Archive for the ‘Religião’ category

Pongo disse:

19/05/2016

 “Pensem um pouco comigo… Todas as indicações apontam para um processo evolutivo-seletivo. E, pelos exemplos que dispomos, esse processo é proativo, progressivo, construtivo e protetor da prole e do genoma. Local e circunstancialmente há desacordos sobre a proteção do habitat, quando interesses individuais sobressaem e nesse momento o substrato sofre, mas, não podemos negar, até criaturas primitivas como os humanos criam fóruns de discussão e procuram acordos que impeçam um suicídio coletivo. Se esse acordar não está acontecendo por motivos altruístas e transcendentais pelo menos está acontecendo por puro instinto de sobrevivência. E este instinto, convenhamos, é fundamental para o indivíduo e para a espécie. Se ele não existisse, ou se todo o processo evolutivo fosse bizarramente destrutivo, a espécie já teria sido aniquilada há muito tempo.

Claro que o fim dos humanos pode acontecer a qualquer momento por motivos variados, como bruscas oscilações do tempo ou da mecânica universal, independentes dos esforços errôneos e indisciplinados dos próprios interessados. Alguém dirá: “Qual teria sido o propósito de nossa existência se isso acontecesse?” E eu pergunto: “Porque deveria existir um propósito?” Mesmo porque, para haver um propósito dessa dimensão, deveria haver uma dimensão propositora adequada, e essa visão subverteria o questionamento aqui apresentado…!

Voltando, podemos pressupor que, se uma catástrofe cósmica não aniquilar os humanos, digamos, amanhã ou em um milhão de anos, o processo (evolutivo-seletivo-construtivo) que envolve a espécie continuará…

Como se sabe o universo é velho, o que lhe confere paciência. Mas, mesmo sendo velho, ainda é, paradoxalmente, jovem. O paradoxo existe somente para os nossos olhos, já que a nossa existência, como espécie, é um piscar de olhos quando a comparamos com o todo.

No desenrolar da história universal aparecerão outras espécies cognitivamente capazes e empenhadas numa luta evolutiva. Um dia, muito distante no tempo, a somatória dos processos evolutivos vai gerar uma consciência que, sob qualquer ótica ou julgamento de um humano atual, seria indistinguível de um deus. Se a espécie humana fará parte dessa somatória passa a ser assunto de uma especulação quimérica sobre esoterismo e mérito. Então poderíamos afirmar, muito, muito retroativamente que, hoje, deus está nascendo, e que, quando o universo atingir a maximização da entropia, como qualquer coisa que se apoie em energia, dizer, num átimo, após uma quase eternidade de observação e análise, sabendo-se, afinal, o princípio e o fim:  “Faça-se a luz!”, para que o ciclo continue.”

 

 

E afinal, há copa!

13/06/2014

Brasil 3 x 1 Croácia

Na outra copa no Brasil eu não tinha dois meses completos, portanto me redimo daquela, mas fica difícil dizer que não tenho minha parcela de culpa nessa! Ou na elaboração ou nos resultados! Sejam eles quais forem! Então o negócio é torcer, não importa pra quem…

Como é difícil torcer pelo Brasil! Primeiro sentei torcendo para ser convencido de que valia a pena torcer! Não fui! Depois torci para que o Marcelo empatasse, num gesto heroico de compensação! Mas isso não aconteceu! Torci para que o goleiro croata defendesse o pênalti que só o japonês viu! Não deu! E quando eu pensava que ia ter que engolir que a malandragem, desta vez a do Fred, é o que impera e resolve os problemas nesse país, fui surpreendido pelo bico do Oscar. Pelo menos o melhor em campo, aos 45 minutos, deixou a vitória menos desconfortável.

Tenho um vizinho argentino que gritou do muro, assim que o jogo acabou: “Ganado, pero robado!” E eu me fiz de Dilma no Itaquerão: fiquei quieto! Vá que o hermano resolva cuspir um repertório de baixarias portenhas pra cima de mim!

É tudo o que o diabo quer!

