Archive for the ‘Divergência’ category

Pongo disse:

19/05/2016

 “Pensem um pouco comigo… Todas as indicações apontam para um processo evolutivo-seletivo. E, pelos exemplos que dispomos, esse processo é proativo, progressivo, construtivo e protetor da prole e do genoma. Local e circunstancialmente há desacordos sobre a proteção do habitat, quando interesses individuais sobressaem e nesse momento o substrato sofre, mas, não podemos negar, até criaturas primitivas como os humanos criam fóruns de discussão e procuram acordos que impeçam um suicídio coletivo. Se esse acordar não está acontecendo por motivos altruístas e transcendentais pelo menos está acontecendo por puro instinto de sobrevivência. E este instinto, convenhamos, é fundamental para o indivíduo e para a espécie. Se ele não existisse, ou se todo o processo evolutivo fosse bizarramente destrutivo, a espécie já teria sido aniquilada há muito tempo.

Claro que o fim dos humanos pode acontecer a qualquer momento por motivos variados, como bruscas oscilações do tempo ou da mecânica universal, independentes dos esforços errôneos e indisciplinados dos próprios interessados. Alguém dirá: “Qual teria sido o propósito de nossa existência se isso acontecesse?” E eu pergunto: “Porque deveria existir um propósito?” Mesmo porque, para haver um propósito dessa dimensão, deveria haver uma dimensão propositora adequada, e essa visão subverteria o questionamento aqui apresentado…!

Voltando, podemos pressupor que, se uma catástrofe cósmica não aniquilar os humanos, digamos, amanhã ou em um milhão de anos, o processo (evolutivo-seletivo-construtivo) que envolve a espécie continuará…

Como se sabe o universo é velho, o que lhe confere paciência. Mas, mesmo sendo velho, ainda é, paradoxalmente, jovem. O paradoxo existe somente para os nossos olhos, já que a nossa existência, como espécie, é um piscar de olhos quando a comparamos com o todo.

No desenrolar da história universal aparecerão outras espécies cognitivamente capazes e empenhadas numa luta evolutiva. Um dia, muito distante no tempo, a somatória dos processos evolutivos vai gerar uma consciência que, sob qualquer ótica ou julgamento de um humano atual, seria indistinguível de um deus. Se a espécie humana fará parte dessa somatória passa a ser assunto de uma especulação quimérica sobre esoterismo e mérito. Então poderíamos afirmar, muito, muito retroativamente que, hoje, deus está nascendo, e que, quando o universo atingir a maximização da entropia, como qualquer coisa que se apoie em energia, dizer, num átimo, após uma quase eternidade de observação e análise, sabendo-se, afinal, o princípio e o fim:  “Faça-se a luz!”, para que o ciclo continue.”

 

 

A Epopéia Nefilim e a Origem do Homem

17/02/2012

O texto a seguir, em sua essência, não é meu. Foi compilado há 5 anos de inúmeras fontes escritas que falam dos mitos mesopotâmicos sobre o tempo em que seres interpretados como deuses teriam vivido no planeta Terra. Entre as fontes, talvez uma das principais, encontra-se a controversa obra literária de Zecharia Sitchin, embora muitas coisas que impunemente acrescentei teriam causado desconforto ao recentemente falecido autor. Agora, por ocasião da postagem, observei que esse assunto foi envelhecendo e já é citado em inúmeros pontos da internet. É só você usar uma ferramenta de busca para as palavras que julgar estranhas e conferir. Não vou entrar no mérito da veracidade do que é relatado. Procurei apenas contar uma história a partir das informações que obtive, tendo como base o que foi escrito pelos antigos povos daquela região. Tomei a liberdade de ocasionalmente colori-la com uma terminologia mais moderna, para melhorar o sabor, e, espero, que ninguém a considere como um documento histórico.

A EPOPÉIA NEFILIM E A ORIGEM DO HOMEM    

1)      Os exploradores espaciais – Eridu, a primeira cidade

Os Nefilim chegaram à Terra logo após o período glacial que terminou há 450 mil anos (Estágio de Mindel-Riss no Pleistoceno). Eles seriam originários de um planeta chamado Nibiru (ne-be-ru, “onde os caminhos se cruzam”)(ou quem sabe um portal entre duas dimensões), governado por Marduk, conforme nos informam os textos mesopotâmicos da Suméria e da Acádia, as mais antigas civilizações humanas. (Aqui o Google é prolífico ao definir Marduk tanto como um planeta do mal – confundindo a figura do governante com a do planeta –  como mesclando incontáveis imagens de bandas de roque performático com gosto para visuais satânicos.) (Nibiru, para os desinformados, é o nome do planeta associado ao final dos tempos em 21 de dezembro desse ano – vide calendário Maia). Naquele tempo a humanidade – o gênero homo sapiens – ainda não existia e a história chegou até nós, muito posteriormente, pela narrativa dos próprios Nefilim, aos primeiros humanos capazes de escrevê-la. Esses humanos consideravam os Nefilim como deuses e seus registros influenciaram toda a gênese das religiões do planeta.

Naquela época dois terços da terra firme estavam cobertos pelo gelo, o nível do mar era 180 a 200 metros abaixo do atual, e poucas áreas de clima temperado ofereciam condições favoráveis para a instalação de uma colônia. O local de pouso mais adequado era a planície entre os rios Tigre e Eufrates, na antiga mesopotâmia, onde atualmente fica o Iraque; a temperatura mais amena, a água em abundância e o solo fértil apontavam esta região como uma das opções lógicas, assim como os vales do Nilo e do Indo, mas a presença do petróleo como rica fonte energética de fácil obtenção deve ser sido determinante na escolha. É curioso observar que a palavra Éden origina-se do termo acádio edinu (planície), que por sua vez origina-se do sumério edin (casa dos divinos ou íntegros). (Coisas das línguas.)

