Archive for the ‘História’ category

“Liberté, Egalité, Fraternité”

02/04/2016

As palavras “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, verbalizadas dentro de um contexto histórico tenso, mergulhado em conflitos, que não atendia à vontade e aos interesses da maioria, tornou-se o lema da Revolução Francesa, que rompia com o modo de pensar da época, e expressavam o ideal a ser perseguido pela nascente República Democrática.

No entanto, como ainda hoje elas são tomadas como slogan toda vez que uma democracia balança, cada uma das palavras pede uma reflexão, para que esses conceitos não passem de uma bandeira inútil que se pretende fincar numa terra inatingível. É necessário que todos os elementos que compõem a sociedade moderna, sem distinção social, cultural, ou econômica, entendam o significado de cada uma daquelas palavras. Ou isso, ou elas nada significam.

Alguns ainda confundem liberdade com a liberdade total, sem limites, que nega o espaço alheio, embora a velha máxima que coloca a liberdade individual como um território limitado pelas liberdades daqueles com quem interagimos, seja um conceito filosófico primário e inquestionável.

Nesse quesito evoluímos muito, mas ainda há pessoas, de qualquer idade, vivendo como escravas, ou chantageadas, ou pressionadas, ou sem voz, ou sem representatividade, ou sem direitos… e aqui podemos notar que o conceito de liberdade se confunde com o de igualdade! Se realmente todos fossem iguais perante a lei, não poderíamos dizer que há pessoas que não são livres porque os seus direitos não são respeitados.

O fato de quase todos entenderem o sentido e os limites da liberdade não equivale dizer que todos entendem o sentido de igualdade!

Na verdade, a igualdade ampla não existe. Na prática as pessoas não são iguais! Duas pessoas quaisquer são diferentes em todos os aspectos em que dois seres humanos podem ser diferentes, mesmo que sejam gêmeos idênticos. Entre as populações que somam os sete bilhões existentes no planeta há abismos socioculturais e econômicos e, se entrarmos no âmbito das escolhas individuais, as diferenças podem somar sete bilhões.

Então, quando falamos de igualdade deve ser de outra coisa que estamos falando, pois todos nós somos diferentes e nunca vamos deixar de ser. Aliás, essa desigualdade é um dos fatores necessários e fundamentais no jogo combinatório que permite tanto a evolução como o desenvolvimento da espécie.

A igualdade citada no slogan diz respeito a duas palavras, que, combinadas, também são senso comum, também negado pelos mesmos que entendem a liberdade como algo sem limites, e que quase chegam a ser uma redundância do conceito de liberdade: direitos e deveres.

Dizer que todos têm diretos e deveres é como fazer eco aos que dizem que a liberdade é limitada pela liberdade do outro. As duas coisas são a mesma coisa. Se cada um respeitar o direito do outro e cumprir o seu dever, os dois serão livres. Se os dois exercerem a sua liberdade sem ultrapassar a liberdade do outro, os dois serão iguais.

Na prática a sensação de liberdade-igualdade é bastante difusa e nem sempre perceptível, pois as grandes populações necessitaram de classes gerenciais, e, ao “contrata-las”, segundo os mecanismos próprios das democracias, aceitaram a tutela dessas classes. E, no regramento do convívio de tantas pessoas tão diferentes, para que elas se sintam livres e iguais, observamos que aqueles que fazem as regras se protegem, passando a dosar a liberdade para os outros, mas mantendo limites bastante elásticos para si próprios, numa distorção do significado de democracia e da universalidade dos deveres e direitos. Logo, a sensação é de que não existe essa igualdade cantada, o que compromete também a liberdade, já que ambas são indissociáveis.

