Todo poder emana do povo?

Os mortais que vivem no universo de até duzentos mil reais (20 salários mensais – o que não é pouco!), têm algumas dificuldades para entender a mecânica dos universos que têm como parâmetros escalas variáveis de milhões ou bilhões de reais. O que dizer dos que vivem com menos do que isto?

Fica muito difícil entender as razões que levam deputados federais, por exemplo, a gastar 3 milhões de reais numa campanha para depois ganhar metade disso durante os quatro anos de mandato (considerando o básico declarado e sem levar em conta a elástica lista de benefícios). Uns dirão que eles não gastam 3  milhões na campanha, mas “somente” 1 e meio! Nesse caso, gastariam na campanha, tudo que vão ganhar, mas o 1 e meio, que os meios de comunicação apresentam, é a quantia declarável, contabilizável oficialmente, sem o cômputo dos ilícitos invisíveis aos olhos da justiça, embora sejam do conhecimento de qualquer contabilista primário, já que, considerando a inexistência das galinhas que põem ovos de ouro, tudo tem um custo e se foi pago o dinheiro saiu de algum lugar.

Um profissional da área de marketing político me informa que, considerando todos os caixas, arredondando, um deputado estadual custa, em média, 1 milhão, um federal  3 milhões, um senador 9 milhões, um governador 30 milhões e um presidente 300 milhões. E fica claro que o preço daquele que se elege é igual ao preço daquele que foi derrotado.

Os jornais nos dizem que uma empresa como a Friboi gastou 176 milhões e elegeu 12 deputados. Desconsiderando os derrotados, os vitoriosos custaram 15 milhões por cabeça.

Nós, aqui em nosso universo simplista, até podemos admitir que um candidato rico (e babaca) gaste 15 milhões numa campanha! Afinal, na espécie humana há loucuras para todos os cardápios e a vaidade cega pode gerar situações estúpidas como esta, mas não podemos entender (e ninguém da esfera oficial explica) os motivos que levam uma empresa de abrangência nacional a jogar fora 15 milhões para colocar um indivíduo entre os eleitos! A menos que isso se justifique por razões que só existam naqueles tais universos dos milhões e dos bilhões, que escapam totalmente à nossa compreensão.

O fato é que esses parlamentares patrocinados (ou comprados) não servem à democracia. Eles servem à empresa que os patrocinou (ou comprou). São indivíduos que já estão devidamente carimbados, como carne abatida e pendurada para vistoria, completamente comprometidos com aquela empresa. Ou é isso ou nada – é bom repetir – nada justificaria o investimento. Só se a estupidez estivesse entranhada no mundo dos negócios, o que duvido! Pois mesmo não entendendo os meandros daquele universo nós sabemos que os espertos nunca pregam um prego sem protegerem seus preciosos dedinhos com uma espessa e segura camada de estopa. Haverá o retorno! Estejam certos! E esse retorno não vai refletir o seu voto. Ah! Podem estar certos disso também!

Essas são as regras institucionalizadas num regime plutocrático a qualquer custo! Ou você achava que já estávamos numa democracia! Não seja inocente ou estúpido! Só os profundamente crentes e os militantes interessados afirmam, com certo grau de fé, que evoluímos a ponto de termos um governo que nos representa. Os demais, que boiam ignorantemente ao sabor do marketing, ou são obrigados pela necessidade a aceitarem o cabresto, nem entenderiam o significado das seis primeiras palavras do parágrafo único do artigo primeiro da constituição.

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