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Oração por Sérgio Moro.

16/12/2015

Num país em que os significados de roubar e de fazer política, repetidamente, se misturam; onde a dúvida fica entre quem roubou mais e quem roubou mais ainda; onde as estrelas dos noticiários costumam ser políticos corruptos, empresários corruptos, ou corruptos de segunda linha; é do nosso interesse reconhecer quem é o protagonista do único roubo que nos interessa. Quem roubou a cena? Quem era cotado para coadjuvante e desbancou as estrelas da cleptocracia? Depois de Joaquim Barbosa andávamos meio órfãos. Então aparece um paranaense de 43 anos e nos devolve a esperança de um final feliz. Meu voto para quem roubou a cena em 2015 vai para Sérgio Moro.
Sérgio! Rezo todos os dias para que seus seguranças sejam atentos e ágeis, que sua integridade moral continue impávida, já que a do governo brasileiro fugiu à luta e foi pr’as cucuias, e que você consiga chegar ao fim desse emaranhado de rabos presos, para o nosso bem, amém!

A Cabeça da Dilma

16/09/2011

Sou um crédulo imperdoável. Acabo acreditando em tudo e em todos. E fico pensando na cabeça da Dilma, no que tem lá dentro, na massa encefálica, nos circuitos, e na bioquímica. Não é muito diferente da minha. É claro que ela deve ter uma boa experiência administrativa assim como eu tenho uma boa experiência médica. Tira a interferência dos hormônios sexuais e das inferências que a vida apresentou a cada um e a cabaça é a mesma. Ela tem que lidar com todas as raposas que cuidam do galinheiro, como, por exemplo, o Sarney! Ela sabe que não é bolinho satisfazer de forma equânime às várias facetas da chamada base governista. Bota angu nisso! E, convenhamos, somos cento e noventa milhões e quebrados para agradar. Lá, sentadinha num dos vários sofás que a Patrícia Poeta nos mostrou, ocasionalmente acompanhada por um dos tutores da governabilidade ponderando nos ouvidos dela as nuances do desequilíbrio possível mesclado ao equilíbrio frágil da democracia ela deve pensar: “O preço do poder é podre!” Ou não! Quando me vem este “ou não” o meu lado crédulo se arrepia e sinto que nós estamos aqui neste teatro só varrendo o chão. Mas abano rapidamente a cabeça e continuo pensando como o idiota para o qual fui programado: trabalhe, pague os impostos, e fique frio. Frio e quieto! Nunca se esquecendo que o picolé foi empalado.

Gosto dela! Não votei nela, nem nos outros! Ninguém me convenceu de que tinha que votar em alguém! Na campanha o lado negro da classe política me obrigou a anular meu voto. E pelo que vejo nos altos escalões eu não estava errado e não me arrependo! O egocentrismo, a mesquinhez, a psicopatia e o latrocínio estão tão em evidência, principalmente no parlamento e nos ministérios, que só os bobos continuam acreditando na classe política como algo confiável. Não que eles se preocupem com a minha opinião, ou a nossa, diga-se de passagem. Alguns, inclusive, verbalizam de forma acintosa e debochada: “Estou pouco me lixando para a opinião pública!” Contudo, divago: eu falava da Dilma! E dizia que gosto dela. Talvez por ser crédulo. Talvez por que seja necessário acreditar em alguém! Mesmo correndo o risco de estar errado! E, neste momento, afirmo que aquilo que está escrito nas linhas acima é exatamente o que vai na cabeça de muitos milhões de brasileiros.

Só espero não ter que matar o Cágado!

Podemos ter esperanças no Brasil?

25/07/2011

Nesta última semana – após o post anterior – tive várias e gratas surpresas num assunto em que já havia enterrado minhas esperanças: uma reação do governo contra a corrupção! Talvez esteja falando muito cedo e o tempo me obrigue a engolir a própria língua, mas prefiro torcer pelos atos que vejo positivos do que continuar como um pessimista irredutível. Afinal! Quero ver coisas boas antes de morrer! Quero que chegue o dia em que possa declarar que todas as minhas críticas e piadas feitas à Sra Dilma eram um lamentável erro de julgamento! Quero ter o prazer de poder mudar o meu discurso!

