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Conhecendo o Origami

05/04/2012

 Edição de aniversário
(dia 10 de abril o Cágado Xadrez comemora 6 anos)

Primeira Pata de Romacof

Um dia comecei a dobrar uma folha de papel tentando obter uma pata, ou um ganso, ou um cisne, ou uma figura que poderia lembrar qualquer uma dessas aves, com um razoável grau de semelhança, nunca permitindo uma circunstancial confusão com um galináceo, embora uma simpática tia tenha se esmerado em caretas e dito que detestava morcegos.

De qualquer forma coloco aqui a foto desta minha primeira obra origâmica para apreciação e juízo.

Depois li um livro básico. Em seguida assisti a um filme em que uma pequena japonesa, com extrema facilidade, construía uma estrela de extrema complexidade, e comecei a me aprofundar, não acreditando que aquela atividade pudesse estar limitada somente aos iniciados. Logo meus familiares começaram a cochichar que um novo santo obsessivo havia incorporado em mim, e essa fase, que durou quatro meses, resultou no presente post e em algumas dúzias de origamis modulares que vou mostrar até o final.

O santo já foi embora, mas o estágio com ele foi bastante gratificante. Quem tiver fotos de suas dobraduras e quiser expô-las por aqui é só dizer. Quem quiser dicas sobre o assunto é só pedir.

A história do Origami (“oru”, dobrar + “kami”, papel) (o dia 24 de outubro é o dia mundial do origami)

A origem oriental

Como todas as tradições antigas o Origami tem sua origem envolta em lendas ou conjecturas a partir de fatos históricos isolados. Há os que afirmam que ele nasceu na China há dois mil anos com a invenção do papel, mas não foram encontradas evidências disso. “Zhi”, na China antiga, significava papel, mas o termo se manteve como o designativo para a seda. No Japão era empregada a palavra “kami” (em referência ao vidoeiro, ou ainda “kaba” ou “kan” para as tiras de madeira ou bambu) e a terminologia permaneceu relacionada ao papel ou a um material em que se escreve. Com base nisso alguns historiadores colocam a origem do Origami no Japão antigo, no período Heian (794 a 1185, em Kyoto), e fazem referências ao folclore japonês em que Abe No Seimei (921 a 1005) teria feito um pássaro de papel que, ao ser oferecido ao rei, se transformara num pássaro de verdade. E ainda citam o “tatogami”, um costume já existente no período Heian em que o papel era dobrado de uma forma específica para envolver quimonos. 

Embora na língua japonesa a palavra “kami” seja empregada tanto no sentido de papel como em referência às forças espirituais supra-humanas do xintoísmo, não há nenhuma relação naquela cultura entre a religião e a origem do origami. A ortografia que permaneceu é a mesma, mas a fonética para os dois significados em japonês arcaico é diferente.

No período Heian a expressão “origami-tsuki” significava um papel dobrado, decorado com gravuras, em que era escrito uma carta ou uma relação de coisas ou eventos. Já no período Edo (1603 a 1868) passou a significar o documento de qualificação que acompanhava um objeto qualquer, como, por exemplo, um presente valioso. No Japão da atualidade o “origami-tsuki” afirma  que um determinado produto foi adequadamente avaliado por peritos. Ou seja: um termo de garantia.

Tzuru

O origami, como passatempo ou recurso decorativo em cerimônias, já era utilizado pelos samurais no período Muromachi (1336 a 1573), com o nome de “orisue” ou “oribaka”. O modelo mais popular, avaliando o seu caráter histórico, sem sombra de dúvida, é o pássaro “tzuru” (ou “orizuru”), que aparece na padronagem de quimonos já no século XVIII. A mais antiga citação documentada se referindo a atividade origami, como a entendemos atualmente, está num poema de Ihara Saikaku, de Osaka, de 1680, em que são descritas as borboletas obtidas pela dobradura do papel (ainda usando o nome “orisue”), utilizadas nos simbolismos de um casamento. Um origami modular em forma de cubo, chamado “tamatebako”, é retratado nas gravuras do Ranma Zushiki de 1734. As dobras para obter um “senbazuru” (mil tzurus) são descritas por Akisato Rito em Sembazuru Orikata de 1797. No entanto, a palavra origami só passou a ser o termo popularmente designativo de dobradura de papel mais recentemente, no período Showa (1926 a 1989), no reinado do Imperador Hirohito.