A primeira colônia Nefilim foi estabelecida próxima à margem do Rio Eufrates, junto ao pântano que naquele tempo ocupada a região que incluía a foz dos rios da mesopotâmia e boa parte do Golfo Pérsico. Seu nome era Eridu (em sumério e-ri-du significava “casa ao longe construída”; em persa ordu é “acampamento”; em alemão erde é “terra colonizada” assim como em inglês médio é ertha; e ainda, em aramaico, aratha ou ereds é “terra”, em curdo é erd ou ertz e em hebraico é eretz; e por fim o termo earth é, atualmente, “terra” em inglês, referindo-se ao planeta). O Nefilim que chefiou os trabalhos de exploração do novo planeta e administrou Eridu era En-ki (senhor do solo firme), filho de Anu e irmão de En-lil e Nin-ti, que também era sua esposa. Enki designou outros Nefilim para o saneamento dos pântanos e rios, para o cultivo de plantas e melhoria das sementes nativas, para a criação de peixes e outros animais, e para a fabricação de tijolos e construções. O trabalho era executado por um segundo escalão de Nefilim, que os sumérios chamavam de anunnaki. Os registros sumérios indicam que o primeiro grupo de exploradores aguardou 28800 anos pela segunda leva Nefilim. Não sendo possível determinar se os nomes próprios atribuídos às entidades se referiam a indivíduos assombrosamente longevos ou a agrupamentos ou equipes, que, pelos padrões humanos, também seriam extremamente duradouros. Outras correntes apontam com uma solução alternativa para as disparidades temporais apresentadas nos textos sumérios. Segundo essas correntes os Nefilim não teriam vindo do espaço, mas de uma dimensão paralela que periodicamente entra em sincronia com a nossa ocasionando interferências físicas e permitindo a passagem de indivíduos. Se a velocidade do fluxo temporal nessa hipotética dimensão for diferente da nossa teríamos uma teoria explicativa sobre os evidentes contracensos nas datas das reaparições Nefilin. (A menos que eles fossem realmente deuses!) O que não deixa de ser um pensamento interessante e abre um bom campo especulativo para os que pretendem criar um paralelo entre os inúmeros achados inexplicáveis que se misturam em nossa arqueologia e as datações proféticas apresentadas por maias e afins. É só começar a calcular!

2)      A administração de Enlil – O propósito da colonização Nefilim

Há 420 mil anos, no fim do período glacial, chegou à Terra o Nefilim Enlil, o outro filho de Anu, a quem os sumérios atribuíam o papel de principal coordenador da colônia (e que a humanidade passaria a referenciar como o deus criador). Foram estabelecidas as localizações das cidades e instalações Nefilim a serem construídas com o objetivo de servirem como marcos de um espaço-porto na mesopotâmia(*). Começava a segunda fase da exploração do planeta com aumento da população anunnaki e importação de mais equipamento. Enquanto Anu comandava a nave mãe e Enlil assumia o comando da colônia, Enki ganhou outras funções e passou a ser chamado E-a (senhor das águas ou senhor do mundo inferior), ou ainda Bea Nimiki (senhor das minas). A ordem era incrementar a extração de metais para atender às necessidades do planeta Nibiru. No desenrolar da história percebe-se que esta transferência de atribuições gerou um antagonismo entre Enki, o verdadeiro pioneiro, o que organizava as operações anunnaki, e Enlil, que permanecia no conforto do centro de controle da missão colonizadora.

(*) Cidades ou instalações Nefilim que foram destruídas pelo dilúvio (ver mapa):

  1. Eridu – o acampamento pioneiro, a cidade de Enki.
  2. Larsa – (La-ar-sa, “vendo a luz vermelha”) o centro administrativo da missão colonizadora, a cidade de Enlil.
  3. Nippur – centro de controle espacial, onde viviam os anunnaki especialistas em comunicações e os Igigi responsáveis pelas viagens de ida e volta entre a terra, a estação orbital e a nave mãe.
  4. Badtibira – centro industrial coordenado por Nannar, filho de Enlil.
  5. Larak – (La-ra-ak, “vendo brilhante halo”) a cidade dos deuses que não foi encontrada – cuja localização mais lógica seria complementando a linha de pouso Badtibira-Shuruppak-Nippur-Larak-Sippar.
  6. Sippar – o espaço porto, o centro de lançamento de foguetes coordenado por Shamash, filho de Nannar, neto de Enlil e bisneto de Anu.
  7. Shuruppak – centro médico Nefilim coordenado por Ninhursag.

Mapa Mesopotâmia

Enki passou a seu filho Gi-bil (aquele que queima o solo) a “barra de mineração” (um provável banco de dados referentes às técnicas de mineração). Os metais eram extraídos no sudeste africano e levados em ma-gur ur-nu ab-zu (cargueiros para minérios do mundo inferior) para a mesopotâmia onde iam alimentar as fundições de trabalho em metal em Badtibira. Na África a região de mineração era conhecida como A-ra-li (local de brilhantes veios), situada na selva montanhosa da bacia do Zambese onde hoje fica a Rodésia e o nordeste da África do Sul. Os Nefilim construíram em Arali a cidade de Gab-kur-ra (no coração da montanha) onde alojaram os anunnaki que executavam o trabalho braçal de mineração. O motivo primário da vinda dos Nefilim à Terra era a mineração de ouro, prata e cobre, por serem moles, maleáveis, e condutores de calor e eletricidade. O ouro em especial era fundamental na produção de microprocessadores. Mas há registros de que se interessavam também por platina, cobalto e urânio.

3)      A revolta dos anunnaki  – A  criação do adapa adama.

