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O símbolo não é tudo, mas o que ele simboliza é significativo…

22/10/2011

O símbolo não é tudo, mas o que ele simboliza é significativo… O caduceu símbolo da medicina era um bastão de madeira com uma cobra enrolada. Assim era o cajado de Asclepio, deus grego da cura, que os romanos traduziram como Esculápio.

Quando os estadosunidenses entraram no teatro civilizatório fizeram alterações na simbologia greco-romana e, nas várias guerras em que se envolveram, os indivíduos que trabalhavam no “Medical Department” (daí MD) carregavam na jaqueta, como insígnia, uma haste com duas cobras enroladas encimada por um pequeno globo e um par de asas abertas. E este símbolo hoje é usado, equivocadamente, como sendo o da medicina.

Porém o símbolo substituto adotado pelos americanos é o caduceu do deus Hermes (Mercúrio) e representa uma outra profissão, o Comércio, que embora seja nobre, e ocupe um lugar fundamental nas relações humanas, permite todo o tipo de interpretação quando relacionado com a atividade que no ocidente tem o grego Hipócrates, um asclepíade ateniense, como pai.

Ou talvez  os médicos que aceitaram a americanização da simbologia estejam, inconscientemente, demonstrando que hoje a medicina é considerada um comércio e estão se lixando para a troca dos símbolos simplesmente por que isto os satisfaz.

 

 

Cogito, ergo sum. Ou inferir é existir…e se for uma bobagem é mais divertido.

14/07/2010

Cuidado: o procedimento abaixo descrito pode ser considerado uma praxi-automedicação,  e como tal, com riscos potenciais, se aplicado sem orientação. Em caso de dúvida consulte seu médico.

Li no Crônicas Urbanas uma moda terapêutica de uma loja chinesa onde as donas de casa podem descarregar (ou demonstrar?) os estresses da vida. Interessante. E naquelas inferências, de que só os orangotangos são capazes, me veio um significado de terapia aplicável, também, aos donos de casa, já que, me pareceu, fomos descriminados na notícia postada pela Mônica. Vejam bem o rolo que as ilações causam entre a esponja e o sabão:

Quando falamos em quantidade de memória em computação utilizamos uma unidade chamada Byte (leia-se baite, onde a maiúscula inicial é convencionada), que é um número binário de 8 bits (leia-se bits). Um bit pode ter dois valores: o um e o zero (ou, o verdadeiro e o falso, ou, o ligado e o desligado, ou, um pra cá e um pra lá,ou, o há e o não há, e assim por diante, mas isto não interessa nem um pouco para o que estávamos falando). Um Byte possui oito bits cada um porque para os computadores a representação de 256 números binários é suficiente quando se utiliza os códigos adotados na construção dos programas e nas operações entre os hardwares. Quando a quantidade de memória foi crescendo foi necessário dar nomes a certos bois que surgiram pelo caminho a partir da progressão inicial. Vejam só:  8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024, em que estes 1.024 Bytes (8.192 bits), se diz que são iguais a 1 Kilobyte, 1.024 Kilobytes são iguais a um Megabyte, 1.024 Megabytes são iguais a um Gigabyte, e 1.024 Gigabytes são iguais a um Terabyte, (que por sua vez é igual à 8.796.093.022.208 bits, para o purista que quiser conferir etapa por etapa), e, como todas as outras coisas deste tipo, cabe aqui um “e assim por diante”.

Mas a importância destes detalhes só não é insignificante, frente ao assunto que quero demonstrar, porque há um paralelismo entre a terminologia utilizada e a ilação aventada no início: a necessidade dos homens (de casa) também terem um processo de descarrego de estresse.

Tenha uma família grande, digamos dois filhos e duas filhas, e em conseqüência duas noras e dois genros. Acrescente, obviamente, uma esposa, e , digamos, três netas. Tenha um fim de semana agradável em família, com muitas piadas, pizzas, refrigerantes, conversas, comilanças, e uma montanha de louça para lavar. Olhe para a pia. Estremeça. Ninguém se candidata para enfrentar aquele monstro. Você, homem, pai de família, resolve tomar a iniciativa. Você, munido de esponjas, panos e sabões, vai, calmamente, terraplanando aquele acidente geográfico descomunal.  Sem quebrar nada. Sem atirar nada pela janela. Deixando tudo impecavelmente limpo e arrumado. Isto leva de duas a três horas. Você venceu a pia!… Não!  Aquela megapia! Uns dirão: era uma gigapia…! Agora você já concluiu. O que você fez foi uma Terapia.