Outras origens

Em meados do século XIX o pedagogo alemão Friedrich Fröbel desenvolveu um sistema de ensino para crianças em que empregava princípios da dobradura em ludoterapia. O fato é que as distâncias e os longos períodos de isolamento político fizeram com que o intercâmbio cultural só recentemente fosse restaurado. Como conseqüência houve um desenvolvimento em paralelo, mas de forma totalmente independente entre o origami oriental e a dobradura européia.

Atualmente as descobertas de cada lado se misturam o que aponta para um rico confronto. As novas tecnologias na fabricação de papéis e padrões permitem novas possibilidades. A internet transporta os modelos não de mão em mão, como antigamente, mas numa grande velocidade. As pequenas improvisações individuais, que cada origamista vai desenvolvendo, pelo natural método de tentativa e erro, promovem evoluções muito mais rápidas em conseqüência da rápida troca de informações.

O “tzuru” migrou para a Europa nos primeiros anos da era Meiji (1868 a 1912). O Filósofo espanhol Miguel de Unamuno (1864 a 1936) fez muitos modelos do que denominou “la pajarita” (pequeno pássaro). E até hoje, na Espanha, este é o nome dado ao origami. Assim, até 1950, o origami era conhecido por “papierfalten” na Alemanha e “paper folding” nos países de língua inglesa. O Origami atual é fruto do intercâmbio cultural entre Oriente e Ocidente; sendo um híbrido basicamente japonês-europeu.

O origami moderno

Uchiyama Kosho

Tradicionalmente as dobraduras e as formas produzidas eram passadas adiante anonimamente. Não havia uma relação entre a obra e a pessoa que a criara. No origami moderno, a partir do fim do século XX, o paradigma foi invertido. As seqüências de dobradura passaram a ser consideradas modelos desenhados por um criador de origamis. Uchiyama Kosho (1912 a 1998),  foi o precursor desse modo de pensar. Os origamistas começaram a partir da premissa de que a idéia é uma propriedade particular e passaram a patentear os seus modelos.

Na moderna origamia o diagrama que representa a seqüencia de dobraduras para se alcançar um modelo ganhou importância, pois representa o próprio origami de uma forma esquemática e reproduzível. Alguns puristas enfatizam determinadas regras como dobraduras a partir de uma folha quadrada, sem cortes, ou uso de cola, e insistem na regra básica de que para fazer um origami não é necessário nada além de um papel de origami, ou de várias folhas do mesmo tamanho, no caso dos modulares.

Em meados do século XX um grupo de origamistas de várias nacionalidades (Yoshizawa Akira, Takahama Toshie, Isao Honda, Robert Harbin, Gershon Legman, Oppenheimer de Lillian, Samuel Randlett, Vicente Solórzano-Sagredo, entre outros) promoveu a popularização da atividade, fundando organizações, publicando modelos de vários designers, adotando como padrão o método de notação para diagramas de Yoshizawa Akira (1911 a 2005), e transformando o termo origami num designativo universal para a atividade.