Os textos sumérios fazem menção a 300 anunnaki que permaneceram em órbita ou faziam o transporte espacial como Igigi (astronautas) e 600 que desceram à Terra como trabalhadores. Entre os anunnaki que viviam no planeta, os mineradores de Arali, mesmo contando com ferramentas e máquinas poderosas, eram os que desempenhavam o trabalho mais árduo. O termo sumério kur-nu-gi-a (terra onde deuses-que-trabalham mineram em túneis profundos) ganhou o significado posterior de “terra sem regresso”, tal era o caráter punitivo daquele trabalho. Há cerca de 300 mil anos o cansaço, o desgosto e a revolta levaram estes anunnaki a um motim enquanto Enlil fazia uma visita de inspeção às minas. Os mineiros destruíram suas ferramentas e pressionaram o coordenador para que encontrasse uma solução para o impasse. Foram chamados Anu e Enki e uma assembléia Nefilim foi convocada em Gabkurra.

O relato desta assembléia Nefilim ocorrida há 300 mil anos foi conservada em registros sumérios e é aqui sintetizada porque os fatos que a originaram e suas conseqüências foram determinantes para a espécie humana:

Anu exigiu um inquérito para apurar as responsabilidades. Os anunnaki permaneceram unidos e disseram:

“Cada um de nós declarou guerra! Nós que somos os responsáveis pelas escavações afirmamos que o pesado trabalho que nós é imposto nos mata. Grande é nosso cansaço e nossa angústia.”

Enlil, indignado, fez um ultimato: abdicaria caso os chefes do motim não fossem executados. Mas Anu, ponderado, disse:

“De que nós os acusamos? Suas queixas são justas! O trabalho de todos os dias dos anunnaki é realmente pesado e angustiante. Nós podemos ouvi-los.”

Enki, aproveitando a oportunidade, tomou a palavra na assembléia e disse:

“Nós temos a ciência e o poder para criar um trabalhador primitivo a partir dos seres nativos! Que ele suporte o jugo! Que ele sofra a fatiga dos anunnaki.”

A sugestão da criação de um trabalhador primitivo foi aceita. Ninhursag (aqui chamada de Mami) foi intimada a produzir um adamu (um trabalhador). Enquanto os anunnaki aguardavam, Ninhursag e Enki montaram um bit-shi-im-ti  (“casa onde o vento da vida é soprado” – um complexo biotécnico-hospitalar) para levar a cabo a tarefa proposta. Depois do necessário período (que deve ter sido longo) ela convocou novamente a assembléia e disse:

“Anunnaki! Vocês me incumbiram de uma tarefa e eu a completei. O trabalho pesado já não é vosso… vocês estão livres! Vossa fadiga foi transferida para o trabalhador que criei. Já existe um adapa (modelo de um terráqueo)!”

Ao que os anunnaki correram e lhe beijaram os pés em agradecimento. Um adapa adama fora criado. Um trabalhador feito a partir de um terráqueo fora criado. O trabalho seria feito pelos seus iguais gerados a partir dele.

Enki já estudava a fauna do planeta há milhares de anos. O homo erectus apresentava-se como um animal passível de domesticação, mas era muito inteligente e selvagem para ser transformado direta e imediatamente num dócil animal de trabalho. O longo e gradativo processo de domesticação através de uma reprodução seletiva ainda não resolveria todos os problemas funcionais se a intenção era que eles fizessem o trabalho dos anunnaki. O homo erectus era inapto fisicamente para usar as ferramentas Nefilim. E seria necessário um cérebro melhor, capaz de compreender a fala e as instruções recebidas, sendo, ao mesmo tempo, obediente para ser útil como servo. Enki optou pela manipulação genética.

Assim, há cerca de 300 mil anos os Nefilim criaram o modelo de um homem original da Terra (adapa), um trabalhador (adama), por manipulação genética, combinando os gens do homo erectus, o hominídeo mais evoluído disponível, com os gens Nefilim. Este ser híbrido foi criado, em todos os seus aspectos externos, à imagem e à semelhança de seus criadores, mas programado para um curto período de vida e sem a capacidade de procriar (sem acesso aos “frutos do conhecimento”).

Os textos sumérios referem que Ninti, a esposa de Enki, teve implantado em seu útero um óvulo de uma fêmea homo erectus fertilizado com material genético de um Nefilim. Assim Ninti gerou e deu à luz o primeiro adama, e este, como modelo, forneceu material para que fossem clonados os trabalhadores requeridos pelos anunnaki. Foram gerados seres que se assemelhavam tanto a machos como a fêmeas (em úteros Nefilim, pelo mesmo processo a que Ninti se submetera, ou por métodos artificiais utilizando incubadoras, tendo em vista a demanda exigida). Os adama produzidos eram todos híbridos e todos inférteis por determinação de Enlil. Os adama criados se destinavam ao trabalho nas minas em Arali, mas os anunnaki da mesopotâmia também exigiram servos. Assim alguns adama foram exportados e passaram a cuidar dos animais, das árvores, e dos jardins em Edin.

4)      O homo sapiens e o dilúvio.

O antagonismo entre Enlil e Enki continuou após a solução do problema gerado pelo motim anunnaki. Este antagonismo levou a um novo conflito que definiu o início da civilização humana. Enki, que sempre fora contrário à determinação de Enlil de que os adama fossem estéreis, resolveu interferir com uma solução cientifica para a questão. Não há textos que expressem a causa específica para os acontecimentos ocorridos nos jardins de Edin e registrados pelos sumérios. O fato é que Enlil permanecia politicamente no comando da colônia Nefilim enquanto Enki desempenhava a coordenação dos trabalhos de exploração, mineração, e pesquisa. O mito de Adão e Eva no paraíso sendo tentados pela serpente a comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal foi a versão mais popular que sobreviveu da história original. O termo bíblico nahash (cobra) deriva da raiz suméria que significa decifrar, descobrir, ou aquele que pode decifrar ou descobrir. Enki, o cientista chefe dos Nefilim, o que melhor podia resolver o problema da esterilidade dos híbridos, em Edin, corrigiu a falha original dos adama. Com isto Enki ganhou na versão bíblica a representação de uma serpente, devido ao jogo de palavras e significados, e nascia o homo sapiens como espécie. Havia sido apresentado aos adama o conhecimento do bem e do mal. Os adama ganharam a capacidade de se produzir, já não eram adama, mas Adão e Eva, e “eles viram que estavam nus”. Fora dado um salto sobre os 2 a 3 milhões de anos necessários para transformar o homo erectus em homo sapiens. Criara-se uma lacuna evolutiva e um mistério arqueológico que jamais seria solucionado.

