Para que serve um ministro?

O que é um ministro? Se você pensa que é uma pessoa que, por comandar uma determinada pasta do governo, sabe tudo sobre o assunto da pasta que lhe foi atribuída, mesmo que medianamente, esqueça! Isso só acontece muito circunstancialmente. E talvez, no Brasil, essa regra se aplique somente ao ministro da fazenda; mesmo porque o país é um rico laboratório para experiências econômicas e conta com duzentos milhões de pessoas para pagar a conta se a experiência der errado. O que nós vemos são indivíduos tecnicamente despreparados que, inclusive, para o nosso bem, deveriam ficar com suas ministeriais bocas permanentemente fechadas e suas mãos engessadas. Quanto menos falarem ou agirem, mais o país ganha. Que se atenham ao propósito da governabilidade negociada, arrebanhando votos parlamentares comprados, na institucionalização descarada do voto corrupto, onde o que menos importa é a consciência ou as necessidades do povo e sim a manutenção do poder corporativo.

Um caso exemplar é o do atual ministro da defesa, Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil, que já respondeu pelo ministério da Ciência e Tecnologia e que, em 1994, foi autor do projeto de lei que proibia “a adoção, pelos órgãos públicos, de inovação tecnológica poupadora de mão-de-obra”. Traduzindo: nós deveríamos continuar pagando funcionários públicos, mesmo que o tamanho do Estado pudesse ser minimizado por algum instrumento científico ou tecnológico. Esse assunto foi enterrado no buraco das inutilidades depois de ocupar o nosso tempo e o nosso dinheiro por 133 meses de estudos na Câmara. Aldo Rebelo também tentou, em 1999, emplacar uma lei que restringia o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, o que foi deletado, com um click do mouse no link da irrelevância.  E ainda, em 2011, propôs a votação de um projeto de reforma do Código Florestal, que permitiria o cultivo de Áreas de Preservação Permanente e em seguida recuou, sob a acusação de fazer lobby com o agronegócio. Aldo Rebelo também foi ministro dos Esportes durante a copa do superfaturamento e dos estádios padrão Fifa construídos no nada, mas os detalhes disso nós só vamos ficar sabendo quando o FBI espremer Joseph Blatter. E não podemos esquecer que Aldo Rebelo também foi Ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais do Brasil, algo cuja importância, seja ela qual for, deve ser inversamente proporcional ao tamanho do nome. Como se vê, é um curriculum e tanto!

Quando, em 2011, morreu Kim Jong-il, ditador da Coréia do Norte e pai do atual ditador do regime comunista mais fechado e retrógrado do planeta, que brinca com a possibilidade de atirar bombas atômicas nos vizinhos, Aldo Rebelo foi a voz pública solitária que elogiou o coreano morto e o seu governo como promotores da “paz e da amizade”. E agora Aldo é o nosso Ministro da Defesa!

Nessa hora devemos rezar para que sua nomeação seja só para comprar os votos dos parlamentares do seu partido. Não podemos esperar que Dilma tenha escolhido Aldo Rebelo como ministro da defesa por sua performance nos ministérios dos esportes, ciências e tecnologia e aquele outro, de nome comprido. Se isso for verdade, seria um desastre!

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2 Comentários em “Para que serve um ministro?”

  1. joaquimsalles Says:

    Nova (quem sabe velha) utilidade de ministro :moeda de troca.


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