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A tentativa de pagar uma conta num país surreal!

13/02/2015

É nessas horas que eu fico pensando no correntista iletrado que espera o auxílio de um funcionário do banco (qualquer banco) para resolver suas pequenas pendências junto ao caixa eletrônico ou para sacar aquele dinheirinho que não permite poupanças.

Não disponho de telefones ou serviços da OI há 90 dias ou mais. Os celulares foram transferidos para outra operadora, a internet foi substituída por sistema a rádio, e o fixo foi cancelado após o longo processo de desconstrução pela OI, que matou definitivamente qualquer utilidade daquele telefone como canal de comunicação com meus pacientes.

Num mundo normal seria de esperar a não cobrança por algo inexistente, ou que não está sendo oferecido, no entanto, mesmo depois de tudo que foi descrito no parágrafo anterior, a OI continuou a cobrar pelos seus “serviços” imaginários. Acordei de minha fé idiota e formalizei junto a OI (admito que com com certo atraso) o cancelamento daquilo que já não existia há 3 meses. Suspendi o débito em conta no Banco do Brasil e fiquei atento à entrega, pelo correio, de qualquer conta com resíduos de “serviços” anteriores à data do protocolamento (201566441795), que, embora injustos, refletiam a minha falha em não ter percebido a possibilidade de mais aquele aspecto da má gerência da operadora (ou da má intencionalidade proposital até que alguém reclamasse!).

Quando veio a conta pelo correio (e aqui é que eu fico pensando nos pequenos usuários dos serviços vinculados aos sistemas interligados!) fui ao Banco do Brasil, na véspera do vencimento, para pagar o resíduo, utópico e burocrático de R$ 233,40, referente a um telefone inexistente. O caixa me disse que não podia receber porque não havia um código de barras e me sugeriu uma lotérica, porque eles podiam receber tendo como dado apenas o número do telefone. Na lotérica, após reexplicar a novela, a atendente tentou cobrar, mas barrou na informação do sistema que disse que não podia cobrar uma conta de um telefone que não existia, e me aconselhou a procurar a ANATEL para que fosse gerado um código de barras específico para aquela situação. Retornando ao Banco do Brasil me foi facilitada uma ponte com a Anatel que, depois de conferir os caminhos possíveis com a OI, me forneceu o código de barras (846500000027 334000020001 908313201505 201182000004). O Banco do Brasil me aconselhou a pagar via internet, porque o site do banco oferecia essa facilidade. Em frente ao computador, depois de desdobrar os trâmites necessários para efetuar o pagamento, surgiu a seguinte mensagem:

POR RAZÕES DE SEGURANÇA ESTA TRANSAÇÃO NÃO PODERÁ SER EFETUADA NESTE CANAL. DIRIJA-SE AO CAIXA ELETRÔNICO OU AGÊNCIA BB. (G999-501)

Nessa hora você se sente como aquele cachorro que tenta em vão morder o próprio rabo! Andando eternamente em círculos, em busca de uma solução que se apresenta impossível, para uma questão surreal.

Viva Renan Calheiros! Viva a Corporação!

02/02/2013

O dedo de Calheiros.

Ontem sabíamos como iam votar os três senadores gaúchos. Simon, coerente, embora do mesmo partido de Renan Calheiros, votaria em Taques, porque sua consciência é independente e uma prova de que a razão solitária morre sem ser ouvida mesmo que morra gritando. Paim, alegando obediência à bancada e à governabilidade, forma maquiada para não ter que dizer que vota fisiologicamente, não abriu o voto, mas tudo leva a crer que agradaria ao conluio combinado PT-PMDB. Amélia disse que se absteria numa forma de protesto. Algo que milhões de brasileiros gostariam de fazer de 2 em 2 anos quando confrontados com a falta de qualificação e de moralidade da esmagadora maioria de homens e mulheres que se apresentam para os cargos eletivos. Depois, acuada pela pressão nas redes sociais, a senadora repensou a decisão e tudo faz pensar que tenha sido um dos 18 votos que perderam para os 56 de Calheiros. Dessa forma, a casa mais cara e inútil do Brasil, antro em que circula a nata da Corporação, continua obedecendo ao critério torto de colocar uma raposa pra cuidar do galinheiro. Mesmo sabendo que o presidente eleito renunciou em 2007 para não perder o mandato e deve respostas ao Ministério Público. Mesmo sabendo que a eleição de Calheiros é um deboche do Sarney.

Mas afinal o que nós podíamos esperar? A coerência deles passa longe das nossas necessidades e muito perto dos interesses da Corporação. E depois, eleição vem, eleição vai e eles são recolocados em seus postos de assalto, graças à amnésia da massa indiferente e burra.

A única coisa de positivo nesse teatro foi a alegada mudança de posição de Amélia. Não pela mudança em si, mas pelo fator que a teria determinado: a pressão das redes sociais. Se essa moda pega a Corporação vai ter que desligar essas tais redes! Pensem só no perigo! …0u não pensem e continuem dormindo!

