Archive for the ‘Ponte’ category

A diferença entre um Crime e uma Outra Coisa!

10/02/2014

No Rio um adolescente foi espancado e amarrado nu a um poste. O crime teria sido cometido por três homens. O jovem, de 15 anos, tem 3 passagens pela polícia e especula-se que a ação violenta dos agressores receba o rótulo de “corretivo aplicado por justiceiros”. Desinformados reclamaram contra os Direitos Humanos e outros, não só desinformados como mal estruturados, teceram comentários elogiosos aos agressores. Coisas de Rio pré-Copa!

Quem estiver interessado em saber quando há uma violação contra os Direitos Humanos visite o blog Análise Minuciosa,  já que há uma diferença entre os crimes que nós cometemos e a Outra Coisa que o governo comete.

Se eu sonegar impostos é crime. Se o governo desviar recursos é Outra Coisa. Se eu atirar no cara, que invadiu a minha casa, é crime. Se o governo virar as costas, para quem rouba e mata, é Outra Coisa. Se eu quebrar o pau num  hospital, porque não consigo atendimento para o meu filho, é crime. Se o governo sucatear a saude é Outra Coisa. Se eu erguer o dedo médio para o ministro da educação é crime. Se a educação escorrer pelo ralo é Outra Coisa.

Agora eu sei direitinho o que é crime e o que é Outra Coisa. E eu que pensava que o governo cometia crimes!

Agora eu sei que desviar verbas, fechar os olhos para a criminalidade, esquecer que a saúde e a educação são direitos constitucionais são Outras Coisas relacionadas com os direitos humanos. Os crimes são os pecados que podem ser explicados aos humanos direitos!

Claro que é falta de conhecimento reclamar aos DDHH uma ação no episódio específico. Mas acho que todos concordamos que é difícil explicar para os agressores que não é cometendo um crime que as coisas serão solucionadas. Eles não podem recorrer a ninguém! Está bem! Podem! Entram numa fila. Tomam um chá de banco! Registram um B.O.! Vão para casa e aguardam um email, um telefonema ou um sinal de fumaça! Assistem aos noticiários reafirmando que o crime compensa! Depositam um troquinho na conta de um Zé-Qualquer do mensalão! E serão comunicados de que estamos com falta de contingente para tomar as medidas cabíveis!

Raquel Sherazade, assim como um dia já foi a vez de Boris Casoy, terá que rebolar contra as acusações de incitar a violência, racismo, segregacionismo e outras cositas a gosto dos embandeirados políticos. Uma coisa que todos esquecem é que no processo o foco se perde! Afinal! Quem Está Cometendo Essa Outra Coisa?

A Saúde está Doente.

15/05/2012

Este post nasceu de um comentário ao blog “Pensar não Dói”, e, como tal, também é um comentário, uma carta resposta, uma ponte, e um relato sobre como as coisas vão por aí.

Arthur! Veja que historinha! (que parece dissociada de seu último comentário, mas que se abraça com ele em vários aspectos, como verá no final). Dia 4 estava em Torres comprando um telefone no meu importador preferido. Como médico tenho a habilidade (ou o azar) de detectar um desconforto na área cardiovascular, e diferenciá-lo da paranoia presumível nesses casos, com certa antecedência. Percebi que virar presunto num banco de praça em Torres não seria um forma muito honrosa de empacotar. Em 80 minutos o Jaime me teletransportou para a emergência do Instituto de Cardiologia, onde fique 5 dias na UTI e fui agraciado com um cateterismo femural e inúmeros outros mimos que o pudor não me permitem relatar, mas que me mantiveram no mundo dos vivos. Tudo isso foi uma merda, mas o final feliz e as atitudes dos caras certos produziram resultados positivos. Fui o penúltimo paciente a ingressar no IC-FUC e, logo após, o setor foi fechado por 3 dias – por absoluta falta da capacidade hospitalar em absorver mais casos – e isso aconteceu em todos os hospitais de Porto Alegre nos dia 5, 6 e 7. A título de curiosidade: fiquei hospitalizado uma noite – ou sendo faturado pela contabilidade da Unimed – numa dança das cadeiras no setor de emergência, por que o número de pessoas era maior do que o número de cadeiras, e por que não havia leitos – uma desculpa funcional, mas não moral.

Vamos equacionar o problema: a cidade de Porto Alegre teve um aumento populacional, e consequentemente de potenciais usuários da rede hospitalar. A rede hospitalar não cresceu na mesma proporção, embora as maquiagens nas reformas nos queiram fazer pensar o contrário. Os convênios de ponta (e citemos apenas a Unimed e a Goldencross) continuam vendendo os seus planos e oferecem médicos, laboratórios, serviços de radioimagem computadorizada, inovações futuristas e hospitalizações com requintes de hotelaria de primeiro mundo. Esses serviços são cobrados dos novos clientes, que acreditam que vão receber o prometido – como naquelas correntes milagrosas em que você manda um real para o último nome da lista e quando o seu nome chegar lá você vai receber 100 mil reais. No entanto, quem deve oferecer o serviço é aquela mesma rede hospitalar que fecha as portas porque não tem como absorver a demanda. E teremos uma copa, e uma olimpíada, e invernos com toda a gama de doenças respiratórias da estação. Parece que está sendo vendido muito peixe que ainda não foi pescado. A rede hospitalar existente faz o que pode. E nessa área, qualquer grupo profissional que tentar quixotescamente aumentar a capacidade de leitos cometerá suicídio financeiro, se não contar com a participação do capital privado e do apoio público. Só não vê quem for cego ou cúmplice.

