Archive for the ‘Luzes’ category

Como construir uma locomotiva com palitos de picolé e canos de PVC.

04/04/2015

(Edição especial de aniversário do Cágado Xadrez – 9 anos em 10 de abril)

Sempre quis um trenzinho, mas, nos últimos 64 anos, aqueles que tiveram vontade de me presentear, não tinham posses. Então fiz o meu. Numa ação proativa sustentável, bem no espírito do recicle, recrie, reinicie, recolhi canos de PVC, abaixadores de língua, pauzinhos de picolé, tampinhas de frascos de vacina, protetores de agulha de butterfly, fios e arames, e uma grande variedade de pequenos objetos descartáveis que poderiam ser amontoados, obedecendo, naturalmente, a alguns critérios, para produzir uma réplica de uma locomotiva American Type 4-4-0, ano 1872, na escala 1:20, sem o tender. Na coleta contei com a ajuda de várias pessoas, a quem gostaria de agradecer nominalmente, mas o texto ficaria muito longo e afugentaria os passantes, e procurei ser obediente a um comentário de meu irmão Roberto: “Quem fala mal do governo é obrigado a ter um hobby de presidiário para os momentos difíceis.” Estou treinando!

(Se você tem pirações de velejador pode ser que  goste disso aqui!)

Só quem sabe pensar pode descobrir a senha!

15/03/2013

senha Suicida

No dia 10 de abril o Cágado Xadrez completa 7 anos. E para comemorar está postando links para um jogo.

Quem estudou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul entre as décadas de 60 e 70, e enfrentou algumas aulas sonolentas, em que eram necessários artifícios que mantivessem os neurônios em atividade, deve lembrar de um jogo chamado “Senha”. Nele um colega propunha para outro, numa folha de papel, uma palavra oculta composta por 5 letras diferentes entre si. O desafiado tinha que descobrir qual era a palavra em um número de chances predeterminado. A forma de descobrir era dar palpites, igualmente com 5 letras que não necessitavam ser diferentes entre si. Se uma das letras do palpite era igual à da senha, e estava no mesmo lugar que na senha, o desafiador marcava um sinal, geralmente um pequeno círculo com o interior preenchido, ao lado do palpite. Se uma das letras do palpite era igual à da senha, mas não estava no mesmo lugar que na senha, o desafiador marcava um sinal, geralmente um pequeno círculo com o interior vazio, ao lado do palpite. Pela associação dessas respostas o desafiado tinha que descobrir qual era a senha antes que o número de chances acabasse. Se todas as letras estivessem nos devidos lugares o jogador desafiado recebia como resposta 5 círculos cheios e ganhava o jogo. Se as chances acabassem sem que o desafiado descobrisse a combinação certa o desafiador revelava a senha e ganhava o jogo.

Esse jogo foi muito difundido em todas as faculdades naquela época; eu o conheci em 1970 na ATM-75. Depois de velho e fuçando em outros campos me ocorreu reprisá-lo como um jogo para computador e, na versão atual, me pareceu natural batizá-lo de Winsenha. Em 1990, no fim dos tempos do DOS, usei a linguagem BASIC antiga com um editor Turbo, depois, quando vieram as janelas do tio Bill, desenvolvi um upgrade com um editor Visual Basic. Os códigos estarão disponíveis e poderão ser postados se houver interessados. Como nem sempre é possível encontrar um desafiante desocupado inclui uma modalidade em que o próprio computador escolhe aleatoriamente uma senha a partir de um banco de dados embutido no programa e que contêm todas as 2550 palavras de cinco letras diferentes entre si, e não acentuadas, da língua portuguesa. Por questões técnicas omiti as que contêm o cê-cedilha porque ele não consta, realmente, do nosso alfabeto. Não fiz a opção para o sistema Android, mas roda bem em todas as versões do Windows.

Como no jogo original o objetivo é usar o cérebro e desvendar um desafio através de mecanismos lógicos de associação. Naquela época talvez não passasse de um passatempo lúdico. Hoje, para aqueles que o conheceram (e pela média de idade atual dos que sobreviveram) é uma boa forma de espantar o Alzheimer!