A dinâmica do voto secreto.

25/05/2012

O artifício do voto secreto no congresso existe, e as tentativas para derrubá-lo vêm sistematicamente falhando nos últimos dez anos. Podemos até admitir a sua gênese baseada no temor de represálias. Podemos até admitir o direito de privacidade do parlamentar que vota escolhendo entre candidatos para um determinado cargo. Mas o que nos é permitido pensar quando é aventada a possibilidade do voto secreto ser usado na questão da cassação de Demóstenes? Renan Calheiros, que posa dando tapinhas amigáveis nas costas do colega de senado, é um dos mais ardentes defensores do voto secreto e tem se beneficiado de sua existência. Jaqueline Roriz, flagrada recebendo propina, foi considerada inocente por 265 votos secretos, contra os 166 que acreditaram naquilo que os seus olhos (e os de todo o povo brasileiro) estavam vendo na documentação em vídeo. E agora se anuncia mais um deboche constitucional. Como isso é possível?

Para nós, a ponta forte, mas infelizmente desfiada, da corda democrática, já parece inacreditável que pessoas adultas se reúnam para esclarecer uma questão que envolve presidiários, espiões, senadores, deputados, ministros, juízes, governadores, empreiteiras bilionárias, e desvios incalculáveis e transformem a reunião numa pantomima. Os depoentes, aos sorrisos, só não declaram frontalmente o pouco caso que fazem da opinião popular porque isso quebraria o silêncio combinado. Tudo em nome de um outro artifício que também é uma piada constitucional: o direito de não entregar os cúmplices a menos que a justiça exija. E por que a justiça não os obriga? E se obrigasse, quem nos garante que ouviríamos a verdade? Nessa hora são desconsideradas as infindáveis horas de gravação, as fotos, os vídeos, os telefonemas, os acordos, as araponguices e outras melecas palacianas que nos enojam e transbordam todos os dias pelos telejornais como se o assunto se referisse ao enredo de uma ficção e não de nossas vidas, do nosso trabalho, dos nossos interesses, e do nosso dinheiro, roubado descaradamente. Devemos considerar o trabalho da polícia federal descartável? Ou não confiável? Devemos considerar a protelação judiciária desinteressada? Ou suspeita? Devemos considerar as informações da mídia como uma teoria conspiratória? Ou uma mentira? Devemos nos considerar incapazes de entender que neste circo nos estão dando o papel de palhaços?

Como pode um homem público tão envolvido com ilicitudes ser inocentado num processo de cassação? Como o congresso pode passar por cima de todas as provas acumuladas? Não é possível partir do princípio que toda a classe política esteja corrompida. A mecânica é simples.  O silêncio dos convocados frente à CPI esconde o envolvimento de muitas figuras importantes. Enquanto o silêncio se prolonga tempo é ganho. Votos são negociados. A preocupação de muitos dos nobres senhores está focada naquilo que Demóstenes pode falar caso venha a ser cassado. Mas o número dos envolvidos não é suficiente para inocentá-lo. Então a corrente corporativista, com seus incontáveis elos fisiológicos, começa a fazer aquilo que sabe fazer melhor. Costurar uma rede de acordos cobrando dívidas e favores, aproveitando o tempo que a morosidade do sistema permite. Multiplicam-se os votos a favor do acusado. Alguns podem até odiá-lo, mas se ele cair, fulano cai, e se fulano cair, cai meu credor, e se meu credor cair, eu caio. E, se tudo isso acontecer no silêncio que a constituição permite, melhor ainda. Ninguém pode ser diretamente acusado.

***

―Quem foi? Eu não fui.
―E a opinião pública? O que vamos dizer pro povo?
―Povo? Que povo?

O DIREITO DE FICAR CALADO

23/05/2012

Aí eu pergunto: Pra que montar uma CPI que custa um quarto de milhão de reais pra brindar o povo com uma papagaiada dessas? Se um cara notoriamente envolvido com a gatunagem tem o DIREITO DE FICAR CALADO frente às perguntas daqueles que são os nossos representantes eleitos, isso significa que a CPI não tem poder nenhum. Valor nenhum. Legalmente é uma palhaçada cara. No momento em que um indivíduo daquele quilate, e com os envolvimentos que tem, recebe da justiça, pela orientação de seu advogado, o DIREITO DE FICAR CALADO, temos a declaração da justiça de que ele está protegido pela lei, que todos os que estão envolvidos com ele estão sendo protegidos pela lei, que aqueles que fazem as perguntas estão apenas exercendo o direito de serem impertinentes, que o nosso direito de saber quem são os seus cúmplices não vale nada. É o poder blindando o poder. É a proteção do conluio. É a corporação cuidando do seu futuro. Na verdade a quem interessa, realmente, que nós saibamos a verdade? Pense um pouquinho antes de responder!  Mas não responda! Você também tem o DIREITO DE FICAR CALADO. E burro.