As descobertas na África oriental colocam a transição dos macacos para hominídeos em 14 milhões de anos e situam os primeiros a serem classificados no gênero homo em 2 milhões de anos no passado. O homo erectus utilizado pelos Nefilim há 300 mil anos surgira havia 1 milhão de anos. Uma outra espécie humanóide, a Neandertal, andava pelo planeta quando foi repentinamente varrida do mapa pelo homo sapiens há 35 mil anos. Esses homo sapiens das cavernas receberam o nome de Cro-Magnon, e fisicamente não seriam diferenciáveis do homem atual. Eles vestiam peles, construíam abrigos e armas, viviam em clãs patriarcais e tinham princípios filosóficos e religiosos. Os achados arqueológicos mostram que o Cro-Magnon havia se originado de um homo sapiens ainda mais antigo que vivera na Ásia ocidental e na África há cerca de 250 mil anos. O aparecimento do homem moderno neste momento seria inexplicável do ponto de vista evolutivo sem a interferência Nefilim (ou de um mito qualquer que se assemelhe ao oferecido pela epopeia Nefilin).

Enlil, como forma de punir Enki, fez com que os adama modificados fossem retirados da mesopotâmia e levados para os montes Zagros onde atualmente é a fronteira entre o Iraque e o Irã. Isto ocorreu há 250 mil anos. Neste exílio desenvolveu-se a linhagem inicial do homo sapiens que gradativamente se disseminou para os outros continentes. Dez gerações depois alguns descendentes dos seres humanos banidos de Edin receberam permissão para regressar à mesopotâmia para viverem ao lado dos Nefilim, servindo àqueles a quem consideravam deuses. Segundo os registros sumérios isto aconteceu durante os dias em que Enos (um dos patriarcas bíblicos) viveu.

De 200 mil a 100 mil anos, e de 75 mil anos a 40 mil anos ocorreram novas glaciações durante as quais a população da Terra teve brutais diminuições. Houve um curto período de aquecimento há 40 mil anos e de 38 mil a 13 mil anos ocorreu o último e mais rigoroso período glacial. Nesta época alguns filhos de Nefilim tomavam filhas dos homens como esposas. Os registros antigos apontam Ubar-Tutu, a quem a bíblia chama Lamec, e pai de Noé, como um humano de descendência “divina”, que sob proteção de Ninhursag e Enki, chegou a rei de Shuruppak, a 7ª cidade Nefilim.

Noé, para os sumérios, era conhecido como Utnapishtim, filho de Ubar-Tutu. As indicações são de que a humanidade, nos dias em que Utnapishtim vivia, passava por grande sofrimento em conseqüência da estiagem que se seguira ao último período glacial. As privações atingiam também os Nefilim que não pertenciam à elite, e estes mostravam sinais de degradação, o que incluía todo tipo de permissividade sexual com as mulheres humanas. Enlil, que já se opunha abertamente ao protecionismo dado por seu irmão e Ninhursag a Utnapishtim e sua família, passou a abominar estes relacionamentos, pois via a pureza genética dos Nefilim sendo destruída rapidamente . Os textos sumérios relatam as várias tentativas de Enlil de eliminar a humanidade pela doença e pela fome, e descrevem as ações de Enki em resposta aos apelos de Utnapishtim, curando e alimentando o povo e frustrando os planos do irmão. Enki ria durante as assembléias quando Enlil enfurecido gritava: “Pare de alimentar o povo!”

O fim do período glacial apresentou a Enlil uma impensada forma de aniquilar a humanidade. Aconteceria um dilúvio de grande magnitude. A assembleia Nefilim decidiu ocultar dos seres humanos sua iminente ocorrência e seus efeitos terríveis. A versão bíblica do posicionamento da deidade cristã frente ao destino dos humanos no episódio do dilúvio, adaptada ao posicionamento monoteísta cristão, é cheia de contradições, e coloca a deidade única como ambígua. Os registros mais antigos permitem compreender melhor a história, pois refletem a permanente discordância entre Enlil e Enki. Em assembléia todos Nefilim juraram que guardariam segredo e deixariam os homens a própria sorte. Obrigaram Enki a jurar que não daria aos humanos informações sobre a tragédia que se abateria sobre a colônia e todos os seres vivos.

Quando o dilúvio estava próximo, Enki chamou Utnapishtim à edificação que os humanos consideravam seu templo, e, oculto por um biombo de bambu, contou que uma inundação inevitável iria aniquilar a humanidade em 7 dias (ou num período mensurável de tempo), e lhe deu instruções detalhadas de como poderia construir um barco sem convés e vedado (um sulili, que em hebraico se traduz como soleleth, uma embarcação que pode submergir, ou um submarino) para salvar a si e aos seus, levando os animais, as sementes e os artífices de várias áreas com suas famílias. Enki aconselhou seu protegido de que deveria dar aos outros a desculpa de que construía o barco para sair da mesopotâmia. Iria viver no “mundo inferior” onde encontraria um chão mais fértil, sob as graças de Enki, de quem era seguidor. Com a ajuda de vários habitantes da cidade o barco foi construído e colocado no Eufrates. Enki disse a Utnapishtim que só deveria subir ao barco e fechar as portas quando ouvisse o estremecer dos foguetes de Shamash em Sippar, 180 km a noroeste. Sinal de que os Nefilim estavam procurando a proteção da estação orbital para escapar do dilúvio. Assim fez Utnapishtim. Vieram tempestades colossais e com elas o dilúvio e tudo e todos que estavam no navio se salvaram sem o conhecimento de Enlil.