12/02/2013

brasil-cerveja

Há aqueles que reclamam que o carnaval desse ano acontece em 12 de fevereiro (Entenda-se como carnaval essa festividade permissiva pagã que foi incorporada aos costumes pela Igreja Católica para que se dê adeus aos pecados da carne – com os olhos fechados para os eventuais excessos – antes dos 47 dias que antecedem a Páscoa (período de penitência, jejum, e orações (uma outra regra antiga que quase todos fingem obedecer))). E reclamam porque consideram a data muito cedo, o que encurta o verão – que sempre poderia ser considerado um tempo adicional em que, afinal, mesmo não sendo carnaval o que vale é a carne. Porém, ao olharem para o calendário de 2014 terão, inicialmente, frêmitos de tesão com a data de 04 de março. Maravilha! Verão longo! Hotéis felizes! Praias lotadas! Mega decibéis numa torturante cacofonia de estraçalhar tímpanos! Trajes sumários. Curvas se insinuando em profusão! Antenas hormonais ligadas. A cuca permanentemente embalada pela combinação etílica com as ilicitudes farmacológicas da moda… Mas… como nada é perfeito (embora tenha remendo), em 2014 tem copa, e para que o ano letivo não estoure antes do prazo já se pensa em adiantar o início das aulas para primeiro de fevereiro. Adeus verão nu. Professores mal humorados. Salas de aula sob um sol de rachar crânios. A visão do inferno.

Mas não se desespere, pois os remendos são altamente compensatórios! Dia primeiro cai numa sexta; matável segundo a tradição escolar. Dia 2 é feriado e é possível emendar num feriadão. O início real passa a ser dia 4 de fevereiro. Teríamos 19 dias realmente úteis, já que 28 será uma sexta feita pré-carnavalesca em que ninguém mais está pensando com todos os seus neurônios…

E depois tem a copa. De 12 de junho a 13 de julho. E dia 14 é domingo. E se o Brasil ganhar isso aqui vai virar uma zorra e ninguém é capaz de prever até quando vai a festa da vitória. Com sorte, para os interessados, serão quase 40 dias em que o país será governado pelo consórcio FIFA – Ambev. É tudo o que o diabo quer!

A Constituição e o Crucifixo

21/03/2012

Repostando o post misteriosamente perdido e aproveitando a oportunidade para dizer que apena uma pessoa em trinta e três observou a curiosa sombra do prego. Os comentários anteriormente feitos foram perdidos. Em tempo: não advogo a favor da cruz ou da estrela ou do sol ou do seja lá o que for.

Nós leigos temos uma grande dificuldade para entender a abrangência da palavra anticonstitucional (como se não bastasse o seu caráter polissilábico). Quando nos chegam notícias tais como o “recente caso do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) que, atendendo ao pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de outras entidades sociais, determinou a retirada de crucifixos e símbolos religiosos dos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha”, automaticamente nos bate na ideia outra questão, bem mais crua: E o resto? Quem gastou tempo, dinheiro (geralmente o nosso), papel, digitação, neurônios, adenosina-tri-fosfato, e saliva, para determinar este transcendente posicionamento, tem se preocupado com o artigo 37º da Constituição que, em um determinado momento, diz que a “administração pública direta, indireta ou fundacional (um neologismo relativo à fundação), de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade”, e por aí vai, com elitistas e rebuscadas citações às hipotéticas sanções pertinentes contra o pecado da “improbidade administrativa”, num eco retumbante às outras fantasiosas “idades” do caput?  (Será que falavam da corrupção?)

Essa gente perdeu o foco?

E já que a sigla GLS inclui os simpatizantes me sinto confortável pra dizer que a perda de tempo foi uma enorme “bichice”. Com dizia o cara de olhar chapado que vendia crucifixos numa feira hippie: “Pelo sim, pelo não, me apego no mais. Mas sem o magrão! Não curto dor!”.

