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Algoritmo!

17/12/2016

Algoritmo. O algoritmo é qualquer conjunto de regras que, quando executadas seguindo uma sequência determinada, atingem um objetivo, idealmente com o menor esforço possível. Isso tanto tem aplicação eletrônica como mecânica. Por exemplo, uma receita culinária! A forma correta de atingir o objetivo é seguir uma sequência: separar os ingredientes, descascar ou picar ou dissolver, misturar na ordem indicada, levar ao fogo ou à refrigeração, aguardar um período de tempo e obter o resultado. Ou até o prosaico ato de se vestir! Primeiro coloque as meias e depois os sapatos. Primeiro a camisa e depois o casaco. Alguém pode questionar um algoritmo e afirmar que tanto faz colocar primeiro as calças e depois os sapatos, como o contrário, que o resultado será o mesmo, mas a experiência demonstra que o algoritmo inteligente permitirá um resultado mais eficaz e menos cansativo. Já nas aplicações eletrônicas em que, atualmente, estamos imersos, eles são mais sutis, e você, nem sempre, percebe que está usando um algoritmo, ou está sendo usado por ele!

Veja o Google. Terminou o seu perfume e você faz uma pesquisa sobre os melhores preços para o Black Soul da Ted Lapidus. No dia seguinte, feicebucando ao léu, as embalagens do perfume teimam em saltar à direita, como itens patrocinados. Experimente fazer uma pesquisa. Por exemplo: cracatoa. Você escreveu errado porque estava procurando por Krakatoa, uma ilha da Indonésia que desapareceu em 1883 numa erupção vulcânica, e apareceram, depois de escrever toda a palavra, em um quarto de segundo, 21.400 resultados falando tanto de Krakatoa, a tal ilha, como de cacatua um papagaio branco, como se essa tivesse sido (talvez? ou quem sabe?) sua primeira intenção na pesquisa, numa similitude fonética e engolindo os erres. Na segunda vez não é necessário escrever toda a palavra, pois, clicando na letra c, cracatoa saltará, como se um algoritmo permitisse ao Google ler o seu pensamento!

Há interações mais complexas, que fazem pensar num intrincado processo de comunicação entre os meios utilizados. Mande um whatsapp para o fabricante de vigotas pré-moldadas, com quem você está negociando.  No dia seguinte ele aparece como uma sugestão de amizade no Face book.  E assim são todos os processos que determinam as opções de relacionamentos, tanto afetivos, como íntimos, como comerciais ou profissionais, como de interesses, os mais variados. Você pensa que escolhe, mas, na verdade, um algoritmo escolhe por você quem é mais parecido com você! Isso acontece (vamos descartar a inocência de acreditar que há uma altruística preocupação com nosso bem estar) para facilitar os interesses comerciais e econômicos mais prováveis. Pessoas parecidas ou envolvidas com coisas parecidas têm maiores probabilidades de manterem uma comunicação produtiva e lucrativa.

E se sairmos do foco comercial e entrarmos no foco político? Tente postar vivas a Bolsonaro Presidente ou fazer discursos de idolatria a Lula para ver quem se aproximará de você! E, de forma inversa, tenha certeza de que você será procurado político e ideologicamente pelos manipuladores de ocasião, conforme o viés apresentado por você em suas postagens. Pois estamos mergulhados em algoritmos utilizados para todos os fins.

E suas certezas? Você está realmente certo de que elas são suas? Seu perfume. Seu sapato. Seu shampoo. Seu candidato. Sua ideologia. Seu restaurante preferido. Seu paladar. Você tem certeza que são seus? Não se esqueça: se você é um ser conectado, sempre haverá um algoritmo vigiando sua vida e lhe dizendo o que é melhor para você.

Meu celular, quando digo “Ok Google” (ou qualquer coisa que termine com “…ei gugal”), fica atento a qualquer pergunta (válida ou idiota) e se transforma num oráculo moderno. Mas há ocasiões… (e isso já aconteceu três vezes, que me lembre!) em que ele estava lá, deitadinho e desligadinho (tanto quanto eu saiba!), e a sacerdotisa do oráculo disse: “…não entendi bem o que você quis dizer…”! Como assim? Ela estava me ouvindo? E pior! Ela estava me vendo?

Lógica carcerária.

19/04/2015

Uma nave espacial desceu suavemente no pátio da Papuda. Um humanoide, hermeticamente acondicionado num traje espacial, saiu da nave e disse para a turba alvoroçada: “Quero falar com seu líder”!

