A velha história do governo que engana!

Todos os dias se enfia o dedo na mesma tecla. Fortunati, como porta-voz dos prefeitos injuriados, reclama da medida “mais médicos” que não evolui, nas palavras dele, em consequência do “boicote corporativista e fraudulento da classe médica”, que não quer se interiorizar para atender os milhares de pacientes do Brasil longínquo. É claro que, ao posar para a mídia, Fortunati não diz que os interiorizados não estarão sob as bênçãos da CLT, serão sumariamente dispensados após os três anos de “serviço médico obrigatório”, e que chegarão aos seus destinos vestindo um estetoscópio, um esfignomanômetro, e a promessa governamental de que Deus, sendo brasileiro, olhará por todos nós.

Há 32 anos eu era credenciado pelo INPS (depois INAMPS, e agora SUS) e atendia em meu consultório em Porto Alegre. Havia um apelo do governo regido pela ARENA (depois PDS, depois PPR, depois PPB, e agora PP, com filhotes no PFL, agora DEM) para que os médicos deixassem a capital e se estabelecessem em cidades do interior, em resposta às necessidades do tal Brasil distante. Como se vê, o problema é velho! Resolvi ir e fui! Mas a transferência da minha credencial dependia de uma assinatura em um livro ouro que pretendia angariar fundos, originados nos rendimentos futuros dos médicos, para os candidatos a deputado pelo partido da situação. Em última análise, uma chantagem. Se eu assinasse o dito livro ouro, minha credencial seria transferida para a cidade de Três Cachoeiras, a população dessa localidade seria beneficiada pela presença de um médico do “SUS”, parte do meu ganho seria mensalmente surrupiada em prol da campanha política dos deputados do PP daquela época e todos seriam felizes! Mas eu não aceitei! Pois era um roubo! Não assinei o livro! Minha credencial não foi transferida. E os moradores de Três Cachoeiras não foram beneficiados pela resposta, pelo menos a minha, ao apelo governamental de que os médicos se interiorizassem.

Agora, os protagonistas políticos estão inclinados para a esquerda e as formas de enganar perderam o viés egoísta e recebem um verniz coletivista. Soluções mágicas são apresentadas. Mais médicos. Mais residentes. Médicos do exército deslocados para o SUS. Importação de médicos. E por aí vai! Mas ninguém fala sobre a falta de leitos hospitalares, sobre as emergências superlotadas nas grandes cidades, sobre os equipamentos necessários para que diagnósticos mais precisos e rápidos sejam feitos, sobre as mortes em filas e listas de espera, sobre os laboratórios públicos inexplicavelmente inoperantes, sobre os multimilionários custos das obras inexistentes e sobre a deprimente falta de gerenciamento político desse colossal problema.

Quem essa gente quer enganar? Se a eles próprios, são estúpidos duas vezes! Uma pela falta de visão de onde está o problema e a outra pelas propostas desfocadas.

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2 Comentários em “A velha história do governo que engana!”

  1. Li Says:

    E assim perdemos todos nós,mais uma vez.

    • romacof Says:

      Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez! Mais uma vez!


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