Archive for the ‘Diálogos’ category

Papo cel.

30/05/2013

celulares

  • ― Alô! Quem?
  • ― QUEEEM! Saudades d’ocê, fofo!
  • ― Como?
  • ― Depende… Quanto q´ocê paga?
  • ― Agora fiquei devendo!
  • ― Pode ficar! Pr’ocê, boto no caderno!
  • ― Eu falo com quem?
  • ― Mas que bobinho! EEEU falo com Quem. OCÊÊÊ fala com euzinha, a Ju… E não muda de assunto: pr’ocê, faço um precinho momoso, em nome da inveja que sinto dela.
  • ― Você está falando de quem?
  • ― Não d’ocê! Dela! Na verdade, verdadinha, eu e todas as amigas dela gostariam de dar pr’ocê.
  • ― Mas dar o quê? Não faço ideia do quê você está falando.
  • ― Ah! Mente que eu gosto. E também não é daaar, assim, dado. Cobro a metade e ocê compensa o desconto contando pra ela. Só pr’ela fervê de ciúme!
  • ― Olha aqui… Ju, não é? Dá pra você me explicar quem é ela?
  • ― Ah! Para! Tá me tirando pra lóqui?
  • ― Tô! Tô tirando! Você só pode ser louca! Eu não sei quem é essa… essa ela. Não sei do que você está falando… Na verdade, eu não sei  nem com quem estou falando!
  • ― Para! Pode parar! To cansando desse papo, Quem. S’ocê quer fingir que não conhece a Barbie, não vem pra cima de moá, que não tem. Sou a Ju! Lembra? Conheço  ocê  d’outras, meu bem.
  • ― Você é doida!
  • ― Essa é boa! Ocê que me liga e agora eu sou a doida! Qual é?
  • ― Eu só queria falar com a Paula.
  • ― Que Paula? Que Paula? Aqui não tem nenhuma Paula! Esse cel é só meuzinho!
  • ― E porque não disse logo?
  • ― Ocê não perguntou!
  • ― E eu também não sou esse tal de Quem. Sou o Luiz!
  • ― Ah! … Então, deve ter sido engano!
  • ― Como?
  • ― Ai meu Deus! Lá vamos nós outra vez…! Mas já fica sabendo que agora não tem mais desconto! Quanto q´ocê paga?

…enquanto isso, nos corredores do congresso.

12/08/2011

“Nobre-deputado! Nobre-deputado!” // “Antes de qualquer coisa quero dizer que estamos aqui numa luta constante e inabalável, sempre norteada pelos ideais democráticos, procurando satisfazer os interÉsses de nossa base.” // Sim! Sim! É claro, nobre-deputado! Mas, como é de seu conhecimento há uma avalanche de escândalos financeiros envolvendo figuras dos primeiros escalões em vários ministérios. Algumas, inclusive, de seu partido. O que os nossos ouvintes gostariam de saber é: Qual a sua opinião a respeito? //  “No momento há uma série de movimentos divergentes, próprios das diferenças ideológicas –  o que, em princípio, enriquece o mecanismo democrático –  que estão sendo lapidados graças aos esforços de nossas lideranças, sempre em busca da governabilidade, inclusive considerando esse momento tão delicado da economia mundial.” // “É claro, nobre deputado! Mas não parece ao senhor que o governo está sendo chantageado em nome da governabilidade, e que o delicado momento econômico – usando as suas palavras – não deveria sensibilizar os gestores das vultuosas verbas públicas que foram, e estão sendo, desviadas?” // “Um país de dimensões continentais como o nosso requer uma comunhão de forças políticas, primariamente conflitantes, redirecionadas e focadas no bem comum, tentando manter um equilíbrio dinâmico que exige concessões nas trocas de projetos, o que no cômputo geral transforma a gigantesca engrenagem governamental numa esteira para o aprimoramento das ações em prol da coletividade como um todo. E digo mais: não fosse assim, estaríamos a mercê da especulação do poderio adverso que procura minar a confiança do cidadão comum nos verdadeiros esforços despendidos na administração da coisa pública.”  // “É claro, nobre-deputado! Embora o nosso ouvinte, o mesmo cidadão comum que deveria confiar no senhor, tenha dificuldades para entender a profundidade de sua resposta, gostaríamos de saber qual é a sua posição pessoal a respeito do boicote que seu partido está planejando como represália contra as atitudes severas do governo.” // “Veja bem! Uma coisa é o nosso posicionamento pessoal como parlamentar, e a outra coisa é a posição do partido como entidade no teatro governamental. Nesse ponto a nossa opinião como indivíduo é irrelevante frente à somatória das necessidades, que a representatividade que nos foi delegada pelo povo em sufrágio determinar como prioritárias, e que refletirão a conduta partidária no momento apropriado. Se não fosse assim não haveria fidelidade ideológica e o tecido democrático se romperia pois estaríamos traindo a postura ilibada,  já conhecida de nossos eleitores, de quem somos os fiéis depositários do desejo de se fazer ouvir.” // “É claro, nobre-deputado.  Esperamos que a palavra ilibada volte a constar dos adjetivos atribuíveis aos parlamentares, e queremos agradecer, em nome dos nossos ouvintes, o esforço do senhor na tentativa de manter a coerência a despeito das constatações, possivelmente para não ferir a ética política e o espírito de corpo do parlamento nacional!” // “Eu é que agradeço a oportunidade de poder esclarecer, da forma mais límpida e honesta, as dúvidas que porventura surjam, pois também é nossa função dar satisfação de nossos atos, e ainda mais: é sempre um prazer responder aos meios de comunicação sem os quais muito do necessário colóquio entre o meio político e o povo se perderia. Meu muito obrigado!” // “Acabamos de ouvir a palavra do Nobre-Deputado, do Partido da Base Aliada, sobre os bilionários desvios de verbas ministeriais, diretamente dos corredores do Congresso Nacional. Eu fico por aqui e você segue daí!”