Soluções que estão sendo propostas ou efetivadas, mais ou menos com aquela objetividade de quem vai à farmácia pra comprar picanha : Estudar uma proposta de aumento da capacidade dos aeroportos. Estudar uma proposta de aumento do contingente policial nas ruas. Melhorar e ampliar a rede hoteleira. Salvar bancos falidos. Obter um habeas corpus para o Cachoeira. Melhorar os estádios. Fazer alguns acordos temporários, por baixo da lona, com a traficância. Pintar a fachada das casas nos locais em que os ingleses podem passar. Liberar a cerveja. Esconder os pobres. Matar cães vadios. Ou vice-versa. Liberar a cerveja. Encurtar as saias e aprofundar os decotes. Varrer as ruas. Sorrir para os turistas. Montar foguetórios nas vizinhanças dos hotéis dos hermanos. Liberar a cerveja (acho que estou me repetindo)! E não dar muita importância para a questão da saúde, pois dor de barriga dá e passa. E se não passar e a coisa for realmente grave o paciente morre. E se morrer vai ser um a menos pra reclamar.

Como insinuei na introdução vou postar o comentário, pois dizem que o eco pode ser ouvido duas vezes.

Papai! Quando eu crescer quero ser um juiz corrupto aposentado!

13/05/2012

Este post nasceu de um comentário ao Blog Brasil dos Absurdos , por isso é um post, uma carta, uma resposta, e uma ponte.

Caro Declev (a propósito estive em “Quem é Declev?” e quero parabenizá-lo por seu status intelectual, que deduzo, do conteúdo de muitos dos comentários em seu blog, não foi devidamente considerado).

Cabe aqui a notícia: “O teto pago pelo INSS para os aposentados da iniciativa privada, conforme publicado no Diário Oficial da União, subiu para 3.912,20 reais mensais em janeiro de 2012.” O que a notícia não diz é que isso vale apenas para os mortais. Omite os conhecidos desvios, bovinamente aceitos por todos nós, e que valem para os que estão fora da privada, nos aproveitando da homonímia que a notícia proporciona.

Cabem aqui dois exemplos para estabelecermos um paralelo: Sou um médico aposentado compulsoriamente, após uma revascularização cardíaca, com os rendimentos estabelecidos pelo INSS em 2.535,06. O Sr juiz federal Weliton Militão dos Santos (vide operação Pasárgada), afastado por corrupção, também foi aposentado compulsoriamente por seus pares, com rendimentos iguais à remuneração integral dos imor(t)ais daquela esfera: algo, hoje, em torno de 31.000,00 reais mensais.

Conclusão possível (que quase poderia ser considerada um silogismo se não fosse um piada trágica): Enfartar é crime e a corrupção deve ser premiada.

Já dizia o profeta Manoel Bandeira: “Vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amigo do rei.”

Nossos estudos (os meus e o do Militão) não podem ser comparados em termos de tempo, esforços e dedicação. São baseados em paradigmas diferentes e movidos por necessidades e objetivos que os colocam muitas vezes em paralelismos conflitantes. Há quem diga que os juízes (pelo menos os íntegros), são fundamentais nas inúmeras questões conflitantes envolvendo os seres humanos. Outros defendem a importância dos médicos, onde a integridade também é um quesito básico, na tentativa de minimizar o sofrimento dos seres humanos. E aproveito para deixar um recado aos defensores daquela proposta simplista: “Não seja invejoso, estude, passe num concurso público, e deixe de reclamar!” Se todo brasileiro fizer isso faltarão médicos, professores, engenheiros, psicólogos, pedreiros, mecânicos, e por aí vai, e sobrarão funcionários públicos, mas sem o público que paga os seus salários. Pelo menos para todos aqueles que sentem a necessidade de trabalhar com algo que lhes preencha a alma e não a mala, o primeiro pensamento não é o que eu vou ganhar, mas de que forma posso participar e ser útil nessa zorra geral.

Não pretendo diminuir a importância dos juízes. Não tenho os elementos e nem a vivência necessária para julgar os problemas que esses profissionais enfrentam na vida. Em contrapartida posso afirmar a total ignorância dos senhores juízes, de qualquer instância, sobre os tipos de dificuldades enfrentadas pelos médicos. E isso se aplicar em relação às outras profissões, e aos seres humanos, e aos seus conflitos, e às suas necessidades… ou, pelo menos, é o que podemos deduzir da falta de sensibilidade expressa nas relações desse poder com o povo.