Medicina Ortomolecular

17/01/2010

Caro Arthur! Embora tenha a sensação de que sua encomenda esconda o propósito de que eu dê a cara a tapa, vou subir nesse balão!

As opiniões dos “especialistas” sobre os vários tipos de medicinas alternativas, entre as quais a ortomolecular, costumam ser expressas e defendidas de forma dogmática. E as opiniões contrárias são rechaçadas com uma cruz em riste. O fato é que as medicinas alternativas, por definição, carecem de uma metodologia experimental que as consagrem como inquestionáveis. A própria alopatia, com todo o seu aparato para exames e diagnóstico, com todo seu arsenal medicamentoso e técnicas invasivas, com toda uma história milenar de erros e acertos, e com todos os modernos ensaios científicos, não pode ser rotulada como infalível. As medicinas, por definição, são ciências inexatas. Nenhuma modalidade pode ser definitiva como a dona da verdade. Como as religiões. O bom está na mistura. O bom está no bom senso. O bom está na forma como o objeto, o paciente ou a doença, pode ser atingido. Até a imponderável fé pode ser considerada determinante em alguns casos!

A medicina ortomolecular se baseia na premissa de que um organismo carente de um determinado elemento ou substância pode ser corrigido ou equilibrado pela adição daquilo que caracteriza a carência. Podemos definir este propósito de forma mais ampla e natural: coma de forma correta e completa, beba líquidos saudáveis e em volumes adequados, respire um ar limpo, movimente seus músculos de forma harmônica e em intensidades produtivas, evite a formação de radicais livres, informe-se, estude, seja altruísta, ame algo ou alguém, adube a terra de forma balanceada, não polua o meio ambiente, não fume, não se embebede, evite as subtância neurotóxicas, conserve energia, cuide do planeta, e não minta. Ou, de forma bem simplificada, aconselhe-se com um nutricionista, pratique esportes e seja otimista.

O próprio Linus Pauling a quem se atribui os fundamentos da medicina ortomolecular, e que demonstrou o uso da vitamina C como protetor contra a gripe, posteriormente, após conferir todas as variáveis envolvendo a incidência da gripe e a ação inibidora da vitamina C, concluiu que teria que comer 200 laranjas por dia para realmente estar protegido.

Há cerca de 20 anos, no lugar em que vivo, houve uma onda ortomolecular. Colegas abraçaram esta causa, montaram consultórios, fizeram convênios com laboratórios de análise americanos para onde mandavam malotes de madeixas. Recebiam laudos extensos com a composição química do cabelos de seus clientes. Estes exames eram significativamente caros. Preparavam cápsulas que continham, em teoria, a correção dos desacertos moleculares dos pacientes. Estas cápsulas eram significativamente caras. E a magia da promessa cientificamente explicada da medicina ortomolecular lotou salas de espera. E as consultas eram significativamente caras. Mas o tempo, aquele juiz implacável, estendeu a sua toga. O resultado prometido aparentemente levava muito tempo para se fazer sentir. O preço passou a doer. As hortas caseiras e as feiras ecológicas tinham um custo irrisório. As academias e piscinas tornaram-se mais prazerosas e produtivas. E a moda passou.

Um dia vai voltar. Um pouco porque o princípio é correto, embora incompleto, e os métodos sejam questionáveis. Um pouco porque as pessoas esquecem e voltam a comprar colchões magnetizados e torneiras com filtros de carvão ativado. Um pouco porque é necessário manter o encanto. Um pouco porque há os espertos.

Go-No 1974 (1ª parte)

21/04/2009

go-no-1-2

Afinal! Qual é a tua?

19/03/2009

 

Aos médicos,

aos candidatos a conselheiros da UNIMED,

aos pacientes, sem os quais a medicina perderia a razão de existir,

à UNIMED, como um todo, aos hipocráticos e aos hipócritas,

e aos humoristas, sem os quais não seria possível engolir coisa alguma.

 

Em especial a todos que ficaram angustiados quando me viram momentaneamente do lado de lá, onde o momento mágico chega e diz: “Fim!”

 

Recebo ocasionalmente uma proposta de:

“quero ser um conselheiro da UNIMED e representar você!”

Impossível passar ao largo da natural suspeita que recai sobre todo aquele que pede voto. Qual é o motor desta intenção?:

 Será que vislumbro no horizonte a sombra da utopia que acalenta a alma?:

“Vou até lá demonstrar que é possível priorizar a vida, a humanidade, a ética, o bom senso, e a consciência!”

