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Sai #OHexaÉNosso e o #NãoVaiTerCopa e entra o #PenseEVote

26/07/2014

Quando me dei conta a Copa havia acabado. Lembro que cheguei a torcer pela Argentina na final. Depois achei que o resultado premiou a organização, a humildade, a simpatia e o lema: “Um nação, um time e um sonho!” O sonho alemão se mostrou mais realista do que a empáfia nacional: “Preparem-se! O hexa está chegando!” Minha avó dizia que na preparação do omelete era necessário cevar a galinha sem espreme-la e o meu avô completava que antes disso era bom conferir se não havíamos pego o galo. Para a geração jovem, que foi massacrada pela mídia com a ideia de que bastava torcer que o resto já estava garantido, o Hexa ganhou um significado torto de coisa inacabada sem prazo de conclusão, como obra prometida por político. Embora só aqui os títulos se acumulem, ignorando os hiatos em que os outros são melhores. Nós ganhamos cinco vezes, de fato, mas na prática o nosso país só foi bi em 1962, assim como a Itália, em 1938.

O #NãoVaiTerCopa acabou com o mesmo tom da promessa do #OHexaÉNosso. Deu chabu! Algo bem previsível, por sinal! Não adiantava você mostrar bandeiras reacionárias para um país que se alimentava das esperanças de êxito em uma festa bilionária. Assim como o contrário! Tente juntar uma dúzia de #FiquemCalmos na frente de uma multidão em pânico. É uma ótima maneira de acabar como purê de hashtag.  Por outro lado, na onda do hexa adiado, os partidários do “não vai ter copa” podem transferir o projeto, ou aviso, ou ameaça, ou profecia para a “2018 Fifa World Cup Russia”, já que naquele ano o Brasil não será sede e não foi campeão. Traduzindo: vai ter que passar pela pedreira da classificação nas Américas, com o nível que se viu neles e com o desnível que se viu por aqui. Ainda que, se tudo der errado, sempre nos resta torcer pela Costa Rica!

Mas o fato é que a festa acabou! O mundo viu que o governo brasileiro, aos trancos, com a barriga e pressionado, pode parecer que dá conta do recado! Os estrangeiros partiram deslumbrados e felizes e ficaram as obras inacabadas e as contas mal explicadas, coisas com as quais já estamos acostumados. Agora vai começar um outro jogo e esse, fieis crédulos do “hexa é nosso” e ferrenhos defensores do “não vai ter copa”, depende exclusivamente de nós. Sai a Brazuca e entra em campo o #PenseEVote. Mas, pelo amor aos seus filhinhos, pensem! Os meios de comunicação vão vomitar em nossas casas um monte de sorrisos e mentiras. O de costume. Não apostem! Não torçam por ninguém a não ser por suas consciências. Lembrem-se dos estádios superfaturados, dos hospitais sucateados, dos remendos fantasiosos, das escolas em ruínas, do ensino decadente, dos assaltos e assassinatos, das refinarias que escorrem pelo ralo, e da interminável lista de coisas que os deixaram perplexos ou indignados e depois votem. Afinal, alguma coisa nós temos que ganhar nesse ano, nem que seja sem chuteiras.

Um Movimento pelo Fim da Corrupção?

18/06/2013

 Quando a massa se reúne, respondendo a variados gritos de indignação, cada um voltado para uma diferente forma de ver e interpretar o que lhe dói na alma, é natural que, aparentemente, ela se mostre sem rumo, sem foco, parecendo que não sabe para onde e porque está indo. É isso que observamos no movimento popular que se iniciou em todas as capitais. Foi diferente em outros momentos da história, como na Campanha pelas Diretas e no grito dos Cara-Pintadas pelo impeachment de Collor. Naqueles momentos aliava-se, ao desejo específico e objetivo das pessoas, a capacidade de organização e manobra dos partidos políticos, entre os quais os que agora são governo. Agora isso não acontece! Não há partidos políticos gerenciando o movimento. A massa que reclama do gasto absurdamente superfaturado nas obras da Copa, da Proposta de Emenda Constitucional que pretende diminuir o poder do Ministério Público, do aumento das passagens coletivas que corta mais uma fatia do salário mínimo e tira do cidadão comum a capacidade de ir e vir, também grita contra os próprios partidos, que aninham de forma cúmplice e criminosa toda uma gama de malfeitores travestidos de homens públicos impunes, contra a distribuição de ministérios sem sentido que só servem para acomodar aliados fisiológicos e contra as mais variadas formas de deboche que humilham o brasileiro impotente.

