Archive for the ‘Médicos’ category

Y Viva Fidel!

13/09/2013

– Al llegar a Brasil, usted puede encontrar algunos movimientos de hostilidad. Nada físico. Sólo protestas verbales y carteles. Estas costumbres populares de las democracias. Al final, el folklore nativo. De hecho, los brasileños son como los perros que ladran pero no muerden. Ellos son un pueblo pacífico y pasivo. De lo contrario, sus gobiernos no iban a durar todo el tiempo que duran, o hacer las cosas que hacen. Pronto estas personas volverán a preocuparse por su fútbol y su samba u otros trucos para cambiar el enfoque y contra la qual, nosotros, los socialistas, somos inmunes. Lo que importa es plantar las semillas del colectivismo revolucionario y desinteresado en ese país. En poco tiempo se dan cuenta de cómo nuestro sistema educa a los profesionales para causas sociales. Mientras tanto, aquí estamos, tomando el cuidado de sus familias durante estos tres años, con el dinero enviado por el gobierno brasileño. Y Viva Fidel!

– VIVA FIDEL!

A velha história do governo que engana!

07/08/2013

Todos os dias se enfia o dedo na mesma tecla. Fortunati, como porta-voz dos prefeitos injuriados, reclama da medida “mais médicos” que não evolui, nas palavras dele, em consequência do “boicote corporativista e fraudulento da classe médica”, que não quer se interiorizar para atender os milhares de pacientes do Brasil longínquo. É claro que, ao posar para a mídia, Fortunati não diz que os interiorizados não estarão sob as bênçãos da CLT, serão sumariamente dispensados após os três anos de “serviço médico obrigatório”, e que chegarão aos seus destinos vestindo um estetoscópio, um esfignomanômetro, e a promessa governamental de que Deus, sendo brasileiro, olhará por todos nós.

Há 32 anos eu era credenciado pelo INPS (depois INAMPS, e agora SUS) e atendia em meu consultório em Porto Alegre. Havia um apelo do governo regido pela ARENA (depois PDS, depois PPR, depois PPB, e agora PP, com filhotes no PFL, agora DEM) para que os médicos deixassem a capital e se estabelecessem em cidades do interior, em resposta às necessidades do tal Brasil distante. Como se vê, o problema é velho! Resolvi ir e fui! Mas a transferência da minha credencial dependia de uma assinatura em um livro ouro que pretendia angariar fundos, originados nos rendimentos futuros dos médicos, para os candidatos a deputado pelo partido da situação. Em última análise, uma chantagem. Se eu assinasse o dito livro ouro, minha credencial seria transferida para a cidade de Três Cachoeiras, a população dessa localidade seria beneficiada pela presença de um médico do “SUS”, parte do meu ganho seria mensalmente surrupiada em prol da campanha política dos deputados do PP daquela época e todos seriam felizes! Mas eu não aceitei! Pois era um roubo! Não assinei o livro! Minha credencial não foi transferida. E os moradores de Três Cachoeiras não foram beneficiados pela resposta, pelo menos a minha, ao apelo governamental de que os médicos se interiorizassem.

Agora, os protagonistas políticos estão inclinados para a esquerda e as formas de enganar perderam o viés egoísta e recebem um verniz coletivista. Soluções mágicas são apresentadas. Mais médicos. Mais residentes. Médicos do exército deslocados para o SUS. Importação de médicos. E por aí vai! Mas ninguém fala sobre a falta de leitos hospitalares, sobre as emergências superlotadas nas grandes cidades, sobre os equipamentos necessários para que diagnósticos mais precisos e rápidos sejam feitos, sobre as mortes em filas e listas de espera, sobre os laboratórios públicos inexplicavelmente inoperantes, sobre os multimilionários custos das obras inexistentes e sobre a deprimente falta de gerenciamento político desse colossal problema.

Quem essa gente quer enganar? Se a eles próprios, são estúpidos duas vezes! Uma pela falta de visão de onde está o problema e a outra pelas propostas desfocadas.

Vamos importar médicos cubanos!

21/05/2013

Vamos importar médicos cubanos! Ótimo! Devemos receber de braços abertos estes “hermanos” gerados, nascidos, criados e formados no regime de Castro. Eles vão preencher as evidentes lacunas na assistência médica brasileira, principalmente nas pequenas cidades do interior e no “brasil longínquo”, segundo os nossos bem informados governantes. E no pacote de boas vindas vamos incluir algumas informações sobre a nossa realidade.

