A era da comunicação ao alcance de um clique não perdoa o jornalismo mal informado (ou mal intencionado)

Arnaldo Jabor

Vejam a responsabilidade de quem usa um meio de comunicação em um mundo em que o espaço e o tempo não existem mais. Tudo é imediato! O recado e o erro. Alguns diriam que o pedido de perdão também aconteceu. Bem! Isso era o mínimo que se esperava de Arnaldo Jabor e da Globo. No entanto, o segundo vídeo, feito 4 dias depois, embora tenha se ajustado à realidade e à necessidade de informações prévias, para não repetir o erro jornalístico grosseiro de falar sem saber do que está se falando, deixa menos o gosto de um pedido de desculpas e mais o de um remendo, feito às pressas, para não passar um  atestado de completa ignorância. Ou, quem sabe, tudo não passou de uma rápida, e mal cheirosa, adequação ao atropelamento pela realidade aos deitados eternamente em berço esplêndido. Que pena! Era tão gostoso assistir o Jabor baixando a ripa na elite locupletada pela anestesia popular. Agora é necessário ficar com um pé atrás com a fala desse inteligente homem da mídia. Pode ser que ele esteja mentindo! Que pena! É necessário acordar para a era do clique, senhor Arnaldo Jabor! Ou isso, ou você vai ficar para Boris Casoy.

Primeiro vídeo: Arnaldo Jabor dá sua opinião sobre o Movimentos das Ruas em 13 de junho de 2013

Entre os dois programas deve ter ocorrido uma conversa de bastidores para avaliar a repercussão do mal feito e as possibilidades de correção. Podemos imaginar, antes da primeira aparição, um empurrão inconsequente na coxia, com um estímulo do tipo: “Vai lá Jabor, incorpora aquele crítico mordaz e senta o pau nessa molecada arruaceira!” Depois, com num texto mais elaborado, vestindo as feições de guri mijado que foi obrigado a pedir desculpas em público, temos um Jabor mais comedido, carinhoso, elogioso, transbordante da mais genuína compreensão pelas anseios democráticos da massa. Algo para se pensar quando a mídia joga nas nossas salas depoimentos que em última análise podem, ou pretendem, modificar a opinião das pessoas.

Segundo vídeo: Arnaldo Jabor dá sua opinião sobre o Movimentos das Ruas em 17 de junho de 2013

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9 Comentários em “A era da comunicação ao alcance de um clique não perdoa o jornalismo mal informado (ou mal intencionado)”

  1. Pequena Says:

    Eu não vivi a ditadura. Mas fico pensando se ela realmente acabou. Parece mais que ela “evoluiu” para essa forma mais sutil, o das entrelinhas.
    A mídia que deveria ser imparcial e mostrar os fatos como são, tornou-se a principal aliada do governo. Infelizmente!
    O Jabor, globo, governantes e mídias no geral, deram um tiro no pé ao se pronunciarem sobre as manifestações sem se colocarem inteiramente a par da real situação e acabaram virando piadinha internacional.
    A internet no momento tem se mostrado uma aliada do povo (Apesar dos maus informados que nem sabem ao certo pelo que estão lutando), mas até nela as tentativas de repressão tem chegado.

    • romacof Says:

      Pequena. Com 63 anos, estive lá! Naquela época não era possível uma comunicação tão imediata como essa que a internet nos proporciona. E naquela época a memória do nazi-fascismo era muito recente, e atraente para a direita armada, a ponto de alguns usarem aqueles métodos, já reprovados na segunda guerra, com a justificativa de que assim evitariam o bolchevismo, atraente para a esquerda anárquica. Coisas que ocorriam num planeta distante chamado Europa. Agora vivemos uma situação em que a esquerda anárquica e revolucionária chegou ao poder, foi elitizada, foi centralizada, adotou métodos econômicos que abominava, e gostou disso. Necessitou fazer alianças fisiológicas com o centro inodoro e deixou para as minorias anárquicas da nova esquerda o berra-berra periférico. Agora há sócios poderosos, entre os quais a mídia inteligente e bem estruturada. Com uma participação societária desse calibre é fácil manter o povo anestesiado. Os romanos ofereciam pão e circo para arrefecer os ânimos nas ameaças de revolta. Hoje o governo oferece bolsas esmolas de todo tipo e futebol após a dança dos famosos. A nossa vantagem é que as pessoas estão mais esclarecidas. Os poderes estão mais independentes. As forças armadas obedecem a cadeias de comando mais complexas e não ficam exclusivamente na mão dos lunáticos. E nós estamos nos comunicando mais rápido. E temos acesso à informação como nunca antes foi possível para a espécie humana.

