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Lógica de cangaço.

10/12/2016

Marco Aurélio sonhando que era o cara… e me ocorre uma curiosidade: O que acontece se não assino a notificação de um oficial de justiça? Sendo Renan, eu sei: nada! Mesmo com uma dúzia de processos, num sendo réu, por corruptar milhões, estaria casado com a Governabilidade, senhora imensa, suja e malcheirosa, em nome da qual todos os pecados são permitidos. E as leis? E a justiça? Não brotariam togas babando conduções coercitivas ou palavrões piores? Nada aconteceria! Eles fariam uma laranjada espremendo um tomate podre. Eles vomitariam outro artificialismo para justificar a já estuprada lógica jurídica. Pois sou Renan, senhor dos rabos presos, colecionador de dossiês, representante maior da amante eterna no poder legislativo e, contra mim, nenhum juizeco poderia arrotar supremacia sem sentir o amargor de minha ira.

Contabilidade Criativa

22/04/2015

Deixa ver se entendi! O governo disse que “vai acabar com as doações de campanha, feitas pelas empreiteiras, para cortar o mal da corrupção pela raiz”. O mesmo governo disse que “o povo precisa compreender e aceitar os ajustes fiscais como um sacrifício necessário nesse momento de crise econômica”. Mas depois desses discursos tão coerentes Dilma sanciona a ação do Congresso que triplica a verba do Fundo Partidário. Parece piada, mas não é! O Fundo Partidário passou de 289 milhões para 867 milhões ao mesmo tempo em que 7 bilhões, 31% do orçamento do MEC da Pátria Educadora, foram bloqueados. Será que isso faz parte da mesma “contabilidade criativa” em que os ministros do TCU colocam a maquiagem contábil que não lançou um passivo de 2,3 trilhões da previdência? E nós somos obrigados a votar para depois assistir a essa irresponsabilidade do Congresso e da presidente? É! Acho que nunca vou entender!

A acorrentada arte de governar!

08/04/2014

Dilma diz que a oposição tenta desgastar o governo! Quanto a isso não há nada de novo! Todas as oposições sempre tentaram desgastar todos os governos. Mas pensando bem, Sra. Presidente, não há necessidade de uma oposição trabalhando nesse sentido. O governo acaba se desgastando sozinho. E isso acontece, simplesmente, porque há uma enorme distância entre a promessa eleitoral e o realizado posteriormente. Todo candidato promete coisas muito além de suas possibilidades e acaba realizando coisas muito aquém das nossas necessidades. Não se pode exigir fidelidade de todo eleitorado quando qualquer idiota pode perceber que foi ludibriado. Esse desgaste acaba sendo natural e não necessita dos esforços de nenhuma oposição. O governo se desgasta por que está acorrentado em nome da governabilidade!

Até poderíamos dizer que, dentro do razoável, daria para prometer coisas grandes e cumprir as promessas. Principalmente por que o país é riquíssimo e é um dos maiores arrecadadores de impostos do mundo. Isso até poderia acontecer se o país não fosse o pior do mundo na relação retorno ao contribuinte sobre o que é arrecadado. Isso até poderia acontecer se a máquina pública não usasse toda a sua incapacidade administrativa para corroer, diluir, desviar e mal empregar o que é arrecadado.  E isso até poderia acontecer se o governo desse um “Basta!” ao desenfreado e inacreditável roubo dos recursos públicos.

Se nós que estamos aqui em baixo podemos ver isso, Sra. Presidente, imagine a senhora! A Sra. tem uma visão privilegiada! Uma vista panorâmica, abrangente e profunda.  De onde um político que atingiu os mais altos patamares do governo está, certamente, pode-se ver coisas que nós nem sequer imaginamos que existam. Embora alguns afirmem que nada viram e nunca souberam de nada…

Eu acho que eles podem ver, sim! Eles não são cegos! Então por que não fazem nada? Tenho uma teoria. Ou uma teoria conspiratória, se preferir. A teoria das correntes.

