A diferença entre um Crime e uma Outra Coisa!

No Rio um adolescente foi espancado e amarrado nu a um poste. O crime teria sido cometido por três homens. O jovem, de 15 anos, tem 3 passagens pela polícia e especula-se que a ação violenta dos agressores receba o rótulo de “corretivo aplicado por justiceiros”. Desinformados reclamaram contra os Direitos Humanos e outros, não só desinformados como mal estruturados, teceram comentários elogiosos aos agressores. Coisas de Rio pré-Copa!

Quem estiver interessado em saber quando há uma violação contra os Direitos Humanos visite o blog Análise Minuciosa,  já que há uma diferença entre os crimes que nós cometemos e a Outra Coisa que o governo comete.

Se eu sonegar impostos é crime. Se o governo desviar recursos é Outra Coisa. Se eu atirar no cara, que invadiu a minha casa, é crime. Se o governo virar as costas, para quem rouba e mata, é Outra Coisa. Se eu quebrar o pau num  hospital, porque não consigo atendimento para o meu filho, é crime. Se o governo sucatear a saude é Outra Coisa. Se eu erguer o dedo médio para o ministro da educação é crime. Se a educação escorrer pelo ralo é Outra Coisa.

Agora eu sei direitinho o que é crime e o que é Outra Coisa. E eu que pensava que o governo cometia crimes!

Agora eu sei que desviar verbas, fechar os olhos para a criminalidade, esquecer que a saúde e a educação são direitos constitucionais são Outras Coisas relacionadas com os direitos humanos. Os crimes são os pecados que podem ser explicados aos humanos direitos!

Claro que é falta de conhecimento reclamar aos DDHH uma ação no episódio específico. Mas acho que todos concordamos que é difícil explicar para os agressores que não é cometendo um crime que as coisas serão solucionadas. Eles não podem recorrer a ninguém! Está bem! Podem! Entram numa fila. Tomam um chá de banco! Registram um B.O.! Vão para casa e aguardam um email, um telefonema ou um sinal de fumaça! Assistem aos noticiários reafirmando que o crime compensa! Depositam um troquinho na conta de um Zé-Qualquer do mensalão! E serão comunicados de que estamos com falta de contingente para tomar as medidas cabíveis!

Raquel Sherazade, assim como um dia já foi a vez de Boris Casoy, terá que rebolar contra as acusações de incitar a violência, racismo, segregacionismo e outras cositas a gosto dos embandeirados políticos. Uma coisa que todos esquecem é que no processo o foco se perde! Afinal! Quem Está Cometendo Essa Outra Coisa?

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9 Comentários em “A diferença entre um Crime e uma Outra Coisa!”


  1. Ronaldo, não sei se entendeu bem a intenção do texto. A distinção entre o Estado e o indivíduo existe porque esferas diferentes os julgarão. No caso do indivíduo que comete crimes, este deve ser julgado pelo judiciário do Estado. Quando o Estado é criminoso, quem vai julga-lo? O judiciário controlado pelo Estado criminoso? Não é que o Estado não possa cometer crimes, mas há outra denominacão porque haverá outra esfera de julgamento. Parece burocrático, mas essa distinção é necessária senão vira bagunça.

    O texto faz a devida separação porque teve ativista de DDHH que acusou os agressores cariocas de violadores de Direitos Humanos. Um absurdo, a menos que queiram julga-los em Haia.

    Não analisei a agressão e seu contexto neste texto. O farei em outro porque prefiro analisar minuciosamente um assunto por vez.

    Como você vê, o nosso governo não viola os direitos humanos. É uma Outra Coisa!

    • romacof Says:

      Compreendi, perfeitamente, Roberto! Mas, como sou dispersivo (ou um estrábico mental), enquanto lia o seu texto (muito bom e elucidativo) pensava naquela ilimitada gama de sutis “crimes” (que não chegam a se caracterizar escancaradamente como violação aos direitos humanos) perpretados pelo Estado. São massacres, físicos e psicológicos, frutos do desgoverno. São produtos da má gerência, dos desvios, dos conluios, das cumplicidades fisiológicas, dos corporativismos arrogantes e por aí vai, matando quem não tem atendimento médico, destruindo o futuro de quem não recebe educação, ou permitindo que justiceiros se sintam confortáveis no vácuo deixado pelo poder público. Isso faz com que a impunidade esteja presente em todas as esferas, do Olimpo à sarjeta.

      Como vê, não são crimes e nem violações aos diretos humanos. São Outras Coisas!


  2. Ah, linkei seu blog no Análise Minuciosa também.


  3. Vou colocar lenha na fogueira. 🙂

    HOUVE violação de Direitos Humanos naquele episódio.

    Só que não foi a que todo mundo pensa.

    A violação que houve foi o Estado não garantir nem a segurança do espancado, nem previamente a segurança e o direito à propriedade dos espancadores.

    Isso independentemente do fato de os espancadores terem cometido outros crimes previamente ou não.

  4. Li Says:

    Veja Só!

    Entre um crime e outro,o Estado também é criminoso.
    Se aceitamos essas hordas de “justiceiros” pra que Estado,pra que LEI ?

    Se o normal é se fazer justiça com as próprias mãos,vamos começar deletando essa canalhada toda em seu santuário,a urna eleitoral.

    Nunca vi um carro de polícia na MINHA rua.

    Levei uma de minhas gatinhas num posto de zoonose e a veterinária,uma senhora pra lá dos cinquenta,sequer olhou pra bichinha.
    Voltei pra casa louca da vida e eu mesma a mediquei,correndo o risco do remédio não ser o adequado.
    A sorte é que foi o tratamento certo.

    Se não fosse eu uma criatura que fica fuçando por aí,a bichinha não teria um tratamento imediato.

    E se fosse uma criança,ou um idoso?

    Todos cometeram crime,inclusive a jornalista que nunca leu a constituição.
    Será que ela não sabe que incentivar a violência é crime?
    Que defender justiça pelas próprias mãos é crime?
    Afinal ela se orgulha de ser formadora de opinião.

    Aquela OUTRA COISA é o que faz de nosso país esse
    território de BRUZUNDANGAS.

    eNqUaNtO iSsO…a fema…

    • romacof Says:

      Sempre acreditei que a possibilidade de cometer o crime maior é daquele que sabe mais ou que pode mais! Saber mais e poder mais atrai uma maior responsabilidade. Aquele que lutou para dizer que tem o poder e que sabe mais do que os outros não tem a desculpa de dizer que “não podia” ou que “não sabia”! No final o Arthur tem razão! Acaba sendo um crime contra os direitos humanos! Por tabela! Mas é!

  5. Li Says:

    Com certeza !


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