Archive for the ‘Textículos’ category

Urgente: cuecas limpas!

27/08/2010

A jubarte voltou a encalhar e morreu ontem às 17:30. Biólogos afirmam que ela estava doente e desorientada.  Farão uma necropsia para avaliar as causas da morte. Uma lágrima caiu do grande olho do Mestre Aniquilador. O ícone vermelho da aniquilação pulsou num momento de antecipado prazer, mas o Mestre, tristonho, foi dormir e não assistiu o horário eleitoral gratuito. Vamos durar mais um dia. O observador humano hipotético necessita de cuecas limpas.

Salvos pela jubarte!

25/08/2010

Na grande e invisível nave espacial que, já há algum tempo, paira sobre o planeta, o Mestre Aniquilador aproxima seu dedão do ícone vermelho, que, uma vez tocado, exterminará em definitivo a raça dominante do terceiro planeta desta estrelinha chamada Sol. O dedão está a 5 milímetros do pulsante e fatídico círculo vermelho. Um hipotético observador humano diria: “Agora nos fudemos de vez!”

Mas o Mestre Aniquilador observa os esforços daqueles humanos mal equipados, mergulhados nas gélidas águas de agosto, puxando e empurrando a gigantesca jubarte encalhada.  Até que enfim ela é salva.

Ele recolhe o dedão do apocalipse para desgosto do instrumento aniquilador. E para alívio do observador hipotético, que em suas orações pede: “Uma outra baleia, por favor, uma outra baleia!”

Nós da língua!

18/03/2010

Procurando informações sobre movimentação de placas tectônicas, aquecimento global, próxima glaciação, derretimentos polares e elevação do nível do mar, caí num blog cujo posteiro (? – agora me bateu uma dúvida de como se chama o cara que escreve os posts de um blog) defendia com unhas e dentes os argumentos de Al Gore. E entre os comentários havia uma brilhante discussão, e explicação, sobre a etimologia de “maiar”, com o significado de prestar atenção, acordar, ganhar os sentidos, ter uma luz (e por aí vai), tudo alicerçado em desmaiar, significando a perda dos sentidos. (Não me perguntem como a conversa havia chegado até este ponto – e nem o link do blog… achei que era sacanagem expor o rapaz, ou burrice me expor ao rapaz!). Não resisti e comentei: Fulano! desmaiar é forma laica do clássico esmaiar (derivado do latim exmagare, significando esmagar, e posteriormente do francês esmalier). Neste contexto quem acorda de um desmaio na verdade “desesmaia” já que em desmaio “des” não é um prefixo mas uma corruptela criada pela junção da letra “d” com “es”, que é parte da palavra “esmaio”, significando aquilo que aconteceu ao esmaiado. Pior é calçar as botas ou botar as calças (explique isto a um Alien!), ou ainda vestir uma meia-calça, já que ninguém tem meia-bunda! Só comentei por vício porque tropecei por aqui procurando as mudanças que o degelo pode causar nos mapas se o nível do mar subir sete metros com “um adeus Groenlândia”. Veja as voltas que os assuntos dão…Saudações.”

Que frescura! Quanta maldade! Olha o perigo que é andar por aí sem capa e galocha.

Nunca parei para conferir a “verdade inquestionável” que eu cuspi naquele blog, mas que o nó ficou bonitinho, ah, isto ficou!

Palavrões

16/03/2010

A evolução da língua redimiu algumas expressões antes consideradas chulas, ou pelo menos suas expressivas derivações, que precisam ser esclarecidas para que tenham os seus reais valores linguísticos reconhecidos.

Cu. Minha avó materna, uma grande contribuinte no enriquecimento da língua portuguesa, tinha especiais maneiras de usar a palavra cu, de forma que em nenhum momento a palavra fosse associada a ânus ou ganhasse um colorido de baixo calão. Exemplifico: (vejam a riqueza nas sínteses e as possibilidades que se abrem para os usuários inteligentes e imaginativos) “Hoje está um dia cu!” – significa, um dia sombrio, triste, chuvoso, que mais vale ficar entocado em casa comendo bolinhos de chuva. Já “Hoje está um dia do cu!” muda totalmente a feição do dia. Um dia do cu é um dia alegre, ensolarado, que pede um passeio ao ar livre. Um mero “do” antes de cu trouxe felicidade para o dia em questão. Outras expressões, talvez já conhecidas da maioria, embora não citadas pelo Aurélio, incluem: “Vai dar um baita cu de boi!”, refere-se à possível confusão resultante de um problema que ainda não é de conhecimento geral; “Ele tirou o cu da reta!”, significando que alguém conseguiu se livrar de uma situação embaraçosa; ou, a já clássica: “Quem tem cu tem medo!”, aplicável ao silêncio compulsório que alguns indivíduos adotam para não dizerem algo que os comprometerá na certa.

