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Prêmios para quem pecar e pagar rápido!

06/11/2016

Há quem argumente que não há uma indústria da multa, mas uma penalização educadora com o objetivo de coibir excessos e proteger a vida.
Então, acompanhe! A partir de novembro as multas ficaram, em média, 50% mais caras. Há várias gradações, mas, para ser didático, imagine uma multa de 100 reais passando a 150 reais. Ponto. Simultaneamente foi lançado um aplicativo para celular que permite que a multa seja paga sem toda a burocratização que esses processos costumam ter. Como prêmio, para quem fizer o download do aplicativo, os multados receberão um desconto de 40%. Ou seja: aquela multa de 100 reais que havia passado a 150 reais ganha um desconto de 60 reais e passa a custar 90. Logo, há uma indústria da multa! Agora ficou muito mais fácil arrecadar! E mais difícil educar! E que se exploda a tal ação que transformaria a dor no bolso numa valorização da vida.

Brasil – penúltimo lugar em educação.

29/11/2012

Chegou a notícia de que o Brasil está em penúltimo lugar num ranking internacional sobre educação.

Primeira reação: vergonha! É vergonhoso e triste constatar que essa é a imagem do nosso país que é apresentada ao resto do planeta; que quase 4 milhões de nossas crianças vivem num universo em que a escola é uma ficção; que 63% dos moradores das áreas rurais, especialmente no norte e nordeste do país, não tem acesso a um colégio; que 3 em cada 10 adultos não conseguem entender o que estão lendo; que a maioria dos estudantes que tiveram contatos superficiais com algum método de ensino serão adultos com importantes deficiências na hora de obterem um trabalho com melhor remuneração.

Segunda reação: riso (por que parece uma piada – de mau gosto, mas uma piada)! A lista em que aparecemos em penúltimo lugar foi composta com 40 países, que MERECERAM o status de serem avaliados! Ou seja: nós AINDA estamos no grupo que recebe nota. Os governantes que mantêm o discurso sobre educação e o futuro das nossas crianças, entre outras babas eleitorais pra enganar otário, PODEM CONTINUAR usufruindo dos recursos que deveriam ser utilizados para melhorar aquelas estatísticas degradantes do parágrafo acima. Pois podemos perder um lugar e ainda continuaremos entre os 40 do topo!

Terceira reação: desânimo! Pois não verei a luz no fim desse túnel! Mesmo que hoje, agora, nesse exato momento, por um estalo de Dedos do Cara em Pessoa, todas as consciências fossem mudadas, e os eleitores acordassem de seus sono esplêndido para a necessidade de exigir soluções, e toda essa corja política que tem o poder para mudar a situação começasse a trabalhar, o tempo necessário para que uma mudança fosse notável, nessas condições especialíssimas, seria de uma geração. Deixo de presente esse sonho aos meus netos.

Amanda Gurgel

28/05/2011

Graças aos mecanismos de conectividade instantânea que a internet nos oferece, a mensagem da Professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, é um it, um sucesso, um soco no estômago da classe política (pressupondo que o tenham), uma verdade que nos emociona, e uma lágrima de alegria pela força daquela pequena brasileira.

Mas graças aos mecanismos de conectividade instantânea que a internet nos oferece, a mensagem da Professora Amanda Gurgel já está ecoando ao longe, empurrada pela efemeridade com que os its são envolvidos na velocidade das comunicações, na sobreposição de assuntos ora relevantes e ora supérfluos. Uma pena! Algo dito com tanta propriedade, tanta transparência, tanta coerência, não poderia ser passageiro. Deveria ganhar uma chamada permanente, e com destaque, para acordar a todos, como, por exemplo, em substituição àquelas irritantes propagandas do Terra que cobrem meia tela quando você quer ler a notícia que lhe interessa. Deveria retornar nos momentos eleitorais. Deveria gerar correntes de conscientização no face-book. Deveria ser assunto obrigatório nas sala de aula para tentarmos salvar a geração dos nossos netos, já que a dos filhos a política já corrompeu. Deveria ser transmitido sem aviso prévio nos telões das Casas dos Três Poderes para que uma úlcera surda se insinue nas entranhas dos togados, dos engravatados, dos imunizados, e dos desavergonhados de todos os tipos que assolam os altos escalões do poder público.

Se um dia a educação vencer a corrupção podemos dizer que Amanda Gurgel foi uma pioneira. Enquanto isto a corja espera a onda passar para que o planejamento das novas maracutáias não seja prejudicado pelo depoimento daquela chata do You Tube. Quando escrevo isto a Nobre Professora já deve ter sido ameaçada de retaliação. Este é um costume instituído pela podre classe que apenas sabe subir ao poder, mas não sabe o que fazer quando chega lá. Pela classe que tem como único objetivo ganhar eleições. Pela classe cega que não entenderá jamais que a riqueza de um país está na forma como seus jovens são educados.

