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Gilmar Mendes, o relativizador.

11/03/2017

Gilmar Mendes está relativizando a prática do caixa 2!

Um membro do judiciário, ao abrir a boca pra dizer bobagem, está, em última análise, dourando crimes. A Corporação bate palmas! Talvez o crime compense, afinal! Talvez roubar só seja crime se for exageradamente! Um milhãozinho aqui e outro ali, quem vai reparar? O Senhor Confronto Político dança uma lambada obscena com a Senhora Governabilidade enquanto nós aplaudimos, sem saber se o sexo é entre eles ou em nós.

Tente explicar a seu filho que aquilo que o juiz disse casa com aquilo que você tenha ensinar pra ele!

Experimente: calcinhas transparentes e comestíveis!

09/07/2010

Tive o desejo mórbido de vasculhar os gastos eleitorais de todos os meus desafetos morais. Então, como qualquer brasileiro que tem uma dúvida ou sente uma dor de barriga o que foi que eu fiz? Fui ao Google. E vejam só que voltas o assunto dá.

Quando fui gestor da área saúde de meu município eu era obrigado a fazer um minucioso e extenso “plano de aplicação” trimestral de um percentual projetado do orçamento do município, e posteriormente tinha que apresentar um “relatório de gestão”. Obviamente o relatório final necessitava fechar com o plano inicial sob pena de recaírem suspeitas sobre o trabalho daquele período. Estes relatórios eram avaliados pelo Conselho Municipal de Saúde e pela Câmara de Vereadores antes de receberem o aval do Tribunal de Contas. Se estes trâmites não fossem idôneos corríamos o risco de uma intervenção para apurar as responsabilidades fiscais. A saúde gasta aproximadamente 20% do orçamento do município, e a educação, área que também obedece ao sistema de controle anteriormente descrito, gasta outros 30%. Arredondei os dois valores para cima para facilitar uma conta que faço a seguir. Como 20 mais 30 somam 50 e o gasto destes cinqüenta são fiscalizados da forma que descrevi, a pergunta que venho fazendo há 30 anos é a seguinte: “quem fiscaliza os outros cinqüenta por cento?”

Mas eu não queria falar das merrecas orçamentárias de um município de  10 mil habitantes.

Sou leitor assíduo da coluna de Rosane de Oliveira em Zero Hora, em que ela costuma falar de merrecas bem maiores.  Em 09 de julho, esta menina, a Rosane, dissertou sobre as eleições para o governo do Estado do Rio Grande do Sul, que se avizinha, e em que os candidatos necessitam fazer um orçamento dos gastos previstos para a campanha, para uma posterior comparação com a prestação de contas do que realmente foi gasto (claro que nada que se compare ao PIB de uma Sarneylândia, por exemplo, que entra naqueles 50% que não necessitam nem de plano, nem de relatório, ou qualquer outra fiscalização, como foi anteriormente aventado pelo orangotango vesgo dois parágrafos acima). E ela nos informa que entre as eleições de 2006 e 2010, citando apenas os 3 candidatos mais em evidência (agora Yeda, Tarso, e Fogaça) (antes eram Yeda, Olívio e Rigotto), os gastos previstos subiram de 21 milhões de reais para 47 milhões de reais, mesmo sabendo que os doadores ocasionais estão retraídos, e mesmo sabendo que a inflação no período não justifica tamanho salto.

Uma verdade salta aos olhos: “é bom superfaturar as despesa prováveis porque as promessas de uma fiscalização rigorosa sobre o caixa dois pode afugentar alguns doares mais temerosos.”

A Rosane não diz, mas eu incluo: ”Isto significa uma confissão formal de que antes sempre houve caixa dois.” Que é ilegal, imoral, criminosa e arquivada. (De novo aqueles 50% fedem por aqui!)

Mas ao ler a coluna da Rosane não acreditei que estes dados pudessem ser verdadeiros. Ela detalha quanto cada um gastou. O que nos permitiria calcular quanto custa cada voto. Tive o desejo mórbido de vasculhar os gastos eleitorais de todos os meus desafetos morais. Então, como qualquer brasileiro que tem uma dúvida ou sente uma dor de barriga o que foi que eu fiz? Fui ao Google. E vejam só que voltas o assunto dá. Fucei por 3 horas. Descobri que houve um desvio de 500 mil dólares na criação de um sistema de prevenção de tsunamis no Sri Lanka. Que houve um desvio de 30% das doações internacionais aos alagados e famintos de Bangladesh. Que a prefeitura de Reykjavik não gastou nem a metade do dinheiro orçado para a limpeza das cinzas do Eyjafjallajökull. Mas nada, absolutamente nada, que abrisse as portas para as informações desejadas: os gastos eleitorais no Rio Grande do Sul e anexos.

 Indignado parti para os sites que falam sobre Transparência-Qualquer-Coisa. Encontrei uma distribuidora alemã em Munich que comercializa calcinhas transparentes comestíveis em até 50 sabores. Oh! De novo o cinqüenta. Uma delícia.

Upgrade em 09.07.2010 ( 20:08) (como este mundo gira rápido!) graças à gentil resposta de Rosane de Oliveira a um e-mail desorientado do blogueiro que cá tecla.  As informações estão em  www.tse.gov.br , no 2º ítem do menu (eleições), na 10ª linha da lista (prestação de contas), em dados  de prestação de contas, 1º ítem no centro da página. E há outras coisa por lá. Barbada. Quem sabe, sabe. Obrigado Rosane!

Quem perde com este upgrade são os exportadores de calcinhas comestíveis transparentes.