Qual são os direitos e os deveres de um Grande Homem? Qual são os direitos e os deveres de um João Ninguém? Não confundindo liberdade com o desejo de tê-la, podemos considerar que os limites da liberdade de um são exatamente os mesmos limites da liberdade do outro. Já os direitos de ambos são modificados pelos atributos agregados a cada um, mesmo não desrespeitando a liberdade do outro. O Grande Homem pode possuir um bem graças a esses atributos, enquanto o João Ninguém não pode. Mas não podemos dar a todos as mesmas posses e não podemos tirar as posses de quem já as tem, da mesma forma que não podemos respeitar a liberdade de uns desrespeitando a liberdade de outros. A uniformização, ou a tentativa de persegui-la é um processo impossível a curto e médio prazo para essa espécie, pois dentre os atributos avaliáveis para cada indivíduo precisamos levar em conta inúmeros fatores imateriais tais como merecimento, capacidade e aproveitamento… Não adianta tirar metade dos pincéis de um pintor para dá-los ao vizinho que não tem pincéis se o trabalho do vizinho é desentupir fogões. A única coisa que permite um equilíbrio razoável até esse ponto é a aceitação tácita que cada um tem de suas limitações. Os direitos que cada um requer para si costumam estar suficientemente enquadrados numa visão realística das próprias perspectivas.

Já quando falamos em deveres a percepção é diferente! Parece evidente que, em consequência das desigualdades, os deveres do maior são igualmente muito maiores. Aqui algumas correntes pensam assim: quem mais têm mais deve dar, quando não é possível dizer: quem menos tem mais deve tirar, pois o ter é também reflexo do esforço para ter e até que se prove que o ter é imerecido ninguém pode determinar uma regra que uniformiza a posse sem uniformizar  o merecimento. Mas podemos dizer assim: quem mais pode, mais deve. Quem pode muito tem obrigação de entender as necessidades do menor, tem obrigação de ensinar ou promover o ensinamento, e tem a obrigação de promover a fraternidade. Enfim chegamos ao conceito mais difícil da tríade de palavras que compõe o lema tão gritado: Liberdade, Igualdade, e Fraternidade.

Sabemos que frequentemente a fraternidade não é exatamente fraterna mesmo entre irmãos, ou entre familiares muito próximos, mesmo com todo instinto do “gene egoísta” que nos incita a defender a própria carga genética, ou ao entorno, com o qual a nossa prole tem possibilidades de coexistência. Mas, por outro lado, contrariando a animalidade latente do ser humano, observamos indivíduos abandonando sua zona de conforto e se engajando em programas do tipo Médicos Sem Fronteiras. No contexto, são contradições! Há pessoas que tentam ajudar desconhecidos do outro lado do planeta. Há populações corroídas pela fome e pelas doenças que contam com essas contradições. Percebe-se que esse tipo de fraternidade é de uma qualidade mais sutil. Ela nasce de uma bondade que não é comum a todos.

Mas quando falamos da fraternidade do slogan falamos de um outro tipo de fraternidade. Assim como a igualdade é um desdobramento, um pouco mais refinado, da liberdade. A fraternidade nasce do reconhecimento de um dos parâmetros da igualdade: o cumprimento do dever.

Podemos até decretar a partir de agora: a liberdade e os seus limites estão definidos legalmente. Da mesma forma, os direitos, embora não possam ser universalizados, o que seria uma regra utópica, serão enumerados e compreendidos, desde os primários, necessários para que a dignidade não morra, até onde for possível comungar os desejos com a realidade. Mas e os deveres? Eles não são muito bem aceitos pela maioria. A regra geral é a de que deveres são coisas que os outros precisam cumprir. Desta forma parece que enterramos as linhas gerais da aplicabilidade da fraternidade como parte de um lema comum a todos da espécie. Pois a fraternidade exige que haja a aceitação, por cada um, de seus próprios deveres, proporcionais aos atributos já repetidos: sociais, culturais e econômicos.

Aquela fraternidade amorosa ou espiritual é algo que até existe, mas se encontra vários passos a frente do nosso atual estágio evolutivo. Ela não é instintiva. Ela abafa a competição natural. Ela vai no sentido contrário do instinto de sobrevivência. O seu arremedo, ou a fraternidade do slogan, requer que todos sejamos unânimes em respeitar o princípio que diz: temos deveres, proporcionalmente à nossa capacidade, e devemos cumpri-los. Não havendo cumprimento deste princípio, em sociedade, o que vemos não é fraternidade, mas uma tolerância forçada, cheia de remendos, que se rompe frequentemente, e que pode tanto ser ignorada, quando não há choro, ou se transformar em conflito, quando as reivindicações aparecem.