Ou será o corriqueiro e nauseante já perceptível nos olhares não sustentados?:

 “Vou até lá participar da turma que orbita o poder, mamar, tirar partido graças às informações privilegiadas, alimentar o sistema administrativo com regras que tornem a UNIMED uma burocracia sempre mais lucrativa!”

 

Qual é a tua? E, qual é a minha?

 

Há duas UNIMEDS:

Uma cujo staff é a de profissionais que fazem medicina, os hipocráticos – aquele lado da medicina que ainda existe. Reflita um pouco e você verá que apesar do lado podre do homem ela existe. Ela existe! E, como em qualquer profissão, principalmente naquelas em que a moral deve morar na forma de amor, depende de conceitos imponderáveis e imateriais que se resumem na capacidade de se colocar (nem que seja por um ínfimo instante) no lugar do outro.

A outra UNIMED está engajada ao sistema global-financeiro-lucrativo-especulativo, como um lobo de orelhas atentas. Ela até compreende intelectualmente os valores éticos da primeira, e, esperta, vende a imagem de sua existência colocando o trabalho da outra como a pele de ovelha que todo bom lobo deve vestir: “Nossa saúde é cuidar da sua!”

 

Alguém argumentará que a primeira não vive sem a segunda pois o custo dos recursos aplicados na medicina atual exige os instintos de um lobo, pois o mundo é uma alcatéia. Mas o lobo não pode ser burro e nem comer a própria ninhada.

 

Publicitários de peso me explicam que toda marca necessita ser vendida, fixada, gravada na mente coletiva.(Para quem não está acompanhando nossa conversa ou se distraiu momentaneamente com as cifras do último balancete a marca em questão é a UNIMED!) Faça uma enquête! Pergunte na rua para qualquer indivíduo de qualquer classe social qual marca se associa naturalmente a atendimento médico de qualidade! A resposta (certamente não unânime mas proporcionalmente significativa) será o eco, o reflexo, a conseqüência do atendimento profissional dos hipocráticos da UNIMED. Atenda mal e a UNIMED vai mal! Atenda bem e a UNIMED terá sua imagem indelevelmente gravada no conceito popular. Ou, como alguns gênios querem nos fazer crer, você ouvirá os entrevistados dizerem: “…a marca boa é aquela que aparece no fundilho do calção dos jogadores do time tal!”

 

Quem ganha com isto? Quem está levando com isto? Ora! Se a marca ali estampada fosse “Personal”, Astoria”, ou “Neve” (entre tantas), ninguém poderia questionar a propriedade da localização, o apelo popular, as eventuais analogias geradas pelo embarrar do esporte na região glútea, e a necessidade de mantê-la limpa. Mas UNIMED? A quem interessa ou ao bolso de quem interessa tão mau gosto? Quem paga isto? …você paga, nós pagamos! Guarda chuvas “verdes-umined” distribuídos gratuitamente às pessoas frágeis nos dias de chuva seriam mais baratos. Protegem. Inclusive a saúde!…se ainda houver a necessidade publicitária de fixar a imagem!

 

Recentemente houve um encontro de secretárias de médicos da UNIMED no Hotel Solar da Barra, em Torres. A necessidade indiscutível exposta em papel de primeira qualidade argumentava sobre normatizações e atualizações. Minha esposa é minha secretária e fui levá-la; três colegas me convidaram para o café no hotel. Um, traumatologista, era um candidato local a membro do conselho. A outra, também traumatologista, era a palestrante. O terceiro um incógnito (um auditor? Pode ser maldade minha!) Eu, clínico, cínico, o estranho no ninho, ouvia com ouvidos gradativamente incapazes de se adjetivarem massacrados pelas incongruências médicas e cooperativas que corriam entre os croissant: “A palestrinha era hoje mas já vim há 2 dias! Você acha que eu ia perder esta mordomia, piscina, café 5 estrelas, e tal?” (eu, e você, pagando). “Na semana passada atendi um quadril esfacelado… vocês precisavam ver que coisa mais espetacular!” …”O joelho estava poli-fraturado em ângulos surreais!” O café ganhava um sabor sulfuroso e tive dúvida sobre minha sanidade. Quem ali era o normal?

 

Num dado momento os mui dignos colegas de UNIMED (as cinzas de Hipócrates de bruços) constataram a minha presença e me perguntaram se eu também havia vivenciado estas experiências inesquecíveis. Não pude comungar daquele ritual. Fiquei de pé, e apenas consegui responder que eu não atendia quadris, joelhos, rins, corações, ou quaisquer outras vísceras destroçadas, pois eu só atendia pessoas, seres humanos; constatei que só atendia pacientes! Eu não fazia parte daquele seleto grupo: o grupo dos lobos.