A moça trabalha aqui?

13/03/2010

-A moça trabalha aqui?

-Tr-trabalho.

-Não se assuste com meu cunhado, ele é feio mas é gente boa!

-Ãh, ãh!

-Muito prazer! Meu nome é Liturgo! Mas não dei pra coisa…

-Ãh?… Ah!!

-Mas pode me chamar de Fino..

-Hum. Hum.

-Diz olá pra moça, Coisa-Torta.

-Grunf!

-Ele não fala muito; é meio-irmão da minha Lu… mas é gente boa.

-Sei.

-Tem um doutor que trabalha aqui… um barba branca… de óculos.

-Sei. Sei.

-Tratou do meu menino… a Lu trouxe outro dia… um neguinho, coisa mais amor, tem uma pinta aqui na bochecha.

-Hum. Hum. Estou lembrando!

-Viemos agradecer.

-Ah! O menino ficou bom?

-Está que um demonete.

-Nós gostamos de saber quando o paciente se recuperou…

-Queremos também agradecer porque o doutor foi muito respeitoso com a minha Lu, não sei se me faço entender…

-Ah!… Sim.

-E nós ficamos sabendo que o doutor vendeu um carro prum picareta e o cara ficou devedor, para-com-o-doutor… acompanhando?

-Não sei…claro! sim!

-Então, nós, eu e o Coisa-Torta, tomamos a liberdade de fazer uma visita pro cara citado.

-Prainducá! Grunf!

-Oh! Viu? O Coisa-Torta no fundo é um educador.

-S-sim!

-Este envelope tem a quantia que o cara em questão ficou devendo. Peço à moça o favor de entregar isto ao doutor…

-Mas…

-Diz que é pela saúde do menino. E diz  para ele que amigo do Fino é irmão do Fino.

-Digo.

-… e do Coisa-Torta, que é o dindo… Deus me livre acontecer algum mal pro meu menino.

-Grunf!

-Vocês… não aconteceu nada com o homem?

-Que homem?

-O pica… o cara da dívida!

-Não sei de cara, moça. Viemos aqui só para agradecer pela recuperação do meu neguinho. Passar bem! Foi um prazer conhece-la! Transmita saudações ao doutor, moça.

-Tr-transmito.

-Grunf!

O nobre colega sabe da última?

12/03/2010

-O nobre colega sabe da  última?

-Do Tampinha do PTN?

-É.

-Eu me matava.

-Pouca vergonha.

-Desviando o dinheiro dos velhinhos…

-Pra fundação.

-É. Pra fundação do filho dele!

-Fundação não é de ninguém.

-Você entendeu! O filho dele é que manda na coisa toda.

-Ah! Isto é.

-E tem mais…

-Que mexendo na vida do Tampinha encontraram as contas do exterior?

-Você já sabia?

-… e do superfaturamento na compra dos cabides pros gabinetes?

-Você… e eu que pensei que só eu sabia dessa…!

-Todo mundo sabe há muito tempo.

-Até o Cara?

-O Cara foi quem me contou!

-Ah! Para! Você não é assim com o Cara!

-To ti falando! Pode perguntar pra Ele. Ele não me disse quem foi que disse pra Ele mas que foi Ele que me disse, ah, isto foi!

-Tá! Tá legal. Nem discuto…Vai ser cassado por falta de decoro…

-Depende muito da Comissão!

-Não sei não!