O negrão Cururu, relações públicas extraoficial da chefia, enfiou os dois indicadores na boca e soltou um assobio de furar tímpano. Veio do fundo da massa, um mulato atarracado, acompanhado de um magrinho, usando óculos fundo-de-garrafa, que segurava um tablet. O Cururu fez as apresentações: “Ô-do-Espaço, Porra, Porra, Ô-do-Espaço”!

O alienígena e o Porra fizeram acenos de índio e o visitante falou: “Quero trocar tecnologia por informação”!

“Então manda”! Respondeu o Porra.

“Quantos habitantes tem esse planeta?” Perguntou o alien.

“Sei lá! Gordo! O que tu me diz”?

O magrinho míope fuçou dois segundos no tablet e respondeu: “Quase sete bi e meio, chefia”!

“Porra! Tudo isso? Tu tá certo, ô Gordo?”

“Tá no Google! Dá um real por cabeça e ainda sobra um quarto do petrolão!”

“Porra! É gente pra caral…! Eu não sabia disso!” E se dirigindo ao alien completou: “É isso aí que o Gordo disse. Manda outra”!

“Qual é o arsenal atômico  do planeta”?

O Porra levantou o queixo para o Gordo e ele tascou: “Diz aqui que é por volta de 22 mil ogivas… no ano passado umas 5 mil estavam operacionais e 90% delas eram dos americanos e dos russos. E ainda diz que os Estados Unidos, o primeirão, é o único país que tem bomba fora do seu território”!

“E quem é o líder deles”? Perguntou o alien.

“Essa é mole”! Respondeu o Porra. “Nos esteites manda o negrão Obama, meio gente boa, mas político! Sabe como é”!

O alien, como pagamento, ofereceu dispositivos que permitiam acesso ilimitado às informações disponíveis no planeta, aparelhos de comunicação à distância, dificilmente detectáveis pelo sistema carcerário, e armas superiores às das forças policiais, mas o Porra disse que já tinha tudo aquilo e que, para o momento, bastava ter aquela nova amizade empenhada e a promessa de negócios futuros. O alienígena agradeceu pelas informações, repetiu o aceno de índio, voltou para a nave e partiu.

O Gordo disse no pé do ouvido do Porra: “Tá certo que ele só tinham coisa velha pra oferecer, mas bem que tu podia pedir uma mãozinha pra nos tirar daqui”!

E o Porra retrucou: “Tu tá louco, ô porra! Lá fora é um banditismo só. Aqui nós tá seguro! Segurança máxima, sacou?”!

O amor de Abelha

13/03/2014

Teodoro criou um fake, usando o nome de Ricardo. No face adotou a foto do Leonardo DiCaprio –  que ele havia modificado no photoshop, aqui e ali,  pra não ficar muito evidente. Virtualmente passou de quase gordo para magrão bombado, ganhou vinte centímetros de altura e deixou de ser pobre. Como estava ficando um quarentão passado, optou pela idade eterna entre os trinta e os trinta e cinco anos. E arrematou com um upgrade cultural associando o alt-tab com o Google. E depois saiu para a rede, desdobrando o papo com as mesmas garotinhas com quem flertava real e virtualmente antes dessa modificação transcendental. Como resultado, logo surgiu um séquito de fãs sequiosas. Baixava da internet os resumos dos livros que ele mentia que lera e listas infindáveis de frases de efeito que ele introduzia nos bate-papos. Mudou de emprego. Largou as prateleiras do Boa Compra e passou a viajar para o exterior. Enquanto Teodoro continuava a suar todos os dias, como repositor de mercadorias no supermercado, Ricardo quase nunca estava no Brasil, mas voando, a pedido do pai, por meridianos distantes, resolvendo problemas para os diretores das empresas espalhadas pelo mundo. Inevitavelmente isso acabava atrapalhando os encontros marcados com as gatinhas que desprezavam Teodoro, mas suspiravam antegozando o beijo prometido por Ricardo. Esse era um homem ocupadíssimo. “Ontem a noite mesmo estava no Brasil e agora já está teclando de Tóquio!” Coisas das “foreign trade operations, diria Ricardo.