Caralho e Boceta, abertamente proscritas, são duas palavras de uso grosseiro que ganharam, recentemente, verbos derivados de extremo valor retórico. Encaralhar significando enfeitar, arrumar, elevar o padrão, e desbocetar significando estragar, desarrumar, e enfeiar. “A casa estava toda desbocetada quando Maria, como uma fada, começou a volutear, de lá para cá, e a encaralhou toda.” É dito também do resultado do trabalho de um profissional: “Ernesto é um ótimo encaralhador, já Jânio, desajeitado como é, desboceteia tudo em que põe a mão”. Nota-se que em nenhum momento houve conotações de ordem sexual na aplicação dos verbos. Dizer: “Como está encaralhada a sua roupa!” é um elogio. Assim como: “Este seu chapéu está todo desbocetado!” é uma crítica direta ao mau estado do chapéu. A única ressalva que pode ser feita quanto à aplicação dos dois verbos é o porquê de encaralhar ter um sentido positivo e debocetar  um sentido negativo. Embora pareça que há aí um velado machismo é importante esclarecer que a língua evoluiu sem se preocupar com as diferenças sexuais.

Puta-Que-O-Pariu, segundo a minha mãe, é um lugar para onde vão os políticos corruptos, os padres pedófilos, os médicos sacanas, os advogados e os proscritos em geral. Deve ser um lugar rico  pois para lá também são mandados os bancos, os planos de saúde, os serviços de tele-marketing, as repartições públicas, e mais uma infinidade de outros estabelecimentos e serviços que são gerenciados ou onde trabalham indivíduos que agem e se expressam como os primeiros citados. É diferente de “Puta-que-pariu!”, que é uma exclamação de espanto. Veja o exemplo: “O Sena morreu!” – “Puta-que-pariu!”. Notou que há uma grande diferença na conotação e na entonação dadas? Observe sob um ângulo comparativo: “A tia Dagoberta ganhou na mega sena…” – “Puta-que-pariu!” – “…e fugiu pra Europa com o marido da vizinha!” – “Vá pra Puta-Que-O-Pariu!!”. No sentido de lugar a expressão  vem com o conjunto prefixal “vá pra”, e ganha a letra “o” (foneticamente “ô” em “que-o-pariu”) semelhantemente ao que acontece nas mesóclises verbais.

Mamãe acha que Puta-Que-O-Pariu também pode ter o significado de lugar incerto, como quando se pergunta por uma pessoa que não se vê há muito tempo: “Tens visto o Zé?” – “Acho que andou morrendo ou foi pra puta-que-o-pariu”. Neste caso a expressão “vá pra” muda para “foi pra”, perdendo o caráter imperativo afirmativo e sendo utilizado o pretérito perfeito, mais explicativo.

Não podemos nos esquecer que pentelho já foi palavrão até ser popularizado pelo Faustão como um moleque ou um chato. Merda também teve seus maus momentos até ser tornada chique pelo Presidente Lula referindo-se ao estado de pobreza dos assistidos pelo Bolsa Família. Bunda foi glorificada de uma forma artístico-rebolante pelas melancias, filés, morangos, melões e outras especiarias culinárias. Puta e puto foram definitivamente enterradas como palavras feias para não ferir suscetibilidades de além-mar após o acordo ortográfico da língua portuguesa. Até foda está em vias de perder o aspecto sexual graças à expressão: “É foda!” quando você se sente injuriado pelas ações de homens públicos e não pode dar uma resposta honrosa.  Ou até: “Foi foda!” em resposta a uma pergunta corriqueira como: “E então…como foi o teu pedido de aumento?”

Um ano de vida!