O problema é que quando a massa se reúne ela também pode explodir. Geralmente isso acontece com uma minoria, mas uma minoria que aparece e machuca. Possivelmente haja oportunistas do caos nessas manobras, pois eles também querem ser governo um dia; foi assim que começou esse que está aí! Seríamos muito evoluídos se não ocorressem badernas ocasionais. Porém se fôssemos evoluídos a esse ponto também não teríamos votados nos indivíduos que agora fazem, ou fecham os olhos permitindo que se faça, todo tipo de desregramento que leva à corrupção.

O futuro do movimento atual ainda é uma incógnita. Mas seria uma lástima se perdêssemos a oportunidade de acordar para o fato de que a corrupção é a mãe de todas aquelas coisas que nos deixam indignados. Afinal, só queremos trabalhar e viver em paz com nossos filhos. E os poderes necessitam entender, de uma vez por todas, que eles só precisam cooperar para que esse desejo tão simples se realize.

Futebol em Brasilia.

15/06/2013

Que contrassenso! Você que foi ao estádio e vaiou Dilma não deve estar pensando claramente! Até é possível que você esteja indignado com a corrupção e o superfaturamento na construção dos elefantes brancos. Quem sabe possamos reconhecer verdades em seus comentários sobre a falta de melhorias urbanas que permaneçam e favoreçam os nativos após o fim do evento governado pela FIFA. Tudo isso pode ser real, mas você não tem o direito de vaiar. Se você quer protestar, não vá. Não vá vaiar! Apenas não vá! Mostre que aquilo tudo não era o que você realmente queria e nem o que merecia. Não pague pelo evento que você já pagou! Você já aplaude indo, mesmo fingindo que está vaiando! Você já votou, já pagou o imposto que foi usado para enaltecer esse tipo de programa, já pagou o ingresso para ir ao jogo e, agora, vai vaiar? Não percebe que, estando lá, você já está dizendo amém? Isso é burrice pela quarta vez. A menos que você tenha prazer quando leva bala de borracha dos não pensantes. A menos que goste de rir enquanto está sendo roubado. A menos que o importante seja a cerveja e o resto que se exploda.

O significado de prioridade na vida pública.

04/06/2013

Prioridade é uma palavra estranha. Ela exprime o sentido de vir antes, ter preferência, ter a necessidade de acontecer em primeiro lugar. Logo, as coisas prioritárias podem até esperar que as circunstâncias permitam a sua concretização, mas não podem esperar que outras coisas sejam feitas anteriormente! Nesse caso, essas outras coisas passaram a ser prioritárias e se cria um contrassenso.  O problema é que, na administração pública, ou na política em geral, prioridade não é um conceito objetivo direcionado para as necessidades do grupo e segue as mesmas oscilações subjetivas morais, existenciais ou espirituais de cada indivíduo. Para mim pode ser uma prioridade, nesse momento, tomar banho. Para o meu vizinho pode ser sair correndo para o hospital. Se eu não souber da prioridade do meu vizinho posso tranquilamente tomar meu banho. No momento em que sou comunicado de que há uma prioridade prioritária entre as pessoas com quem me relaciono (usando propositadamente a redundância), a minha prioridade deve obedecer ao princípio básico que a limita: “esperar que as circunstâncias permitam a sua concretização”. Ou não é?

Não é! Vamos entender as coisas como elas realmente necessitam ser entendidas olhando politicamente o problema. Pensando como governante ou administrador da coisa pública é prioritário construir ou reformar 12 estádios de futebol, obedecendo aos critérios da FIFA, ao custo de 7 bilhões de reias (pelas contas de abril do ano passado) e não 112 hospitais, já que sobram leitos, as emergência estão ociosas e ninguém morre nos corredores ou nas filas do SUS…

Acho que vou é tomar o meu banho!

Brasil! O país das contas absurdas! (ou, como funciona a bolsa bola)

30/05/2013

bolsa bola

Indignado com a falta de leitos e as emergências hospitalares congestionadas, saí à procura de informações sobre o custo de uma estrutura que atenda à população naquelas horas angustiantes, pelas quais todos nós, um dia, já passamos, vendo um familiar sendo recusado num serviço médico por falta de vagas, ou amontoado num corredor de um setor de emergência porque não há leitos, ou recebendo a informação de que não há recursos para o tratamento proposto. Então achei isso aqui! Resolvi copiar o texto na íntegra e postar no Cágado para os que não gostam de clicar em links. O texto é de Constâncio Viana.