O Cágado alerta que não é responsável pelas propagandas que orbitam os sites de hospedagem. E acrescenta que ficaria feliz com os ocasionais comentários – que são o alimento do blogueiro. Feliz aniversário ao quelônio!

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Hospedei o programa em 3 sites obediente à lógica de que quem tem dois tem um e quem tem três tem um e meio!

Conhecendo o Origami

05/04/2012

 Edição de aniversário
(dia 10 de abril o Cágado Xadrez comemora 6 anos)

Primeira Pata de Romacof

Um dia comecei a dobrar uma folha de papel tentando obter uma pata, ou um ganso, ou um cisne, ou uma figura que poderia lembrar qualquer uma dessas aves, com um razoável grau de semelhança, nunca permitindo uma circunstancial confusão com um galináceo, embora uma simpática tia tenha se esmerado em caretas e dito que detestava morcegos.

De qualquer forma coloco aqui a foto desta minha primeira obra origâmica para apreciação e juízo.

Depois li um livro básico. Em seguida assisti a um filme em que uma pequena japonesa, com extrema facilidade, construía uma estrela de extrema complexidade, e comecei a me aprofundar, não acreditando que aquela atividade pudesse estar limitada somente aos iniciados. Logo meus familiares começaram a cochichar que um novo santo obsessivo havia incorporado em mim, e essa fase, que durou quatro meses, resultou no presente post e em algumas dúzias de origamis modulares que vou mostrar até o final.

O santo já foi embora, mas o estágio com ele foi bastante gratificante. Quem tiver fotos de suas dobraduras e quiser expô-las por aqui é só dizer. Quem quiser dicas sobre o assunto é só pedir.

A história do Origami (“oru”, dobrar + “kami”, papel) (o dia 24 de outubro é o dia mundial do origami)

A origem oriental

Como todas as tradições antigas o Origami tem sua origem envolta em lendas ou conjecturas a partir de fatos históricos isolados. Há os que afirmam que ele nasceu na China há dois mil anos com a invenção do papel, mas não foram encontradas evidências disso. “Zhi”, na China antiga, significava papel, mas o termo se manteve como o designativo para a seda. No Japão era empregada a palavra “kami” (em referência ao vidoeiro, ou ainda “kaba” ou “kan” para as tiras de madeira ou bambu) e a terminologia permaneceu relacionada ao papel ou a um material em que se escreve. Com base nisso alguns historiadores colocam a origem do Origami no Japão antigo, no período Heian (794 a 1185, em Kyoto), e fazem referências ao folclore japonês em que Abe No Seimei (921 a 1005) teria feito um pássaro de papel que, ao ser oferecido ao rei, se transformara num pássaro de verdade. E ainda citam o “tatogami”, um costume já existente no período Heian em que o papel era dobrado de uma forma específica para envolver quimonos. 

Embora na língua japonesa a palavra “kami” seja empregada tanto no sentido de papel como em referência às forças espirituais supra-humanas do xintoísmo, não há nenhuma relação naquela cultura entre a religião e a origem do origami. A ortografia que permaneceu é a mesma, mas a fonética para os dois significados em japonês arcaico é diferente.

No período Heian a expressão “origami-tsuki” significava um papel dobrado, decorado com gravuras, em que era escrito uma carta ou uma relação de coisas ou eventos. Já no período Edo (1603 a 1868) passou a significar o documento de qualificação que acompanhava um objeto qualquer, como, por exemplo, um presente valioso. No Japão da atualidade o “origami-tsuki” afirma  que um determinado produto foi adequadamente avaliado por peritos. Ou seja: um termo de garantia.

Tzuru

O origami, como passatempo ou recurso decorativo em cerimônias, já era utilizado pelos samurais no período Muromachi (1336 a 1573), com o nome de “orisue” ou “oribaka”. O modelo mais popular, avaliando o seu caráter histórico, sem sombra de dúvida, é o pássaro “tzuru” (ou “orizuru”), que aparece na padronagem de quimonos já no século XVIII. A mais antiga citação documentada se referindo a atividade origami, como a entendemos atualmente, está num poema de Ihara Saikaku, de Osaka, de 1680, em que são descritas as borboletas obtidas pela dobradura do papel (ainda usando o nome “orisue”), utilizadas nos simbolismos de um casamento. Um origami modular em forma de cubo, chamado “tamatebako”, é retratado nas gravuras do Ranma Zushiki de 1734. As dobras para obter um “senbazuru” (mil tzurus) são descritas por Akisato Rito em Sembazuru Orikata de 1797. No entanto, a palavra origami só passou a ser o termo popularmente designativo de dobradura de papel mais recentemente, no período Showa (1926 a 1989), no reinado do Imperador Hirohito.