Alguém dirá: mesmo sendo uma tolerância rota, ela deveria ser enfiada goela abaixo, para que tenhamos algo o mais próximo possível da fraternidade. Mas nós não funcionamos assim. Até atendemos a apelos, doe para a Campanha do Agasalho, participe do Criança Esperança, ajude os desabrigados, adote um estudante, e a lista é infinita, mas, lá no fundo permanece o sentimento de que tudo isso poderia ser mais leve se nós vivêssemos num mundo em que todos cumprem o se dever, pois essa é a cola que completa o conceito e gera a fraternidade possível. E parece simples…

Num mundo em que todos cumprem os seus deveres, os direitos passam a ser óbvios, a fraternidade torna-se palpável, e só então poderemos dizer que somos livres ou realmente iguais ou, para os parâmetros humanos, o mais próximo disso possível…  Mas não basta só o João Ninguém cumprir os seus deveres. Ou todos cooperam com o João, ou estamos vivendo uma grande mentira.

Para que serve um ministro?

05/10/2015

O que é um ministro? Se você pensa que é uma pessoa que, por comandar uma determinada pasta do governo, sabe tudo sobre o assunto da pasta que lhe foi atribuída, mesmo que medianamente, esqueça! Isso só acontece muito circunstancialmente. E talvez, no Brasil, essa regra se aplique somente ao ministro da fazenda; mesmo porque o país é um rico laboratório para experiências econômicas e conta com duzentos milhões de pessoas para pagar a conta se a experiência der errado. O que nós vemos são indivíduos tecnicamente despreparados que, inclusive, para o nosso bem, deveriam ficar com suas ministeriais bocas permanentemente fechadas e suas mãos engessadas. Quanto menos falarem ou agirem, mais o país ganha. Que se atenham ao propósito da governabilidade negociada, arrebanhando votos parlamentares comprados, na institucionalização descarada do voto corrupto, onde o que menos importa é a consciência ou as necessidades do povo e sim a manutenção do poder corporativo.

Um caso exemplar é o do atual ministro da defesa, Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil, que já respondeu pelo ministério da Ciência e Tecnologia e que, em 1994, foi autor do projeto de lei que proibia “a adoção, pelos órgãos públicos, de inovação tecnológica poupadora de mão-de-obra”. Traduzindo: nós deveríamos continuar pagando funcionários públicos, mesmo que o tamanho do Estado pudesse ser minimizado por algum instrumento científico ou tecnológico. Esse assunto foi enterrado no buraco das inutilidades depois de ocupar o nosso tempo e o nosso dinheiro por 133 meses de estudos na Câmara. Aldo Rebelo também tentou, em 1999, emplacar uma lei que restringia o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, o que foi deletado, com um click do mouse no link da irrelevância.  E ainda, em 2011, propôs a votação de um projeto de reforma do Código Florestal, que permitiria o cultivo de Áreas de Preservação Permanente e em seguida recuou, sob a acusação de fazer lobby com o agronegócio. Aldo Rebelo também foi ministro dos Esportes durante a copa do superfaturamento e dos estádios padrão Fifa construídos no nada, mas os detalhes disso nós só vamos ficar sabendo quando o FBI espremer Joseph Blatter. E não podemos esquecer que Aldo Rebelo também foi Ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais do Brasil, algo cuja importância, seja ela qual for, deve ser inversamente proporcional ao tamanho do nome. Como se vê, é um curriculum e tanto!

Quando, em 2011, morreu Kim Jong-il, ditador da Coréia do Norte e pai do atual ditador do regime comunista mais fechado e retrógrado do planeta, que brinca com a possibilidade de atirar bombas atômicas nos vizinhos, Aldo Rebelo foi a voz pública solitária que elogiou o coreano morto e o seu governo como promotores da “paz e da amizade”. E agora Aldo é o nosso Ministro da Defesa!

Nessa hora devemos rezar para que sua nomeação seja só para comprar os votos dos parlamentares do seu partido. Não podemos esperar que Dilma tenha escolhido Aldo Rebelo como ministro da defesa por sua performance nos ministérios dos esportes, ciências e tecnologia e aquele outro, de nome comprido. Se isso for verdade, seria um desastre!