No fim da última glaciação volumes de gelo de tamanho continental deslocaram-se das massas polares nas calotas do planeta desabando sobre os mares e criaram tsunamis de extrema força destruidora. Isto ocorreu há 13 mil anos. A inundação durou 150 dias. Foi um acontecimento aterrorizante para humanos e Nefilim. Aqueles que os humanos consideravam deuses viram o trabalho de milhares de anos abruptamente destruído, de uma forma muito mais intensa do que todas as expectativas. Do alto da estação orbital os Nefilim amontoados, assustados e famintos, aguardaram o fim do desastre.

Após o dilúvio, quando Utnapishtim desembarcava em terra firme, os Nefilim perceberam que alguém ainda vivia sobre a Terra e desceram ao planeta. Enlil não podia compreender como um homem poderia ter sobrevivido àquela destruição. Um de seus filhos apontou para Enki e disse: “Pergunte a Enki. Ele sabe de todos os assuntos referentes aos humanos e sempre tem seus planos!”

Enki não se furtou à acusação e afirmou que não contara o segredo a nenhum homem, como havia jurado, mas sim a uma parede de bambu em sua casa. Defendeu o valor daquele homem que lutara pela vida usando os meios e conhecimentos empregados. Enki sugeriu a Enlil:

“Já que Utnapishtim demonstrou que não podemos ignorar sua capacidade, cabe agora a nós tomar uma decisão sobre seus direitos”.

Enlil, taticamente se dando por vencido, franqueou o planeta aos humanos.  Os Nefilim auxiliaram os humanos na produção de alimentos, pois da união das duas forças dependeria a sobrevivência de todos. Os Nefilim continuaram a ser tratados como deuses, e ensinaram aos homens os fundamentos que abriram as portas para o domínio de inúmeros campos do conhecimento. A primeira cidade humana foi Kish na localização aproximada de Nippur, onde os rios Tigre e Eufrates se afastam. Os Nefilim acompanharam o nascimento da civilização suméria há cerca de 4500 AC e assessoraram o estabelecimento das primeiras monarquias mesopotâmicas, e nos vales do Nilo e do Indo. Eles continuaram com sua política imperial que mantinha os grupos humanos divididos por interesses ou pela língua, para serem melhor controlados, e suas ações refletindo a personalidade de cada Nefilim. O antagonismo de Enki e Enlil se transmitiu a seus filhos e netos. Os Nefilim partidários de uma raça pura foram gradativamente se isolando, criando seus reinos particulares e exigindo fidelidade de pequenos grupos humanos. Por volta de 3000 anos AC o número de mestiços gerados entre os humanos e os Nefilim já era maior do que o número de Nefilim puros. A raça original vinda de Nibiru estava em franco declínio. E, gradativamente, o Homo sapiens consolidou sua civilização.

O que não deixa de ser uma história interessante! Que aparentemente teve um fim feliz! A menos que em dezembro se abra um novo capítulo, mas aí vai ser uma outra história!

Mandala

10/07/2011

“Afinal! O que é um mandala?” – me perguntou um paciente. Confesso que tive que recorrer ao Google…. e constatei que toda resposta gerava pelo menos duas perguntas, abrindo novas portas que mereciam ser exploradas. 

O mandala é um desenho circular, segundo a premissa sânscrita, com padrões que se repetem ou se espelham, quase sempre simétricos, harmônicos, atraentes, absorventes, onde o centro nos personifica e somos circundados pelo que é o mundo ou a casa simbólica a que pertencemos. Após um determinado período de contemplação, o mandala satura as conexões lógicas feitas pela mente e envolve o observador em inferências e comparações, ou analogias. Por esta razão o mandala também é chamado de chave analógica pelos que o adotam na prática meditativa. Partindo do princípio que o conjunto do sistema cognitivo de um indivíduo utiliza uma parte muito pequena de sua capacidade nos processos vitais e de relacionamento, esta chave analógica busca, no âmago do inconsciente, na porção predominante e não utilizada do sistema nervoso central, a relação do indivíduo com o todo, ou o conjunto universal, ou a unidade cósmica. Deixando de lado a conotação espiritualista deste posicionamento o que se pode afirmar é que a contemplação de um mandala põe o observador num estado de “ver sem analisar objetivamente”, e isto permite que aconteçam flashes de “não-pensar”; instantes surdos ou cegos na constante e saturante receptividade informativa e pragmática para a qual fomos educados. Quem preconiza a observação do mandala pretende que o indivíduo abra o seu inconsciente. Aqui pode haver uma divisão nos objetivos almejados. Alguns apregoam que através desta abertura o indivíduo, num determinado momento, alcançará um estágio em que “estará vazio para poder ser preenchido espiritualmente em busca de uma iluminação.” Outros esperam que a abertura analógica permita que a própria potencialidade inconsciente de cada um trabalhe em prol daquele observador, harmonizando-o, curando-o, ou descobrindo aspectos “energéticos quânticos” que não seriam possíveis através dos sentidos comuns. Como se vê, alguns conceitos citados partem de premissas que por si só abrem outros campos de discussão tais como “iluminação” e “aspectos energéticos quânticos”. Na mistura do que pertence à religiosidade e à física de ponta (que tanto podem ser opostas como enfoques paralelos da mesma coisa) não pretendo por meus pés agora.

Uma pluma solta ao desejo do vento pode ser achada ou ser perdida. Pode pousar no solo e ser pisada, amassada, e misturada ao barro. Pode pousar na mão de um velho e ser avaliada, analisada, e aprisionada no passado. Pode pousar no nariz de uma criança e ser acariciada, assoprada, e devolvida à vida.

Sincronia

22/03/2010

Sincronia é o principal parâmetro para a percepção da vida no universo.

O que existe é a sincronia! Nós vivemos num universo que é um artifício sincronizado. Tentando o deslocamento (e aqui entram os meios, os métodos, o extra-sensorial, e, inclusive, algumas neuropatologias como a esquizofrenia) você entra em outro estado vibratório qualquer, perceptível por uma outra fração dos 90% do seu cérebro que você acha que não usa. Isto pode ser voluntário ou escapar de seu domínio. Este outro estado pode ser um destino premeditado ou uma surpresa qualquer. Você pode andar ou cambalear. Mas sempre será um salto para uma loucura aos olhos de quem não compartilha com você aquela alter-sincronicidade.