Outras origens

Em meados do século XIX o pedagogo alemão Friedrich Fröbel desenvolveu um sistema de ensino para crianças em que empregava princípios da dobradura em ludoterapia. O fato é que as distâncias e os longos períodos de isolamento político fizeram com que o intercâmbio cultural só recentemente fosse restaurado. Como conseqüência houve um desenvolvimento em paralelo, mas de forma totalmente independente entre o origami oriental e a dobradura européia.

Atualmente as descobertas de cada lado se misturam o que aponta para um rico confronto. As novas tecnologias na fabricação de papéis e padrões permitem novas possibilidades. A internet transporta os modelos não de mão em mão, como antigamente, mas numa grande velocidade. As pequenas improvisações individuais, que cada origamista vai desenvolvendo, pelo natural método de tentativa e erro, promovem evoluções muito mais rápidas em conseqüência da rápida troca de informações.

O “tzuru” migrou para a Europa nos primeiros anos da era Meiji (1868 a 1912). O Filósofo espanhol Miguel de Unamuno (1864 a 1936) fez muitos modelos do que denominou “la pajarita” (pequeno pássaro). E até hoje, na Espanha, este é o nome dado ao origami. Assim, até 1950, o origami era conhecido por “papierfalten” na Alemanha e “paper folding” nos países de língua inglesa. O Origami atual é fruto do intercâmbio cultural entre Oriente e Ocidente; sendo um híbrido basicamente japonês-europeu.

O origami moderno

Uchiyama Kosho

Tradicionalmente as dobraduras e as formas produzidas eram passadas adiante anonimamente. Não havia uma relação entre a obra e a pessoa que a criara. No origami moderno, a partir do fim do século XX, o paradigma foi invertido. As seqüências de dobradura passaram a ser consideradas modelos desenhados por um criador de origamis. Uchiyama Kosho (1912 a 1998),  foi o precursor desse modo de pensar. Os origamistas começaram a partir da premissa de que a idéia é uma propriedade particular e passaram a patentear os seus modelos.

Na moderna origamia o diagrama que representa a seqüencia de dobraduras para se alcançar um modelo ganhou importância, pois representa o próprio origami de uma forma esquemática e reproduzível. Alguns puristas enfatizam determinadas regras como dobraduras a partir de uma folha quadrada, sem cortes, ou uso de cola, e insistem na regra básica de que para fazer um origami não é necessário nada além de um papel de origami, ou de várias folhas do mesmo tamanho, no caso dos modulares.

Em meados do século XX um grupo de origamistas de várias nacionalidades (Yoshizawa Akira, Takahama Toshie, Isao Honda, Robert Harbin, Gershon Legman, Oppenheimer de Lillian, Samuel Randlett, Vicente Solórzano-Sagredo, entre outros) promoveu a popularização da atividade, fundando organizações, publicando modelos de vários designers, adotando como padrão o método de notação para diagramas de Yoshizawa Akira (1911 a 2005), e transformando o termo origami num designativo universal para a atividade.

A matemática

Peter Engel

Todo origami começa com uma superfície bidimensional, geralmente quadrada, e muitos modelos, que posteriormente irão evoluir para formas completamente diferentes, em suas dobraduras iniciais terão formatos iguais. Estas fases do design que são comuns a vários modelos são chamadas bases. Origamistas modernos (como Uchiyama Kosho na década de 30 e Vicente Solórzano-Sagredo na década de 40) organizaram estas bases de acordo com uma análise geométrica. Observaram os vincos que permanecem no papel ao ser desdobrado e abriram o caminho para o surgimento de novas bases. Maekawa Jun e Peter Engel deram atenção especial às figuras geométricas do padrão vincado do papel desdobrado, e a partir delas reinventaram vínculos projetando novos modelos antes das dobraduras terem sido efetivamente feitas.