Teodoro passava o dia empurrando plataformas com montanhas de rolos de papel higiênico, alheio ao zum-zum do supermercado. O corpo dele se movia sem pensar no que estava fazendo. Aquilo era um sonho cansativo a espera do momento em que acordaria em seu universo fake, num outro país, às vezes –  nunca pedante –  misturando palavras da língua local em suas mensagens, para logo pedir desculpas. “A troca de idioma costuma me confundir mais dos que a troca de fuso.”, queixava-se Ricardo.

Uma das meninas que ele namorava pela internet era a linda e sensual Abelha; uma Megan Fox de dezoito aninhos. Era brasileira, mas morava em Paris com o pai; ele um diplomata da embaixada. Ela teclava: “Quando passar pela Europa venha me visitar, Ric! Sinto que desse encontro pode nascer um amor imenso! Sonho com você todas as noites.” E depois de algum tempo aprofundava a íntimidade: “Penso em você e sinto você tocando o meu corpo até ficar exausta. Oh! Não sei se é possível existir tanto amor!” E outras melosidades do tipo.

Numa noite, ao chegar do trabalho, Ricardo mandou a mensagem: “Estou num voo que fará escala em Paris. Vou ficar uma semana na União Soviética. Encontre comigo no Charles de Gaulle! Hoje, enfim, temos a chance de nos beijar! Reservei uma suíte no Ritz-Carlton em Moscou. Venha comigo! Morro de amor por você! Ricardo.” O eco aflito de Abelha demorou quase três horas: “Oh! Não! Oh! Não! Como o destino pode nos pregar essa peça? Estou na estação de esqui de Courchevel com meus amigos. Temos um avião no aeroporto da estação, mas levaria umas seis horas para chegar a Paris. Diga que pode me esperar! Louca de amor por você! Abelha.” Ricardo esperou outro tanto e, as três da madrugada, respondeu: “O voo foi desviado para o Saïss, no Marrocos. Tempestades com muita turbulência sobre o Atlântico. Estou decolando agora para Moscou. Não é dessa vez que vou passar por sua cidade, minha querida. Choro em pensar que teremos que adiar nosso encontro mais uma vez. Ricardo.”, e esperou até as quatro quando veio a continuação: “Oh! Meu amor! Também estou chorando. Uma avalanche interrompeu o acesso ao aeroporto e ficamos incomunicáveis por quase uma hora. Tremo só de pensar que você poderia estar esperando por mim em Paris. Somos uns desafortunados. Mas ainda vamos nos encontrar, com certeza! E então vou poder demonstrar todo o amor que sinto! Um beijo! Amo você! Abelha.”. E depois derramaram afagos eróticos virtuais até as seis horas da manhã, quando a comissária de bordo pediu que desligassem os aparelhos eletrônicos por que iam entrar no espaço aéreo de uma região muçulmana em conflito. Ricardo foi colocado em off dando lugar a Teodoro, que tinha que se lavar, comer alguma coisa e estar no supermercado as oito. Como são cansativos esses namoros transcontinentais!

Um dia Teodoro estava mergulhado num balcão refrigerado acomodando pizzas calabresas quando uma voz perguntou às suas costas:

— Dóio? É você, Dóio?

Ele custou a entender que alguém falava com ele e, depois de assoprar o pó de uma gaveta esquecida de sua adolescência, lembrou que Dóio era o jeito como as crianças da rua o chamavam. Curioso olhou para a criatura vinda do passado e descobriu uma mulher jovem, de trinta e poucos anos, com óculos de fundo de garrafa, mas bonita. “Quem seria ela?” A mulher, sorrindo, viu a dúvida nas feições de Teodoro e prontamente o tirou da obrigação de reconhecê-la:

— Você não vai se lembrar de mim! Sou a Teleca, filha da dona Mimosa, vocês me chamavam de Meleca! Lembra?

— Mele… a Terezinha! — Reconheceu Teodoro. — Mas você está muito… bonita!

— Obrigada! Você também continua o mesmo gato de sempre. — Piscou tímida Teleca.

Teodoro percebeu que aquilo que ele achava impossível estava acontecendo com ele: havia a chance dele se relacionar fisicamente com uma mulher palpável, que, por um distúrbio conceitual ou em consequência da miopia, o achava um gato. E era bonita!

