Como são as coisas no Santinho (05 de 12 – 2ª parte)

05 – O seu inimigo pode ser o seu maior amigo! (2ª parte)

(Para saber como começa essa história clique aqui!)

Os sequestradores que haviam levado Fettuccini exigiam que não houvesse envolvimento da polícia. Se eles sentissem o cheiro dos tiras o gringo era um cara morto. Queriam um milhão de reais em notas de cem em duas sacolas de supermercado em doze horas. E voltariam a entrar em contato para marcar o local da troca.

― Nenhuma pista sobre quem seriam os sequestradores? ― Perguntou Barraca.

― Não conheceu a voz do cara? ― Perguntou o Fino.

― Não! Não foi possível! Eles foram objetivos e disfarçaram a voz! ― Respondeu Biduzão.

―Oh! Meu Deus! Onde vamos conseguir um milhão assim duma hora pra outra? ― Dizia Zuzu, com as duas mãos na cabeça.

― Tem uma coisa estranha nesse sequestro! ― Comentou o Fino.

― Como assim? ― Quis saber o Barraca.

― Diga o que está pensando, Liturgo. ― Disse o Biduzão.

― O gringo não tem família, ou amigos íntimos que chorariam por ele, ou se preocupariam com ele a ponto de virarem o mundo atrás de uma grana pra resgate. Dizem que vão ligar exatamente pra cá, que afinal, não é o lugar onde se concentram os melhores amigos dele. E ainda pedem um milhão, coisa que certamente não faz parte das disponibilidades da Unidos. Esses caras estão sabendo que o gringo tem liquidez suficiente para pagar essa quantia… Ou já sabiam ou arrancaram essa informação do próprio. O que você me diz, Régis?

― Eu… Isso é coisa que precisa ser estudada… ― Coçou a cabeça o secretário de Fettuccini.

― Zuzu! ― Pediu Biduzão. ― Podemos usar o seu escritório por um instante? Só pro Régis dar uma estudada…!

Fechados no escritório de Zuzu, Fino e Biduzão botaram o Régis contra a parede.

― Jogo rápido! ― Simplificou Biduzão. ― Parece que você sabe como esse impasse pode ser resolvido, então facilita e fala logo, cara.

― Sim! Sei… Só que o Chefia vai me matar! ― Gemeu Régis.

― Tente avaliar a coisa da seguinte forma:― Comentou o Fino. ― Você acha que o Chefia vai matar você caso nos confidencie sobre o dinheiro que ele deve ter escondido em algum lugar. Mas se o Chefia morre ele não vai poder matar você! E ainda: se ele morre só você sabe como botar a mão na grana dele! ― Fino fez uma pausa com um sorriso maroto e as mãos espalmadas. ― Que sinuca! Por mais que nós queiramos acreditar que você está limpo, se o cara morre não há como não suspeitar de você! Mas se você ajuda a salvar o cara você prova que está limpo e todos nós vamos ser os primeiros a defendê-lo contra qualquer acesso do gringo. Percebe?

Régis ficou mudo um longo tempo, assoprando e esfregando as mãos nas têmporas.

― Está certo! ― Caminhou em direção à porta, mas deu meia volta e continuou. ― Eu pego a grana e volto pra esperar a próxima ligação. Vocês esperam aqui!

― Era exatamente essa a nossa intenção! ― Arrematou o Fino.

Depois que o Régis saiu Biduzão reuniu as pessoas que estavam no barracão e resumiu.

― Nós vamos agir em conjunto com os homens do Fettuccini para tentar resolver essa situação. Seria interessante que cada um fosse pra casa entendendo que é fundamental que o assunto seja mantido em segredo, pelo bem do Fettuccini… Pelo menos até que tenhamos conseguido chegar ao fim desse rolo.

― Eu vou ficar aqui! ― Disse Barraca.

―E eu também! ― Chorou Virapau.

― Como quiserem! ― Concordou Biduzão. ― Vamos ser obrigados a fazer uma vigília essa noite. E espero que cada um colabore de acordo com a sua consciência.