16/02/2010

Não é só a Páscoa e o Carnaval que são datas móveis. O meu aniversário autodeterminou-se como móvel por contigência dos eventos a ele relacionados. Faço aniversário na Terça Feira de Carnaval. Nesta estou fazendo um aninho de vida e aceito todas as parabenizações dos blogueiros e viajantes de passagem. Na Terça do ano passado, que caiu em 25 de fevereiro, fui revascularizado com gentis safenas cedidas por minha perna direita e me foi dado o direito de continuar por aqui ainda mais uns tempos. O comentários geral é que tenho chutado mais em todos os sentidos figurativos graças à esta doação de um dos membros inferiores. Mas não é verdade. Sempre fui mais azedo, mas só quando vomitam em mim as essências da política, as justificativas para a ignorância, a falta de ética profissional, e as mentiras contadas para muitos – e que muitos acreditam serem verdades incontestáveis – num desrespeito pelo aculturamento inocente dos manipulados pela ganância vil.

Quero bolo com velinha…!

Os sonhos, o agora, e os riscos da profecia!

05/11/2009

Sou de uma geração que aos 7 anos sonhava com o espaço. Nunca houve tantas cadelas de nome Laika. Aos 11 anos o objetivo de vida de um guri era um dia chegar a se igualar a Gagarin ou Shepard. Aos 16 eu era um trekkie. “Espaço. A fronteira final”. A corrida espacial entre as potência permitia prever cidades em Marte no final do século. Então a explosão da Challenger acordou toda uma geração daquele sonho. E mais recentemente a tragédia da Columbia pôs uma pedra sobre o assunto. Os governos, no afã de vencer a corrida, com os novos brinquedos que a tecnologia lhes havia posto às mãos, estavam esquecendo que a preocupação com os requisitos básicos para a segurança da tripulação humana tinham perdido o lugar para a política. A conquista do espaço robotizou-se. Minha geração vai morrer sem alcançar aquele sonho de criança. A geração de meus filhos nasceu olhando para um outro espaço. O espaço virtual. Digital. O acesso ilimitado à informação. A não obrigatoriedade de um lugar onde encontrar um homem ou um bit.Eu assisti em 75 a derrubada da parede do CPD da UFRGS para conseguirem colocar lá dentro o mainframe num contêiner. “Logo” depois, em 83, um cartucho do Mario Bros possuía mais capacidade e rapidez de resposta do que o gigante da UFRGS. O posicionamento físico de uma idéia, ou de uma empresa, ou de uma fonte qualquer de conhecimento é uma probabilidade on-line. O poder é on-line. A miniaturização está exigindo não-espaços que o silício já não pode suportar. Fala-se em chips biomoleculares e sobre computadores quânticos a um custo quase inexistente. Viveríamos nadando num mar de informação onde todos os objetos a nossa volta se comunicariam entre si e com a rede. É possível que minha geração assista, em seus estertores, a esta insólita conquista, nem sonhada quando Laika fritou ao voltar para casa. E depois? Como não vou estar aqui me é permitido especular. Atirem pedras nos meus bisnetos. Antevejo uma fibra ótica, na forma de um duplo-tubo, com um mícron de diâmetro e 2 milímetros de comprimento, contendo no tubo interno um fio da espessura de um átomo, de um elemento apropriado, que responderia a estímulos “blue ray”, alterando os spins de cada átomo da cadeia, ou suas características down ou up, numa resposta binária. O invólucro, ou tubo externo, conteria neurotransmissores capazes de fazer a conexão entre estes microchips e eventuais sinapses de neurônios circundantes. Estes “conectores” se implantados no espaço cefalorraquidiano, em lugares específicos (principalmente nos lobos frontais e occipitais) permitiriam downloads cognitivos e visuais diretamente para a memória do indivíduo. E porque não também uploads? Colocaríamos o conhecimento, as inferências, vivências e memórias, em meios não orgânicos, e portanto menos perecíveis. Quem sabe o crescimento, em progressão geométrica, das experiências sobre o genoma e a física quântica, não vai nos permitir o próximo passo evolutivo da espécie? Ou o nascimento de uma nova?

Pensar woodstockeano

02/10/2009

Tenho algumas peguntas  que não querem calar. A primeira é bolivariana: a Venezuela não tem uma embaixada na Nicarágua? O mestre Chaves não abriu as portas a seu pupilo? ou à solapa aconselhou as barbas de rei Lula! O que o Brasil tem a ver com as calças?  Sarney é algo que se arquiva? Se oficialmente terminou um escândalo e ainda não começou o seguinte podemos trabalhar um pouquinho. Ou agora vamos entrar num período de júbilo pré-olímpico? O produto do pré-sal queima?  O aquecimento global é um novo programa da Globo? O Sol deixou de ser uma fonte de energia confiável? Não venta mais? O imposto de renda é um serviço a que são forçadas as manipuladoras de bilros?