Esta teoria evoluiu para uma dimensão matemática e novos modelos foram desenvolvidos por Meguro Toshiyuki, Kawahata Fumiaki, Robert Lang, Max Hulme e Neal Elias e outros. Foram criados algoritmos que avaliam as possibilidades no padrão de vincos de uma determinada base e feitos programas de computador que auxiliam o designer a projetar novos modelos.

A arte

Yoshizawa Akira

A palavra “origami” vem de oru (dobrar) e kami (papel). Assim, origami é papel dobrado. No entanto o origami não pode ser reduzido ao papel, à dobradura, e à obtenção de um determinado modelo, a partir de formas geométricas simples. Muitas figuras do período Edo baseiam-se nas características físicas do washi (papel feito basicamente a partir da casca de arroz). Não é possível fazer um “Catfish”, ou “Water Lilly”, ou “Sembazuru” com papéis ocidentais sem rasgá-lo. Além disso, a filosofia por trás do origami não está centrada unicamente em produzir uma forma, mas no ritual, na cerimônia, e na intenção inclusa na confecção daquela forma. Quem faz um origami expressa algo além da mera modelagem. Desde os anos 50, Yoshizawa Akira afirmava que o origami é uma arte e influenciou a moderna origamia. Ele transcendeu a realidade representada em seus objetos e procurou colocar expressão emocional em suas obras. Yoshizawa inovou molhando o papel para amolecer suas fibras antes de dobrar, e cortando as bordas do papel. Alguns origamistas usaram várias camadas de washi tingidas e criaram formas únicas. Uchiyama Kosho e Michael La Fosse também demonstraram que a escolha do papel e a versatilidade são importantes na origamia moderna.

Eric Joisel

Vincent Floderer

Hoje a modelagem avançada é um atributo exclusivo de designers e aficionados. A cada dia fica mais difícil acompanhar um CP (“crease pattern” – padrão de dobras), base das criações modernas. Há diagramas e análises de vincos muito pouco acessíveis. Na origamia artística moderna a reprodução lúdica, por observadores sem o devido talento, passou a ser uma atividade com tendências ao desaparecimento. Os expoentes nesta arte são Jean-Claude Correia, Vincent Floderer, Eric Joisel, e Giang Dinh.

Origami modular

Robert Neale

Mitsonobu Sonobe

Mukhopadhyay

 Assim como o avançado origami moderno abandonou o critério da peça dobrada segundo um plano e se aproximou da modelagem, seguindo os impulsos do artista, o origami modular (em que peças complexas são criadas pela justaposição de módulos) abandonou o critério de uma única folha, e libera, ocasionalmente, o uso de cola ou amarras para manter a coesão dos módulos.

A primeira evidência histórica de um origami modular aparece (como já foi citado anteriormente) no livro Ranma Zushiki, de Hayato Ohoka, de 1734. O modelo do livro é um cubo chamado “tamatebako” construído a partir de seis módulos obtidos pela tradicional dobradura “menko”, em que cada módulo representa uma face do cubo. Outras estruturas modulares, os “kusudamas”, ou bolas medicinais, apareceram de forma imprecisa no período Edo, e foram redescobertos na década de 60 por Robert Neale nos EUA e mais tarde pela japonesa Mitsonobu Sonobe. Hoje os “kusudamas” se multiplicam em formas e variantes rapidamente se popularizando como elementos decorativos.

O termo kusudama (“kusu”, remédio + “dama”, bola) se origina do uso deste modular, na cultura japonesa, como um receptáculo suspenso para ervas aromáticas ou medicinais. Atualmente eles são usados como elementos decorativos no festival Tanabata Matsuri (Festival das Estrelas) que acontece em julho na província de Miyagi, e como balões para serem partidos em comemorações específicas quando recebem o nome de “waridama”.

Os origamis modulares podem ser planos ou tridimensionais, em forma de estrelas, anéis ou poliedros. Alguns se aproximam de fractais como a esponja de Menger. Há uma grande variedade de módulos, a grande maioria como variantes de um Neale ou de um Sonobe que se baseiam no princípio de que cada unidade possui aletas que se encaixam em bolsos dos módulos contíguos, ou em módulos Mukhopadhyay, fundamentados em bases diferentes, que necessitam ser coladas para ganhar estabilidade.