A matemática

Peter Engel

Todo origami começa com uma superfície bidimensional, geralmente quadrada, e muitos modelos, que posteriormente irão evoluir para formas completamente diferentes, em suas dobraduras iniciais terão formatos iguais. Estas fases do design que são comuns a vários modelos são chamadas bases. Origamistas modernos (como Uchiyama Kosho na década de 30 e Vicente Solórzano-Sagredo na década de 40) organizaram estas bases de acordo com uma análise geométrica. Observaram os vincos que permanecem no papel ao ser desdobrado e abriram o caminho para o surgimento de novas bases. Maekawa Jun e Peter Engel deram atenção especial às figuras geométricas do padrão vincado do papel desdobrado, e a partir delas reinventaram vínculos projetando novos modelos antes das dobraduras terem sido efetivamente feitas.

Esta teoria evoluiu para uma dimensão matemática e novos modelos foram desenvolvidos por Meguro Toshiyuki, Kawahata Fumiaki, Robert Lang, Max Hulme e Neal Elias e outros. Foram criados algoritmos que avaliam as possibilidades no padrão de vincos de uma determinada base e feitos programas de computador que auxiliam o designer a projetar novos modelos.

A arte

Yoshizawa Akira

A palavra “origami” vem de oru (dobrar) e kami (papel). Assim, origami é papel dobrado. No entanto o origami não pode ser reduzido ao papel, à dobradura, e à obtenção de um determinado modelo, a partir de formas geométricas simples. Muitas figuras do período Edo baseiam-se nas características físicas do washi (papel feito basicamente a partir da casca de arroz). Não é possível fazer um “Catfish”, ou “Water Lilly”, ou “Sembazuru” com papéis ocidentais sem rasgá-lo. Além disso, a filosofia por trás do origami não está centrada unicamente em produzir uma forma, mas no ritual, na cerimônia, e na intenção inclusa na confecção daquela forma. Quem faz um origami expressa algo além da mera modelagem. Desde os anos 50, Yoshizawa Akira afirmava que o origami é uma arte e influenciou a moderna origamia. Ele transcendeu a realidade representada em seus objetos e procurou colocar expressão emocional em suas obras. Yoshizawa inovou molhando o papel para amolecer suas fibras antes de dobrar, e cortando as bordas do papel. Alguns origamistas usaram várias camadas de washi tingidas e criaram formas únicas. Uchiyama Kosho e Michael La Fosse também demonstraram que a escolha do papel e a versatilidade são importantes na origamia moderna.

Eric Joisel

Vincent Floderer

Hoje a modelagem avançada é um atributo exclusivo de designers e aficionados. A cada dia fica mais difícil acompanhar um CP (“crease pattern” – padrão de dobras), base das criações modernas. Há diagramas e análises de vincos muito pouco acessíveis. Na origamia artística moderna a reprodução lúdica, por observadores sem o devido talento, passou a ser uma atividade com tendências ao desaparecimento. Os expoentes nesta arte são Jean-Claude Correia, Vincent Floderer, Eric Joisel, e Giang Dinh.

Origami modular

Robert Neale

Mitsonobu Sonobe

Mukhopadhyay

 Assim como o avançado origami moderno abandonou o critério da peça dobrada segundo um plano e se aproximou da modelagem, seguindo os impulsos do artista, o origami modular (em que peças complexas são criadas pela justaposição de módulos) abandonou o critério de uma única folha, e libera, ocasionalmente, o uso de cola ou amarras para manter a coesão dos módulos.

A primeira evidência histórica de um origami modular aparece (como já foi citado anteriormente) no livro Ranma Zushiki, de Hayato Ohoka, de 1734. O modelo do livro é um cubo chamado “tamatebako” construído a partir de seis módulos obtidos pela tradicional dobradura “menko”, em que cada módulo representa uma face do cubo. Outras estruturas modulares, os “kusudamas”, ou bolas medicinais, apareceram de forma imprecisa no período Edo, e foram redescobertos na década de 60 por Robert Neale nos EUA e mais tarde pela japonesa Mitsonobu Sonobe. Hoje os “kusudamas” se multiplicam em formas e variantes rapidamente se popularizando como elementos decorativos.