Aos amigo do PT

15/10/2014

Alguns amigos reclamaram, no pé do meu ouvido, da expressão “militância desvairada”, usada, noutro dia, em referência àquelas pessoas que ultrapassam suas atribuições no esforço para obter uma vitória política, utilizando métodos que o candidato, talvez, desconheça e até condene. Circunstancialmente, todos os que reclamaram são simpatizantes do partido dos trabalhadores.

Tentei argumentar que eu também posso ser simpatizante de um determinado grupo, embora não tenha obrigação de concordar com tudo que aquele grupo faça. Que achei interessante a entrada de Lula na história do país que, constitucionalmente, me pertence, uma vez que não havia gostado daquela mudança tucana em favor da reeleição. Que depois o meu desencanto ressuscitou com feições petistas quando a maçã apodreceu no colo de Lula e ele não sabia de nada. E por aí vai, na saudável alternância democrática de querer que, de erro em erro, algo dê certo para o país. Mas, confesso, não fui muito feliz na minha argumentação.

Tenho que dizer uma coisa sobre a militância desvairada, ou sobre aqueles que não vão às últimas consequências, mas acreditam piamente, como Rui Falcão, que tudo pode ser feito em nome de um plano maior, de país, pelo bem de todos, inclusive lesar, roubar, desviar e mentir. Não tente apresentar um ponto de vista diferente dos princípios dogmáticos que regem o pensamento dos profundamente engajados. É perda de tempo trocar ideias conflitantes quando do outro lado há somente pontos de fé. Você pode até estar aberto a colocações lógicas que o convençam de que, afinal, você estava errado e tudo pode ser cor-de-rosa nas entrelinhas de um texto jacobino, mas o outro lado nunca estará.

E é impressionante como o rosário das certezas é desfiado conta a conta.

Foi-me explicado que nunca antes, na história desse país, foi tão fácil planejar uma aquisição, uma empresa e um futuro. Tentei dizer que essas coisas são consequências da estabilidade econômica e, tanto quanto me cutuca a memória, começou quando Collor caiu (esse mesmo que agora é senador por Alagoas) e assumiu Itamar Franco, 20 a 24 anos atrás, nomeando um famigerado tucano chamado FHC para ministro da fazenda e sua equipe engendrou o Plano Real. Antes disso, quando o Sarney era o presidente, a inflação ultrapassava os 80% ao mês e o salário devia ser imediatamente consumido em artigos de primeiríssima necessidade sob o risco de, em 30 dias, ser corroído pela metade sem ter sido gasto um centavo. Não havia como planejar nada! O futuro, naquela época, se resumia a um mês, quando havia o que comprar. Lula soube aproveitar o terreno arado e as sementes plantadas, assim como teve a sorte do mercado mundial passar por um período bom das pernas durante o seu mandato.

Também me explicaram que coisas foram construídas, que pontes foram feitas, que estradas foram asfaltadas e que hospitais foram inaugurados, numa lista interminável de benfeitorias.  Tentei dizer que nos governos da ditadura todas essas coisas foram feitas, até num gigantismo exagerado, mas isso não significa que devamos dar vivas ao regime militar. Que muitas das obras daquela época foram, proporcionalmente, mais visíveis e mais úteis do que as do governo atual e que agora, inclusive, está havendo sucateamento de escolas, diminuição dos leitos hospitalares e asfaltamento parcial das estradas, porém com inaugurações integrais, conforme o calendário político. E que nós não podemos nos deixar enganar com essas realizações funcionais propagadas pelos governos. Qualquer um deles! Eles, quando fazem algo que é intrínseco à sua função, o fazem de forma lenta, cara, cheia de furos contábeis inexplicáveis, e nós não podemos esquecer de que estão fazendo apenas a obrigação, ligada ao cargo que conquistaram por desejo próprio e para a qual estão sendo pagos. Até a galinha, quando canta depois de ter posto um ovo especialmente difícil, tem mais méritos.