O político que chegou lá em cima fez acordos com alguém. Com outros políticos. Com outros partidos. Com outras ideologias. Com patrocinadores interessados em posteriores avais. Com fornecedores de dinheiro de natureza incerta. Enfim: com outras consciências! Já ouvi dizer que, se não é assim, um político não se cria, não sobe e não governa! Para mim esse é um jogo sujo e podre! Mas minha opinião sobre isso vale tanto quanto um centavo de real esquecido.

Depois de chegar lá em cima, para dar o próximo passo que é mandar em todos que estão lá em cima, é necessário apelar para a última cólica democrática e se eleger com as bênçãos do povo, que, hipoteticamente, manda no país. Para isso é necessário ser (ou ter alguém) convincente que saiba sorrir e olhar nos olhos dos eleitores como se realmente acreditasse naquilo que está dizendo. Muito dinheiro ajuda. Principalmente se puder pagar um profissional de marketing que saiba transformar uma vida com passado controverso numa rica história de vida, a encaixando na credibilidade popular em voga no momento. Geralmente esses marqueteiros também são pagos para terceirizar o serviço de bruxas más que sabem como transformar príncipes opositores em sapos da oposição; o que também faz parte do jogo.

Enfim o eleito chega lá; no lá definitivo. E então por que ele não diz “Basta!”? Por que ele não se reúne com os poderes da República e estuda uma forma de dizer “Basta!”? Por que ele não se cerca de todo aparato jurídico para se defender da acusação de ter decretado o fim do aparente direito democrático de roubar o dinheiro público? Por que ele não reforma esse sistema deteriorado e apodrecido que permite os absurdos contrassensos que vemos todos os dias?

A teoria diz que quando o eleito afinal chega à sacada da grande janela, de onde tudo se vê, ele arrasta atrás de cima um colossal emaranhado de correntes. Essas correntes lembram ao eleito dos compromissos alinhavados durante a escalada ao poder e, ao mesmo tempo, impedem que ele seja atirado lá de cima. Os que não estão acorrentados nunca chegam! E se chegassem seriam sumariamente atirados no abismo.

Começou a revolução contra a corrupção!

19/06/2013

Leio nos jornais que os “rebeldes sem causa” lutam, em última análise, contra a corrupção! A própria Dilma, numa leitura razoavelmente bem feita do momento, disse, para uma seleta plateia de engravatados assustados: “…essa mensagem direta das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público…”! Embora alguns colunistas conceituados da mídia tenham se mostrado cegos ao centro do problema que leva milhares às ruas, as pontas da corda, nós e Dilma, concordamos que o recado está dado. Chega de corrupção! Estamos cansando desse fingimento de que nada está acontecendo.  Hoje as pessoas gritam por problemas menores e aparentemente sem um foco, mas qualquer um, com um mínimo de inteligência, percebe que todos estão cansados do deboche corrupto que humilha o povo brasileiro. Se o recado não for entendido agora, será entendido nas urnas! Ainda mais agora que as bandeiras partidárias viraram pano de chão. Ainda mais agora que as pessoas acordaram para o fato de que os posicionamentos partidários só representam os próprios interesses fisiológicos.

Não podemos esquecer que o exercício da democracia se inicia no voto. Podemos fazer barulho protestando para acordar aqueles que se acham exercendo os poderes e acima da lei. Mas, se a intenção não é protestar até que isso se transforme numa revolução cruenta, é pelo exercício da democracia que nós vamos derrubá-los. Um a um. Àqueles que são corruptos, Àqueles que fecham os olhos para a corrupção. Àqueles que mentem. Àqueles que, definitivamente, não nos representam.

A dinâmica do voto secreto.