 “Andei vasculhando alguns arquivos na internet e descobri em fontes bem confiáveis que o custo médio para levantar uma estrutura hospitalar com cerca de 8.500 m² de área construída, com todas as dependências necessárias para atender uma população de 30 mil pessoas, com 159 leitos, sendo 12 para UTI, pronto socorro, triagem, farmácia, lavanderia, ou seja, com toda a estrutura necessária, custaria a preços normais, sem superfaturamentos, 14 milhões de reais, já contabilizando os custos com central de ar condicionado, rede elétrica, telefônica, água e esgoto.  Com mais 16 milhões de reais é possível comprar todos os equipamentos hospitalares, incluindo os mais modernos do mercado, como também todas as mobílias necessárias para um hospital. O custo anual com a mão de obra concursada e terceirizada, incluindo médicos, enfermeiros, anestesistas, seguranças, recepcionistas e demais serviços auxiliares, seria de 32 milhões de reais, considerando o salário de mercado na região sudeste.  Resumindo, é possível manter um hospital de porte, com equipamentos de ponta, com 62 milhões de reais por ano, atendendo cerca de 600 pacientes por dia. Só para se fazer uma comparação simples, a reforma do Estádio Mané Garrincha, que agora querem mudar de nome, vai custar, aos cofres públicos, 1   BILHÃO de reais. Tudo isso para atender as exigências da FIFA. E será utilizado em 4 ou 5 jogos durante a copa do mundo. Depois disso, com o nível do futebol de Brasília, duas coisas devem acontecer, ou o estádio vai virar um imenso elefante branco ou o governo vai passa-lo “de graça” para a iniciativa privada. Esse bilionário estádio poderá se tornar uma casa de show nas mãos de algum amigo do governador. É isso mesmo que você quer para sua cidade e para o seu país?”

 

Deixa ver se entendi! Um estádio de futebol (em Brasília) custa o mesmo que 16 hospitais (incluindo o custo operacional por um ano), que poderiam aumentar em 2544 leitos a nossa capacidade e atender 3,5 milhões de pessoas por ano? E vocês acham que eu deveria sorrir e torcer pela seleção brasileira? Que eu deveria abrir uma lata de cerveja e dizer amém para essa Corporação suja e corrupta. Ah! Mas vão pastar!

É tudo o que o diabo quer!

12/02/2013

brasil-cerveja

Há aqueles que reclamam que o carnaval desse ano acontece em 12 de fevereiro (Entenda-se como carnaval essa festividade permissiva pagã que foi incorporada aos costumes pela Igreja Católica para que se dê adeus aos pecados da carne – com os olhos fechados para os eventuais excessos – antes dos 47 dias que antecedem a Páscoa (período de penitência, jejum, e orações (uma outra regra antiga que quase todos fingem obedecer))). E reclamam porque consideram a data muito cedo, o que encurta o verão – que sempre poderia ser considerado um tempo adicional em que, afinal, mesmo não sendo carnaval o que vale é a carne. Porém, ao olharem para o calendário de 2014 terão, inicialmente, frêmitos de tesão com a data de 04 de março. Maravilha! Verão longo! Hotéis felizes! Praias lotadas! Mega decibéis numa torturante cacofonia de estraçalhar tímpanos! Trajes sumários. Curvas se insinuando em profusão! Antenas hormonais ligadas. A cuca permanentemente embalada pela combinação etílica com as ilicitudes farmacológicas da moda… Mas… como nada é perfeito (embora tenha remendo), em 2014 tem copa, e para que o ano letivo não estoure antes do prazo já se pensa em adiantar o início das aulas para primeiro de fevereiro. Adeus verão nu. Professores mal humorados. Salas de aula sob um sol de rachar crânios. A visão do inferno.

Mas não se desespere, pois os remendos são altamente compensatórios! Dia primeiro cai numa sexta; matável segundo a tradição escolar. Dia 2 é feriado e é possível emendar num feriadão. O início real passa a ser dia 4 de fevereiro. Teríamos 19 dias realmente úteis, já que 28 será uma sexta feita pré-carnavalesca em que ninguém mais está pensando com todos os seus neurônios…

E depois tem a copa. De 12 de junho a 13 de julho. E dia 14 é domingo. E se o Brasil ganhar isso aqui vai virar uma zorra e ninguém é capaz de prever até quando vai a festa da vitória. Com sorte, para os interessados, serão quase 40 dias em que o país será governado pelo consórcio FIFA – Ambev. É tudo o que o diabo quer!