E por fim me elucidaram sobre os crimes que foram combatidos e sobre os culpados que foram para a cadeia, outra coisa que, nunca antes na história desse país, havia ido vista ou contada. Tentei contra argumentar que isso ocorreu por uma conjunção de fatores alheios às virtudes do governo, que, aliás, tentou negar o problema e blindar os envolvidos, que o judiciário, que não é perfeito, se mostrou razoavelmente isento; que os meios de comunicação, nos últimos anos, evoluíram da notícia de véspera lida num jornal vencido à postagem instantaneamente jogada na internet, tornando muito mais difícil esconder as ilicitudes para sempre; mas nada disso convenceu os meus amigos.

Depois me senti culpado! Que direito tenho de jogar areia na crença dos que acreditam em alguma coisa? Afinal, parece tão confortante acreditar! Embora eu não me sinta desconfortável sendo um descrente. Acho que o modelo político precisa ser continuamente aperfeiçoado. Um dia nós vamos acertar! Essa é a minha única crença na política. Ou talvez seja simplesmente esperança! Um dia, aos encontrões e tropeços, nós temos que acertar, e quando esse dia chegar, a gente continua de olho bem aberto, torcendo para que o vencedor do momento faça as coisas certas, para o nosso bem… e para o bem dele…

Os mensaleiros presos e o revisionismo histórico.

18/11/2013

Quando os dias de hoje virarem história e essa história for revisionada (vide o caso Jango, cuja exumação, no máximo, levará à adição de uma nota de rodapé com a correção da causa mortis), nada mais poderá ser feito para mudar a realidade, justa ou injusta. Os revisores do futuro poderão até concluir que a verdade sobre o mensalão não é exatamente essa que a mídia hoje nos conta e que, pelo calor da adolescência democrática do país, todos engolem com sofreguidão. Alguns acharão estranha a alegação dos Josés, Dirceu e Genuíno, de que são presos políticos! Como assim? Foram presos pelo próprio partido político deles por motivos políticos? (Isso partindo do pressuposto de que realmente serão presos!) Outros olharão velhas fotos e dirão: “Esse que fez uma capa de super-herói com um lençolzinho deveria ser tratado!”. Detalhistas vão analisar os semblantes dos acompanhantes dele e se perguntarão: “Será que ele apenas estava no lugar errado e na hora errada e não soube como cair fora?”. Muitas outras questões poderão ser levantadas. Por exemplo: Se o chefe da quadrilha era o José Dirceu, por que o Valério recebeu a pena maior? Afinal, no total, quanto foi desviado? Quanto cada um deles conseguiu colocar no bolso? Quais os votos que foram comprados e em que votações? Quem piscou (e quanto custou essa piscada) na hora que o Pizzolato fugiu? E será que tudo não passava, como disse o Rui Falcão, de um “projeto de país” que nos beneficiaria e que só não foi alcançado por culpa da língua de trapo do Roberto Jefferson? E ainda: aquela que não consegue calar! Pensem bem e respondam: quem foi o maior beneficiado com a negociata política? De uma coisa estejam certos: essa última não deve ser feita ao Lula, pois ele não sabe de nada!

Só quem sabe pensar pode descobrir a senha!

15/03/2013

senha Suicida

No dia 10 de abril o Cágado Xadrez completa 7 anos. E para comemorar está postando links para um jogo.

Quem estudou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul entre as décadas de 60 e 70, e enfrentou algumas aulas sonolentas, em que eram necessários artifícios que mantivessem os neurônios em atividade, deve lembrar de um jogo chamado “Senha”. Nele um colega propunha para outro, numa folha de papel, uma palavra oculta composta por 5 letras diferentes entre si. O desafiado tinha que descobrir qual era a palavra em um número de chances predeterminado. A forma de descobrir era dar palpites, igualmente com 5 letras que não necessitavam ser diferentes entre si. Se uma das letras do palpite era igual à da senha, e estava no mesmo lugar que na senha, o desafiador marcava um sinal, geralmente um pequeno círculo com o interior preenchido, ao lado do palpite. Se uma das letras do palpite era igual à da senha, mas não estava no mesmo lugar que na senha, o desafiador marcava um sinal, geralmente um pequeno círculo com o interior vazio, ao lado do palpite. Pela associação dessas respostas o desafiado tinha que descobrir qual era a senha antes que o número de chances acabasse. Se todas as letras estivessem nos devidos lugares o jogador desafiado recebia como resposta 5 círculos cheios e ganhava o jogo. Se as chances acabassem sem que o desafiado descobrisse a combinação certa o desafiador revelava a senha e ganhava o jogo.