Para que o choque não seja muito traumático vamos evitar falar de SUS, falta de leitos, espera em corredores e emergências congestionadas que, parece, não são tópicos diretamente relacionados com a falta de vontade dos médicos de se interiorizarem!

Também não vamos dizer para eles que uma consulta médica no nosso país é paga de forma muito diversificada. Há médicos semideuses que cobram R$ 600,00, ou mais, mas o SUS paga R$ 11,00, ou R$ 12,47, se o paciente ficar em observação por 24 horas. Isso pode ser um pouco assustador. Na média as operadoras de planos de saúde pagam R$ 45,00.

Nem sei como vamos explicar isso pra eles, mas mesmo o salário médio de um médico em Cuba sendo de U$ 35,00 (R$ 70,00) e, especulando, o governo pague U$ 3.500,00 (R$ 7.000,00), isso não significa que eles vão ganhar 100 vezes o que ganhavam lá. Vamos ter que dizer para esses médicos que, uma vez no Brasil, eles não vão mais poder consumir em Cuba. Essa parte talvez seja a mais difícil de entender. A nossa passagem de ônibus urbano é 2.703,46% mais cara e a nossa luz 1.299,98% mais cara.  Uma refeição simples, aqui, custa o dobro. O mesmo se aplica para o aluguel. Se ele desejar cozinhar, por uma questão de economia, pode ter surpresas desagradáveis, pois a batata, aqui, é 4.934,74% mais cara, embora o pão seja somente 330,24% mais caro que o cubano. No entanto nem tudo são espinhos: o leite aqui é 51,65% mais barato e, se tiver formol, então…!

Supondo que esse médico vindo do caribe queira se vestir, comprar calçados, um fusca usado, ir ao cinema ou, com saudades de Havana, embebedar-se com uma garrafa de vinho, deixo aqui um link para conversões sempre atualizadas.

Eles já sabem que no país deles um médico é formado pelo estado. Lá o cara tem que achar um jeito de se manter enquanto estuda, pois o diploma é pago pelos irmãos Castro. Isso, aliás, é, e sempre foi, um dos argumentos mais atrativos da propaganda socialista. Uma forma de saborear o coco sem descascá-lo. Aqui, um médico custa, numa faculdade particular, perto de 300 mil reais, sem levar em conta que o estudante precisa comer, se vestir, morar, se deslocar e pagar todo o material didático para a sua formação. Esses gastos adicionais saem também do bolso do médico formado numa universidade do governo, mas isso geralmente não é levado em conta, como se o profissional fosse cuspido depois de ter ficado seis anos vivendo em animação suspensa.

Mas essa história de importar médicos trás a tona um outro assunto! Inevitável! Como não chutar a bola que está quicando na pequena área? Por que não importar políticos? Os nossos deputados, por exemplo, custam 2,15 vezes mais que os americanos e 5,75 vezes mais que os franceses. Certamente os cubanos devem ser mais baratos! E os chineses…? Não podemos esquecer dos chineses!

A Saúde está Doente.

15/05/2012

Este post nasceu de um comentário ao blog “Pensar não Dói”, e, como tal, também é um comentário, uma carta resposta, uma ponte, e um relato sobre como as coisas vão por aí.

Arthur! Veja que historinha! (que parece dissociada de seu último comentário, mas que se abraça com ele em vários aspectos, como verá no final). Dia 4 estava em Torres comprando um telefone no meu importador preferido. Como médico tenho a habilidade (ou o azar) de detectar um desconforto na área cardiovascular, e diferenciá-lo da paranoia presumível nesses casos, com certa antecedência. Percebi que virar presunto num banco de praça em Torres não seria um forma muito honrosa de empacotar. Em 80 minutos o Jaime me teletransportou para a emergência do Instituto de Cardiologia, onde fique 5 dias na UTI e fui agraciado com um cateterismo femural e inúmeros outros mimos que o pudor não me permitem relatar, mas que me mantiveram no mundo dos vivos. Tudo isso foi uma merda, mas o final feliz e as atitudes dos caras certos produziram resultados positivos. Fui o penúltimo paciente a ingressar no IC-FUC e, logo após, o setor foi fechado por 3 dias – por absoluta falta da capacidade hospitalar em absorver mais casos – e isso aconteceu em todos os hospitais de Porto Alegre nos dia 5, 6 e 7. A título de curiosidade: fiquei hospitalizado uma noite – ou sendo faturado pela contabilidade da Unimed – numa dança das cadeiras no setor de emergência, por que o número de pessoas era maior do que o número de cadeiras, e por que não havia leitos – uma desculpa funcional, mas não moral.