Além dos exemplos e fotos que ilustram o texto resolvi postar algumas fotos de origamis feitos por mim durante a busca pelas informações que compõem o presente texto. Se houver interesse de alguém pelos diagramas necessários para reproduzi-los é só pedir que o Cágado Xadrez terá o maior prazer em fazer a postagem.

Romacof (Sonobe variante Bascetta)

Romacof (Sonobe variante Bascetta)

Kusudamas variados

Kusudamas variados

Kusudamas variados

Kusudama híbrido electra-flor

Mini Mundo

15/09/2011

Há trabalhos de miniaturização que são invejáveis. O mini mundo de Gramado(RS) é “hors concours”. Nada que se diga faz jus ao que se vê naquele lugar. Obedecendo à máxima de que uma imagem vale por mil palavras fiz uma seleção para apreciação e crítica. Bom proveito!

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No mundo da Lua (ou como construir um telescópio refletor newtoniano de 180mm).

26/04/2011

Uma das maneiras de não envelhecer é estabelecer obsessivamente metas construtivas. Afinal! Sempre é possível argumentar com a Deidade quando Ela se aproxima de nós com Seu Dedão Esmagador: “Qual é a Tua, ó Meu? Logo agora que eu estou desenvolvendo este projeto?”

Tomando isto como premissa você vai lembrar que há inúmeras coisas que queremos fazer desde criança, mas o tempo vai rolando e elas nunca são feitas. Pra mim, uma de tantas, sempre foi ver o mais de perto possível a Lua, os planetas, e por aí vai. É claro que há vinte e cinco anos atrás a minha idéia era, em 2011, olhar a Terra a partir da Lua, voltando de Marte, ou de outro lugar qualquer, mas a desaceleração nas viagens espaciais abortou definitivamente esta idéia. O salto ocorrido do Sputnik, em 57, aos ônibus espaciais alimentava este sonho. Alimentava nos loucos que costumam sonhar com coisas deste tipo, é claro. Portanto o “mas-o-que-foi-aquilo!”, ao assistir à explosão da Challenger em 86, foi a exclamação que definiu a brochura total!

Mantendo o foco inicial, usando outros meios, optei por enfiar o olho num telescópio, fotografar e sonhar. Primeiro pensei em comprar um top. E rapidamente desisti da idéia! (Quem quiser saber a razão da minha desistência dê uma olhadinha aqui!) Passei então a namorar a idéia de construir um. Afinal, se a 400 anos Galileu e Kepler haviam se aventurado neste campo por que eu não podia? Além do mais, hoje conto com um sem número de facilitações tecnológicas e ainda com o know-how deles e de várias gerações de malucos da área. Qual a primeira ferramenta que se usa quando se pretende fazer qualquer coisa neste planeta, e da qual não se tem a mínima idéia de por onde começar? Simples! Digite no Google: “Como construir um telescópio”!

Seguindo este caminho, depois de analisar cuidadosamente cada uma das 283 mil respostas, optei por um telescópio refletor newtoniano de 180 mm. Aqui cabem alguns lugares comuns indispensáveis: 1) não existe este tal milagre econômico! (de graça só abraço de mãe); 2) o dinheiro só vale pelo prazer que proporciona! (embaixo do colchão ele mofa, e no banco dá fama ao banqueiro); 3) a relação entre o custo e o benefício deve nortear qualquer empreendimento! (só por que se quer gastar não é necessário ser um perdulário); 4) não é possível dar ajeitadinhas com instrumentos óticos de precisão! (ou seja: milímetro é milímetro e gambiarra fica bem em galinheiro); 5) há coisas e peças que você não sabe fazer e há pessoas que sabem fazer! (assim como o inverso também é verdadeiro); 6) não há vergonha alguma em pedir conselhos! (e além do mais o caminho já trilhado é mais liso).

Neste balaio podemos encontrar na internet verdadeiras jóias que ensinam como se faz um espelho parabólico aluminizado ou uma ocular ortoscópica de 5 mm. Sem o menor pudor! Newton que se rebolque no túmulo.