Esse jogo foi muito difundido em todas as faculdades naquela época; eu o conheci em 1970 na ATM-75. Depois de velho e fuçando em outros campos me ocorreu reprisá-lo como um jogo para computador e, na versão atual, me pareceu natural batizá-lo de Winsenha. Em 1990, no fim dos tempos do DOS, usei a linguagem BASIC antiga com um editor Turbo, depois, quando vieram as janelas do tio Bill, desenvolvi um upgrade com um editor Visual Basic. Os códigos estarão disponíveis e poderão ser postados se houver interessados. Como nem sempre é possível encontrar um desafiante desocupado inclui uma modalidade em que o próprio computador escolhe aleatoriamente uma senha a partir de um banco de dados embutido no programa e que contêm todas as 2550 palavras de cinco letras diferentes entre si, e não acentuadas, da língua portuguesa. Por questões técnicas omiti as que contêm o cê-cedilha porque ele não consta, realmente, do nosso alfabeto. Não fiz a opção para o sistema Android, mas roda bem em todas as versões do Windows.

Como no jogo original o objetivo é usar o cérebro e desvendar um desafio através de mecanismos lógicos de associação. Naquela época talvez não passasse de um passatempo lúdico. Hoje, para aqueles que o conheceram (e pela média de idade atual dos que sobreviveram) é uma boa forma de espantar o Alzheimer!

O Cágado alerta que não é responsável pelas propagandas que orbitam os sites de hospedagem. E acrescenta que ficaria feliz com os ocasionais comentários – que são o alimento do blogueiro. Feliz aniversário ao quelônio!

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Hospedei o programa em 3 sites obediente à lógica de que quem tem dois tem um e quem tem três tem um e meio!

A nossa amnésia e o berço do terrorismo!

10/09/2010

 … Bush filho pegou um pouco do petróleo, pois havia bastante por lá, matou 5 mil americanos e 100 mil iraquianos, e desmontou o Iraque que vinha sendo construído desde o tempo dos Sumérios, há 5 mil anos.