Com o tempo ela soube tudo sobre ele. Tudo menos o namoro ardente de Ricardo e Abelha. E ele soube que ela era auxiliar de enfermagem, que dividia um apartamento com duas colegas de trabalho, Malu e Tina, que Meleca-Teleca-Terezinha era tão solitária quanto ele, que os dois gostavam das mesmas coisas, das mesmas comidas e dos mesmos filmes e que, em suma, eram como a tampa e o gargalo; feitos um para o outro. Com isso, gradativamente, Ricardo cedeu espaço em sua vida para os devaneios de Teodoro, ao que Abelha reclamava: “O que está havendo entre nós, meu amor? Você parece tão distante, Ric! Por favor, não me faça sofrer! Sou sua eterna Abelha!” e Ricardo explicava: “Abelha! Não pareço! estou distante! Ultimamente, com frequência, vou a lugares sem acesso à internet. Os meios de comunicação dos norte-coreanos são deprimentes! Na verdade ando bastante preocupado com a possibilidade de um conflito entre as duas Coreias. Isso não seria bom para os negócios. Um beijo do Ricardo.”.

O relacionamento entre Teodoro e Teleca ganhou volume por quatro meses. Teodoro gostava cada dia mais de sua vida real, mas, em determinados momentos, exatamente o oposto parecia acontecer com Teleca.

— Você parece tão triste! Foi algo que eu fiz? Foi algo que eu disse? Você está contente com nosso namoro?

— Sim! É claro! É que eu sou assim! Estou preocupada com o trabalho e não desligo nunca!

— Quero fazer o que for preciso para ver você feliz!

— Oh! Meu amor! — Sorriu Teleca acariciando o queixo dele.

Então Teodoro, com o coração acelerado, num impulso, deixou escapar o fatídico:

— Você quer se casar comigo?

Os sons desapareceram. Teleca dilatou as narinas inspirando todo o ar do mundo e deixando Teodoro sem fôlego, mas ela, com os olhos brilhando de felicidade, derreteu o suspense e disse:

— Sim, meu amor! É o que eu mais quero!

Nesse momento Teodoro fez um exame de consciência e achou que era a hora de confessar:

— Há uma coisa sobre mim que eu tenho que contar… — Teleca parecia uma coruja curiosa inclinando a cabeça para escutá-lo. Teodoro criou coragem e completou: — Eu estou terminando um relacionamento anterior. Hoje mesmo dou um fim nisso… Só posso viver pra você!

— Eu… Eu não sabia…! — Suspirou Teleca, que se aconchegou ao peito de Teodoro e deixou escapar uma lágrima…

Teodoro não imaginava como poderia terminar sumariamente com Abelha. Como evitar o assédio posterior a Ricardo? Então teve uma ideia! Ele iria matar Ricardo! Simples! Um assassinato virtual é um assassinato sem culpa. Na verdade poderia ser considerado um suicídio experimental! Os homens, amigos de Ricardo, quase todos fakes criados por Teodoro, escreveriam: “O mundo ficou vazio sem você, amigão?”, ou: “Será que Ricardo morreu?” e as meninas diriam: “Não posso acreditar que isso realmente tenha acontecido!” e “Meu coração está sangrando!”. Teria que ser uma morte cheia de mistérios. Talvez deixando, como um efeito colateral que lhe alimentaria o ego, uma saudade de viúva no coração de Abelha. Sentia até uma pontinha de culpa que se diluía quando pensava na vida real com Teleca.  Durante a madrugada mandou a mensagem: “Minha Abelha! Estou indo para Pyongyang. Último acordo com os líderes locais. De lá, vou direto para Paris. Já avisei meu pai. Esse mundo louco não me interessa mais. Não vejo a hora de dar fim a essa espera. Quero tocar em você. Quero só viver com você e amar você. Ricardo.” Depois esperou quatro dias, pacientemente, em que não entrou como Ricardo, mas usava fakes alternativos e lia as mensagens apaixonadas de Abelha. Depois do trabalho lambia sorvetes com Teleca, mais e mais inebriada com a possibilidade de casamento com aquele homem tão maravilhoso. Faziam planos para o futuro e abraçadinhos iam até o apartamento dela onde se submetiam às flautas de Malu e Tina sobre o casamento. Despediam-se com um longo beijo na porta entreaberta e por aí vai, até onde é possível imaginar as variantes de um singelo namoro provinciano.

