Confissões de um eleitor!

Eu já fiz campanha para o voto nulo. Tempo perdido! A massa sempre vai eleger alguém. Não o melhor, mas alguém! Um alguém qualquer que passado o momento eleitoreiro se esquecerá de nós, pelo menos por quatro anos, e mudará o foco dos seus interesses, única e exclusivamente, para a forma de se manter no poder. Aquela história ecoada de “educação-saúde-segurança”, esqueça! Se sobrar algum tempo no afã da política real – não essa idiotice romântica idealizada pelos que acreditam nas promessas de campanha – podem ocorrer alguns respingos que beneficiem a massa votante, para que fique a impressão de que nem tudo foi perdido.

É claro que estou generalizando! Nem todo mundo é tão podre. Mas podem ficar certos que estou muito perto da verdade. Infelizmente! Os eleitos honestos que, com o tempo, não se deitarem na cama fisiológica e corrupta, boiarão ao largo, isolados, impotentes e acomodados ao fato de que mais vale ser um eleito triste e frustrado, mas bem pago, do que um eleitor indignado e rouco, mas mal pago.

Desta vez vou votar! Fiz até uma cola!

Escolhi um deputado estadual com quem um dia conversei sobre as mortes pelo H1N1, na região sul, serem uma consequência da política burra do governo em não vacinar a população daqui quando começa o frio. Não é possível estabelecer condutas preventivas rígidas num país continental em que as diferenças das latitudes entre Oiapoque e Chuí equivalem a um quinto da distância entre os polos do planeta. (Para falar apenas desse aspecto!) Pois o candidato, que era secretário de estado, encabeçou a pressão sobre o distante governo central e conseguiu que os burocratas de lá abrissem os olhos. É evidente que ele não fez isso especificamente porque eu pedi; a pressão sobre ele deve ter sido grande, começando pelos familiares dos que morriam todos os anos; mas o fato é que ele agiu e isso foi bom para muita gente.

Para deputado federal, como não me é permitido votar no Romário, vou votar no, já clássico, 9999! Por mais que me esforce não encontro um que esteja comprometido em assassinar a política do conchavo. Nenhum me convenceu! Os discursos que ouvi me pareceram ou mentirosos, ou voláteis, ou tentaram violentar a minha inteligência. Vou deixar essa tarefa para os meus irmãos eleitores, possivelmente mais expertos, ou talvez mais felizes. Mesmo porque eles serão eleitos com ou sem a minha ajuda e continuarão a fazer as mesmas coisas que vêm fazendo desde que me conheço por gente: montar um balcão de negócios em Brasília e vender o voto para quem dá mais. E aquela história de que você é responsável pelo seu deputado e deve fiscalizar os atos dele, o que sacramenta a situação do eleitor como cúmplice compulsório, é uma propaganda enganosa. Você vai encontrar um trabalho cansativo, indignante, impossível e inútil. Você vai esbarrar numa infinidades de desvios democráticos que passam por votos simbólicos, secretos, de bancada e assim por diante, e um dia você vai se olhar no espelho e enxergar um bobo. Tente fazer isso! Fica o desafio!

Para senador pensei em votar no mais honesto! Ele vai perder! Ainda estou indeciso sobre esse voto! Primeiro porque não estou certo de que o meu candidato em potencial pode fazer algo de útil no senado. E, em segundo lugar, não sou de opinião de que o senado seja algo útil. Se, no lugar de escolher um senador, me fosse apresentada a opção de escolher se essa câmara dos lordes deve permanecer em funcionamento o meu voto, hoje, seria pelo fechamento, com discursos, honrarias e os salamaleques de praxe, mas sem saudades. O senado é uma coisa muito cara e pouco produtiva!

Depois, descendo na cola, temos o voto para governador. Já escolhi! O meu segundo voto convicto no ano! Não esquecendo que, em política, assim como a virgindade, a convicção é um artigo de vida efêmera! Mas vou correr o risco! Por um detalhe fundamental, o meu risco não é exatamente igual ao dos que vão votar de forma diferente, pois o meu candidato não vai ganhar. Infelizmente! Acredito que vou ficar sem saber como é romper essa convicção!

E, finalmente, vou ter que escolher alguém para o cargo máximo da cadeia democrática nacional. Vou ter que desempenhar esse meu direito! Apesar de Dilma insistir em ser chamada de presidenta eu continuei a dizer que ela é presidente do país. E o mesmo se aplicaria à Marina! Se eu tivesse optado pela tratativa que a presidente prefere, hoje, falando em voto para presidente, estaria, obrigatoriamente, abrindo meu voto para o Aécio. Por outro lado, estaria refutando, se falasse em voto para presidenta. Que situação! Que bobagem! Que falta de assunto! Pois sou obrigado a escolher o que não quero! Seria tão mais fácil se eu fosse um bolivariano enquadrado, ou um crente fervoroso, ou um neoliberal genérico!

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