Anteriormente as famílias Bush e Laden faziam negócios e tomavam chá. Enquanto chupavam um petróleo aqui e outro lá as crianças jogavam “War”. No fim dos anos setenta os soviéticos invadiram o Afeganistão com a desculpa de apoiar o governo local. Os Estados Unidos mandaram armas e dinheiro para os rebeldes afegãos para manter o “equilíbrio” na Guerra Fria. Entre esses últimos estava o jovem Osama Bin Laden, que já tinha recebido um cartão vermelho no Sudão por ter investido toda a sua grana num negócio mal visto chamado terrorismo. Ele sofria (e sofre, pois possivelmente ainda esteja vivo) de uma obsessão chamada Jihad, ou “cruzada” islâmica. Quando os soviéticos saíram do Afeganistão em 89, já que aquela guerra sem sentido estava dando um descomunal prejuízo – tanto que foi uma das causas da queda do regime comunista – Bin Laden, transformado num rebelde sem causa, montou uma empresa de terrorismo chamada Al-Qaeda, e se ofereceu para bater em Saddam Hussein que em 90 havia invadido o Kuwait. Bin Laden não ia com a cara de Saddam por motivos religiosos. A justificativa fundamentalista era que o ditador do Iraque não respeitava os ditames do islamismo e estava ocidentalizando o Iraque. Que tragicômica ironia! Mas a Arábia Saudita, o principal país muçulmano vizinho dos kuwaitianos, não aprovava as técnicas utilizadas por aquele rapaz que se apresentava como diretor da Al-Qaeda. E, embora ele fosse saudita, preferiu os serviços dos Estados Unidos, que tinham um canhão mais grosso. Dizem, não oficialmente, que eles também já estavam com a mangueira na mão, de olho no petróleo da região, mas isto já é outra história. Entre não gostar de Saddam e odiar o Tio Sam, Osama fez uma rápida escolha. Os cidadãos muçulmanos comuns, que não apreciam os métodos de Osama, herdaram um exército de guerrilheiros desempregados com o fim do confronto entre os Estados Unidos da América e a falecida União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Estes caras foram treinados durante a vida toda para terem, como única razão de viver, uma fé religiosa sem questionamentos de nenhuma espécie. Nenhum argumento vai impedir que esses fanáticos continuem a querer o fígado de alguém em nome de Allah, que, aliás, é o mesmo Jeová, mas o pessoal ainda não parou para pensar muito nisso. Nem lá e nem aqui. Utilizando este fiel material humano cego a empresa Al-Qaeda administrou e executou vários atentados terroristas, mas seu maior sucesso foi a queda do Word Trade Center quando matou 3 mil pessoas que tiveram o azar de estarem por ali em 11 de setembro de 2001. George W. Bush, indignado e deslumbrado como o poderoso dono do mundo livre, lembrou dos lúdicos momentos que passara com Bin Laden, e passou a caçar o ex-amiguinho de infância em seu quintal, nas montanhas do Afeganistão, onde vivem os Talibãs. Como não o achou, lembrou que um dia papai Bush havia dito que talvez Saddam Hussein tivesse um pum químico mortal, e já que o Iraque era ali perto, para não perder a viajem, invadiu aquele país. Assim Bush filho pegou um pouco do petróleo, pois havia bastante por lá, matou 5 mil americanos e 100 mil iraquianos, e desmontou o Iraque que vinha sendo construído desde o tempo dos Sumérios, há 5 mil anos. Finalmente Bush prendeu o Saddam e o enforcou em 2006 em Bagdá. É bom que se diga que ele não tinha nenhum pum químico mortal. Enganos da vida. Hoje Bush anda a cavalo em seu rancho no Texas enquanto escreve um livro. Osama compra uma arma aqui e outra ali e escreve um livro enquanto espera para ver se fede mais este angu entre os Estados Unidos e o Ahmanijedad. E o pastor americano Terry Jones, um fundamentalista cristão que queria queimar um livro, o Alcorão, voltou atrás depois de receber um párate-quieto do governo. Embora, como sabemos, a cagada já tenha sido feita. Coisas da vida.

O bonito e o feio da copa.

21/06/2010

O que há de bonito nesta copa? O Nelson Mandela! Nunca um homem conseguiu personificar uma mudança e sobreviver a ela. Martin Luther King tentou e foi assassinado, e antes dele Mahatma Gandhi, inspirador de Luther King e de Mandela. (Bonito) Aos 91 anos ele sorri quando as raças se misturam na festa de confraternização (Bonito) embora saibamos que nos bastidores toca uma orquestra podre interessada em pescoços e bolsos. (Feio) Mas o que há de bonito além de Mandela? As cores! não só a branca e a preta, que nem são cores, ou no máximo todas e nenhuma, mas as bandeiras misturadas em roupas, ou poucas roupas, e adereços exóticos, em faces e corpos. (Bonito) As mulheres bem tratadas e com cacife para uma viajem para o país da copa, esculturais, musas, maquiadas, negras, loiras, ruivas, com olhos de todos os formatos e cores. (Bonito) Embora estejam vendo patadas e deslealdade criminosa na grama bem tratada onde corre e ziguezagueia a errática jabulani. (Feio) Com exceção da Alemanha que joga com um time alemão (Bonito) não vi nenhuma equipe que esteja realmente representada por indivíduos de seu país. Os negócios e a miniaturização do planeta gerados pela globalização nos mostram times que defendem os interesses de multinacionais. (Feio) Os brasileiros, tomados como exemplo, já que falamos daqui, moram no mundo, e a bandeira é um pedaço de pano que lembra um nacionalismo remoto. Um amor duvidoso. (Feio) O futebol se tornou um aspecto secundário. A pátria de chuteiras é um artifício de propaganda governamental. Terminada a copa todos os brasileiros voltam para seus países: Itália, França, Espanha, Alemanha, Inglaterra, entre outros, com seus salários em euros ou dólares, onde um Kaká vale uma Honduras, e um Robinho vale uma Coréia qualquer. (Que feio!). Se houver vitória ou derrota o sentimento do brasileiro é irrelevante pois este mora lá longe, do outro lado do Atlântico, num país chamado Brasil.