Depois do quarto dia um dos amigos fakes de Ricardo escreveu em sua linha do tempo, sob a foto de picos cobertos de neve: Baekdu. Essas montanhas geladas esfriaram o coração quente de Ricardo!”, outro, mais jornalístico, postou, seguido por incontáveis compartilhamentos e comentários tristes: “Agora é fato! O megaempresário Ricardo perdeu a vida tragicamente num acidente aéreo em uma região montanhosa e de difícil acesso da Coreia do Norte. Os destroços foram localizados pela Estação Internacional. O corpo não foi encontrado. O mundo dos negócios está de luto e mais pobre. Quem o conheceu sabe que o planeta perdeu um de seus filhos mais capazes. Vai com Deus, meu amigo. Segue a viagem! Nos encontramos qualquer dia!”, e as inúmeras amigas derramaram uma profusão de emoticons de prantos e de corações pulsantes ou explodindo que umedeceram os olhos de Teodoro. Mas não veio nenhuma mensagem de Abelha. Nada! Esfriando o entusiasmo dele sobre as repercussões de sua própria morte. Afinal, a principal destinatária não comparecera ao velório virtual.

Na manhã seguinte empurrou carrinhos, alinhou latas de sardinha, recolheu iogurtes vencidos, sonhou com o casamento e esperou a hora em que encontraria Teleca na parada de ônibus. Mas logo depois do almoço o Bolha, gerente do Boa Compra, bateu no seu ombro e disse que havia uma pessoa querendo falar com ele no escritório. No escritório? Isso não costumava acontecer! E ainda mais com o gerente vindo chama-lo pessoalmente! Teodoro ficou mais aflito quando o Bolha abriu a porta para que ele entrasse, mas ficou de fora de seu próprio escritório. Lá dentro Malu esperava por ele, com o rosto inchado de tanto chorar. Teodoro, sobressaltado, exclamou:

— Ai, meu Deus! O que aconteceu com Teleca?

E Malu gemeu rouca:

— Nossa amiga se foi. Desistiu daqui.

— Mas como? O que foi que aconteceu? — Gritou Teodoro, com um peso esmagando o peito.

— Remédios. Muitos. Ela deixou uma carta pra você. — E mostrou um envelope que Teodoro quase arrancou das mãos da outra para ler trêmulo e sem acreditar:

“Ricardo, meu amor! Minha vida não tem mais sentido! Com sua morte o chão desapareceu! Estava preparada para um amor que transbordaria pelo mundo e agora estou cega e não sinto mais meu corpo! Vou ao seu encontro na eternidade! Amando você loucamente! Sempre! Abelha.” 

O Quarto Poder!

15/07/2013

No mundo todo, podemos ver um movimento que saiu do mundo virtual e se derramou pelas ruas. É um fenômeno social novo. É um levante puramente democrático sem representantes da elite. As pessoas, cientes de que os políticos tradicionais não os representavam e percebendo que tinham um instrumento para dar à indignação diversificada a dimensão necessária, fizeram tremer as estruturas antigas que não mais satisfazem às suas justas reivindicações.

Aparentemente a espécie humana está acordando para o seu papel político. Aparentemente a democracia ganhou um novo poder. Não é possível antever as consequências do que está acontecendo, mas está claro que, daqui para frente, o governante que desprezar a voz desse corpo gigantesco e ativo terá problemas para administrar, ou, pelo menos, para se manter no governo.

Entre os tantos gritos sobressai a exigência de que a corrupção seja abolida, que a educação ganhe status de prioridade, que a saúde seja valorizada como uma conquista de qualquer ser humano, e de que a segurança e o direito de se locomover sejam tratados como direitos óbvios. Há uma fome universal pelo bem estar. Há uma revolta generalizada contra aqueles que impedem o acesso a esse bem estar.

Todos nós queremos uma participação política que não se restrinja ao mecânico e desgastado ritual eleitoral. Não queremos ter o dever, travestido em direito, de escolher periodicamente quem serão os déspotas. Queremos assumir o nosso direito de governar. Afinal, os políticos são apenas empregados nossos. Muito bem pagos, por sinal!

Revolução Democrática

29/06/2013

No mundo todo, podemos ver um movimento que saiu do mundo virtual e se derramou pelas ruas. É um fenômeno social novo. É um levante puramente democrático sem representantes da elite. As pessoas, cientes de que os políticos tradicionais não os representavam e percebendo que tinham um instrumento para dar à indignação diversificada a dimensão necessária, fizeram tremer as estruturas antigas que não mais satisfazem às suas justas reivindicações.