25/05/2012

O artifício do voto secreto no congresso existe, e as tentativas para derrubá-lo vêm sistematicamente falhando nos últimos dez anos. Podemos até admitir a sua gênese baseada no temor de represálias. Podemos até admitir o direito de privacidade do parlamentar que vota escolhendo entre candidatos para um determinado cargo. Mas o que nos é permitido pensar quando é aventada a possibilidade do voto secreto ser usado na questão da cassação de Demóstenes? Renan Calheiros, que posa dando tapinhas amigáveis nas costas do colega de senado, é um dos mais ardentes defensores do voto secreto e tem se beneficiado de sua existência. Jaqueline Roriz, flagrada recebendo propina, foi considerada inocente por 265 votos secretos, contra os 166 que acreditaram naquilo que os seus olhos (e os de todo o povo brasileiro) estavam vendo na documentação em vídeo. E agora se anuncia mais um deboche constitucional. Como isso é possível?

Para nós, a ponta forte, mas infelizmente desfiada, da corda democrática, já parece inacreditável que pessoas adultas se reúnam para esclarecer uma questão que envolve presidiários, espiões, senadores, deputados, ministros, juízes, governadores, empreiteiras bilionárias, e desvios incalculáveis e transformem a reunião numa pantomima. Os depoentes, aos sorrisos, só não declaram frontalmente o pouco caso que fazem da opinião popular porque isso quebraria o silêncio combinado. Tudo em nome de um outro artifício que também é uma piada constitucional: o direito de não entregar os cúmplices a menos que a justiça exija. E por que a justiça não os obriga? E se obrigasse, quem nos garante que ouviríamos a verdade? Nessa hora são desconsideradas as infindáveis horas de gravação, as fotos, os vídeos, os telefonemas, os acordos, as araponguices e outras melecas palacianas que nos enojam e transbordam todos os dias pelos telejornais como se o assunto se referisse ao enredo de uma ficção e não de nossas vidas, do nosso trabalho, dos nossos interesses, e do nosso dinheiro, roubado descaradamente. Devemos considerar o trabalho da polícia federal descartável? Ou não confiável? Devemos considerar a protelação judiciária desinteressada? Ou suspeita? Devemos considerar as informações da mídia como uma teoria conspiratória? Ou uma mentira? Devemos nos considerar incapazes de entender que neste circo nos estão dando o papel de palhaços?

Como pode um homem público tão envolvido com ilicitudes ser inocentado num processo de cassação? Como o congresso pode passar por cima de todas as provas acumuladas? Não é possível partir do princípio que toda a classe política esteja corrompida. A mecânica é simples.  O silêncio dos convocados frente à CPI esconde o envolvimento de muitas figuras importantes. Enquanto o silêncio se prolonga tempo é ganho. Votos são negociados. A preocupação de muitos dos nobres senhores está focada naquilo que Demóstenes pode falar caso venha a ser cassado. Mas o número dos envolvidos não é suficiente para inocentá-lo. Então a corrente corporativista, com seus incontáveis elos fisiológicos, começa a fazer aquilo que sabe fazer melhor. Costurar uma rede de acordos cobrando dívidas e favores, aproveitando o tempo que a morosidade do sistema permite. Multiplicam-se os votos a favor do acusado. Alguns podem até odiá-lo, mas se ele cair, fulano cai, e se fulano cair, cai meu credor, e se meu credor cair, eu caio. E, se tudo isso acontecer no silêncio que a constituição permite, melhor ainda. Ninguém pode ser diretamente acusado.

***

―Quem foi? Eu não fui.
―E a opinião pública? O que vamos dizer pro povo?
―Povo? Que povo?

Como ser feliz!

30/09/2011

…o parlamentar é um empregado nosso que foi contratado para votar nas inúmeras coisas nas quais, em princípio, seriam necessárias as nossas opiniões, mas não podemos estar lá, por que temos que trabalhar para que o país ande…

 