      Informação é poder! Hoje é quase possível dizer que informação é todo o poder. Estou levando fé nessa nova revolução. Ela promete ser menos cruenta e mais sensata. Afinal, estamos ficando mais velhos e a velhice deve servir para alguma coisa. Não será perfeita. Se você é pequena como seu nome diz talvez a sua geração tenha que sacudir algum palácio corrupto, num futuro qualquer, para melhorar as coisas. Um abraço.

      • Pequena Says:

        Eu também estou colocando fé nessa nova etapa que o país está vivenciado. Nunca senti tanto orgulho por esse país como estou sentido depois desse “despertar” da população.
        Espero realmente que nós não regressemos ao leito. Mas também acho que o governo não aceitará essa nova fase (ou pelo menos não tão facilmente) e vai, a qualquer custo, querer reprimir. E claro, eles sabem que a internet é nosso aliado e, por tanto, o principal inimigo dele.
        Enfim, seja como for, acredito que teremos um perfil de eleitores conscientemente mais maduros. Ou pelo menos é o que se espera depois de tudo isso. Abraço.

        • romacof Says:

          Pela forma como você pensa a respeito da possibilidade de amadurecimento democrático, não acho que você seja “pequena”.

          • Pequena Says:

            rs! Em estatura… um pouco (apesar de insistir que sou mediana) Mas o “Pequena” é na verdade um apelido carinhoso – que denota “cuidado”, “proteção” – que aderi a mim.

  2. Franci Says:

    Mestre Romacof, como disse, “Informação é poder”, e acredito que esse poder esta em nossas mãos mas assim como a luta contra a ditadura, esta um pouco desconjuntada, muitas vezes o meio mais forte a favor do povo que é a internet, que sofre menos a influencia de políticos pode vitimar pessoas com a pior das violências, a ignorância e o oportunismo de alguns…
    A Globo, que nesse caso teve como simbolo o caro Jabor, derrapou feio, o que a colocou no papel de vilã, coisa que acho até um pouco que exagerado, vi gente dizendo que não tava certo reivindicar a anulação da PEC37 porque a Globo também se pronunciou contra, enfim, acredito que essa revolução entrará para historia sim mas ainda há muito para ser visto e estudado, o povo ainda tem que ser educado pois não adianta de nada cobrarmos do governo, da mídia e tudo mais se não cobrarmos de nós mesmo e esse oportunismo apelidado de jeitinho brasileiro é o principal problema desse país.

    • romacof Says:

      Exatamente, Franci! Vai ser agora que mostramos amadurecimento ou a oportunidade vai passar lotada. Não podemos esquecer que a rede é uma via de duas mãos. Ela é clara como nada no governo. Nós damos as caras e eles sabem como são as nossas caras. Embora queiramos cutucar as pessoas para que saibam usar o título de eleitor e não caiam na lábia dos gatunos de sempre, na hora de refrear, se essa for a intenção do governo, eles vão atirar balas de borracha virtuais em todos nós, nos democráticos e nos anarquistas. Principalmente se o governo tiver ideias fascistas na manga!

      • Franci23 Says:

        Exatamente isso que eu tava pensando, essas “vitórias” estão vindo fáceis demais mas no fim ninguém esta pensando no que pode estar por trás, lógico que eles estão no cagaço com tudo que esta acontecendo mas não duvido que tenham ideias fascistas na manga e sejamos sincero que tem, tudo que estão fazendo ao nosso favor tem algo que poderá os beneficiar de alguma forma num futuro não tão distante, Rennans Calheiros continuam lá, a nossa querida internet é uma grande companheira pra essas horas mas também pode e deve estar sendo usada contra nós, ninguém garante que a essas horas estão rastreando ips, coletando nomes e endereços de cada anarquista ou democrático que os irritar.

        • romacof Says:

          Se nós falamos mal deles e não temos um conceito muito lisonjeiro sobre a politicada em geral, é justo que eles também desconfiem de nós e nos fiscalizem. Afinal, nós moramos num planeta e eles em outro! Nossa realidade apenas se enreda com a deles, mas não é a mesma. Quem sabe, o serviço de inteligência, nos espionando, não fique um pouco mais inteligente? Se eles não conseguem distinguir o revolucionário que quer botar fogo no circo do revolucionário que quer deixar de ser o palhaço e aplaudir o espetáculo, então não temos salvação! Mas – e espero não estar sendo idiota – acho que o poder de fato, hoje, está um pouco mais dissociado do poder transitório emprestado pela política. O próprio exército já teve a sua experiência, relativamente recente, no governo, e sabe que as verdades não são absolutas, nem nas ordens dos governantes, e nem, para sermos coerentes, nos posicionamentos rebeldes que as vezes expressamos. A coisa só vai evoluir quando houver conversação, mudança nos pontos de vista radicais, de todos os lados, e um trabalho voltado, realmente, para o bem comum.


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