Sai #OHexaÉNosso e o #NãoVaiTerCopa e entra o #PenseEVote

Quando me dei conta a Copa havia acabado. Lembro que cheguei a torcer pela Argentina na final. Depois achei que o resultado premiou a organização, a humildade, a simpatia e o lema: “Um nação, um time e um sonho!” O sonho alemão se mostrou mais realista do que a empáfia nacional: “Preparem-se! O hexa está chegando!” Minha avó dizia que na preparação do omelete era necessário cevar a galinha sem espreme-la e o meu avô completava que antes disso era bom conferir se não havíamos pego o galo. Para a geração jovem, que foi massacrada pela mídia com a ideia de que bastava torcer que o resto já estava garantido, o Hexa ganhou um significado torto de coisa inacabada sem prazo de conclusão, como obra prometida por político. Embora só aqui os títulos se acumulem, ignorando os hiatos em que os outros são melhores. Nós ganhamos cinco vezes, de fato, mas na prática o nosso país só foi bi em 1962, assim como a Itália, em 1938.

O #NãoVaiTerCopa acabou com o mesmo tom da promessa do #OHexaÉNosso. Deu chabu! Algo bem previsível, por sinal! Não adiantava você mostrar bandeiras reacionárias para um país que se alimentava das esperanças de êxito em uma festa bilionária. Assim como o contrário! Tente juntar uma dúzia de #FiquemCalmos na frente de uma multidão em pânico. É uma ótima maneira de acabar como purê de hashtag.  Por outro lado, na onda do hexa adiado, os partidários do “não vai ter copa” podem transferir o projeto, ou aviso, ou ameaça, ou profecia para a “2018 Fifa World Cup Russia”, já que naquele ano o Brasil não será sede e não foi campeão. Traduzindo: vai ter que passar pela pedreira da classificação nas Américas, com o nível que se viu neles e com o desnível que se viu por aqui. Ainda que, se tudo der errado, sempre nos resta torcer pela Costa Rica!

Mas o fato é que a festa acabou! O mundo viu que o governo brasileiro, aos trancos, com a barriga e pressionado, pode parecer que dá conta do recado! Os estrangeiros partiram deslumbrados e felizes e ficaram as obras inacabadas e as contas mal explicadas, coisas com as quais já estamos acostumados. Agora vai começar um outro jogo e esse, fieis crédulos do “hexa é nosso” e ferrenhos defensores do “não vai ter copa”, depende exclusivamente de nós. Sai a Brazuca e entra em campo o #PenseEVote. Mas, pelo amor aos seus filhinhos, pensem! Os meios de comunicação vão vomitar em nossas casas um monte de sorrisos e mentiras. O de costume. Não apostem! Não torçam por ninguém a não ser por suas consciências. Lembrem-se dos estádios superfaturados, dos hospitais sucateados, dos remendos fantasiosos, das escolas em ruínas, do ensino decadente, dos assaltos e assassinatos, das refinarias que escorrem pelo ralo, e da interminável lista de coisas que os deixaram perplexos ou indignados e depois votem. Afinal, alguma coisa nós temos que ganhar nesse ano, nem que seja sem chuteiras.

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