CHEGA! A partir de hoje o assunto política está banido do Cágado! Este é o último post a respeito. (Como se os ladrões da ocasião estivessem preocupados com isto!) Vamos brindar ao arquivamento das denúncias contra Valdemar Costa Neto. Brindemos também ao voto secreto daqueles em quem nós votamos para que não votassem secretamente nas coisas que são de nosso interesse. Afinal, em última análise, o parlamentar é um empregado nosso que foi contratado para votar nos assuntos sobre os quais seria necessária a nossa opinião, mas nós não podemos estar lá, por que temos que trabalhar para que o país ande. O mínimo que se espera deles é que votem certo! Mas para isto precisamos saber como eles estão votando! (Tão simples!) Contudo as manhas do fisiologismo permitem que os nossos empregados trabalhem em segredo! Votando não pelo interesse daqueles que os elegeram, mas pelo interesse deles próprios, secretamente, em conluio, como fazem os bons profissionais do ramo, que têm tudo a esconder, seus rabos presos, suas rapinagens, e Deus saiba mais o quê! (Parece piada!) Brindemos ao bonitão do mensalão e às suas declarações emblemáticas tais como “…quero que vossas senhorias provem as infâmias que dizem contra minha ilibada conduta…”, enquanto a própria mulher (do nobre deputado) afirmava que muitas vezes observara as malas de dinheiro circularem em torno de Valdemar. (Águas passadas!). Brindemos à sua renúncia para evitar a cassação. Brindemos à sua reeleição guinchado pelo fenômeno Tiririca. (Povo burro, no fim, deve comer capim!) Falando de Vavá (Ficamos íntimos nos últimos anos!), brindemos à sua ação “regularizadora”, mais recentemente, no quem-vence-as-licitações no Ministério dos Transportes. E brindemos, fechando o círculo, ao arquivamento das denuncias contra ele. De tabela podemos brindar às lágrimas de Jaqueline Roriz. E brindemos, de forma mais abrangente, à pouca vergonha na cara do parlamento brasileiro (onde é difícil acreditar que haja alguém honrado, pois se existisse tal hipotético alienígena, hoje ele deveria estar berrando de indignação!). E por último, brindemos! Pois uma coisa é certa! Eles estão brindando e rindo das nossas caras! CONTINUEM VOTANDO NELES, PANACAS!

Minha esposa fez um comentário ao meu discurso apoplético sobre a falta de ética vomitada em nossas caras. (Ética, para quem não sabe, é aquela senhora gorda que foi esfaqueada pela classe política desse país!): “Pra que ficar deprimido e enfartar? Nós não podemos fazer nada! Eles é que fazem as regras do jogo! Sempre foi assim!” E é verdade! O idiota aqui é que não tinha chegado a uma constatação tão óbvia. Daqui pra frente vou reduzir minhas atividades políticas à: 1) Não votar, 2) sonegar, e 3) sacanear políticos! É mais divertido, mais econômico, e não faz mal às coronárias.

Não vou mais me sentir chupando um prego até virar parafuso! É quase como ser feliz!

 

(obs: a foto-montagem  na abertura foi feita a partir de inúmeras chupadas googleanas sem pudor e sem lembrar de guardar os links para dar os créditos a quem merece – perdoem-me os chupados!)

A Corporação e os Inimigos Íntimos

27/09/2010

A Corporação e os Inimigos Íntimos

  1. Corporação é a entidade suprapartidária gerada pelo corporativismo político.
  2. Corporativismo político é o resultado do equilíbrio entre os interesses e as chantagens.
  3. Oposição é a classe política que não está sendo contemplada pela Corporação.
  4. Ideologias partidárias são conjuntos de regras que morrem sufocadas pelas prioridades da Corporação.
  5. Partidos políticos são estufas em que germinam as sementes da Corporação.
  6. Constituição é um livro escrito pela Corporação para ser obedecido pela população.
  7. Fisiologismo é a arte de obter ganhos fazendo conluios dentro da Corporação.
  8. Corrupção é a moeda corrente dentro da Corporação.
  9. Na Corporação todos são inimigos de todos, mas permanecem unidos pelo bem comum.
  10. A Corporação não cria normas que prejudiquem seus inimigos. Apenas coleciona dossiês.
  11. A democracia é a fantasia com que a Corporação se apresenta ao povo.
  12. Eleitor é o indivíduo que dá o seu aval para que a Corporação o represente.