 

Qual é a minha? E, na improvável hipótese de que você tenha chegado até aqui: qual é a tua?

 

O que é um auditor? O que um auditor auditoria? Um ginecologista tem todo o conhecimento de causa para auditorar questões cardiológicas específicas? Quais são os critérios? Quais são os pesos e as medidas? Quem auditoria o auditor? É prudente negar pedidos de um colega que pode manter ou retirar auditores? Afinal, quem é o dono disto tudo? O que é isto tudo? O que é uma cooperativa? O verbo cooperar e o substantivo cooperação têm alguma relação etimológica com o que observamos na face-lobo da UNIMED?  Porque os déficits são rateados igualmente entre os cooperados e os superávits proporcionalmente às produções individuais? O que determina as superproduções individuais? É óbvio que a produção é proporcional ao desempenho! Ou não? Em todos os casos a produção reflete com justiça o desempenho hipocrático? Todos os burocratas nesta medicina justificam os seus ganhos? Porque os profissionais de marketing da UNIMED são tão eficazes nos grandes centros e inaptos no interior do Estado? Alguém já acessou nos computadores da diretoria (o presidente deve ter um note book para seu uso na função) as estatísticas comparativas entre os índices de exames por paciente na capital (exemplo: Mãe de Deus Center) e num consultório do interior? Alguém já se deu ao trabalho de conferir a necessidade dos caríssimos exames pedidos nas vitrines da UNIMED? A UNIMED tem auditores? (Acho que isto eu já perguntei!)

 

A um paciente que sofre de deslipidemia, atendido há alguns meses, e que trato há 20 anos, pedi um retorno com o resultado de um perfil lipídico básico (colesterol total + HDL + triglicerídeos) para conferir se a medicação fora eficaz. O paciente, estando em Porto Alegre, tentou fazer os exames mas havia esquecido a solicitação em sua cidade. Foi orientado a consultar no Mãe de Deus Center e pedir uma nova solicitação. Foi atendido, gentilmente, e a médica considerou que apenas aqueles exames não dariam as informações necessárias sobre o estado de saúde do paciente. Em uma semana o paciente retornou ao meu consultório com um gordo envelope com 18 resultados laboratoriais normais (incluído o perfil lipídico), um ECG normal e um Ecocardiograma normal. Todos pagos, pelo paciente, por mim, e por você (se ainda estiver aí!). A UNIMED tem auditores? (Devo estar me repetindo!)

 

Há médicos que contra o apelo para permanecerem na cidade grande com todos as suas benesses socioculturais foram para um Brasil onde apenas um tipo de medicina pode ser aplicada:”façam o que puderem e que Deus os ajude nas horas vagas!”, não apresentam uma grande produção para a UNIMED apesar de terem uma clínica particular e sustentarem suas famílias com o produto de seu trabalho. Nestes lugares há uma máxima: “quem não for competente não se estabelece!” Logo, nós, os estabelecidos, no meio caso há 33 anos, perguntamos por que a UNIMED não se estabelece nestes lugares! Bons garotos propagandas ela tem! O usuário é um crítico exigente! Hoje não é mais possível ludibriar uma população que se informa on-line em questões de saúde. Afinal, O que falta ao setor de marketing da UNIMED para se estabelecer no interior?

 

Mas onde falta competência os lobos encontram alternativas! Cria-se a UNIMED-FÁCIL. Um sistema que finge dar atendimento aos usuários, cobra por isto, e usa (sem retribuição) o trabalho dos garotos propaganda, que vêm suas consultas particulares abandona-los em troca de uma promessa mal explicada embutida em descontos irrisórios, que não se transformarão em benefícios reais se as questões de saúde forem realmente sérias. Apenas a qualidade do serviço foi descontada! Uma grande jogada para encobrir a incompetência às custas de um trabalho que já era feito!  