O pleno entendimento do que existe fora da sincronia que convencionamos chamar de nossa realidade só seria possível com um total deslocamento. Sem este deslocamento integral, apenas com a mudança do estado vibratório, você salta,  vivencia, mas não consegue entender ou traduzir plenamente o que está vendo do “lado de fora” da sua sincronia. Se tentar equacionar logicamente as percepções sensoriais, para traduzi-las a posteriori, perde o momento vibratório e não salta. Deixando que os estímulos analógicos o atinjam sem entrar no mérito de seus significados naquela realidade, todas as descrições esbarrarão na inexistência de definições adequadas. Haverá um hiato entre o que é visto e a narrativa. Haverá uma inevitável tendência de ajustar as palavras com a sincronia comum e a alter-realidade ficará palidamente descrita.

O deslocamento total, pelos métodos atualmente a disposição do homem comum, não é possível. A nossa sincronia, a que existe entre todos os estados vibratórios, de tudo que nós conhecemos, é necessária para a vida de relação e a compreensão compartilhada dos fenômenos naturais. A sincronia permite a interatividade, e, para o entendimento comum, a própria vida. O inverso seria o caos para o nosso nível de conhecimento.

Se você viajar para Brasília, e tentar se comunicar com os parlamentares da capital daquele belo país, terá uma sensação mais sensível e compreensível do que eu acabei de dizer

O tesouro no baú de Deca.

22/01/2010

              Atravessei rapidamente a avenida, ziguezagueando e fazendo pausas estratégicas, atento para os espaços deixados pelos carros em suas céleres sinas de transportar agressivos homens ocupado-deprimidos. Minha total concentração era alcançar em segurança a calçada oposta. Naquele momento não percebi que escorregava para uma incursão paralela e me vi junto a uma criança sentada no meio fio da calçada. Vestia o uniforme clássico dos mendigos e carregava um pequeno baú soberbamente decorado ao colo; um objeto incongruente combinado com os trajes e a pele suja do menino. Olhei em volta tentando uma identificação espaço-temporal, às vezes possível pelos traços arquitetônicos do lugar. Uma Veneza sem mar? Uma cúpula circundada por quatro minaretes? Havia um cântico lento e triste de barítonos gregorianos lamentando uma derrota para a morte. Na rua carruagens enegrecidas arrastadas por cavalos esquálidos circulavam lentamente. O sol da manhã dera lugar a uma neblina e era uma tarde abafada. As sombras haviam dançado para o outro lado, e neste momento vi que o pequeno mendigo me olhava com uma olhar de quem tudo sabe, marotamente divertido com minha desorientação!

            Uma ponte ou um guia? Os disfarces eram inúmeros e arrisquei: “Uma moeda por uma explicação!”

            Ele fez uma careta de quem está conversando com o maior idiota do mundo e retrucou quase ríspido: “Por quem me tomas ó forasteiro pleno de empáfia? As aparências enganam em Aqui-seja-lá-onde-for! Aqui sou eu quem dá a moeda e ela é a explicação! Faço uma proposta filosófica simples! Tua única opção é aceitar! Se o teu raciocínio for correto ganharás um tesouro que permitirá que vivas a loucura do lugar De-onde-vim. Com o raciocínio errado perderás o tesouro e abrir-se-á a porta para a loucura do mundo a que denominas O-mundo-real !”

            “Qual é a lógica?” Perguntei. “Se ganho, perco e fico aqui, se perco, ganho o direito de voltar para meu mundo! Você está apenas se aproveitando porque percebeu que perdi minhas referências. Qual são suas intenções, menino?”

            E já não era um menino. Era um velho de barbas e cabelos brancos e desalinhados. As mesmas roupas rotas e sujas. Agora era um mendigo velho.

            “Onde foi parar o menino?” perguntei sobressaltado com a abrupta mudança na aparência do meu interlocutor.

            “Eu era o menino!” Respondeu o velho. “Tua demora perdeu o agora! Estou sentado aqui esperando por uma resposta, e quase morri na espera… mas isto não tem importância, pois sabendo de onde se salta é irrelevante a história. Quando for o momento apropriado serei novamente um menino.”

            “Mas como…?”

            “Esqueça isto homem das perguntas lógicas! Comigo não há o perder ou ganhar. Comigo só há a loucura que vale a pena ser vivida. Tu estás do avesso desde o dia em que foste parido e ainda não acordaste para o fato de que o teu conceito de ganho é uma fantasia irreal, e o teu conceito de perda é o conhecimento total.”

            “Loucuras e mais loucuras! Onde está a sanidade?”

            “Nunca ouvi falar desta insanidade!” E o velho riu até ficar sufocado e com os olhos cheio de lágrimas como se aquilo fosse a maior piada já contada sobre a face do planeta. Sentei ao seu lado no meio fio da calçada a espera que a crise de riso passasse. Aos poucos ele suspirou, enxugou os olhos com a manga do casaco, e me encarou de forma mais sorridente. Aparentemente a gargalhada amaciara sua paciência para comigo.

            “Não existe… tal coisa!” enfim conseguiu dizer. “Assim como não existe a realidade, a verdade, a impossibilidade… e a idade. Pode ser um problema de rima! Mas sobre isto podemos divagar pelo resto de nossas vidas se tu ganhares o nosso pequeno jogo.”

            “Não sei se quero arriscar a viver neste mundo tão… tão!”

            “Deprimente? Este não é o meu estar! Aqui-seja-lá-onde-for é apenas um desvio, uma passagem! As respostas para quase todas as perguntas que teu cérebro lavado pode fazer não estariam aqui, podes ter certeza… aqui até existe gravidade! Preciso me lembrar de anotar mais esta para as rimas!”