― Eu vou até a minha casa buscar o Coisa Torta. ― Disse o Fino. ― Bem, vocês sabem! Se o problema criar ares de guerra o meu cunhado pode ser muito útil. ― E todos, mudamente, balançaram a cabeça concordando.

Zuzu e Romeno haviam resolvido fazer um sopão para alimentar os que haviam ficado no barracão e Virapau estava murcho sentado num sofá a um canto. Barraca e Biduzão conversavam em voz baixa perto da mesa em que estava o telefone. Régis voltou duas horas depois trazendo duas grandes sacolas e acompanhado de Reinaldo, com um hematoma que ia da boca ao olho esquerdo. Logo depois chegaram Fino e Coisa Torta. Fino perguntou:

― Novidades?

― Nada. ― Respondeu Biduzão.

― E o dinheiro? ― Perguntou Fino em voz baixa para o Régis.

― Está no escritório da… da Dona Zuzu. ― Respondeu Regis com a cara amarrada.

― Que estrago na sua cara! ― Comentou Fino com Reinaldo. ― Amanhã é bom inventar uma história e dar uma chegada ao posto.

― Pote peixar! ― Entortou Reinaldo, também sem muita vontade de ser social.

Um pouco depois da meia noite o telefone voltou a tocar e Biduzão atendeu.

― Sim!… Sei… Como?… Mas por quê?… OK! OK!… Está!… Entendido!

― E daí? ― Saltou Barraca interessado. ― O que foi que disseram? O que vamos ter que fazer?

― Eles deram as instruções de como vamos fazer a troca! Eu já explico! Mas eles querem que o Liturgo leve a grana! ― Disse Biduzão.

― Eu? ― Exclamou o Fino. ― Mas por que eu? Qual é a lógica?

― Eles dizem que você é mais frio… Tem menos chance de fazer uma coisa estúpida! ― Explicou Biduzão, fingindo que não notara as fungadas de Régis e Reinaldo.

― Acho que aqui nós temos outras pessoas mais ligadas ao Fettuccini e que seriam tão capazes quanto eu de desempenhar essa tarefa. Quero que isso fique bem claro…! Mas se os caras estão exigindo assim eu não me oponho! Você tem alguma coisa a discordar, Régis?

― O que podemos fazer? Estamos com as mãos amarradas! ― Reclamou Régis.

― Nós vamos junto! ― Disse o Barraca.

― Não é bem assim… ― E  Biduzão passou a explicar como seria feito o pagamento do resgate. ― Os sequestradores traçaram o seguinte plano – e nós temos no máximo duas horas para executá-lo: o Fino pega um taxi até o viaduto da Perimetral Norte sobre a Comendador Pitangueira entre o Pinheiro e o Baixo Leme. Lá ele desce do taxi e não faz sinal nenhum para pegar outro. Se o Fino estiver acompanhado ou eles notarem algum veículo suspeito nas imediações o plano vai ser abortado. Se tudo estiver de acordo com o que eles planejaram outro taxi vai encostar sem ser chamado, e o motorista vai perguntar se ele quer uma carona grátis. O Fino toma esse taxi e diz: “Vamos pra casa da vovó!” E o outro vai dizer: “Trouxe os doces?” E o Fino então entrega a sacola do dinheiro!

— Quanta frescura! — Enfiou Barraca.

— Esse cara vai levar o Fino até o local em que o Fettuccini está. Durante o trajeto o Fino não pode dizer nenhuma palavra. Depois de descer do taxi o Fino pode até ligar pra nós e pedir cobertura, mas, se o dinheiro não estiver nas sacolas ou se eles notarem que armamos alguma coisa pra cima deles, vamos encontrar o gringo morto.

― E nesse caso eu também danço! ― Completou o Fino.

― Grumpf! ― Resmungou o Coisa Torta.

No carro do Fettuccini foram Régis, Reinaldo e o Barraca. No de Biduzão embarcaram o Coisa Torta e o Virapau. Eles esperaram que o Fino partisse em um taxi rumo ao primeiro ponto de encontro e foram se colocar em esquinas estratégicas nas proximidades da Comendador Pitangueira. Zuzu e Romeno ficaram ao lado do telefone no barracão roendo as unhas.

Em quinze minutos o Fino ligou para o Biduzão e para o Régis e disse lacônico: ― Estou no viaduto à espera!