Deixa o mais ! O time pelo qual ele joga é irrelevante! Pense: mesmo que você não acredite nele pode ser que o cara que circunstancialmente for julgá-lo acredite! Se um dia me sentarem na frente de um juiz eu vou dizer: “Senhor Juiz! Coloque o crucifixo ali na parede, por favor. Nessas horas, por via das dúvidas, é bom ter um olho invisível (e um dedão duro e grosso) que fiscalize a minha consciência, e a sua!”

Especulações sobre a nossa natureza divina (ou o Nascimento de Deus)

25/09/2011

Qual seria, atualmente, o interesse desta civilização avançada em nos contatar?  … O avanço e a aplicação de seus conhecimentos, para nós, seriam distinguíveis de um ato mágico? Ou de um ato divino?

Atualmente a teoria que prevalece sobre a origem do universo é a do “Big Bang”, proposta pelo belga Georges Lemaître, em 1927. Como toda teoria ela permanecerá como explicação enquanto não for refutada. No momento ela tem sobrevivido aos críticos com poucos arranhões com base nas observações científicas possíveis. Segundo ela o universo teria se originado há aproximadamente 13,7 bilhões de anos a partir de uma região extremamente quente e densa. Nesta região não existiam partículas elementares (tais como os quarks) e tampouco as interações fundamentais estabelecidas pela física moderna. A convenção é de que a duração desse momento foi de 1 tempo de Planck, o que equivale à uma absurda fração de segundo com 43 zeros depois da vírgula, ou o menor volume e o menor intervalo de tempo possível para o universo. Considerando o conteúdo teórico de algo tão pequeno e por um tempo tão fugaz, ao mesmo tempo capaz de originar a miríade de galáxias hoje existentes, pode-se tentar imaginar o quão denso e quente teria sido este mingau original, e que, afinal, ele só poderia mesmo explodir!

Após a formação das partículas originais – dos primeiros segundos até os 3 primeiros minutos – a interação das forças físicas na expansão vertiginosa do plasma de quarks permitiu, agrupando-os em trios, a formação dos primeiros prótons e neutros, e a criação dos núcleos dos átomos de hidrogênio, hélio e lítio.

O hidrogênio é o combustível fundamental de uma estrela e representa 75% dos elementos existentes no universo. Os demais elementos, com mais de 3 prótons em seus núcleos, tiveram que esperar a primeira geração de estrelas gigantes e a morte delas, cerca de 300 a 500 milhões de anos, pois foram gerados em suas entranhas, por fissão nuclear, quando elas entraram em colapso e explodiram. Desta forma, há 13,2 bilhões de anos surgiram no cenário universal os elementos que permitiriam a formação de planetas sólidos e o substrato para a vida. Entre eles o oxigênio, o carbono e o nitrogênio. O oxigênio é o sócio do hidrogênio na formação da água. Logo, a água, diluente e veículo indispensável para a vida como a conhecemos, só foi possível a partir deste momento. Mas o tempo entre a possibilidade de dois átomos de hidrogênio combinarem com um átomo de oxigênio para formarem a primeira molécula de água e o aparecimento real de água em estado líquido numa poça ignota sobre um planeta rochoso precisou esperar pelo menos mais 2 bilhões de anos. Pois foi necessário o nascimento de uma segunda geração de estrelas, e que entre elas existissem algumas com dimensões semelhantes às do nosso Sol para que não explodissem antes de darem uma chance à vida, e que entre essas estrelas algumas carregassem em suas órbitas planetas sólidos, não tão próximos da estrela para não serem quentes demais e nem tão distantes para não serem frios demais, e ainda não tão pequenos para que pudessem reter uma atmosfera e nem tão grandes para que a atmosfera não se transformasse numa prensa jupteriana.

Aparentemente são muitos os fatores necessários, mas num universo com bilhões de galáxias cada qual com bilhões de estrelas o próprio acaso conjura a favor de uma possibilidade positiva. Tanto que estamos aqui! É evidente que nesta análise especulativa não estamos considerando todas as variáveis que fogem dos parâmetros humanos e que poderiam ter sido aproveitadas pela vida em formatos que nem somos capazes de imaginar. Mas, de forma simplificada, para seguir o presente raciocínio, vamos considerar que a vida como nós a conhecemos é a alternativa mais prática, ou econômica, ou barata, ou mais lógica, pois, pelo menos em nosso planeta, o número de espécies passa dos 8 milhões, e neste número estamos ignorando as incontáveis milhões de espécies que já foram extintas nos 4,7 bilhões de anos de existência do planeta. Logo, este modelo que tem se mostrado bastante pródigo, mesmo que não seja o único, pode ter se apresentado de forma semelhante em outras partes, e outros tempos, no universo.