            “Então, qual é sua proposta!” arrisquei.

            “Bem!” O velho me olhou dentro dos olhos com o mesmo olhar do menino que eu encontrara no início daquela história, e por um momento percebi que ele era realmente o mesmo indivíduo, só que muito mais velho. “Neste baú eu tenho um tesouro, ou não! Este tesouro pode estar aqui, ou não! Ontem ele esteve aqui, e amanhã ele estará aqui! A pergunta é: como este tesouro poderá ser teu agora, de forma absoluta e inquestionável? Se tu pegares o tesouro ele será teu e ficarás comigo, se tu perderes o tesouro, adios muchacho…”

            Pensei: “… que absurdo! Devo perder para poder voltar para meu mundo; que forma torta de ganhar! A resposta certa é que ontem o tesouro estava aqui e amanhã estará aqui. Hoje pode estar ou não. Logo hoje não há certeza absoluta de que o tesouro esteja no baú. Se eu responder que quero abrir o baú agora tenho 50% de chances de estar certo, ganho o tesouro, e fico preso à charada deste louco. Mas espere! Agora não há forma de afirmar de forma absoluta que o tesouro estará no baú. Metade das chances são de que eu não ganhe o tesouro se optar por abrir o baú agora. Afinal, esta pode ser a opção certa! ou não! Que dilema! A menos que… a menos que eu opte por ver o conteúdo do baú no dia de ontem, que não existe mais, ou no dia de manhã, que ainda não existe. Só aqui e agora há 50% de probabilidade de encontrar o tesouro… então a resposta certa é abrir agora! A errada é abrir em tempos inexistentes, mesmo com a garantia de que nestes tempos o tesouro esteve ou estará aqui, pois eu não estou nestes tempos inexistentes, e portanto não posso interferir em seus momentos temporais. Como meu interesse é errar para abandonar este sonho louco devo escolher qualquer tempo com exceção do agora, para não ganhar o tesouro. O agora é o tempo certo, mas o jogo é de errar…! Vou descartar o ontem porque é ilógico demais, vou optar pelo amanhã, pelo qual, em teoria, poderei esperar, ignorando a premissa do: “como este tesouro poderá ser teu agora?” A palavra chave é: agora !”

            Meu devaneio foi interrompido pela voz rouca de um homem ainda muito mais velho. “Devo me reencarnar para esperar tua resposta ou esta mente brilhante já chegou a uma conclusão?”

            “Cheguei!” – Respondi. “Vou sentar aqui com você e esperar até amanhã, pois o ontem não voltará, o agora não me dá certeza absoluta de que o tesouro está no baú, e você me afirmou que amanhã ele estará aí dentro!”

            Em um instante o velho pareceu carregar toda a infelicidade do mundo. “Meu nome é Deca! Já nos conhecemos.” – A lembrança do nome e as circunstâncias do primeiro encontro eriçaram meu cabelo na nuca. “Tu és uma das raras criaturas a quem foi oferecida a chance de mergulhar no universo e recusou. O que é mais triste é saber que tu não desconheces a resposta verdadeira, mas propositadamente optaste por errar para ter a chance de voltar para o teu inferno. Gosto discutível! Só compreensível quando aplicado aos cegos! Não é possível saltar de um lugar onde se esteve um dia! Não é possível saltar de um lugar em que se estará um dia. Só é possível saltar do aqui e do agora. Todas as outras loucuras são irreais. O passado e o futuro não existem. A única forma de acordar é saltar para o desconhecido, sem questionar, do momento presente. Tu continuarás o teu sonho das convenções estabelecidas como verdades…”

            O velho desapareceu num átimo. A buzina irritada e estridente de um Megane desentorpecia meus sentidos. Saltei para a calçada sob os olhares curiosos dos transeuntes semi-anestesiados pelo calor do verão. O motorista baixou vidro e gritou:

            “Tá a fim de morrer, ô, chapado?”

            Ainda penso nas últimas palavras de Deca: “Tu continuarás o teu sonho das convenções estabelecidas como verdades…”

O Debate das Pulgas (2ª parte)

10/05/2009

O lento retorno…

Um dos três, que eram como gêmeos (que depois me disseram se chamar Joaquim!), olhou para aquele meu olho esquerdo, aberto, que observava atento, registrando o desenrolar dos fatos. (O olho acompanhante dos movimentos e atos, sem entrar no mérito se verdades ou  interpretações antropomórficas daquela esfera aconceitual) Então, este, a que me referi, sorriu e disse: “Por que não fecha este olho e dorme?” Respondi (ou pensei e de alguma forma me fiz compreender porque minhas cordas vocais estavam impedidas pelo tubo): “Por que quero ver o processo! afinal, é uma oportunidade única! Estou presente e consciente e ao mesmo tempo sabedor de que morri. E isto se opõe ao meu conceito de continuidade.” A resposta veio pronta: “Então reconceitue ou se convença de que não chegou a sua hora! Vamos! Feche o olho! Facilite o meu trabalho”.

Devo ter piscado! O box era o 23! Um entubado sente muita sede e não há um método estabelecido para comunicar este desespero básico! A anestesia é uma das maiores invenções (depois do velcro e do papel higiênico)! Quando ela acaba o mundo é um dos piores lugares para se viver. Há uma certa dificuldade inicial para contar os tubos,  de diâmetros variados,  que de alguma forma foram introduzidos em seu corpo.  Você se surpreende com a imaginação dos técnicos nesta área! Tente contar os buracos novos. Os abertos e os suturados. Tente dormir! De 30 em 30 segundos você será acordado por alguém lhe injetando algo ou conferindo um sinal vital. Não vão entender sua necessidade aflita por duas gotas de água pingadas em sua boca ao lado do tubo! Esqueça! Feche os olhos como Joaquim pediu. Facilite o trabalho deles. Sempre chega o momento mágico. Ou você finalmente é desligado, ou sobrevive. O tubo é tirado e trocado por um sugador voraz que lhe introduzem pela traquéia até terem certeza que sua alma foi sugada. Como prêmio lhe pingam quatro gotas de água em sua língua. As amarras nas pernas serão mantidas. O destorturar deve ser gradativo para que você não pense que as coisas podem ser transformadas em algo fácil como num passe de mágica. O tempo é um remédio espetacular. Correção: o tempo ganha do velcro e do papel higiênico. Só perde para a anestesia.