E esperou. Vários táxis vazios passaram e viram aquele homem pequeno e sozinho, sob o viaduto, perto da uma hora da madrugada, segurando duas sacolas de supermercado, como se estivesse indeciso ou perdido, ou a espera de algo improvável naquela hora e local. Alguns até reduziram a velocidade e quase pararam. Um abriu a janela e o condutor perguntou:

― Precisa de um taxi, amigo?

 E o Fino respondeu:

― Não, obrigado! Estou esperando uma carona!

Meia hora depois encostou um taxi com as placas ilegíveis, sujas de graxa preta, e um senhor simpático de cabelos brancos disse:

― Chegou a sua carona grátis, meu irmão! ― E o Fino embarcou ao lado do motorista. ― Pra onde?

― Pra casa da vovó!

―Tá com os doces?

― Aqui! ― E Fino entregou as sacolas para o motorista que deu uma rápida e desinteressada olhada no interior delas e as passou para o banco de trás ocupado por um negro oculto nas sombras.

Biduzão ouviu esse curto diálogo graças a um pequeno dispositivo de escuta que Teleco havia emprestado para ser usado naquela situação especial e que estava preso à gola do casaco do Fino. Depois houve mais meia hora sem palavras em que apenas os ruídos do veículo e da rua eram ouvidos. Biduzão atualizou o Régis sobre o andamento do processo e nessa meia hora as duas equipes de apoio só puderam contar com a paciência e a angustia enquanto esperavam a ligação em que Fino os orientaria.

Quando o tempo já parecia uma eternidade Biduzão percebeu que o táxi em que viajava o Fino havia parado. Uma porta bateu e uma voz educada falou:

― Foi um prazer fazer negócios com você, meu irmão!

 Novamente se ouviu o ruído de um motor sendo acelerado e partindo. Em seguida, quando viu que estava só, Fino falou em voz alta para que Biduzão pudesse escutá-lo:

― Estou na frente de uma fábrica abandonada na parte sul de Santo Inácio, a três ou quatro quadras daquela casa noturna, a Tremedeira, na direção de quem vai pro Baixo Leme. Liga pro Régis e dá as coordenadas. Por via das dúvidas eu vou esperar a tropa. Não estou a fim de me arriscar sozinho por aqui.

O carro dirigido pelo Régis levou dez minutos para chegar ao local. Logo depois chegou Biduzão com o Virapau e o Coisa Torta.

― Algum sinal? ― Impacientou-se Régis.

― Achei prudente esperar a artilharia! ― Respondeu o Fino fazendo um sinal com a cabeça para as armas empunhadas pelos três que haviam descido do carro.

― Será que esses pilhos da pupa passaram a perna em pós? ― Resmungou Reinaldo com as palavras tortas saindo assopradas pela boca inchada.

― Por enquanto fomos obrigados a fazer o jogo deles. ― Respondeu Biduzão. ― Daqui pra frente é que vamos descobrir se bancamos os trouxas. Depois decidimos que medidas tomar.

― Eles não nos lograram! ― Afirmou Fino.

― Como você pode ter tanta certeza? ― Perguntou Régis.

― Essa gente tem códigos de honra que costumam ser respeitados. Eles não querem ficar com o nome sujo na praça! E, além do mais, eles sabem que acordos desse tipo não cumpridos sempre resultam em represálias dolorosas.

E eles se prepararam para entrar na fábrica abandonada.

Toda aquela quadra estava às escuras. A fachada ficava depois de um recuo de uns trezentos metros que antigamente deveria ter sido utilizado como estacionamento de caminhões. No centro da parede frontal havia uma grande passagem, que daria acesso para o pátio interno da fábrica, mas que fora fechada por uma grade de ferro. Era possível olhar através dela, no entanto não havia como passar por ali. Mas logo perceberam que nas duas extremidades da fachada existiam portas comuns e que ambas estavam destrancadas. Estavam armados Biduzão, Barraca, Régis e Reinaldo. Os dois primeiros formaram um grupo acompanhado por Fino e Coisa Torta e entraram pela porta da esquerda enquanto os outros três se deslocaram para o outro lado. A escuridão era total. Havia uma infinidade de tralhas pelo caminho e eles foram obrigados a usar lanternas. Fizeram uma demorada procura que gradativamente foi transformando o medo deles em raiva, e quando já eram quase três horas da manhã ouviram o grito de Virapau ecoando em um grande pavilhão:

― Aqui! Achei!