O termo kusudama (“kusu”, remédio + “dama”, bola) se origina do uso deste modular, na cultura japonesa, como um receptáculo suspenso para ervas aromáticas ou medicinais. Atualmente eles são usados como elementos decorativos no festival Tanabata Matsuri (Festival das Estrelas) que acontece em julho na província de Miyagi, e como balões para serem partidos em comemorações específicas quando recebem o nome de “waridama”.

Os origamis modulares podem ser planos ou tridimensionais, em forma de estrelas, anéis ou poliedros. Alguns se aproximam de fractais como a esponja de Menger. Há uma grande variedade de módulos, a grande maioria como variantes de um Neale ou de um Sonobe que se baseiam no princípio de que cada unidade possui aletas que se encaixam em bolsos dos módulos contíguos, ou em módulos Mukhopadhyay, fundamentados em bases diferentes, que necessitam ser coladas para ganhar estabilidade.

Além dos exemplos e fotos que ilustram o texto resolvi postar algumas fotos de origamis feitos por mim durante a busca pelas informações que compõem o presente texto. Se houver interesse de alguém pelos diagramas necessários para reproduzi-los é só pedir que o Cágado Xadrez terá o maior prazer em fazer a postagem.

Romacof (Sonobe variante Bascetta)

Romacof (Sonobe variante Bascetta)

Kusudamas variados

Kusudamas variados

Kusudamas variados

Kusudama híbrido electra-flor

O 11 de setembro.

11/09/2011

A data de hoje nunca mais será uma data. Será “O 11 de setembro”. Será um marco, um muro, uma sustância, um separador, o dia aquele, o dia em que,  um personagem histórico, mas não uma data.  É impossível que não seja assim! É o dia em que devemos pensar até onde a nossa loucura, ou a de nossos semelhantes, pode chegar. O que significa a nossa presença nesse planeta? Ou nossa história? Somos muito diferentes nesta caixa óssea que carrega uma massa com um pouco menos de quilo e meio de encéfalo. Podemos fazer amor com alguém, apaixonadamente, e chefiar uma multidão de fanáticos. Podemos amar uma criança. Protegê-la. E pilotar um avião para matar milhares de pessoas. Podemos olhar embasbacados a imagens bárbaras transmitidas pela televisão e ao telefone tirar nossa ações das companhias de aerotransportes e mudá-las para as de bens e serviços. Podemos rezar para Jeová e condenar ao inferno os seguidores de Allah, desconsiderando que o deus seja o mesmo. Ou fazer piadas e foto montagens sobre o Word Trade Center. Ou ainda, alienadamente, perguntar: Mas afinal! O que é que há com esse dia?

Podemos ter esperanças no Brasil?

25/07/2011

Nesta última semana – após o post anterior – tive várias e gratas surpresas num assunto em que já havia enterrado minhas esperanças: uma reação do governo contra a corrupção! Talvez esteja falando muito cedo e o tempo me obrigue a engolir a própria língua, mas prefiro torcer pelos atos que vejo positivos do que continuar como um pessimista irredutível. Afinal! Quero ver coisas boas antes de morrer! Quero que chegue o dia em que possa declarar que todas as minhas críticas e piadas feitas à Sra Dilma eram um lamentável erro de julgamento! Quero ter o prazer de poder mudar o meu discurso!

Há quem critique o fato da Presidente estar sendo informada do lixo em sua casa pelos meios de comunicação e não pelos órgãos que deveriam ter a competência para isto. É possível que tais órgãos sejam, afinal, incompetentes, ou meros assistentes cronicamente treinados para serem os três macacos sábios (que não ouvem, não vêem e não falam). O fato é que assistimos as ações de Dilma numa degola ímpar no Ministério dos Transportes, dando crédito ao inquestionável trabalho feito pelos órgãos de informação popular, sem esperar pelos trâmites políticos tão hábeis em mascarar e arquivar provas. E há anúncios de que o processo de faxina já está apontado para outras pastas enlameadas, que fazem parte da base aliada. E há ameaças de retaliação. E há os que apostam no desmantelamento do grupo de apoio do governo. E há mil profecias mais.