Em tempo: Com o objetivo de escrever um post para o “Cágado Xadrez” entrei em seu blog procurando informações sobre os ganhos de um juiz aposentado. (Dor de cotovelo depois de 5 dias de UTI para um cateterismo, e sendo vizinho de box de um juiz com uma mentalidade de ostra). Resolvi fazer um post do comentário e vice-versa. Um abraço e boa sorte em sua cruzada.

O rap “Gangue da Matriz” agradece a Cherini.

04/08/2011

Quem quiser saber mais vá ao Youtube e ouça na íntegra o rap de Tonho Crocco, a “Gangue da Matriz”: “36 contra um, aí é covardia/ o crime aconteceu em plena luz do dia/ votado e aprovado pelos próprios deputados/ subiram seu salário, me senti um otário/ capitalistas, comunistas, todas as vertentes presentes na lista…”(e o rap segue  a trilha/ dando os nomes da quadrilha!), ou ao post em prosa, e já velho, neste blog.

No Youtube há também vários outros vídeos se referindo ao rap, ao fato, e às providências solicitadas ao Ministério Público pelo deputado federal Giovani Cherini (PDT-RS) contra o autor da música.

Independentemente das medidas que o MP tome quero agradecer ao deputado Cherini pelos esforços passionais e carentes de estratégia para proibir o vídeo “Gangue da Matriz” ou processar o músico Tonho Crocco. Sem a indignação exteriorizada  pelo nobre deputado eu não saberia o que estava acontecendo, assim como os milhares  que acessaram o Youtube. Nada como a tentativa de censura burra para promover uma crítica necessária mas sem publicidade. Dan Browm e o “Código Da Vinci” agradecem até hoje os esforços semelhantes do Vaticano e do cardeal Tarcisio Bertone .

Não em rap – que não é a minha preferência musical – e nem em rimas – pois não tenho este dote de forma que cative – gostaria de dizer que faço minhas as palavras de Crocco, o processado, a quem quero parabenizar, e desejar a Cherini que aproveite bem os salários e os adicionais do atual mandato, embora ele tenha dito à Zero Hora que continua achando que ganha pouco. Na mesma entrevista Cherini diz: “…as pessoas fazem as coisas e têm de ser responsabilizadas pelo que fazem. Na vida a gente colhe aquilo que planta, não é?” É exatamente assim nobre deputado Giovani Cherini! Eu me responsabilizo pelo que digo e pelo que faço, e o mesmo está acontecendo com o senhor. Em suma, o fato é que o aumento auto-concedido de 73% pelos deputados esgotou todos os adjetivos entre o deboche e a falta de vergonha na cara, e neste tom qualquer um pode chamar de crime à humilhação de que fomos vítimas.

Feliz Natal

24/12/2010

O Dr Castiel me mandou, em anexo ao e-mail natalino, e eu resolvi passar adiante, respeitando o princípio internético que diz: “O que é bom se copia, linka e reenvia ad aternum!” Feliz Natal!

Megan Fox

11/12/2010

Para quem curte desenho digital vai este link.  É para curtir o processo mas nada impede que se dê uma olhada na Megan também. Arte de Stephanie Valentin.

A tartaruga e o poste.

02/10/2010

A tartaruga não tem nada a ver com o poste. Assim como o link não tem nada a ver com a piada. Mas dentro do permissivismo do momento político tudo é válido.

O Dr. Mauro Camargo escreveu um livro (Paris, setembro de 1793) e este livro foi transformado numa peça de teatro. Em seu blog ele colocou o link para o Youtube, onde a peça é divulgada, e se desculpou pelo eventual fisiologismo. Fiz um comentário no blog dele e depois achei que devia colocar o comentário aqui, já que nele há uma piada, que para alguns já deve ser velha, como tudo que rola na internet, mas que achei muito boa para não dividi-la. E desta forma  passo adiante também o link. Então lá vai:

“O conceito de fisiologismo envolve política partidária, interesses escusos, conluios imorais e outras rimas do tipo. O que você está fazendo é propaganda de uma peça de teatro que valorizou o seu livro. No máximo eu chamaria isto de um rasga-seda compreensível. É a política dos mortais comuns. Sobre a outra, a dos imortais incomuns, ouvi esta no consultório e achei muito boa:”

“O médico suturava um ferimento na mão de um velho gari. Num dado momento eles começaram a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre Lula e  Dilma. O velhinho disse:
 – Bom, o senhor sabe, a Dilma é como uma tartaruga em cima de um poste…
Sem saber o que o gari queria dizer, o médico pediu que ele definisse melhor aquele paralelismo.
E o gari respondeu:
– É quando o senhor vai indo por uma estradinha e vê um poste. Lá em cima tem uma tartaruga tentando se equilibrar.  Isso é uma tartaruga num poste.
Diante da cara de bobo do médico, o velho acrescentou:        
– Você não entende como ela chegou lá;
– Você não acredita que ela esteja lá;
– Você sabe que ela não subiu lá sozinha;
– Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
– Você sabe que ela não pode fazer nada enquanto estiver lá;
– Você só desconfia do motivo para a terem colocado lá;
– Então, tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer, e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima, definitivamente, não é o seu lugar!”

Se achou graça aproveite e visite Crônicas Urbanas da Mônica onde há o post Sem Título que vale a pena ler.