Todos correram pra lá e, sob o foco da luz da lanterna de Virapau, avistaram Fettuccini amarrado a uma cadeira, desmaiado, e com sinais de que havia sido bem amassado.

Fino e Biduzão desamarraram o gringo enquanto o Coisa Torta tomava cuidado para que ele não desabasse no chão. Régis, Reinaldo e o Barraca, com as armas em punho, se certificavam de que não havia mais ninguém pelas sombras do pavilhão.

― Vamos levar o Tutini pro hospital! ― Disse o Barraca.

― Não! ― Gemeu Fettuccini, dando sinais de que estava recobrando os sentidos. ― Sto bene! Voglio solo… Só quero um banho e uma cama… Estou é todo doído!

― Precisa raio X! ― Insistiu Virapau.

― Não quero porra de raio x nenhum! Não estou quebrado! Os putos só me deram uma prensa pra saber se eu tinha grana em casa! Merda! ― Depois perguntou pro Régis. ― Pegou só o que precisava! Não é?

― Esteja certo disso, Chefia! ― Respondeu Régis enquanto Biduzão piscava pro Fino. As coisas estavam acabando bem, afinal de contas!

Biduzão telefonou pra Zuzu dando notícias de que o dinheiro havia sido entregue e que o gringo estava indo pra casa. Ele havia levado uma sova, mas, aparentemente, estava inteiro. Zuzu disse que iria até a casa dele para ver se precisava de algum curativo ou medicamento, e, mesmo com as tentativas de Biduzão de convencê-la do contrário, Zuzu chegou à casa do Fettuccini quase junto do resgatado, carregando uma maleta de primeiros socorros.

Um segredo entre duas pessoas já é quase uma fantasia. Manter um segredo entre as dezoito pessoas que estavam no barracão na noite do sequestro passava a ser uma impossibilidade total. Assim, no segundo dia a polícia resolveu fazer uma visita à Zuzu. Vieram dois policiais. Um deles era o Antunes. A turma mais envolvida no ocorrido achou por bem inventar uma fofoca cheia de possíveis interpretações que foram espalhadas de forma desorganizada nos ouvidos das línguas mais afiadas, pois é sabido que enquanto é possível rastrear e definir uma verdade, é impossível correr atrás de todas as pernas de uma mentira por mais curtas que elas sejam.

― O que a senhora sabe sobre esse boato de que o Fettuccini teria sido sequestrado, Dona Zuzu?

― Sei o que o povo conta! Só hoje já ouvi umas quatro versões diferentes. O senhor já perguntou pra vítima? ― Devolveu Zuzu.

― Pretendo! ― Disse Antunes. ― Mas antes gostaria de ouvir o que a senhora e o seu secretário… Romeno, não é? … têm pra nos dizer.

― Romeno! ― Chamou Zuzu, e o Romeno veio do atelier de costura, no fundo do barracão, carregando uma montanha de calças de criança. ― O policial Antunes gostaria de fazer algumas perguntas pra você sobre o sumiço do gringo, naquela noite.

― Ah! No dia do porre? ― Perguntou Romeno.

― Que porre? ― Quis saber Zuzu.

― Não lhe contei? ― Respondeu Romeno. ― Pelo menos foi a notícia que as costureiras me contaram. E ainda por cima caiu da escada, abraçado num nos caras que trabalham com ele. Bem feito! Nós tínhamos uma reunião importante naquela noite aqui na Unidos e eles vieram com um monte de historinhas coloridas pra justificar a ausência. Pouca vergonha!

― Caiu da escada? ― Insistiu Antunes.

― Vá lá ver! ― Respondeu Romeno. ― Dizem que parece que foi atropelado! Eu não vi! O Fino que me contou.

― O Biduzão me disse que o corte na testa era porque ele tinha caído, mas não disse que ele tinha bebido. ― Reclamou Zuzu.