O importante nisto tudo é que a pessoa que tem o poder e a coragem para fazer a mudança seja observada pelo povo. É fundamental que seja respeitada e apoiada na proporção de seu sucesso. E digo isto sem ter votado nela.

Se o dinheiro da corrupção, esta rubrica infame e nojenta, for desviado para a educação, em um século, estaremos salvos. E pode ser que, afinal, não estejamos sós!

Só para lembrar!

08/09/2009

Ou – não sendo redundante – só para não esquecer, visite o Terra pelo link abaixo:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3961899-EI14204,00-Cada+um+conta+o+que+quer+contar.html

Diogo Moyses é jornalista e radialista especializado em regulação e políticas de comunicação, pesquisador do Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e autor de A convergência tecnológica das telecomunicações e o direito do consumidor.

A História em (ou nos) “textículos” (2)

03/09/2009

Estava assistindo ao History Channel e perguntando para meus zíperes: porque  certas informações não são apresentadas nos canais abertos? Ou, advogando pelo diabo: que bênção manter na santa ignorância a massa. Que benção para o poder governante, para a igreja, para os adulteradores da história, e para os adoradores de ícones.

O terceiro Reich caia pelas tabelas. Isabel Martínez Perón, la hermana Isabelita, é recebida com honras de chefe de estado pelo Vaticano e pelo então Papa Pio XII. No encontro se estabelece um “corredor” de fuga para os nazistas, passando pela Santa Madre Igreja Católica, e terminando em  Buenos Aires. O interesse de Péron era melhorar a “qualidade técnica” da Argentina dando asilo, principalmente, aos especialistas em aviação, armas, e pesquisas avançadas. Entre estes especialistas nazistas, que em breve iriam perder seus empregos com a queda da Alemanha de Hitler estava Josef Mengele. Péron era o estadista com  olhos voltados para um  fervilhante futuro em sua imaginação. Isabelita era a diplomata elegante, linda e envolvente.  Pio XII o sacerdote que com uma mão acariciava judeus agradecidos e com a outra salvava assassinos.

Costuma-se dizer que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas mesmo que as linhas fossem retas e o tipógrafo o próprio Gutemberge não faria diferença, pois ninguém conseguiria ler. E, além do mais, muito poucos lêem! Ler doi! Cansa! Dá sono. Melhor dormir. E a ignorância é a mãe da felicidade.  Vejam a placidez e a paz no olhar das vacas

E nunca é tarde para reafirmar que o criador materializa com a mão direita a presa e com a esquerda o predador…enquanto ri.

Quero pedir perdão aos cavalos…!