-Sempre depende da Comissão!

-Mas desta vez filmaram o nobre colega escondendo o dinheiro!

-Ah! Isto é verdade! E isto pesa! Opinião pública! Sabe como é!

-Ou  ele cai fora pra não perder o direito.

-Também pode.

-O Tampinha é um cara descuidado.

-Muito descuidado!

-Uma vergonha!

O Senador já chegou?

11/03/2010

-O senador já chegou?

-Qual é o interesse?

-É que eu até aprecio o ômi!

-Biduzão! Tu tá muito fresco pro meu gosto!

-Não! chefia! É no sentido público, sacou?

-Que seja! Não quero tietagem aqui na minha zona! tá sabendo?

-To sabendo! Pode deixar.

-Tem outra…chega mais!

-Pode dizer, chefia!

-Chega mais! ô orelhão! não quero falar alto!

-Ah! Foro íntimo!

-É.

-Sou todo ouvido.

-Ando com um calor aqui na testa… coceira…sabe?

-Nossa!

-Não comenta! Não comenta! Só escuta…

-Hum! Hum!

-Minha fonte diz que a Tê, a… patroa… tá sendo… assediada por um cara!

-Hummm!

-E eu sei quem é o cara!

-Hum?

-O senador…

-Pôrr…hum, hum!

-Então, o meu broder Biduzão vai e convoca o Fino e o Coisa-Torta.

-Hum?

-É! Serviço profissional.

-A chefia quer que o pessoal da catigoria amasse o cara aqui na quadra?

-Não! Lentitude! Não mistura as coisas.

-!?

-Aqui no público nós tratamos a excelência com todo o respeito que o cargo merece. Afinal, nós somos civilizados… depois, no privado,  é outra conversa.

-Ah! É pra matá a excelência?

-Não. Repercute de forma negativa no serviço de assistência social.

-Quebrar, bem quebradinho! Pode?

-Pode. Sem muita marca pra perícia.

-O Coisa-Torta vai gostá!

Tá vendo o carro da pinta?

10/03/2010

-Tá vendo o carro da pinta?
-Tô.
-Baita carrão!
-Baita.
-A mina da pinta é a maior vacilona!
-!?
-Quando encosta nem chaveia.
-É?
-Só.
-Beleza.
-Ligou dois e dois?
-Quase… me ajuda.
-Nóis fica na espreita. ..vacilou… nós acha! Sacou?
-Saquei!
-E achado não é roubado!
-Beleza!
-Depois nóis vende por dois pau.
-Isto!
-E defendemo o pó das criança!
-Criança? Quem tem criança?
-As criança semo nóis! anta travada.
-Belezura. Belezura.
-Então vamo nessa!
-Peraí…!
-Pensando?
-Tô! Tá saindo… Dói… Peraí…!
-Pensa logo.
-E o comprador?
-Já tenho.
-Já? Que rápido! Quem?
-A pinta do carro.
-Como assim? Tu acha qu’ele vai querê?
-Claro! Qual o trouxa que vai deixar de comprar um carrão destes por dois pau? Maior negocião!
-Beleeeza!! Maaano! Mas como tu é esperto! Podia sê inté deputado.
-Podia! Mas dispois…

Quem é o cara?

09/03/2010

-Quem é o cara?

-O de gravata?

-É.

-O candidato!

-Hum! Paga bem?

-Depende… quantos tu tem?

-Seis…cinco, a menor se ligou no JC!

-Juventude Cristã?

-Não! Jogo Consciente.

-Esta é nova! É PSOL?

-Dissidência.

-Ah!

-Então?

-Então o quê?

-Quanto ele paga? Perdeu o fio, ô meu! Tá aéreo! Fumou?

-To de olho naquele cara. O baixinho. Baita pilantra!

-Ah! Saquei! Toca o baile.

-Cinco é pouco! O pacote de promoção é no mínimo dez!

-Deixa eu ver…tem o sogro e a sogra… uma gorja pros cunhado, fecho os dez… acho!

-É uma garoupa por cada!

-Milhãozinho? É pouco. Tenho oferta de uma garoupa e um mico por cabeça.

-Nóis cobre!

-Beleza… o outro ainda me consegue emprego pra dois!

-Quero ver cumprir!

-Como assim?

-Lei de responsabilidade fiscal, esta frescurada toda. O meu só promete o que pode cumprir. O cara é honesto! ô porra.

-Tá, que seja! mas deixa eu ter um pé de orelha com o cara!

-Pra quê?

-Sobre um carguinho pruma sobrinha que eu tenho aí por fora!

-Ficou louco? ô cabeção! Campanha só em julho! Tu não te informa? Quer enrolar o cara com a justiça? ô porra.