Aparentemente a espécie humana está acordando para o seu papel político. Aparentemente a democracia ganhou um novo poder. Não é possível antever as consequências do que está acontecendo, mas está claro que, daqui para frente, o governante que desprezar a voz desse corpo gigantesco e ativo terá problemas para administrar.

Entre os tantos gritos sobressai a exigência de que a corrupção seja abolida, que a educação ganhe status de prioridade, que a saúde seja valorizada como uma conquista de qualquer ser humano, e de que a segurança e o direito de se locomover sejam tratados como direitos óbvios. Há uma fome universal pelo bem estar. Há uma revolta generalizada contra aqueles que impedem o acesso a esse bem estar.

Todos nós queremos uma participação política que não se restrinja ao mecânico e desgastado ritual eleitoral. Não queremos ter o dever, travestido em direito, de escolher periodicamente quem serão os déspotas. Queremos assumir o nosso direito de governar. Afinal, os políticos são apenas empregados nossos. Muito bem pagos, por sinal!

(5)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 12 a 14 de 101)

19/11/2010

(Para saber como começou clique aqui!)

012

“O que você achou da internet?” Um dia arrisquei.

“Me senti um pouco como um Rinut, mas aprendi bastante.” Respondeu Pierre.

“Não compreendi o termo…!”

“Ah! Rinut? Desculpe-me. É um povo símio com uma organização social extremamente rudimentar. Eles se alimentam basicamente de um tipo de cogumelo que cresce nos depósitos de lixo. Gastam quase todo o tempo livre procurando-o, mas é muito nutritivo!” 

013

Quando não estava na internet Pierre gostava de assistir programas via satélite que descreviam a vida animal do planeta. Em pouco tempo sabia mais sobre a fauna de Madagascar do que qualquer especialista na área.

Certa vez pediu que eu lhe ensinasse a jogar xadrez. Expliquei o movimento dos peões, cavalos, bispos, torres, dama, e rei. Depois a mecânica das capturas, o roque, e por aí vai. Ele sentou e me deu mate em 24 lances. Nunca mais joguei com Pierre.

No fim do décimo mês eu lhe disse:

“É notória sua superioridade intelectual sobre a nossa. Estamos nos sentindo como macaquinhos sendo observados por um ser infinitamente superior. Não nos parece que dispomos de qualquer nova fonte de informações de onde você possa adquirir algum tipo de conhecimento. Ainda o consideramos como amigo, mas não temos certeza se esse sentimento é recíproco. Diga então: o que ainda podemos oferecer que seja do seu interesse?”

Pierre respondeu: “Em primeiro não duvide de minha amizade! Em segundo lugar não subestime a capacidade humana de surpreender. Apenas por ser mais antiga minha espécie dispõe de meios para guardar informações que ainda não estão disponíveis a vocês. E eu ainda estou observando aspectos do comportamento humano que me confundem. Quando meu estudo estiver pronto você vai ser o primeiro a saber.”

014

“Quantos anos você tem? Pierre.” Perguntei numa repentina curiosidade.

“Não sei exatamente. O número correto de anos numa perspectiva terrestre necessitaria de um cálculo muito complicado, pois as referências mudaram muito de planeta para planeta durante a minha vida. Não acho conveniente somar os quase 6 mil anos em que estive ou viajei em animação suspensa…”

“Pode parar!” Interrompi.

“Tem certeza?”

“Absoluta!”

“Vocês são muito confusos!”

(Para saber como continua clique aqui!)

Em nome do Senhor!

16/10/2010

Entrei num daqueles “lugares” na internet onde são feitos os comentários sobre uma notícia qualquer. Fiquei impressionado com a necessidade catequizadora da grande maioria dos participantes. Na verdade há um grupo formado por aqueles que achincalham sistematicamente. Não estão nem aí pro conteúdo da notícia. Eles querem é zoar. E há aquele outro grupo gigantesco, a que me referi no início, que prega sem medidas a “palavra do senhor”. Lembro dos tempos em que eu era evangelizado. Uma das coisas que me diziam era que não se devia usar o nome de deus em vão. Não que ele, existindo, se importasse com a retórica usada nessas picuinhas. Mas cá entre nós! Não lhes parece que fé goela abaixo é algo no mínimo incômodo? Não lhes parece que o púlpito em qualquer lugar e a qualquer custo, nem que seja numa privada, perde a elegância e a eficácia? Não lhes parece que aquele que reza demais pode passar do céu?