Estatísticas do IPEA

Depois do IPEA ter admitido (pelo menos isso!) que errou circunferencialmente na questão da relação entre a quantidade de roupa que uma mulher usa e o seu merecimento de ser atacada:

1. Podemos ver as estatísticas como balões despidos de credibilidade e passíveis de estupro, ou, pelo menos, como dados mal cheirosos que devem ser bem lavados e bem analisados antes de serem considerados bons para serem engolidos.

2. Podemos concluir que 100% das nossas divagações e discussões sobre essas questões sociais (inclusive essa!) podem estar erradas.

3. Podemos concluir que os resultados das próximas estatísticas podem ter um “pequeno” desvio de 250 pontos percentuais para mais ou para menos.

4. Podemos considerar que as fotos que você mandou para a Globo, pelada e com um cartaz dizendo que não merecia ser estuprada, foi o pagamento de um belo mico.

5. Podemos inferir que, como o governo não prega prego sem proteger o dedão e já deu mostras de que mentir é considerado um pecado menor quando a justificativa é a governabilidade, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada pode ter sido acionado como o bode da vez, no afã de desviar a nossa atenção de outras estatísticas econômicas (embora aqui já entre a premissa de que “onde há governo deve haver conspirações”!).

6. Podemos concluir que ainda não estamos totalmente abovinados e passivos e que chiar pelas redes sociais é necessário e saudável.

7. Podemos (e devemos) observar que essa aparente “melhora” de 65% para 26% em nossa latência estupradora, não é sinal de evolução e sim de que nos tiraram do fundo da caverna para a boca da caverna, mas ainda babando e com o porrete na mão.

8. Podemos ter certeza que se uma evacuação dessas fosse obra minha ou sua nós já estaríamos enquadrados e apedrejados em praça pública.

9. Podemos ter certeza que alguém lucrou com isso.

10. Podemos ter certeza de que minha mãe está absolutamente certa quando diz que “Merdas cagadas não voltam ao cu!”. Jamais, segundo ela!

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8 Comentários em “Estatísticas do IPEA”

  1. Joaquim Says:

    Observações corretíssima a 9 e 10.

  2. camargo Says:

    tua mãe era sábia… precisa… e o governo deveria ouvir isso e tentar mudar as próximas.

    • romacof Says:

      É sábia aos 86 anos! Mas nunca disse isso pensando em política e sim nas cagadas irrecuperáveis que se dá na vida. “Côsa” que deve estar pensando a cabeça exonerada da vez (que pegou a teta já com aviso: “Se o sistema baila, baila você!”). O governo já institucionalizou o contra-processo, num antinaturalismo debochado, em que os prejuízos são diluídos e as responsabilidades terceirizadas. Para o governo existe o verbo desdefecar!

      • cerbero62 Says:

        hj ainda eu tava vendo o cartaz de um pastor na frente de uma igreja evangélica. O cara é um dos milionários do Brasil, mesmo assim as pessoas tentam, através dele, colocar pedrinhas no chão duro dos seus caminhos para Deus, com doações daquilo que não têm pra si… de nada adianta se noticiar a verdade. Quem quer a verdade? Se na religião, que afeta a esperança com um vento de maior intensidade que a política, só fazem merda, o que vão fazer com o voto?

        • romacof Says:

          Jesus disse: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!” As religiões modernas interpretaram isso aí da seguinte forma: “César e Deus fizeram um fifty-fifty e contamos com você!” A única coisa que pode ser dita de positivo sobre os partidários de César é que eles já tinham a sua parte reconhecida desde a época de Jesus. Acredito que os que chegarem ao céu (pressupondo um céu e uma chegada!), se perguntarem para algum recepcionista local onde foi parar o dízimo que eles haviam pago, ouvirão a seguinte resposta: “O dízimo? Foi dizimado num lobby dos intermediários com César!”. (Palavra da danação!)


  3. Se isso fosse uma questão de escolha simples no vestibular, para marcar a alternativa mais relevante, eu marcaria a alternativa 5 sem pestanejar. Se fosse de escolha múltipla, eu também marcaria as alternativas 8 e 9.

    Eu vou desenvolver isso com mais calma em um artigo, mas o fato é que de premissas falsas não se pode esperar conclusões verdadeiras… E pressupor que temos partidos políticos e não quadrilhas criminosas gerenciam este país é uma premissa falsa para a qual temos alertado há um bom tempo, mas que não encontram a repercussão adequada. As conseqüências virão.

    Mas nem sonha com a possibilidade de a retificação de 65% para 26% ter qualquer conteúdo de verdade. A tal pesquisa é uma fraude desde sempre. Por trás do item 3 está a aniquilação da credibilidade de mais uma instituição pela quadrilha criminosa que gerencia o Brasil.

    • romacof Says:

      Não havia pensado na lista como questões que exigissem uma ou várias escolhas. Na verdade todas são escolhas cabíveis. A quinta, que você escolheria “sem pestanejar” é a única que coloquei só para não perder a oportunidade de apresentar uma premissa inquestionável, mas que todos fingem que não existe. Na somatória ainda fico com minha mãe.


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