Vamos equacionar o problema: a cidade de Porto Alegre teve um aumento populacional, e consequentemente de potenciais usuários da rede hospitalar. A rede hospitalar não cresceu na mesma proporção, embora as maquiagens nas reformas nos queiram fazer pensar o contrário. Os convênios de ponta (e citemos apenas a Unimed e a Goldencross) continuam vendendo os seus planos e oferecem médicos, laboratórios, serviços de radioimagem computadorizada, inovações futuristas e hospitalizações com requintes de hotelaria de primeiro mundo. Esses serviços são cobrados dos novos clientes, que acreditam que vão receber o prometido – como naquelas correntes milagrosas em que você manda um real para o último nome da lista e quando o seu nome chegar lá você vai receber 100 mil reais. No entanto, quem deve oferecer o serviço é aquela mesma rede hospitalar que fecha as portas porque não tem como absorver a demanda. E teremos uma copa, e uma olimpíada, e invernos com toda a gama de doenças respiratórias da estação. Parece que está sendo vendido muito peixe que ainda não foi pescado. A rede hospitalar existente faz o que pode. E nessa área, qualquer grupo profissional que tentar quixotescamente aumentar a capacidade de leitos cometerá suicídio financeiro, se não contar com a participação do capital privado e do apoio público. Só não vê quem for cego ou cúmplice.

Soluções que estão sendo propostas ou efetivadas, mais ou menos com aquela objetividade de quem vai à farmácia pra comprar picanha : Estudar uma proposta de aumento da capacidade dos aeroportos. Estudar uma proposta de aumento do contingente policial nas ruas. Melhorar e ampliar a rede hoteleira. Salvar bancos falidos. Obter um habeas corpus para o Cachoeira. Melhorar os estádios. Fazer alguns acordos temporários, por baixo da lona, com a traficância. Pintar a fachada das casas nos locais em que os ingleses podem passar. Liberar a cerveja. Esconder os pobres. Matar cães vadios. Ou vice-versa. Liberar a cerveja. Encurtar as saias e aprofundar os decotes. Varrer as ruas. Sorrir para os turistas. Montar foguetórios nas vizinhanças dos hotéis dos hermanos. Liberar a cerveja (acho que estou me repetindo)! E não dar muita importância para a questão da saúde, pois dor de barriga dá e passa. E se não passar e a coisa for realmente grave o paciente morre. E se morrer vai ser um a menos pra reclamar.

Como insinuei na introdução vou postar o comentário, pois dizem que o eco pode ser ouvido duas vezes.

Papai! Quando eu crescer quero ser um juiz corrupto aposentado!

13/05/2012

Este post nasceu de um comentário ao Blog Brasil dos Absurdos , por isso é um post, uma carta, uma resposta, e uma ponte.

Caro Declev (a propósito estive em “Quem é Declev?” e quero parabenizá-lo por seu status intelectual, que deduzo, do conteúdo de muitos dos comentários em seu blog, não foi devidamente considerado).

Cabe aqui a notícia: “O teto pago pelo INSS para os aposentados da iniciativa privada, conforme publicado no Diário Oficial da União, subiu para 3.912,20 reais mensais em janeiro de 2012.” O que a notícia não diz é que isso vale apenas para os mortais. Omite os conhecidos desvios, bovinamente aceitos por todos nós, e que valem para os que estão fora da privada, nos aproveitando da homonímia que a notícia proporciona.

Cabem aqui dois exemplos para estabelecermos um paralelo: Sou um médico aposentado compulsoriamente, após uma revascularização cardíaca, com os rendimentos estabelecidos pelo INSS em 2.535,06. O Sr juiz federal Weliton Militão dos Santos (vide operação Pasárgada), afastado por corrupção, também foi aposentado compulsoriamente por seus pares, com rendimentos iguais à remuneração integral dos imor(t)ais daquela esfera: algo, hoje, em torno de 31.000,00 reais mensais.

Conclusão possível (que quase poderia ser considerada um silogismo se não fosse um piada trágica): Enfartar é crime e a corrupção deve ser premiada.

Já dizia o profeta Manoel Bandeira: “Vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amigo do rei.”

