O quê a reforma política reforma?

 

Dilma pede um plebiscito para definir, afinal, o que “essa gente sem rumo” quer fazer a respeito de política. É interessante que o povo saiba que várias propostas já amarelam nas gavetas governamentais há muitos anos. No entanto, tendo em vista o despencar da popularidade presidencial, apontando para um fiasco eleitoral em 2014, esse assunto virou prioridade, como se dessa cartola pudessem ser tirados, repentinamente, todos os coelhos reivindicados pela população. Também é interessante que o povo entenda que qualquer esforço para parir um plebiscito, de tal complexidade, em tempo recorde, para atender os prazos legais que terminam nos primeiros dias do próximo mês de outubro, será em vão. As novas regras, com todos os santos ajudando e o próprio criador dando uma mãozinha, só serão válidas para as eleições de 2016. E já que essa reforma é tão esperada é bom fazê-la com cuidado, bem pensada, bem discutida, para que seja duradoura, ou, pelo menos, mais protegida contra as manobras corruptoras que, com certeza, já devem estar sendo urdidas.

Não adianta gritar “Fora Renan!”, ou “Fora Sarney!”. Pode ser que eles sejam surdos ou, em sua psicopatia egocêntrica, não entendam, tanta incompreensão com indivíduos que “personificam a própria história política desse país”.  Pode ser que o emaranhado de rabos presos não permita que os ecos sejam ouvidos nos corredores palacianos. Esse “fora” só poderá ser ouvido nas urnas, se em seus meandros eletrônicos elas falam a verdade, se os eleitores daqueles currais não estiverem sendo alimentados com uma retórica aliciadora convincente, se o acordar democrático suplantou a acomodação bolsista, e assim por diante, numa longa corrente de condicionantes imponderáveis que só o tempo sepultará.

Podemos pensar em voto distrital, listas abertas e fechadas, candidaturas apartidárias, financiamento das campanhas, duração de mandatos, fim ou permanência das coligações, diminuição ou ampliação do número de partidos, fim de suplências, fim da imunidade impune, introdução do recal político, malha fina para os eleitos, diminuição do número de deputados e senadores, superposição das datas, corrupção como crime hediondo, diminuição dos ministérios e definição das funções governamentais que realmente necessitam de ministérios e, sempre correndo o risco de fazer uma lista incompleta, por aí vai.

Mas para que o povo entenda de que forma esses itens nos atingem, é necessária uma explicação bem feita, que, sabemos, não solucionará todas as dúvidas, mas dará, à grande maioria dos votantes, elementos na hora de responder ao plebiscito.

No entanto, o principal tópico da pretendida reforma, que necessita ser compreendido, de uma vez por todas pelos eleitores é o seguinte: Se aquele que vota não entender que o seu voto é a única arma que tudo pode mudar, podem propor mil reformas, que a corruptela vai continuar lá. E nós continuaremos a achar que o “poder emana do povo”.

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2 Comentários em “O quê a reforma política reforma?”

  1. Thaysa Luz Borges Says:

    Eu sei que é através do voto que posso exercer o poder de mudança. Porém, como acertar? Em quem confiar? Como eu, muitos brasileiros estão com esta dúvida, pode se dizer com esta angústia…

    • romacof Says:

      Seja bem vinda a essa casa de loucos, Thaysa! Só vamos saber a resposta a essa pergunta quando pudermos entrar na alma do candidato. Ou seja: nunca! Mas podemos refinar o processo escolhendo o candidato que mais se parece com nós, mesmo sabendo que podemos estar sendo enganados e, mesmo levando em conta que nessa sugestão de refino, não podemos ficar a salvo das escolhas pelos eleitores que não se parecem nem um pouco com nós! Podemos acreditar que se o voto for consciente a escolha refletirá a média da consciência da população e, ainda aqui, precisamos torcer para que a média seja boa.
      Mas o dito acima fala de quem vota e não de quem concorre e de quem faz as regras. Nesse ponto as coisas se complicam de forma diferente! Necessitaríamos criar mecanismos que tornem a corrupção desestimulante! Tanto para quem compra como para quem vende. Sempre levando em conta que tais leis necessitariam ser criadas por aqueles que não têm interesse em criá-las! O eleito deveria perder, automaticamente, ao ser eleito, o status de cidadão comum. Pois no momento em que ele representa milhares de outros cidadãos a sua responsabilidade deve refletir esse peso. Quando um homem público passa a manipular o dinheiro de milhares de pessoas a receita federal necessita saber de todas as suas atitudes envolvendo dinheiro. Da mesma forma que um funcionário da casa da moeda é revistado ao ir para casa.
      Está na natureza do homem! O poder corrompe e a ocasião faz o ladrão. Um político eleito não é um cidadão. Ele é um instrumento de milhares de cidadãos e necessita ser fiscalizado. É o peso do não anonimato. A malha fina já me pegou três vezes. O leão quebrou a cara, mas me causou transtornos. Isso por que, no conceito deles, um médico perdeu o status de cidadão comum. Passei a ser um suspeito em potencial. Deixei de ser inocente até que as provas dissessem o contrário. Passei a ser um indivíduo que deveria provar a minha inocência, pois havia presunção de culpa. No gibi governamental eu não era um trabalhador qualificado, mas sim um não comum. O mesmo se aplica ao craque de futebol, ao astro do cinema, ao big-boss da indústria e, veja que interessante, ao funcionário público regiamente pago que manipula cifras astronômicas. Só que, nesse último caso, o princípio não se aplica. Inexplicavelmente.
      Acredito que devamos pressionar o governo para que meios rigorosos de fiscalização dos cidadãos INCOMUNS sejam criados. Nós tentamos convencer os demais de que o voto seja consciente e o governo tenta refrear a chaga da corrupção! Parece um bom negócio para as duas partes!


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