Sabemos que para o nosso modelo não basta a água em estado líquido num planeta sólido em cuja crosta estejam presentes os demais elementos químicos. Vamos considerar também os outros dois sócios do hidrogênio. O nitrogênio, com que forma a amônia (NH₃) e o carbono com que forma o metano (CH₄). Outra sociedade básica é a do carbono com o oxigênio (CO₂), ou gás carbônico. A água, a amônia, o metano e o gás carbônico são os mosqueteiros da luta pela vida. Eu daria à água o papel de Dartanhan. Quando estudantes guardávamos o som “CHON” para memorizar os 4 elementos básicos. Com eles são construídas quase a totalidade das moléculas que comandam, suportam, e alimentam o metabolismo do seres vivos, incluído as quatro bases nitrogenadas do DNA. Outros são necessários em pequenas porções, mas indispensáveis para que as reações químicas sejam possíveis, como o fósforo, o potássio, o sódio, o enxôfre, o cálcio e o cloro, e ainda outros em menores quantidades como o ferro, o flúor, o iodo, o cobre, o zinco, e o manganês. Todos disponíveis no substrato planetário em que a vida quer se intrometer.

Tudo estando disponível, nas quantias certas, no ambiente favorável, recebendo os solavancos e os desafios que estimulam a evolução, vacúolos primitivos criados pelas forças físicas inevitáveis da tensão superficial e submersos no barro úmido oferecerão em seus interiores microcosmos acolhedores e necessários para que organelas primitivas se insinuem com suas moléculas replicantes. Estas estruturas um dia isoladas e em outro momento recombinadas, simulando defesas e mecanismos de sobrevivência, mimetizando proto-virus, agarrados a um esboço de RNA como a uma tábua de salvação num mar inóspito, evoluirão para bactérias, que um dia, por inclusão, passarão a mitocôndrias simbióticas de um ser unicelular, que salvarão o seu tesouro de comando num núcleo, criando apêndices e espaços digestivos, crescendo e descobrindo soluções para os problemas, num lento roteiro darwiniano rumo aos seres pluricelulares, causando arrepios e náuseas aos criacionistas.

Aqui cabe um comentário: o fato é que com a aquiescência ou não dos que exigem o determinismo divino é muito mais miraculoso a utilização deste complexo, moroso e gradativo processo de transformação para chegar a algo superior do que a utilização simplista de uma varinha mágica que dogmatiza, mas não explica por que as coisas são como são.

Dizíamos que seriam necessários outros 2 bilhões de anos para que estas condições especiais surgissem em algum lugar. Logo, há 11,2 bilhões de anos atrás. Também sabemos que nos padrões que conhecemos seriam necessários mais 3,7 bilhões de anos para que num planeta como o nosso a vida evolua e desenvolva uma civilização capaz de se surpreender com suas origens e destinos possíveis e faça especulações sobre o seu papel no universo. Com isto, é possível que há 7,5 bilhões de anos já existisse no universo uma civilização semelhante à nossa.

As correntes pessimistas afirmam que as civilizações tendem para a extinção num curto espaço de tempo de alguns milhares de anos por fatores múltiplos, como epidemias, guerras, mudanças climáticas bruscas como glaciações ou aquecimentos, catástrofes cósmicas, e becos evolutivos. Uma variada gama de possibilidades apocalípticas mesclada com pandemias letais.