― Talvez tenha se esquecido, ou não quis dizer que o cara estava bebum, sei lá! Você já implica com ele ao natural, imagine se soubesse que o cara é dado a um trago. ― Argumentou Romeno. E Antunes naquele momento pensou: “Quantos cappuccinos devem estará notados na agenda do Fino nos últimos dias?”

E os dias passaram. Com os ferimentos já praticamente cicatrizados Fettuccini compareceu com sua trupe à reunião que fora adiada. Essa transcorreu de uma forma surpreendentemente amena. Depois, quando quase todo mundo já havia ido embora, o gringo cumprimentou de forma demorada Zuzu enquanto agradecia pelos cuidados e pelos medicamentos que ela havia levado no dia do resgate. Zuzu aceitou de forma delicada os agradecimentos e num determinado momento de silêncio os dois ficaram ruborizados sob um olhar espichado de Romeno que após a saída do gringo exclamou:

― Huuummm! ― E Zuzu atirou uma almofada na cabeça de Romeno enquanto ele escapulia. Mas Zuzu suspirou e percebeu que se sentia confusa, mas não estava com raiva.

***

Um mês depois Antunes, num dos encontros com Fino, comentou:

― Acho que você gostaria de saber que os encontros do pessoal do Fetuccini com aqueles policiais, de quem lhe falei no outro dia, deixaram de acontecer.

― Ora! Ora! Que boa notícia! ― Exclamou o Fino.

― E isso aconteceu depois daquele dia que ele… caiu da escada! ― Continuou Antunes. ― Como se ele tivesse levado uma prensa!

― Essas coisas acontecem. ― Disse o Fino. ― Ainda mais que ele bateu com a cabeça. Ouvi dizer que nessas horas, em que o cara pensa que vai morrer, os anjos aproveitam para assoprar boas ideias pra dentro das almas mais empedernidas.

― Também dizem que alguns desses anjos moram aqui pelo Santinho. E andam entre nós como pessoas comuns… ― Alfinetou Antunes.

Fino olhou para o amigo com cara de quem iria rir de uma piada, mas resolveu arrematar de outra forma:

― Não! Não! Não me venha com esse papo de policial amigo. Juro que não assoprei nada no ouvido do gringo, e nem empurrei ele da escada. Olhe pra mim! Sou um cara franzino! O homem vive cercado de seguranças…

― Você não me engana. ― Riu o Antunes.

― Vou lhe contar uma coisa. ― Segredou o Fino. ― Em primeiro lugar eu não sou um anjo! Tira isso da cabeça! Mas eu rezo bastante! E sou um cara que tem muita fé! Vai ver, numa dessas rezadas, um anjo me escutou! Isso pode ter acontecido! Mas não pelo que eu sou! Até sou meio pecadorzinho. Quem sabe um anjo qualquer pensou: “Vou dar uma rasteira nesse gringo pra ver se ele esquece esse papo de traficar na comunidade do Santinho.” Ah! Isso pode! Por que não?

***

Seis meses depois tudo já haviam voltado ao normal e coisas muito mais novas e palpitantes ocupavam o noticiário popular do Santinho. O sequestro do Fettuccini já era coisa do passado.

Romeno apareceu com uma namorada chamada Bela que, diziam, já estivera na vida. Não se sabia se esse era o nome dela ou se era chamada assim porque era a coisa mais Bela que já havia aparecido no Santinho.

Virapau, mortificado pelo ciúme, levou flores para Zuzu a mando de Fettuccini.

Barraca casou com a Zulma, antes Zulmira, uma de suas funcionárias, que tinha a metade da idade dele. Zulma desfilava pela Unidos no Carnaval, era amiga da Cida e tolerada por Zuzu que não gostava dela.

E Biduzão entregou pra uma Zuzu entre deslumbrada e atônita um cheque no valor de meio milhão, vindo de um doador anônimo.

***

No aconchego da cama, enquanto se contorcia e mordiscava o umbigo do seu Tutu, Lu perguntou:

― O Boca cumpriu a parte dele?

― Hum! Hum! ― Respondeu o Fino gemendo de prazer.

(Continua…)

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