A Saúde está Doente.

15/05/2012

Este post nasceu de um comentário ao blog “Pensar não Dói”, e, como tal, também é um comentário, uma carta resposta, uma ponte, e um relato sobre como as coisas vão por aí.

Arthur! Veja que historinha! (que parece dissociada de seu último comentário, mas que se abraça com ele em vários aspectos, como verá no final). Dia 4 estava em Torres comprando um telefone no meu importador preferido. Como médico tenho a habilidade (ou o azar) de detectar um desconforto na área cardiovascular, e diferenciá-lo da paranoia presumível nesses casos, com certa antecedência. Percebi que virar presunto num banco de praça em Torres não seria um forma muito honrosa de empacotar. Em 80 minutos o Jaime me teletransportou para a emergência do Instituto de Cardiologia, onde fique 5 dias na UTI e fui agraciado com um cateterismo femural e inúmeros outros mimos que o pudor não me permitem relatar, mas que me mantiveram no mundo dos vivos. Tudo isso foi uma merda, mas o final feliz e as atitudes dos caras certos produziram resultados positivos. Fui o penúltimo paciente a ingressar no IC-FUC e, logo após, o setor foi fechado por 3 dias – por absoluta falta da capacidade hospitalar em absorver mais casos – e isso aconteceu em todos os hospitais de Porto Alegre nos dia 5, 6 e 7. A título de curiosidade: fiquei hospitalizado uma noite – ou sendo faturado pela contabilidade da Unimed – numa dança das cadeiras no setor de emergência, por que o número de pessoas era maior do que o número de cadeiras, e por que não havia leitos – uma desculpa funcional, mas não moral.

Vamos equacionar o problema: a cidade de Porto Alegre teve um aumento populacional, e consequentemente de potenciais usuários da rede hospitalar. A rede hospitalar não cresceu na mesma proporção, embora as maquiagens nas reformas nos queiram fazer pensar o contrário. Os convênios de ponta (e citemos apenas a Unimed e a Goldencross) continuam vendendo os seus planos e oferecem médicos, laboratórios, serviços de radioimagem computadorizada, inovações futuristas e hospitalizações com requintes de hotelaria de primeiro mundo. Esses serviços são cobrados dos novos clientes, que acreditam que vão receber o prometido – como naquelas correntes milagrosas em que você manda um real para o último nome da lista e quando o seu nome chegar lá você vai receber 100 mil reais. No entanto, quem deve oferecer o serviço é aquela mesma rede hospitalar que fecha as portas porque não tem como absorver a demanda. E teremos uma copa, e uma olimpíada, e invernos com toda a gama de doenças respiratórias da estação. Parece que está sendo vendido muito peixe que ainda não foi pescado. A rede hospitalar existente faz o que pode. E nessa área, qualquer grupo profissional que tentar quixotescamente aumentar a capacidade de leitos cometerá suicídio financeiro, se não contar com a participação do capital privado e do apoio público. Só não vê quem for cego ou cúmplice.

Soluções que estão sendo propostas ou efetivadas, mais ou menos com aquela objetividade de quem vai à farmácia pra comprar picanha : Estudar uma proposta de aumento da capacidade dos aeroportos. Estudar uma proposta de aumento do contingente policial nas ruas. Melhorar e ampliar a rede hoteleira. Salvar bancos falidos. Obter um habeas corpus para o Cachoeira. Melhorar os estádios. Fazer alguns acordos temporários, por baixo da lona, com a traficância. Pintar a fachada das casas nos locais em que os ingleses podem passar. Liberar a cerveja. Esconder os pobres. Matar cães vadios. Ou vice-versa. Liberar a cerveja. Encurtar as saias e aprofundar os decotes. Varrer as ruas. Sorrir para os turistas. Montar foguetórios nas vizinhanças dos hotéis dos hermanos. Liberar a cerveja (acho que estou me repetindo)! E não dar muita importância para a questão da saúde, pois dor de barriga dá e passa. E se não passar e a coisa for realmente grave o paciente morre. E se morrer vai ser um a menos pra reclamar.

Como insinuei na introdução vou postar o comentário, pois dizem que o eco pode ser ouvido duas vezes.