31/08/2009

Houve uma época em que eu tinha uma grande preocupação pelo futuro da humanidade. Os meus escritores preferidos, invariavelmente de ficção científica, então proscritos, agora cults, me deixavam angustiados quando pintavam o fim do gênero humano. Que grande perda para a evolução do universo. A autodestruição pela ignorância técnico-atômica era a que mais me entristecia: um potencial avanço usado por governantes burros e poderosos destruiria toda a glória futura do gênero Homo sapiens. A juventude não percebia que aqueles governantes representavam proporcionalmente (e ainda representam) a massa burra do gênero Homo praetensus sapiens. A massa que é a maioria terrivelmente esmagadora. Não importa a roupagem, os aparatos científicos elaborados por uma minoria e utilizados com pompa pela idiotice estatística e estatizante. Naquela época nós víamos apenas as possibilidades que o nosso pequeno grupo vislumbrava como um ideal para todos, mas que era apenas o nosso ideal: paz, altruísmo, direitos humanos, educação ao alcance de todos… como se os outros também almejassem essas frescuras. A turba queria apenas pão e futebol. Na época da ditadura mereciam apenas pau e pau. E eram felizes de qualquer forma. Quantas bolinha-de-gude jogadas lomba a baixo nas esquinas da Andradas com a Borges, para assistirmos a dança dos cavalos da polícia. Quantas esquinas dobradas às guinadas fugindo dos cavalos. Quanto alívio quando os arquivos do DOPS viraram cinzas. Como a juventude tem uma visão estreita do que é a humanidade. Nós queríamos lutar por pontos de vista que na época julgamos o oposto da tirania. Correndo risco de vida. A nossa própria vida tinha pouco significado quando comparada com nossos ideais humanitários. Se há 65 milhões de anos um asteróide não tivesse afundado Yucatan hoje o mundo seria regido pelo gênero Dino sapiens, e a humanidade, que só evoluiu dos pequenos ratos que conseguiram escapar por pura sorte, seria catalogada nos registros criacionistas como uma possibilidade que, graças ao bom Deus dos dinossauros, não chegou a ser viável. Talvez ainda não estejamos livres de sucumbir a qualquer pedra que caia em nossas cabeças… ou nos auto-destruirmos, agora não por meios explosivos, mas como resultado de um vírus experimental que alguma indústria farmacêutica queira soltar no ar para testar o impacto econômico posterior de uma droga salvadora. Pensando bem, quarenta anos depois, não estou mais preocupado com a espécie. Quero que ela se exploda antes que prejudique qualquer outra, que ande por aí, e seja mais merecedora. De público quero pedir perdão aos cavalos que fiz dançar. Eu pensava que sabia o que fazia. Quero pedir perdão também aos policiais que caiam às pencas. Estes mereciam. Mas também pensavam que estavam fazendo a coisa certa.

A História em “textículos”!

21/08/2009

Para os esquecidos ou mal orientados no tempo e no espaço.

Lula, o sindicalista bêbado que iria se apropriar de sua casa, e teve sua ex-namorada, e seus pecados, expostos por Collor em cadeia nacional, é o atual senhor Luis Inácio Lula da Silva.  Collor era aquele presidente que Sarney julgava não ser uma pessoa muito normal. Sarney, que também foi presidente, graças à diverticulite de Tancredo, é o mesmo que Lula chamava de batedor de carteiras. Lula, agora rei, não descansou enquanto, em nome da moralidade, não viu Collor deposto. Os cara-pintadas acreditam, até hoje, que foi o seu movimento, e não a falta de apoio político de Collor, que derrubou o presidente. O olhar de Collor para Simon no plenário é o mesmo que convenceu os otários que os marajás seriam banidos se ele fosse eleito. (Se não ficou claro, os otários somos nós!)  Sarney é o mesmo da Arena (depois PDS, depois PP, e mãe do PFL, depois DEM) e do governo militar. Amapá não é um distrito do Maranhão. A renda per capita da capital do Brazil é de 20 mil dólares e neste cômputo não entra o custo da permanência de Mercadante. Mercadante não tem relação com mercante, mercadoria, ou mercador. Rabo preso não significa que você entra, por exemplo, no senado, e vê os nobres senadores com cadeados nos rabos. Nem tampouco há um emaranhado de rabos que impedem a sua passagem. Este emaranhado é virtual, registrado em HDs secretos, e paga-se milhões por um senador sem rabo (em latim: Senatore anurus). Os amores atuais entre aqueles que se odiavam se justificam em nome da governabilidade. Esclarecendo: o sistema de governo atualmente vigente no Brazil é de uma república plutocrática. Sendo que o termo república (coisa pública) permanece em nome do folclore, e para disfarçar o segundo termo (aproveitando que brasileiro não lê, ou se lê não presta muito atenção – por isto vota!). Democracia, aquela simpática e gorda senhora, já faleceu, ou foi discretamente metamorfoseada quando o dinheiro virou o interesse dos que compram votos, benesses, canais de TV, e tudo o mais que o imposto que você paga pode comprar.