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Gilmar Mendes, o relativizador.

11/03/2017

Gilmar Mendes está relativizando a prática do caixa 2!

Um membro do judiciário, ao abrir a boca pra dizer bobagem, está, em última análise, dourando crimes. A Corporação bate palmas! Talvez o crime compense, afinal! Talvez roubar só seja crime se for exageradamente! Um milhãozinho aqui e outro ali, quem vai reparar? O Senhor Confronto Político dança uma lambada obscena com a Senhora Governabilidade enquanto nós aplaudimos, sem saber se o sexo é entre eles ou em nós.

Tente explicar a seu filho que aquilo que o juiz disse casa com aquilo que você tenha ensinar pra ele!

Lógica de cangaço.

10/12/2016

Marco Aurélio sonhando que era o cara… e me ocorre uma curiosidade: O que acontece se não assino a notificação de um oficial de justiça? Sendo Renan, eu sei: nada! Mesmo com uma dúzia de processos, num sendo réu, por corruptar milhões, estaria casado com a Governabilidade, senhora imensa, suja e malcheirosa, em nome da qual todos os pecados são permitidos. E as leis? E a justiça? Não brotariam togas babando conduções coercitivas ou palavrões piores? Nada aconteceria! Eles fariam uma laranjada espremendo um tomate podre. Eles vomitariam outro artificialismo para justificar a já estuprada lógica jurídica. Pois sou Renan, senhor dos rabos presos, colecionador de dossiês, representante maior da amante eterna no poder legislativo e, contra mim, nenhum juizeco poderia arrotar supremacia sem sentir o amargor de minha ira.

Os três poderes estão comprometidos!

07/12/2016

Os três poderes estão comprometidos. A cabeça executiva afunda, com a credibilidade corroída gradativamente se transformando numa piada cercada por suspeitas. A nata legislativa é suja, faz leis para esconder os próprios crimes, e suas raras manifestações de honestidade não têm massa crítica para gritar acima do rosnado dos ratos. O topo do judiciário é lento, não vive nessa realidade, e está embasbacado ou comprometido enquanto finge que enfrenta os crimes corporativistas.
Nesse cenário vivemos nós, fragilizados economicamente, roubados e pagando a conta dos estragos anteriores, esperando que Moro e o Ministério Público tenham força e capacidade para derrubar a casa sem nos esmagar no processo; nós, crônica e miseravelmente cegos para o que acontece, acreditando que essa política vai se converter e nos salvar, ou que o governo vai, magicamente, parir um redentor.
Quem pode governar o país são os nossos olhos, se eles forem críticos, e se estiverem permanentemente abertos.

Barbosa, Lewandowski e a chicana.

17/08/2013

Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de um dos recursos do mensalão (lembra? aquela novela misteriosa iniciada há 8 anos que trata dos subornos envolvendo… ah! vá ao Google e se informe!), acusou Ricardo Lewandowski de estar fazendo chicana, em referência à análise do recurso, requerendo redução da pena, apresentado por um dos réus.

 O papo foi mais ou menos assim: Lewandowski disse: “Presidente, nós estamos com pressa do quê? Nós estamos fazendo justiça.”

E Barbosa respondeu: “Vamos fazer o nosso trabalho e não chicana, ministro.”

 A corporação judiciária caiu de pau em Barbosa! Esse negro, filho de pedreiro, arrimo de uma família pobre de sete irmãos, que estudou em escola pública e foi funcionário de uma gráfica, não pode faltar com o respeito e usar um palavrão desses, insinuando coisas suspeitosas sobre um dos colegas!

 Para quem não sabe, a palavra chicana significa processo artificioso, abuso de recursos e formalidades em questões judiciais, querela de má-fé, cavilação, razão falsa e enganosa, maquinação fraudulenta, sofisma, enredo, ardil, raciocínio vicioso aparentemente correto e concebido com a intenção de induzir ao erro, premissa ou argumentação cujo propósito se estabelece na intenção de produzir uma ilusão da verdade, apresentando uma estrutura lógica, porém com relações incorretas e propositalmente falsas, discussão argumentativa que supostamente demonstra a verdade, mas que possui em sua essência características ilógicas, todo discurso tendencioso cuja intenção reside na ideia de uma proposta capciosa para que se opte pelo erro, ação realizada com a intenção de ludibriar e enganar, mentira.

 Ainda traduzindo, mas simplificando, chicana significa enrolar para ganhar tempo (ou outras coisas mais substanciosas), quando todo mundo já está cansado de saber que a missa acabou há meses.

Pelo tamanho da explicação pode se entender porque Barbosa usou só a palavra chicana, mais curtinha, embora quase totalmente desconhecida da grande parte da população brasileira.

Mas isso não importa! O fato é que nas altas esferas jurídicas a palavra chicana é considerada um palavrão! E, convenhamos, Lewandowiski, sabedor do significado da palavra e das implicações de seu significado, não podia “lewar” aquele desaforo para casa! Ficou injuriado e devolveu: “Vossa Excelência está dizendo que estou fazendo chicana? Peço que se retrate imediatamente.”

Mas o Barbosa fez um gesto com o braço e a mão direita, que, se fosse traduzido, seria muito pior que dizer chicana, e emendou: “Não vou me retratar!”

Lewandowiski ainda esboçou uma reação indignada: “Como? Vossa Excelência tem obrigação. Eu não admito isso…”

Mas Barbosa bateu o martelo (acho que os juízes devem bater o martelo nessas ocasiões) e fez Lewandowiski engolir o seu não-admitismo, finalizando: “Está encerrada a sessão.”

Cena de filme! Tensa! Caras amarradas no final. Embora eu sempre ache bonitinho como eles se tratam de Vossa Excelência mesmo quando se xingam!

Como cidadão não vou entrar no mérito da elegância de Barbosa. Dizem que a Lei Orgânica daquela casa estabelece que os magistrados devem se tratar com “urbanidade e cortesia”. Até ontem a palavra chicana permanecia como uma coisa perdida nos rodapés do vernáculo e não seria considerada ofensiva para 99,9% dos brasileiros. Mas já que o seu contundente significado veio a público graças à veemente indignação do interlocutor de Barbosa podemos todos nós, de alma lavada, embora ainda com o corpo encardido, concordar com o presidente do STF.

Está havendo chicana? Sim! Alguém está ganhando tempo e dinheiro com isso? Sim! E, além disso, Lewandowki deveria ter a noção do deboche quando perguntou “…nós estamos com pressa do quê?” Ora, senhor juiz, se depois de oito anos de análise o senhor ainda não conseguiu chegar a uma conclusão sobre esse assunto velho e batido em paralelo com a realidade brasileira, eu conheço meninos pobres, que devolvem ao donos carteiras perdidas, que podem  desenhar para o senhor.

O país tem pressa! Pressa de acabar com a corrupção! Pressa de terminar com os assassinatos cometidos por esses homens que estão sendo julgados. Porque cada vez que morre um brasileiro por falta de atendimento, ou de equipamento, ou de medicamentos, que seriam adquiridos com o dinheiro público, eu lhe digo que esse dinheiro nós sabemos onde está e de que forma foi roubado.

O senhor já sabe o que significa chicana. Dispa a toga e desça algumas classes e o senhor vai saber o que significa pressa.