Nossos estudos (os meus e o do Militão) não podem ser comparados em termos de tempo, esforços e dedicação. São baseados em paradigmas diferentes e movidos por necessidades e objetivos que os colocam muitas vezes em paralelismos conflitantes. Há quem diga que os juízes (pelo menos os íntegros), são fundamentais nas inúmeras questões conflitantes envolvendo os seres humanos. Outros defendem a importância dos médicos, onde a integridade também é um quesito básico, na tentativa de minimizar o sofrimento dos seres humanos. E aproveito para deixar um recado aos defensores daquela proposta simplista: “Não seja invejoso, estude, passe num concurso público, e deixe de reclamar!” Se todo brasileiro fizer isso faltarão médicos, professores, engenheiros, psicólogos, pedreiros, mecânicos, e por aí vai, e sobrarão funcionários públicos, mas sem o público que paga os seus salários. Pelo menos para todos aqueles que sentem a necessidade de trabalhar com algo que lhes preencha a alma e não a mala, o primeiro pensamento não é o que eu vou ganhar, mas de que forma posso participar e ser útil nessa zorra geral.

Não pretendo diminuir a importância dos juízes. Não tenho os elementos e nem a vivência necessária para julgar os problemas que esses profissionais enfrentam na vida. Em contrapartida posso afirmar a total ignorância dos senhores juízes, de qualquer instância, sobre os tipos de dificuldades enfrentadas pelos médicos. E isso se aplicar em relação às outras profissões, e aos seres humanos, e aos seus conflitos, e às suas necessidades… ou, pelo menos, é o que podemos deduzir da falta de sensibilidade expressa nas relações desse poder com o povo.

Em tempo: Com o objetivo de escrever um post para o “Cágado Xadrez” entrei em seu blog procurando informações sobre os ganhos de um juiz aposentado. (Dor de cotovelo depois de 5 dias de UTI para um cateterismo, e sendo vizinho de box de um juiz com uma mentalidade de ostra). Resolvi fazer um post do comentário e vice-versa. Um abraço e boa sorte em sua cruzada.

O símbolo não é tudo, mas o que ele simboliza é significativo…

22/10/2011

O símbolo não é tudo, mas o que ele simboliza é significativo… O caduceu símbolo da medicina era um bastão de madeira com uma cobra enrolada. Assim era o cajado de Asclepio, deus grego da cura, que os romanos traduziram como Esculápio.

Quando os estadosunidenses entraram no teatro civilizatório fizeram alterações na simbologia greco-romana e, nas várias guerras em que se envolveram, os indivíduos que trabalhavam no “Medical Department” (daí MD) carregavam na jaqueta, como insígnia, uma haste com duas cobras enroladas encimada por um pequeno globo e um par de asas abertas. E este símbolo hoje é usado, equivocadamente, como sendo o da medicina.

Porém o símbolo substituto adotado pelos americanos é o caduceu do deus Hermes (Mercúrio) e representa uma outra profissão, o Comércio, que embora seja nobre, e ocupe um lugar fundamental nas relações humanas, permite todo o tipo de interpretação quando relacionado com a atividade que no ocidente tem o grego Hipócrates, um asclepíade ateniense, como pai.

Ou talvez  os médicos que aceitaram a americanização da simbologia estejam, inconscientemente, demonstrando que hoje a medicina é considerada um comércio e estão se lixando para a troca dos símbolos simplesmente por que isto os satisfaz.

 

 

A apendicectomia

23/11/2010

Vou trocar os nomes e os lugares para não ferir suscetibilidades.  O Hildebrando sofria de flatulência. Sofria e sofre, pois, pelo que sei, ainda está vivo. Consultava freqüentemente reclamando das dores abdominais causadas pelos gases. Tomava uma Dimeticona e ficava bom até engolir o próximo porco do focinho ao rabo, mas não estava convencido de que precisava se cuidar na alimentação.

Um dia ele veio consultar por outra razão e eu, quando já fazia a receita, perguntei: “E daí, seu Hildo! Os gases não lhe incomodaram mais?” E ele, meio no deboche e insinuando a minha imperícia como diagnosticador, disse: “Era pênis inframado, dotô! Fui no dotô-operadô do Distrito  e ele me distraiu o pênis!” Um pouco chocado pelo oportunismo do colega sobre aquela alma crédula, mas não podendo perder a chance de devolver a zombaria emendei: “Ele cobrou muito?” E o Hildo respondeu: “Novecentos conto.” Então completei: “Novecentos? Mas as gurias da Volta da Lagoa distraem um pênis por trinta!”

Depois de um minuto o Hildo tirou a sua conclusão: “Masintão, se é ansim, o operadozinho tá meio sargado, num é?”