A acorrentada arte de governar!

Dilma diz que a oposição tenta desgastar o governo! Quanto a isso não há nada de novo! Todas as oposições sempre tentaram desgastar todos os governos. Mas pensando bem, Sra. Presidente, não há necessidade de uma oposição trabalhando nesse sentido. O governo acaba se desgastando sozinho. E isso acontece, simplesmente, porque há uma enorme distância entre a promessa eleitoral e o realizado posteriormente. Todo candidato promete coisas muito além de suas possibilidades e acaba realizando coisas muito aquém das nossas necessidades. Não se pode exigir fidelidade de todo eleitorado quando qualquer idiota pode perceber que foi ludibriado. Esse desgaste acaba sendo natural e não necessita dos esforços de nenhuma oposição. O governo se desgasta por que está acorrentado em nome da governabilidade!

Até poderíamos dizer que, dentro do razoável, daria para prometer coisas grandes e cumprir as promessas. Principalmente por que o país é riquíssimo e é um dos maiores arrecadadores de impostos do mundo. Isso até poderia acontecer se o país não fosse o pior do mundo na relação retorno ao contribuinte sobre o que é arrecadado. Isso até poderia acontecer se a máquina pública não usasse toda a sua incapacidade administrativa para corroer, diluir, desviar e mal empregar o que é arrecadado.  E isso até poderia acontecer se o governo desse um “Basta!” ao desenfreado e inacreditável roubo dos recursos públicos.

Se nós que estamos aqui em baixo podemos ver isso, Sra. Presidente, imagine a senhora! A Sra. tem uma visão privilegiada! Uma vista panorâmica, abrangente e profunda.  De onde um político que atingiu os mais altos patamares do governo está, certamente, pode-se ver coisas que nós nem sequer imaginamos que existam. Embora alguns afirmem que nada viram e nunca souberam de nada…

Eu acho que eles podem ver, sim! Eles não são cegos! Então por que não fazem nada? Tenho uma teoria. Ou uma teoria conspiratória, se preferir. A teoria das correntes.

O político que chegou lá em cima fez acordos com alguém. Com outros políticos. Com outros partidos. Com outras ideologias. Com patrocinadores interessados em posteriores avais. Com fornecedores de dinheiro de natureza incerta. Enfim: com outras consciências! Já ouvi dizer que, se não é assim, um político não se cria, não sobe e não governa! Para mim esse é um jogo sujo e podre! Mas minha opinião sobre isso vale tanto quanto um centavo de real esquecido.

Depois de chegar lá em cima, para dar o próximo passo que é mandar em todos que estão lá em cima, é necessário apelar para a última cólica democrática e se eleger com as bênçãos do povo, que, hipoteticamente, manda no país. Para isso é necessário ser (ou ter alguém) convincente que saiba sorrir e olhar nos olhos dos eleitores como se realmente acreditasse naquilo que está dizendo. Muito dinheiro ajuda. Principalmente se puder pagar um profissional de marketing que saiba transformar uma vida com passado controverso numa rica história de vida, a encaixando na credibilidade popular em voga no momento. Geralmente esses marqueteiros também são pagos para terceirizar o serviço de bruxas más que sabem como transformar príncipes opositores em sapos da oposição; o que também faz parte do jogo.

Enfim o eleito chega lá; no lá definitivo. E então por que ele não diz “Basta!”? Por que ele não se reúne com os poderes da República e estuda uma forma de dizer “Basta!”? Por que ele não se cerca de todo aparato jurídico para se defender da acusação de ter decretado o fim do aparente direito democrático de roubar o dinheiro público? Por que ele não reforma esse sistema deteriorado e apodrecido que permite os absurdos contrassensos que vemos todos os dias?

A teoria diz que quando o eleito afinal chega à sacada da grande janela, de onde tudo se vê, ele arrasta atrás de cima um colossal emaranhado de correntes. Essas correntes lembram ao eleito dos compromissos alinhavados durante a escalada ao poder e, ao mesmo tempo, impedem que ele seja atirado lá de cima. Os que não estão acorrentados nunca chegam! E se chegassem seriam sumariamente atirados no abismo.

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