Há quem critique o fato da Presidente estar sendo informada do lixo em sua casa pelos meios de comunicação e não pelos órgãos que deveriam ter a competência para isto. É possível que tais órgãos sejam, afinal, incompetentes, ou meros assistentes cronicamente treinados para serem os três macacos sábios (que não ouvem, não vêem e não falam). O fato é que assistimos as ações de Dilma numa degola ímpar no Ministério dos Transportes, dando crédito ao inquestionável trabalho feito pelos órgãos de informação popular, sem esperar pelos trâmites políticos tão hábeis em mascarar e arquivar provas. E há anúncios de que o processo de faxina já está apontado para outras pastas enlameadas, que fazem parte da base aliada. E há ameaças de retaliação. E há os que apostam no desmantelamento do grupo de apoio do governo. E há mil profecias mais.

O importante nisto tudo é que a pessoa que tem o poder e a coragem para fazer a mudança seja observada pelo povo. É fundamental que seja respeitada e apoiada na proporção de seu sucesso. E digo isto sem ter votado nela.

Se o dinheiro da corrupção, esta rubrica infame e nojenta, for desviado para a educação, em um século, estaremos salvos. E pode ser que, afinal, não estejamos sós!

O andar do caranguejo manco.

25/11/2010

Benedetto, em uma de suas falas admite que a Igreja, em casos muito especiais, após uma análise ponderada e criteriosa, nunca baixando a guarda para a permissividade pecaminosa, e não abrindo mãos de seus posicionamentos morais e religiosos em prol do casamento e da fidelidade, pode ser favorável ao uso do preservativo que popularmente é conhecido como camisinha. Embora recheada de ressalvas a declaração acende uma luz para um bilhão e cem milhões de católicos que observam o aumento gradativo da distância entre a realidade humana e os ditames do clero sobre o que é certo e errado para o rebanho. O abismo se aprofunda especialmente na África, corroída pela AIDS e toda a gama de doenças sexualmente transmissíveis. Suspiram os sanitaristas. Fica a idéia de que uma afônica pomba conseguiu se fazer ouvir pelos ouvidos hipoacúsicos do sumo pontífice, soprando-lhe os princípios básicos de que não adianta tapar o sol com a peneira e de que a voz do povo é a voz de Deus. Um passo pra frente.

Para “reduzir o risco de infecção”, disse o Papa. Amém.

Já Ahmadinejad quer que as iranianas casem aos dezesseis e os iranianos aos vinte.  O presidente do Irã pretende dobrar a população do seu país aumentando o número de patriotas pra cento e cinqüenta milhões na próxima geração. Pra “fazer frente às pressões do Ocidente”, disse ele. Espera-se que cada um cumpra a sua parte casando cedo e tratando de procriar. Com uma ordem dessas as camisinhas que vão sobrar no Irã podem ser exportadas para a África. Um passo pra trás.

Vá entender! Depois eu é que sou louco!

Enquanto isto, do outro lado do planeta, das terras de Kim Jong-il, vem a notícia que os coreanos do norte teriam construído secretamente novas instalações para “enriquecimento de urânio”, com todo o fedor resultante entre nações-amigas aliadas e nações potencialmente beligerantes. Ao mesmo tempo cresce entre os indivíduos governados por Barak Obama uma corrente que prega a necessidade de “uma guerra para unir os povos dos Estados Unidos da América nos mesmos ideais de fé, patriotismo e liberdade”, dando assim um chô-sai-de-mim na crise econômica. E o pior é que lá não tem nenhum índio pra dizer ”what the ass has to do with the pants?”.  O inimigo preferencial é o Irã, mas nada impede que se faça um treino num campinho mais perto de casa. A Coréia fica a um pulo indo pelo Alasca ou pelo Havaí. Facilidades de logística em tempos de crise. Estas coisas. Outro passo pra trás.

E assim avança aos trancos o caranguejo manco.

Assim como é…

19/09/2010

Nunca consegui surfar. Ficar equilibrado sobre aquela prancha apresenta muito mais variáveis do que o meu labirinto pode suportar. Neste quesito me basta a vida. Mas admiro quem consegue. Agora, sexagenário, me resta surfar na net. Aliás, num mar que não existia na minha juventude. Hoje encontrei um novo porto e quando gosto da paisagem faço um link, aqui e na lista à direita lá em baixo. Uma opção para quem está com calos nos dedos de tanto clicar na mute. Pra quem não agüenta mais a mesma mentira contada por quadriênios sem fim.  Quem sabe um pouco de leitura zen lhe faça bem! Nas rimas se escondem as iscas. Se não fosse assim não haveria tantos fisgados pela poesia. Mas esta já é outra história.