 

Há alguns dias (na sala de atendimento ao Médico Cooperado no Hospital Moinhos de Ventos) pedi uma guia para solicitar alguns exames  para mim (era o dia em que o Brasil pode morrer – o dia da debandada geral para o feriado de carnaval). Queria aproveitar o fato de estar em um dos melhores hospitais do estado, ser possuidor de um plano de saúde relativamente caro (12 mil reais anuais), ter meus quase sessenta anos, e ser médico cooperado a mais tempo do que posso me lembrar. Necessitava fazer um ECG e dosar algumas enzimas para que um colega me avaliasse de forma neutra, sem negações ou conversões. Eu apresentava um desagradável e preocupante quadro de angina e meu instinto clínico exigia estes preliminares para uma conduta posterior adequada. (O Hospital Moinhos de Vento não dispõe de um sistema de emergência pela UNIMED – um mistério técnico político que pede uma análise a parte ). A funcionária da UNIMED (Denise Flores) foi prestativa e gentil mas todos os seus esforços esbarraram na negativa dos auditores, obedientes ao sistema. Não consegui um contato pessoal. E não consegui ter acesso aos exames.

 

Um colega da emergência do Hospital Moinhos de Ventos me solicitou um eletrocardiograma de esforço (a minha capacidade de caminhar sem dor ou dispnéia estava limitada a 50 metros – não questionei o pedido do colega, paguei a consulta mas achei prudente não tentar o suicídio daquela forma inglória).

Fui encaminhado ao Hospital Mãe de Deus onde permaneci por cerca de 4 horas. Fiz os exames, que se mostraram inconclusivos. Pedi um vasodilatador coronariano, um analgésico e a avaliação de um cardiologista. Mas a colega que me atendeu, enquanto teclava o boletim 903692, prescreveu um antiinflamatório (Profenid),  um ansiolítico (Clonazepan), que recusei, e me informou que durante aquele período em que eu estivera no Hospital não havia um cardiologista, mas que provavelmente teríamos a presença de um no final do dia.

Pedi alta. Achei que naquele momento seria a única conduta coerente. Eu precisava de um médico. Recebi “alta” com o quadro anginoso agravado.

 

No dia seguinte (domingo- dia 22) fui levado em caracter de urgência  ao Instituto de Cardiologia.

Hoje sou um feliz possuidor de 2 pontes de safena e uma mamária graças aos hipocráticos da UNIMED que trabalham naquele hospital. Em especial ao Dr Cristiano Cardoso da emergência (que “tem a capacidade de se colocar no lugar do outro”), à cardiologista Anna Maria Maciel, capaz de ponderar e deslizar entre os lobos, e ao cirurgião cardiovascular Álvaro Albrecht, que me abriu e re-alinhavou sem esperar pelo aval dos auditores.

 

Ainda hospitalizado foi necessário fazer um ecocardiograma, que só foi autorizado pela UNIMED após a devida avaliação pelos auditores atentos! Correto! Embora o pedido tenha sido feito dentro do Instituto de Cardiologia, por uma cardiologista, para um paciente submetido a uma cirurgia cardíaca para implante de duas safenas e uma mamária durante um infarto agudo, a atenção nos processos de auditoria é de uma correção ímpar e necessária.

 

Continuo investigando minhas carótidas, os vasos do tronco cerebral,  uma diplopia que pode estar relacionada a um processo isquêmico nas proximidades do quiasma ótico, a funcionalidade dos implantes, e uma série de outros quesitos relacionados. Não havendo agravos estarei profissionalmente fora de circulação por um período de três meses, sem a necessária cobertura trabalhista. (Alguém aí já preencheu os quesitos de um laudo pericial de corpo de delito?) Os colegas, os conselheiros, e os auditores teriam como avaliar  o custo total do que ocorreu? E o custo do que não vai ocorrer? Há necessidade de um desenho para facilitar a pergunta?

 

Alguns dirão: venha, candidate-se, participe ativamente no âmago das discussões! Largue a clínica, mande os pacientes à favas! Venha ser um político da UNIMED! Venha ser um de nós! Venha uivar conosco.

Vou declinar! Meu coração pode ter dado provas de resistência insuspeitadas mas não sei se meu estômago suportaria o convívio com vocês.

Minha esperança (talvez tola e infantil) é de que um dia, alguns colegas consigam ler e compreender esta carta.

 

Sou médico, credenciado pela UMIMED, pago um bom plano de saúde, meu nome é Ronaldo de Campos Fernandes, me formei na UFRGS em 1975, e meu CRM é 7302. Imaginem se meu nome fosse João Só, ou Só João, sem profissão, sem planos, sem passado ou futuro. Pobre João! Pobre humanidade.

Mas, hoje, 26 dias depois,  me considero feliz em poder recolher minhas idéias (e o foco nas teclas) numa explanação coerente, racional, com pequenas doses passionais que já transmutei em humor.

 

romacof@hotmail.com