Lógica carcerária.

Uma nave espacial desceu suavemente no pátio da Papuda. Um humanoide, hermeticamente acondicionado num traje espacial, saiu da nave e disse para a turba alvoroçada: “Quero falar com seu líder”!

O negrão Cururu, relações públicas extraoficial da chefia, enfiou os dois indicadores na boca e soltou um assobio de furar tímpano. Veio do fundo da massa, um mulato atarracado, acompanhado de um magrinho, usando óculos fundo-de-garrafa, que segurava um tablet. O Cururu fez as apresentações: “Ô-do-Espaço, Porra, Porra, Ô-do-Espaço”!

O alienígena e o Porra fizeram acenos de índio e o visitante falou: “Quero trocar tecnologia por informação”!

“Então manda”! Respondeu o Porra.

“Quantos habitantes tem esse planeta?” Perguntou o alien.

“Sei lá! Gordo! O que tu me diz”?

O magrinho míope fuçou dois segundos no tablet e respondeu: “Quase sete bi e meio, chefia”!

“Porra! Tudo isso? Tu tá certo, ô Gordo?”

“Tá no Google! Dá um real por cabeça e ainda sobra um quarto do petrolão!”

“Porra! É gente pra caral…! Eu não sabia disso!” E se dirigindo ao alien completou: “É isso aí que o Gordo disse. Manda outra”!

“Qual é o arsenal atômico  do planeta”?

O Porra levantou o queixo para o Gordo e ele tascou: “Diz aqui que é por volta de 22 mil ogivas… no ano passado umas 5 mil estavam operacionais e 90% delas eram dos americanos e dos russos. E ainda diz que os Estados Unidos, o primeirão, é o único país que tem bomba fora do seu território”!

“E quem é o líder deles”? Perguntou o alien.

“Essa é mole”! Respondeu o Porra. “Nos esteites manda o negrão Obama, meio gente boa, mas político! Sabe como é”!

O alien, como pagamento, ofereceu dispositivos que permitiam acesso ilimitado às informações disponíveis no planeta, aparelhos de comunicação à distância, dificilmente detectáveis pelo sistema carcerário, e armas superiores às das forças policiais, mas o Porra disse que já tinha tudo aquilo e que, para o momento, bastava ter aquela nova amizade empenhada e a promessa de negócios futuros. O alienígena agradeceu pelas informações, repetiu o aceno de índio, voltou para a nave e partiu.

O Gordo disse no pé do ouvido do Porra: “Tá certo que ele só tinham coisa velha pra oferecer, mas bem que tu podia pedir uma mãozinha pra nos tirar daqui”!

E o Porra retrucou: “Tu tá louco, ô porra! Lá fora é um banditismo só. Aqui nós tá seguro! Segurança máxima, sacou?”!

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3 Comentários em “Lógica carcerária.”


  1. HAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! Genial!!!🙂


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