Assim mantive um contrato de espera com o Criador por três meses. Descobri que é possível reduzir o custo do sonho adaptado em 75 a 80%. Que há pessoas honestas por aí, que vendem lebre por lebre, e outras dispostas a repassar aquilo que aprenderam. Que desenvolver um projeto, superando cada tropeço e vendo a idéia tomando forma, é muito mais gostoso do que comprar a coisa pronta. E que estudar um pouco de história, um pouco de astronomia, e um pouco de ótica não faz mal a ninguém (assim como deixar baixar um santo marceneiro e serralheiro não mata ninguém).

Para os que quiserem se aventurar nesta praia aqui vão as dicas:

Dois links interessantes em resposta à pergunta “como construir…”:

http://www.turminha.com/index.html

http://www.ceusemfim.kit.net/Constru.htm

E-mail do Henrique, de quem se pode comprar acessórios óticos de boa qualidade:

starnew.telescopios@gmail.com

Link do Eduardo,  o cara que fornece o kit de espelhos necessários na construção de um telescópio. O Edu é dono de um raro profissionalismo e de uma astronômica paciência expressa na infinidade de e-mail que troca com os neófitos, respondendo às perguntas mais idiotas:

edutelescopios7@yahoo.com.br

E é claro, via oráculo, digo, Google, é rápido descobrir programas que lhe permitem saber em tempo real a posição das estrelas, planetas, aglomerados, galáxias, satélites artificiais e naves espaciais alienígenas já mapeadas. E aquilo que o Google não sabe o Edu sabe.

Depois do record de visitas ao post “Como construir um barco com palitos”, atribuível à cobertura fotográfica (já que ler figurinhas é mais fácil do que ver textos, ou será o contrário?), reaplico a fórmula na expectativa de que “No Mundo da Lua” seja interessante aos passantes.

   

   

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

Como construir um barco com palitos.

07/04/2011

Dia 10 de abril o Cágado Xadrez completa 5 anos de vida. Parabéns pra ele. Este quelônio agradece aos mais de 19 mil visitantes, aos comentaristas simpáticos e antipáticos, e aos nove leitores que assiduamente  fazem comentários ocasionais sem os quais o blog já teria morrido. A saber: Alan, Arthur, Clarice, Franci, Jaime, Lya, Mauro, Mônica e o Político Anônimo. A sugestão deste post em especial partiu de algumas pessoas que me querem bem e apreciam as meus hobbies de presidiário. Não haverá edição especial de aniversário no dia 10. Neste dia espero receber comentários de presente!

Um dia na praia, há 8 anos, uma linda e rebolante moça seminua comeu um picolé e jogou fora o palito bem aos meus pés. Meu senso crítico obsessivo imediatamente pegou o palito para dispensá-lo no local apropriado. Mas o santo de plantão analisou a madeira do palito e observou: “Pena jogar fora esta madeira… quanta coisa é possível fazer com ela!” Meu genro Theo, o interlocutor naquele momento, perguntou: “Por exemplo, o quê?” E o santo, talvez motivado pela praia, pelo mar, pela brisa que gentilmente nos acariciava, respondeu: “Por exemplo, um barco!” Então Theo disse a palavra mágica: “Duvido!”

O santo fazedor de barcos grudou em mim por 101 dias. Neste período me ajudou a coletar palitos de picolé, palitos de dente, palitos de fósforo, espetos de churrasquinho, abaixadores de língua de uso médico, espátulas ginecológicas de Ayre, baguetes de janela, e outros pauzinhos e lasquinhas normalmente desprezados após um uso efêmero. Assoprou constantemente aos meus ouvidos as soluções para dificuldades técnicas que pareciam insolúveis. E deu no que deu. Como uma imagem vale por mil palavras e podem ser comentadas de mil maneiras mais do que se comenta uma palavra, daqui pra frente passo a contar a história em fotos (quase todas tiradas pelo homem da palavra mágica).

  

   

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

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Se suas obsessões estão mais relacionadas com a terra e trens você se sentirá melhor aqui  !

Megan Fox

11/12/2010

Para quem curte desenho digital vai este link.  É para curtir o processo mas nada impede que se dê uma olhada na Megan também. Arte de Stephanie Valentin.