Ou nós acabamos com a política velha, ou a política velha acaba com o Brasil.

Entre espantados e indignados, ano após ano, vemos o nosso país ser palco e plateia de escândalos financeiros bilionários e inexplicáveis aos olhos da democracia. Como pode? Como deixamos isso acontecer? Qual é a consciência que move essa gente? Para algumas dessas perguntas, como a última, é fácil encontrar uma resposta! A consciência que move essa gente é a do ladrão! Elástica! Cheia de gatilhos que a justificam! Nem um pouco interessada nas pessoas ou em suas necessidades. Essas vítimas anônimas são transformadas numa massa amorfa e despersonalizada chamada país, que tudo aceita, como a mãe de um criminoso, que não desconhece os delitos do filho, mas fecha os olhos e o afaga. E todos os dias ouvimos pelos meios de comunicação mais e mais notícias de desvios inacreditáveis que salvariam milhares.

Há 4 anos foi feito um cálculo de que, em 2009, haviam sido desviados, dos cofres públicos, “…nas várias esferas do governo, 258 milhões, 326 mil, 432 reais, e 14 centavos. Neste cômputo só está a quantia que sumiu sem deixar nenhuma dúvida razoável sobre a lisura do destino dado…”. Nós sabemos que, nos dias de hoje, se os critérios que definem “dúvida razoável” fossem revisados e atualizados essas cifras inchariam consideravelmente. Eis o fato desdobrado: o dinheiro, sendo público, deixou de ser aplicado nas ações públicas; uma das ações públicas mais carentes de verbas é a solução dos problemas na área de saúde; como, com um indivíduo hospitalizado por um mal tratável, mas que morreria sem os recursos necessários, gastava-se em média, na época, 25 mil e 200 reais, o dinheiro desviado poderia salvar a vida de 10 mil e 251 brasileiros. Matemática euclidiana primária. Mesmo sem contar o que a máquina pública perde pelo caminho, por sua morosidade e ineficiência, isso já poderia ser configurado como um massacre! Ninguém está vendo isso? Se alguém está vendo cabe repetir as outras perguntas! Como pode? Como deixamos isso acontecer? E ainda acrescentar aquela que se impõe: Nós nunca vamos parar essa sangria?

É muito difícil determinar as fronteiras entre os desfalques. Há momentos em que o passado se mistura com o futuro numa terra de ninguém, cheia de números imensos, gatunagens e impunidades recorrentes. Mensalões com sobrenomes de partidos. Vergonhosa desvalorização da Petrobrás. Programas sociais maquiando a compra de votos. Copa do mundo superfaturada. Caixas de campanha comprando candidatos. E por aí vai. Permitindo até que se afirme que é um enorme desafio encontrar uma obra pública em que não houve algum tipo ou algum grau de desvio do dinheiro público.

Nós precisamos acabar com isso!

É claro que essas coisas acontecem com o aval da democracia. Então necessitamos usar os mecanismos da democracia para mudar essa triste realidade. Necessitamos mudar as regras do jogo. O sistema político vigente é ultrapassado, cheio de vícios e não dispõe de regras que coíbam e enquadrem os malfeitores de forma eficaz. É uma fantasia acreditar que os políticos eleitos pelo sistema atual queiram mudar essas regras. A política precisa ser reformada. Precisamos eleger políticos comprometidos com essa reforma. Parodiando o slogan que se referia à saúva, poderíamos dizer: Ou nós acabamos com a política velha, ou a política velha acaba com o Brasil.

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4 Comentários em “Ou nós acabamos com a política velha, ou a política velha acaba com o Brasil.”

  1. camargo Says:

    Olha aí!
    Ai o meu guri, olha aí!
    Olha aí!
    É o meu guri e ele chega!

    Chega no morro
    Com carregamento
    Pulseira, cimento
    Relógio, pneu, gravador
    Rezo até ele chegar
    Cá no alto
    Essa onda de assaltos
    Tá um horror
    Eu consolo ele
    Ele me consola
    Boto ele no colo
    Prá ele me ninar
    De repente acordo
    Olho pro lado
    E o danado já foi trabalhar
    Olha aí!

    • romacof Says:

      …embora eu não esteja falando exatamente da Fábrica de Criminosos, mas da Universidade, essa mãe é como o país…

      Olha o meu filho aí, trazendo bolsas, quotas e trocados que divide comigo!
      Trapaceio pra que vença, voto, rezo, e repudio o que se declara seu inimigo!
      Gosto dele quando discursa, ergue o punho e pela plebe é amado!
      Maldigo as intrigas como se ele fosse um injustiçado!

  2. cerbero62 Says:

    o fato é que não podemos deixar bater canseira… cada mente íntegra pensando em mudanças do que realmente precisa ser mudado, um dia formará um bloco forte o suficiente para transformar vontade em realidade.


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