Parabéns Amanda Gurgel!

(9)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 22 a 23 de 101)

01/12/2010

(Para saber como começou clique aqui!)

022

Pierre ficava curioso com a mecânica social que nos obrigava a trabalhar tantas horas por dia, um número determinado de dias, para receber uma quantia estabelecida de dinheiro, com o qual podíamos adquirir os bens para sobrevivência e consumo. Ficava especialmente intrigado com a desproporcionalidade entre o mérito do que era feito e a remuneração recebida, e abismava-se com os ganhos de alguns indivíduos que não faziam absolutamente nada e viviam num padrão muito superior ao dos que realmente trabalhavam.

Tentei explicar que a distribuição de renda era extremamente desigual em conseqüência de problemas políticos não resolvidos tais como a ausência de uma consciência social que englobasse uma educação para todos, e oferecesse os meios básicos para que os indivíduos alcançassem os recursos para uma vida saudável e digna como seres humanos.

Ele continuou sem entender como nós não escolhíamos criaturas comprometidas com a consciência social nos nossos processos seletivos para os membros do governo.

Tentei, de forma infeliz, desenhar os jogos eleitorais, as mentiras, os engodos, e as fortunas envolvidas na vida pública. Fui menos feliz ainda tentando explicar por que a maioria dos políticos, uma vez em contato com essas fortunas, se transformava em defensores de interesses ilícitos.

“Mas isso é um ciclo sem solução!” Exclamou Pierre.

“Nossa esperança é educar 20% da juventude a cada geração, ensinando padrões morais mais elevados, e desta forma, numa progressão geométrica decrescente, em 300 anos, minimizar a um nível desprezível, e talvez eliminável, a camada dos de consciência torta.”

“Vocês são tão rápidos para umas coisas, mas em outras são muito lentos! Mas muito, muito lentos, mesmo!”

023

Pierre já havia visto máquinas fotográficas digitais e teve pouco interesse por elas ou pelas maravilhas que podíamos fazer com as edições das fotos no computador.

“São primitivos.” Resumira ele sua opinião sobre o aparelho e o processo.

Um dia eu me empenhava febrilmente em passar para uma folha de papel, com uma caneta a nanquim e aquarela, o esboço de uma imagem que me ocorrera sobre um bando de aves voando contra um nascer do sol no mar. Pierre observou minha tentativa com vívido interesse e depois perguntou: “Por que você não usa uma câmara digital e captura a imagem? Por que tanto trabalho quando há meios mais eficazes?”

Achei que era uma de suas piadas inglesas, mas respondi: “Você sabe que essa imagem não existe na realidade. Estou fazendo um sketch pra uma tela que pretendo pintar.”

“Como não existe…?” Ele demonstrou surpresa genuína e ato contínuo começou a mexer na cintura de onde tirou um objeto que parecia uma bolacha redonda  e branca de uns 8 cm de diâmetro. Encostou aquela bolacha em minha testa onde senti um leve formigamento como aquele que sentimos quando aproximamos os pelos do braço de uma televisão de tubo. Depois ele passou a bolacha sobre uma folha de papel em branco e imediatamente surgiu sobre a folha uma espetacular imagem de um nascer do sol entre o céu e o mar, com todos os reflexos vermelhos e dourados que aquele momento único poderia gerar. Em primeiro plano, aves brancas voavam da esquerda para a direita, como majestosas donas do planeta, indiferentes à humanidade, e, na parte mais baixa da folha junto à areia detalhada em seus incontáveis grãos, a espuma da última onda brilhava como uma infinidade de pequenas bolhas de arco-íris dissociando a luz que vinha do sol.

Tudo foi muito rápido e Pierre concluiu: “… claro que existe!”

Fiquei mudo por quase meia hora olhando para a imagem do meu pensamento e vendo que era mais perfeita do que eu poderia sequer imaginar.

Depois disto passei 12 anos sem voltar a pintar.

(Para saber como continua clique aqui!)

ENEM

08/11/2010

E vamos deixar por aí! Não é mesmo Sr Fernando Haddad? Mui digno Ministro da Educação do meu país.

Talvez isto não seja uma coisa séria. Vamos passar uma borracha e pronto. Apagada a falha deixa de existir o desrespeito aos 4 milhões, 611 mil e 441 brasileiros que se inscreveram para fazer a prova. Fácil como na versão 2009. Afinal a reincidência só é passível de punição para os de baixo. (Ai meu pé que não sou o pajé!)

Então ficamos combinados. Não houve falta de respeito. E NEM incompetência. E NEM irresponsabilidade. E NEM é uma piada de mau gosto!

Agora sim! Ficou bem melhor! Não é verdade?