 

Roriz, irresistível!

01/09/2011

Roriz, Roriz, Roriz!
(Um vídeo é só um rumor!)
Quando ouço esse som não sei o que a mídia diz!
Será que cita Joaquim, o governador impoluto?
Ou a patética Weslian, amarrada inocente a um corrupto?
Ou quem sabe a pequena Jaquie, agraciada com o indulto?

Ora, ora, Senhor Juiz!
(Meu anônimo interlocutor!)
Devo chorar ou sorrir frente ao plenário feliz?
Veja com os olhos do povo os atos desse parlamento.
Ouça com paciência esse nosso longo lamento.
Não sabemos mais o que fazer nesse momento.

Se é piada, por favor, mil perdões!
(Alguém matou nosso humor!)
Talvez nos falte algo pra entender tais escalões.
Mas não será um horror risível?
Ou um deboche descarado e incrível?
Ou, quem sabe, um conluio indiscutível?

O rap “Gangue da Matriz” agradece a Cherini.

04/08/2011

Quem quiser saber mais vá ao Youtube e ouça na íntegra o rap de Tonho Crocco, a “Gangue da Matriz”: “36 contra um, aí é covardia/ o crime aconteceu em plena luz do dia/ votado e aprovado pelos próprios deputados/ subiram seu salário, me senti um otário/ capitalistas, comunistas, todas as vertentes presentes na lista…”(e o rap segue  a trilha/ dando os nomes da quadrilha!), ou ao post em prosa, e já velho, neste blog.

No Youtube há também vários outros vídeos se referindo ao rap, ao fato, e às providências solicitadas ao Ministério Público pelo deputado federal Giovani Cherini (PDT-RS) contra o autor da música.

Independentemente das medidas que o MP tome quero agradecer ao deputado Cherini pelos esforços passionais e carentes de estratégia para proibir o vídeo “Gangue da Matriz” ou processar o músico Tonho Crocco. Sem a indignação exteriorizada  pelo nobre deputado eu não saberia o que estava acontecendo, assim como os milhares  que acessaram o Youtube. Nada como a tentativa de censura burra para promover uma crítica necessária mas sem publicidade. Dan Browm e o “Código Da Vinci” agradecem até hoje os esforços semelhantes do Vaticano e do cardeal Tarcisio Bertone .

Não em rap – que não é a minha preferência musical – e nem em rimas – pois não tenho este dote de forma que cative – gostaria de dizer que faço minhas as palavras de Crocco, o processado, a quem quero parabenizar, e desejar a Cherini que aproveite bem os salários e os adicionais do atual mandato, embora ele tenha dito à Zero Hora que continua achando que ganha pouco. Na mesma entrevista Cherini diz: “…as pessoas fazem as coisas e têm de ser responsabilizadas pelo que fazem. Na vida a gente colhe aquilo que planta, não é?” É exatamente assim nobre deputado Giovani Cherini! Eu me responsabilizo pelo que digo e pelo que faço, e o mesmo está acontecendo com o senhor. Em suma, o fato é que o aumento auto-concedido de 73% pelos deputados esgotou todos os adjetivos entre o deboche e a falta de vergonha na cara, e neste tom qualquer um pode chamar de crime à humilhação de que fomos vítimas.

Carta à CEEE.

04/04/2011

Senhores. Meu endereço deve ser do conhecimento da CEEE visto que a notificação da quantia que devo pagar pela luz que consumo chega assiduamente à minha casa há 30 anos. Em 2011 (94 dias até o momento) ocorreram 27 episódios de queda de energia elétrica em meu bairro. A maioria entre às 21 e 22 horas sem prazo definido para a restauração do fornecimento. Em todos os casos, sem exceção, há uma profusa demonstração sonora e pirotécnica que atinge toda a rede pública e derruba disjuntores nas residências. Além dos evidentes transtornos decorrentes dos blackouts contabilizo a perda de uma fonte de computador, um roteador, um receptor de antena parabólica e uma televisão, mas quero registrar o comparecimento gentil e zeloso das equipes de reparo ao já conhecido ponto em que ocorre a ruptura sistemática.

Mas vamos teorizar! Que as perdas materiais sejam consideradas insignificantes para que nossa atenção não seja desviada do foco principal. Como tal ocorrência pode acontecer em pleno século 21 sem ganhar o status de deboche? É um problema técnico? Certamente! Que mistério tecnológico poderia justificar a não solução destes eventos ocorridos em quase 30% dos dias do ano até o momento? Uma delonga de três meses, ou de três anos, se a questão fosse política, costuma até ser tolerada, pois já estamos formatados. Mas na área técnica só podemos achar dois rótulos para o caso, e os dois ofendem profundamente o consumidor, um é o descaso negligente, e o outro é a incompetência.

Espero ter conseguido me comunicar com os senhores. Saudações.