Pongo disse:

 “Pensem um pouco comigo… Todas as indicações apontam para um processo evolutivo-seletivo. E, pelos exemplos que dispomos, esse processo é proativo, progressivo, construtivo e protetor da prole e do genoma. Local e circunstancialmente há desacordos sobre a proteção do habitat, quando interesses individuais sobressaem e nesse momento o substrato sofre, mas, não podemos negar, até criaturas primitivas como os humanos criam fóruns de discussão e procuram acordos que impeçam um suicídio coletivo. Se esse acordar não está acontecendo por motivos altruístas e transcendentais pelo menos está acontecendo por puro instinto de sobrevivência. E este instinto, convenhamos, é fundamental para o indivíduo e para a espécie. Se ele não existisse, ou se todo o processo evolutivo fosse bizarramente destrutivo, a espécie já teria sido aniquilada há muito tempo.

Claro que o fim dos humanos pode acontecer a qualquer momento por motivos variados, como bruscas oscilações do tempo ou da mecânica universal, independentes dos esforços errôneos e indisciplinados dos próprios interessados. Alguém dirá: “Qual teria sido o propósito de nossa existência se isso acontecesse?” E eu pergunto: “Porque deveria existir um propósito?” Mesmo porque, para haver um propósito dessa dimensão, deveria haver uma dimensão propositora adequada, e essa visão subverteria o questionamento aqui apresentado…!

Voltando, podemos pressupor que, se uma catástrofe cósmica não aniquilar os humanos, digamos, amanhã ou em um milhão de anos, o processo (evolutivo-seletivo-construtivo) que envolve a espécie continuará…

Como se sabe o universo é velho, o que lhe confere paciência. Mas, mesmo sendo velho, ainda é, paradoxalmente, jovem. O paradoxo existe somente para os nossos olhos, já que a nossa existência, como espécie, é um piscar de olhos quando a comparamos com o todo.

No desenrolar da história universal aparecerão outras espécies cognitivamente capazes e empenhadas numa luta evolutiva. Um dia, muito distante no tempo, a somatória dos processos evolutivos vai gerar uma consciência que, sob qualquer ótica ou julgamento de um humano atual, seria indistinguível de um deus. Se a espécie humana fará parte dessa somatória passa a ser assunto de uma especulação quimérica sobre esoterismo e mérito. Então poderíamos afirmar, muito, muito retroativamente que, hoje, deus está nascendo, e que, quando o universo atingir a maximização da entropia, como qualquer coisa que se apoie em energia, dizer, num átimo, após uma quase eternidade de observação e análise, sabendo-se, afinal, o princípio e o fim:  “Faça-se a luz!”, para que o ciclo continue.”

 

 

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