ouvia com ouvidos gradativamente incapazes de se adjetivarem massacrados pelas incongruências médicas e cooperativas que corriam entre os croissant: “A palestrinha era hoje mas já vim há 2 dias! Você acha que eu ia perder esta mordomia, piscina, café 5 estrelas, e tal?” (eu, e você, pagando). “Na semana passada atendi um quadril esfacelado… vocês precisavam ver que coisa mais espetacular!” …”O joelho estava poli-fraturado em ângulos surreais!” O café ganhava um sabor sulfuroso e tive dúvida sobre minha sanidade. Quem ali era o normal?

 

Num dado momento os mui dignos colegas de UNIMED (as cinzas de Hipócrates de bruços) constataram a minha presença e me perguntaram se eu também havia vivenciado estas experiências inesquecíveis. Não pude comungar daquele ritual. Fiquei de pé, e apenas consegui responder que eu não atendia quadris, joelhos, rins, corações, ou quaisquer outras vísceras destroçadas, pois eu só atendia pessoas, seres humanos; constatei que só atendia pacientes! Eu não fazia parte daquele seleto grupo: o grupo dos lobos.

 

Qual é a minha? E, na improvável hipótese de que você tenha chegado até aqui: qual é a tua?

 

O que é um auditor? O que um auditor auditoria? Um ginecologista tem todo o conhecimento de causa para auditorar questões cardiológicas específicas? Quais são os critérios? Quais são os pesos e as medidas? Quem auditoria o auditor? É prudente negar pedidos de um colega que pode manter ou retirar auditores? Afinal, quem é o dono disto tudo? O que é isto tudo? O que é uma cooperativa? O verbo cooperar e o substantivo cooperação têm alguma relação etimológica com o que observamos na face-lobo da UNIMED?  Porque os déficits são rateados igualmente entre os cooperados e os superávits proporcionalmente às produções individuais? O que determina as superproduções individuais? É óbvio que a produção é proporcional ao desempenho! Ou não? Em todos os casos a produção reflete com justiça o desempenho hipocrático? Todos os burocratas nesta medicina justificam os seus ganhos? Porque os profissionais de marketing da UNIMED são tão eficazes nos grandes centros e inaptos no interior do Estado? Alguém já acessou nos computadores da diretoria (o presidente deve ter um note book para seu uso na função) as estatísticas comparativas entre os índices de exames por paciente na capital (exemplo: Mãe de Deus Center) e num consultório do interior? Alguém já se deu ao trabalho de conferir a necessidade dos caríssimos exames pedidos nas vitrines da UNIMED? A UNIMED tem auditores? (Acho que isto eu já perguntei!)

 

A um paciente que sofre de deslipidemia, atendido há alguns meses, e que trato há 20 anos, pedi um retorno com o resultado de um perfil lipídico básico (colesterol total + HDL + triglicerídeos) para conferir se a medicação fora eficaz. O paciente, estando em Porto Alegre, tentou fazer os exames mas havia esquecido a solicitação em sua cidade. Foi orientado a consultar no Mãe de Deus Center e pedir uma nova solicitação. Foi atendido, gentilmente, e a médica considerou que apenas aqueles exames não dariam as informações necessárias sobre o estado de saúde do paciente. Em uma semana o paciente retornou ao meu consultório com um gordo envelope com 18 resultados laboratoriais normais (incluído o perfil lipídico), um ECG normal e um Ecocardiograma normal. Todos pagos, pelo paciente, por mim, e por você (se ainda estiver aí!). A UNIMED tem auditores? (Devo estar me repetindo!)

 

Há médicos que contra o apelo para permanecerem na cidade grande com todos as suas benesses socioculturais foram para um Brasil onde apenas um tipo de medicina pode ser aplicada:”façam o que puderem e que Deus os ajude nas horas vagas!”, não apresentam uma grande produção para a UNIMED apesar de terem uma clínica particular e sustentarem suas famílias com o produto de seu trabalho. Nestes lugares há uma máxima: “quem não for competente não se estabelece!” Logo, nós, os estabelecidos, no meio caso há 33 anos, perguntamos por que a UNIMED não se estabelece nestes lugares! Bons garotos propagandas ela tem! O usuário é um crítico exigente! Hoje não é mais possível ludibriar uma população que se informa on-line em questões de saúde. Afinal, O que falta ao setor de marketing da UNIMED para se estabelecer no interior?

 

Mas onde falta competência os lobos encontram alternativas! Cria-se a UNIMED-FÁCIL. Um sistema que finge dar atendimento aos usuários, cobra por isto, e usa (sem retribuição) o trabalho dos garotos propaganda, que vêm suas consultas particulares abandona-los em troca de uma promessa mal explicada embutida em descontos irrisórios, que não se transformarão em benefícios reais se as questões de saúde forem realmente sérias. Apenas a qualidade do serviço foi descontada! Uma grande jogada para encobrir a incompetência às custas de um trabalho que já era feito!  