Mas sem uma extinção total por obra de um fenômeno cataclísmico qualquer este palco que montamos para que a vida tentasse uma evolução continuada desde os primórdios do universo criaria uma possibilidade bastante interessante. A evidente disparidade temporal entre a hipotética civilização primordial e a nossa é a mais marcante. Se considerarmos que a nossa civilização tem cerca de 10 mil anos, poderíamos dizer que o abismo temporal entre as duas espécies seria hoje o equivalente ao de 750 mil civilizações. Um tempo razoável. Qual seriam as diferenças mentais entre essas duas civilizações?

Qual seria, atualmente, o interesse desta civilização avançada em nos contatar? Qual seria o nível de entendimento ou de conversação? Em que nível evolutivo esta espécie estaria? Nós conseguiríamos compreendê-los? Ou percebê-los? Eles teriam forma? Estariam presos a uma base orgânica como nós? Quais seria o seu domínio sobre as forças da natureza? Será que esta espécie ainda conservaria a individualidade de seus elementos? Ou seria um ser coletivo? O avanço e a aplicação de seus conhecimentos, para nós, seriam distinguíveis de um ato mágico? Ou de um ato divino?

Seguindo esta mesma ótica nada impede que já tenhamos entrado em contato com tal ser ou seres, ou outros em estágio intermediário, em nosso passado remoto, o que explicaria a profusão de mitos sobre divindades que nos criam, alimentam, acalentam, ensinam, limitam, julgam e depois somem. Assim seria possível imaginar esses seres e a sua atual atitude de afastamento, como quem observa à distância, mas não se imiscuindo dos negócios terrenos, tampouco se interessando com os problemas individuais, mas quem sabe monitorando o avanço da nossa espécie como um todo, na expectativa de que um dia possamos nos somar a eles em imagem e semelhança.

Podemos continuar nossa viagem especulando sobre a nossa relação com esses possíveis primos que estariam vivendo num estágio evolutivo tão superior que talvez não sejamos capazes de identificá-los ou imaginá-los.

O nosso sol está em atividade há 5 bilhões de anos e tudo indica que ainda permanecerá na seqüência principal por mais 5 bilhões de anos. Digamos que no tempo restante, não acontecendo nenhuma catástrofe que nos apague da face do universo, o sol ainda possa aquecer adequadamente a vida no planeta Terra por mais uns 2,5 bilhões de anos antes de se tornar instável. Logo, se tivermos sorte e formos inteligentes para nos mantermos vivos, e cooperantes, a nossa infante civilização pode evoluir física ou espiritualmente por mais 2,5 bilhões de anos neste planeta. Ou mais provavelmente espalhada por uma fatia significativa da galáxia, obedecendo ao princípio de que não é inteligente guardar todos os ovos na mesma cesta. Em 2,5 bilhões de anos os nossos hipotéticos primos que vínhamos analisando desde o início desta especulação poderiam, considerando toda uma vida feliz e fecunda para esta espécie, contar com 10 bilhões de anos de evolução. Ou 4 vezes mais tempo do que nós. Em comparação com a brutal diferença atual de 750 mil vezes observamos uma redução drástica e significativa na proporção, mesmo considerando que algumas das possibilidades evolutivas se ofereçam numa proporção geométrica. Logo, no futuro, é possível uma proximidade muito maior. O que abre a promessa de um entendimento mútuo. Quiçá uma cooperação!

Aparentemente, num futuro próximo, vamos continuar aqui nos arrastando no processo de tentar a partir de alguma criação tecnológica a não permanência em um só planeta passível de destruição. Podemos também tentar melhorar nossa relação com a natureza, seja lá o que ela signifique ou o que significa esta relação melhorada, afinal temos bastante tempo paras isso, quem sabe mais 2,5 bilhões de anos na velha Terra, ou espalhados por aí. Pode ser que a depuração genética ainda nos permita saltos em direção a algo melhor. Pode ser que aquilo que alguns rotulam como alma e que insufla nossas carnes como uma mola ambivalente dividida entre o bem e o mal tenha um porto numa dimensão insuspeita. Pode ser que o método de ir e vir, reencarnando, numa intencionalidade purificadora, seja a sistemática para levar ao porto uma nova carga de experiência evolutiva. Ou talvez, tristemente, a chama se apague para cada indivíduo e o que conta, afinal, é a espécie como um todo e o seu produto final. Poderíamos até criar figuras de linguagem, demonstrações gráfica, e religiões modernas que afirmem que deus está nascendo e que nós fazemos parte desse processo. Quem sabe um dia haja um encontro com outros que já há alguns bilhões de anos estão nesse processo. Mais uma teoria passível de erro como todas as outras.

