A tentativa de pagar uma conta num país surreal!

É nessas horas que eu fico pensando no correntista iletrado que espera o auxílio de um funcionário do banco (qualquer banco) para resolver suas pequenas pendências junto ao caixa eletrônico ou para sacar aquele dinheirinho que não permite poupanças.

Não disponho de telefones ou serviços da OI há 90 dias ou mais. Os celulares foram transferidos para outra operadora, a internet foi substituída por sistema a rádio, e o fixo foi cancelado após o longo processo de desconstrução pela OI, que matou definitivamente qualquer utilidade daquele telefone como canal de comunicação com meus pacientes.

Num mundo normal seria de esperar a não cobrança por algo inexistente, ou que não está sendo oferecido, no entanto, mesmo depois de tudo que foi descrito no parágrafo anterior, a OI continuou a cobrar pelos seus “serviços” imaginários. Acordei de minha fé idiota e formalizei junto a OI (admito que com com certo atraso) o cancelamento daquilo que já não existia há 3 meses. Suspendi o débito em conta no Banco do Brasil e fiquei atento à entrega, pelo correio, de qualquer conta com resíduos de “serviços” anteriores à data do protocolamento (201566441795), que, embora injustos, refletiam a minha falha em não ter percebido a possibilidade de mais aquele aspecto da má gerência da operadora (ou da má intencionalidade proposital até que alguém reclamasse!).

Quando veio a conta pelo correio (e aqui é que eu fico pensando nos pequenos usuários dos serviços vinculados aos sistemas interligados!) fui ao Banco do Brasil, na véspera do vencimento, para pagar o resíduo, utópico e burocrático de R$ 233,40, referente a um telefone inexistente. O caixa me disse que não podia receber porque não havia um código de barras e me sugeriu uma lotérica, porque eles podiam receber tendo como dado apenas o número do telefone. Na lotérica, após reexplicar a novela, a atendente tentou cobrar, mas barrou na informação do sistema que disse que não podia cobrar uma conta de um telefone que não existia, e me aconselhou a procurar a ANATEL para que fosse gerado um código de barras específico para aquela situação. Retornando ao Banco do Brasil me foi facilitada uma ponte com a Anatel que, depois de conferir os caminhos possíveis com a OI, me forneceu o código de barras (846500000027 334000020001 908313201505 201182000004). O Banco do Brasil me aconselhou a pagar via internet, porque o site do banco oferecia essa facilidade. Em frente ao computador, depois de desdobrar os trâmites necessários para efetuar o pagamento, surgiu a seguinte mensagem:

POR RAZÕES DE SEGURANÇA ESTA TRANSAÇÃO NÃO PODERÁ SER EFETUADA NESTE CANAL. DIRIJA-SE AO CAIXA ELETRÔNICO OU AGÊNCIA BB. (G999-501)

Nessa hora você se sente como aquele cachorro que tenta em vão morder o próprio rabo! Andando eternamente em círculos, em busca de uma solução que se apresenta impossível, para uma questão surreal.

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5 Comentários em “A tentativa de pagar uma conta num país surreal!”

  1. camargo Says:

    até poderia ser surreal… mas com alguma seriedade… o Brasil não é um país sério.

    • romacof Says:

      Numa casa em que a mãe mente (leia-se Dilma), os candidatos a pai são noivas volúveis (leia-se base aliada), os empregados roubam descaradamente (leia-se classe política mancomunada com indicados políticos), os filhos vivem ao relento, aprendendo com os jeitinhos da trupe, pintando as paredes com merda, ganhando alguma coisa dos outros a qualquer custo, numa orgia moral cuja única regra é “faça de conta que você não sabia de nada”, pois esse é o segundo mandamento da lúlica tábua sagrada, que reza primeiramente que “nunca antes na história desse país” tais coisas haviam sido vistas, e que finaliza com a afirmação de que “em nome da governança e da governabilidade a elasticidade da ética transcende quaisquer limites”.


  2. Adote a estratégia que eu aprendi há algum tempo: ligue para o SAC, peça um número de protocolo, pergunte o valor atual do débito, afirme categoricamente que está rompendo o contrato naquele momento e que não aceita absolutamente nenhuma geração de débito após aquele contato, diga para a prestadora de serviços para enviar um boleto de cobrança para seu endereço e informe que qualquer valor adicional será considerado cobrança indevida, porque o valor do débito já havia sido informado, e gerará registro no PROCON e ação judicial para obter o ressarcimento do valor em dobro mais indenização por danos morais e materiais, porque ninguém aqui é palhaço pra ficar se incomodando ou sendo prejudicado com cobranças indevidas. E peça que lhe enviem imediatamente a cópia desta gravação, porque é seu direito.

    O bom é ter o texto escrito para ler de modo bem claro, sem se atrapalhar, obviamente *depois* de ter anotado o protocolo. Feito com firmeza e clareza, já vi funcionar.


    • Ah, sim: não blefe. Se disser que vai entrar com uma ação, entre. Se não pretender fazer isso, não diga que fará.

    • romacof Says:

      Isso significa que você tem que fazer um curso para pagar uma conta?
      Ligar para o SAC. Protocolar. Anotar protocolo. Perguntar o valor do débito. Bater boca enfaticamente. Romper o contrato. Não aceitar débitos posteriores. Pedir boleto. Tomar uma boleta. Bater boca novamente. Certificar-se de que foi gerado registro no PROCON. Pedir cópia da gravação. É piada? 🙂


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