 

Há alguns dias (na sala de atendimento ao Médico Cooperado no Hospital Moinhos de Ventos) pedi uma guia para solicitar alguns exames  para mim (era o dia em que o Brasil pode morrer – o dia da debandada geral para o feriado de carnaval). Queria aproveitar o fato de estar em um dos melhores hospitais do estado, ser possuidor de um plano de saúde relativamente caro (12 mil reais anuais), ter meus quase sessenta anos, e ser médico cooperado a mais tempo do que posso me lembrar. Necessitava fazer um ECG e dosar algumas enzimas para que um colega me avaliasse de forma neutra, sem negações ou conversões. Eu apresentava um desagradável e preocupante quadro de angina e meu instinto clínico exigia estes preliminares para uma conduta posterior adequada. (O Hospital Moinhos de Vento não dispõe de um sistema de emergência pela UNIMED – um mistério técnico político que pede uma análise a parte ). A funcionária da UNIMED (Denise Flores) foi prestativa e gentil mas todos os seus esforços esbarraram na negativa dos auditores, obedientes ao sistema. Não consegui um contato pessoal. E não consegui ter acesso aos exames.

 

Um colega da emergência do Hospital Moinhos de Ventos me solicitou um eletrocardiograma de esforço (a minha capacidade de caminhar sem dor ou dispnéia estava limitada a 50 metros – não questionei o pedido do colega, paguei a consulta mas achei prudente não tentar o suicídio daquela forma inglória).

Fui encaminhado ao Hospital Mãe de Deus onde permaneci por cerca de 4 horas. Fiz os exames, que se mostraram inconclusivos. Pedi um vasodilatador coronariano, um analgésico e a avaliação de um cardiologista. Mas a colega que me atendeu, enquanto teclava o boletim 903692, prescreveu um antiinflamatório (Profenid),  um ansiolítico (Clonazepan), que recusei, e me informou que durante aquele período em que eu estivera no Hospital não havia um cardiologista, mas que provavelmente teríamos a presença de um no final do dia.

Pedi alta. Achei que naquele momento seria a única conduta coerente. Eu precisava de um médico. Recebi “alta” com o quadro anginoso agravado.

 

No dia seguinte (domingo- dia 22) fui levado em caracter de urgência  ao Instituto de Cardiologia.

Hoje sou um feliz possuidor de 2 pontes de safena e uma mamária graças aos hipocráticos da UNIMED que trabalham naquele hospital. Em especial ao Dr Cristiano Cardoso da emergência (que “tem a capacidade de se colocar no lugar do outro”), à cardiologista Anna Maria Maciel, capaz de ponderar e deslizar entre os lobos, e ao cirurgião cardiovascular Álvaro Albrecht, que me abriu e re-alinhavou sem esperar pelo aval dos auditores.

 

Ainda hospitalizado foi necessário fazer um ecocardiograma, que só foi autorizado pela UNIMED após a devida avaliação pelos auditores atentos! Correto! Embora o pedido tenha sido feito dentro do Instituto de Cardiologia, por uma cardiologista, para um paciente submetido a uma cirurgia cardíaca para implante de duas safenas e uma mamária durante um infarto agudo, a atenção nos processos de auditoria é de uma correção ímpar e necessária.

 

Continuo investigando minhas carótidas, os vasos do tronco cerebral,  uma diplopia que pode estar relacionada a um processo isquêmico nas proximidades do quiasma ótico, a funcionalidade dos implantes, e uma série de outros quesitos relacionados. Não havendo agravos estarei profissionalmente fora de circulação por um período de três meses, sem a necessária cobertura trabalhista. (Alguém aí já preencheu os quesitos de um laudo pericial de corpo de delito?) Os colegas, os conselheiros, e os auditores teriam como avaliar  o custo total do que ocorreu? E o custo do que não vai ocorrer? Há necessidade de um desenho para facilitar a pergunta?

 

Alguns dirão: venha, candidate-se, participe ativamente no âmago das discussões! Largue a clínica, mande os pacientes à favas! Venha ser um político da UNIMED! Venha ser um de nós! Venha uivar conosco.

Vou declinar! Meu coração pode ter dado provas de resistência insuspeitadas mas não sei se meu estômago suportaria o convívio com vocês.

Minha esperança (talvez tola e infantil) é de que um dia, alguns colegas consigam ler e compreender esta carta.

 

Sou médico, credenciado pela UMIMED, pago um bom plano de saúde, meu nome é Ronaldo de Campos Fernandes, me formei na UFRGS em 1975, e meu CRM é 7302. Imaginem se meu nome fosse João Só, ou Só João, sem profissão, sem planos, sem passado ou futuro. Pobre João! Pobre humanidade.

Mas, hoje, 26 dias depois,  me considero feliz em poder recolher minhas idéias (e o foco nas teclas) numa explanação coerente, racional, com pequenas doses passionais que já transmutei em humor.

 

romacof@hotmail.com