Ou não!

Mandala

10/07/2011

“Afinal! O que é um mandala?” – me perguntou um paciente. Confesso que tive que recorrer ao Google…. e constatei que toda resposta gerava pelo menos duas perguntas, abrindo novas portas que mereciam ser exploradas. 

O mandala é um desenho circular, segundo a premissa sânscrita, com padrões que se repetem ou se espelham, quase sempre simétricos, harmônicos, atraentes, absorventes, onde o centro nos personifica e somos circundados pelo que é o mundo ou a casa simbólica a que pertencemos. Após um determinado período de contemplação, o mandala satura as conexões lógicas feitas pela mente e envolve o observador em inferências e comparações, ou analogias. Por esta razão o mandala também é chamado de chave analógica pelos que o adotam na prática meditativa. Partindo do princípio que o conjunto do sistema cognitivo de um indivíduo utiliza uma parte muito pequena de sua capacidade nos processos vitais e de relacionamento, esta chave analógica busca, no âmago do inconsciente, na porção predominante e não utilizada do sistema nervoso central, a relação do indivíduo com o todo, ou o conjunto universal, ou a unidade cósmica. Deixando de lado a conotação espiritualista deste posicionamento o que se pode afirmar é que a contemplação de um mandala põe o observador num estado de “ver sem analisar objetivamente”, e isto permite que aconteçam flashes de “não-pensar”; instantes surdos ou cegos na constante e saturante receptividade informativa e pragmática para a qual fomos educados. Quem preconiza a observação do mandala pretende que o indivíduo abra o seu inconsciente. Aqui pode haver uma divisão nos objetivos almejados. Alguns apregoam que através desta abertura o indivíduo, num determinado momento, alcançará um estágio em que “estará vazio para poder ser preenchido espiritualmente em busca de uma iluminação.” Outros esperam que a abertura analógica permita que a própria potencialidade inconsciente de cada um trabalhe em prol daquele observador, harmonizando-o, curando-o, ou descobrindo aspectos “energéticos quânticos” que não seriam possíveis através dos sentidos comuns. Como se vê, alguns conceitos citados partem de premissas que por si só abrem outros campos de discussão tais como “iluminação” e “aspectos energéticos quânticos”. Na mistura do que pertence à religiosidade e à física de ponta (que tanto podem ser opostas como enfoques paralelos da mesma coisa) não pretendo por meus pés agora.

Uma pluma solta ao desejo do vento pode ser achada ou ser perdida. Pode pousar no solo e ser pisada, amassada, e misturada ao barro. Pode pousar na mão de um velho e ser avaliada, analisada, e aprisionada no passado. Pode pousar no nariz de uma criança e ser acariciada, assoprada, e devolvida à vida.

O significado do Natal!

15/12/2010

Um grupo de meninas desenvolvia na saída do colégio uma acalorada conversa sobre o Natal. Os temas variavam sobre os planos para o feriadão, quais os presentes prováveis que ganhariam, ou que gostariam de ganhar, quais planejavam dar para seus namorados, onde fariam a ceia, e sobre os preços de um ipod ou de um smartphone. O padre Omero, que era o professor de religião, ao passar por elas fez uma curta mas severa reprimenda: “Seria muito bom se as senhoritas, em vez de ficarem ocupando o tempo com frivolidades, mudassem o foco para o real significado do Natal, que é a comemoração do nascimento do Menino Jesus.” E foi embora pelo corredor com uma dúzia de olhos indignados cravados em suas costas. Marilu foi quem disse: “Era só o que faltava! Agora os padres querem também achar um significado religioso pro Natal!” E todas concordaram. A religião queria se apropriar até do Natal! Quanta desfaçatez!