De olhos fechados aproveite para “reconceituar”. Fique atento para o diálogo que as pulgas travam, acaloradas, atrás de suas orelhas.

O Debate das Pulgas!

29/03/2009

                                                          

 

Eu não acredito! Você pode até acreditar! Mas eu estava lá e os elementos matemáticos desenhavam-se paradoxalmente nítidos e indeterminados para se chegar a uma conclusão definitiva. Dirão: “você não tem fé!” É. Tenho fé que talvez esta seja uma ponderação exata.

 

Eu estava fora! Fora! Do lado de fora daquilo que o conceito humano convencionou estar aqui! Alguns dirão: “você só apagou! É o mesmo que Juan fazia com Castañeda! Uma viagem! Uma peiotada hospitalar”. Até isto é possível!

 

Eu estava de peito aberto. Literalmente! Enquanto mãos hábeis revascularizavam um coração hipotérmico e uma máquina incógnita movimentava meu sangue para que a isquemia não se generalizasse.

 

Eu estava nu. Deitado no chão. Foi imediato como um bater de palmas. Eu estava aberto, mas toda a equipe empenhada em me trazer de volta se fora. Dois focos de luz iluminavam a cena. As luzes estavam direcionadas sobre um coração pálido e agonizante que sabia ser o meu, mas todo o restante deste ambiente insólito estava mergulhado na mais absoluta escuridão. Eu me via. E era nauseante. A cena não tinha a realidade de um sonho. Era mais real do que a lembrança imediata de ter teclado a lembrança imediata de ter teclado. Mas o eu que eu via deitado mantinha o olho esquerdo aberto. Bem aberto. Vendo. Não acreditando. Mas registrando para uma posterior análise!

 

Eu não estava só! Três indivíduos circulavam nas sombras a minha volta. Todos eram altos, magros, de pele clara, tinham cabelos cheios e grisalhos, e vestiam batas de cor crua. Os três eram extremamente parecidos, como gêmeos, e falavam entre si em tons baixos usando palavras que eu não conseguia compreender. Aparentavam apenas observar a cena da qual eu era o protagonista nu. Meu olho esquerdo aberto. Meu peito aberto.

 

Eu fumava. E fumava bem há 9 anos atrás. Perto de uns seiscentos centímetros por dia. Um dia, do alto da gruta de uma das mães de um dos filhos de um dos criadores olhei para baixo e vi cerca de cinco mil pessoas olhando na minha direção. É óbvio que elas não olhavam para mim! Todas aquelas pessoas estavam lá movidas por seu desejo de acreditar na essência espiritual personificada pela estátua aos pés da qual eu estava. Aquelas pessoas só tinham olhos para sua fé, para seus pedidos, para seus agradecimentos. Naquele momento aquelas cinco mil pessoas tinham um só pensamento.

 

Eu tinha um pensamento: abandonar o cigarro! Rapidamente pensei: “A santa que me perdoe. Não comungo da fé que vejo expressa na face destas pessoas. Vou parecer um vampiro da energia alheia. Mas se estes bilhões de neurônios, nestes cinco mil cérebros que estão voltados para cá, têm a força de pelo menos acender uma lâmpada, usem esta energia para mandar à merda o meu vício de fumar”.

 

Eu não fumei mais! Física? Filosofia? Poder da mente? A fé dos outros usada em meu benefício? Uma comunhão ímpar? Positivismo? Pragmatismo? Algo a ser catalogado para uma posterior análise!

 

Eu estava mariscando. Eram sete horas da manhã. Para quem não sabe: mariscar é arrancar um molusco bivalve de uma profundidade média de 40 centímetros a beira do mar. Uma atividade que requer um bom esforço braçal e cardíaco movimentando areia molhada. Uma hora depois fui chamado a Porto Alegre, pois minha mãe havia sido hospitalizada. Ao chegar a Porto Alegre minha movimentação e respiração se tornaram abruptamente difíceis e um quadro de angina foi se caracterizando. E por caminhos errados fui cair e enfartar no único lugar certo num raio de 2 mil quilômetros.

 

Eu já contei esta história em “Qual é a tua?” mas o enfoque agora é outro. O ciclo se fechou. Lá estava eu, nu, de peito aperto, deitado no chão, com os três incógnitos personagens ao meu lado. Meu olho esquerdo aberto.

 

Eu tinha um pensamento: se eu fechar este olho o momento mágico vai chegar. Volto para casa num pacote. Deixo na mão todos que de alguma forma dependem de mim. E tudo aquilo? E tudo aquilo que falta fazer? Se eu fechar o olho e acordar num imenso gramado de perus gordos estarei no céu de Kurt Vonnegut. Se acordar sentindo todas as dores que a morfina não apaga os caras tiveram sucesso? Fechei os olhos e acordei querendo ser um feliz e gordo peru, mas sem dores.

 

Apenas junte tudo.

 

Eu tenho duas pulgas atrás da orelha. Elas debatem acaloradamente. Uma argumenta sobre a convergência aleatória de probabilidades com resultados aqui positivos e ali negativos. Afinal em milhões de possibilidades não há quem ganhe a mega-sena a beira da bancarrota? Se dermos uma Remington a um macaco e alguns bilhões de anos ele não poderia produzir uma bíblia de dar inveja a Gutenberg? A outra pulga desdenha este pragmatismo que nega a imaterialidade. Ela só diz: “Apenas junte tudo”!

 

Eu vou ficar na minha. Recolhendo dados. Mas confesso que a conversa está ficando boa!