Coisas que não devemos esquecer quando o Movimento Sem Partidos sair das ruas.

Enquanto tudo fedia e nós esperávamos uma resposta de Dilma, após uma reunião com seus 39 ministros, ou, pelo menos, com os setores fundamentais nessas situações: Justiça, Segurança e Inteligência; a presidente esteve em São Paulo num encontro emergencial com a cúpula do PT: Lula, Haddad, Mercadante e Rui Falcão. Além deles esteve presente o publicitário João Santana, marqueteiro da campanha presidencial e chamado por alguns de o quadragésimo ministro, numa alusão às Mil e Uma Noites. Naquele momento, todos nós já sabíamos que o Passe Livre fora a gota que causara o transbordamento e que, motivadas pelas manifestações e mobilizadas pelas redes sociais, todas as outras vozes da indignação se reuniram para dizer um basta contra a corrupção e todos os desserviços decorrentes dessa chaga nacional. Ninguém esperava que Dilma dissesse que iria acabar com a corrupção, ou tivesse a varinha mágica que atendesse a um milhão de indignados, mas as pessoas com quem ela escolheu se encontrar não eram as que todos nós esperávamos naquele momento. Pareceu que a prioridade era a reeleição e o que fazer para não arranhar ainda mais a sua credibilidade. Os recursos direcionados para as massas que pagam impostos, financiam as bolsas de auxílio e sustentam a corja corrupta, seriam absorvidos, oportunamente, com sutis reajustes futuros nas taxas embutidas em tudo que consumimos. O importante é que o atendimento sedativo poderia salvar a  candidatura. Afinal, quem realmente se preocupa com que vai dentro do salame?

Enquanto isso, no outro lado do rio, Cristovam Buarque tenta fazer com que o Senado aprove o projeto que prevê a inclusão automática, de todos os políticos eleitos, na malha fina da Receita Federal. Segundo Buarque “o regime especial de fiscalização deve ser aplicado aos políticos porque eles estão investidos da função de administradores de bens coletivos e dispõem de poderes que, na ausência de controles, podem ser usados indevidamente.” Não seria necessário dizer que, surdos ao que acontece nas ruas, a maioria dos senadores, orquestrada por Francisco Dornelles, é contrária a esse projeto. Alegam inconstitucionalidade e “a presunção de que os agentes públicos seriam suspeitos, mesmo antes das apurações de irregularidades”. Não é isso que diz o projeto! Apenas para quem não quer ler da forma correta. Todos os cidadãos comuns são inocentes até que se prove a sua culpa. Mas não se está falando de cidadãos comuns. Está se falando de políticos eleitos. E esses cidadãos incomuns foram mergulhados no poder. E o poder, infelizmente, corrompe. Ou podemos deixar tudo como está, sendo apurado de forma cara e incompleta, anos e anos depois, quando o roubado está irremediavelmente perdido, as penas possivelmente prescritas e os ladrões já podem voltar, nos braços da amnésia democrática.

Você que hoje está nas ruas reclamando, com toda justiça, das ações políticas, observe bem! Em poucos meses eles estarão na sua sala, sorridentes, seduzindo você ou tentando comprar o seu voto.

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2 Comentários em “Coisas que não devemos esquecer quando o Movimento Sem Partidos sair das ruas.”


  1. Se, depois de todas estas manifestações, a Dilma for reeleita em 2013, ou qualquer candidato do PT par o governo federal, será a maior desmoralização do brasileiro.

    • romacof Says:

      Não duvide da capacidade do povo brasileiro de perdoar, ou esquecer, ou, quem sabe, não ser visto! Afinal, os “bolsistas” são numerosos e não são eles que estão nas ruas. Talvez não haja ruas onde eles vivem. Talvez as notícias não cheguem onde eles vivem. Veja o caso do Maranhão, um dos estados mais pobres do país, em que a figura do Sarney é idolatrada. Nós não vivemos num país. Nós vivemos num aglomerado de regiões muito diversificadas, tanto na geografia como na cultura dos que vivem em cada área, mas na hora do voto o que vale é a somatória! E então pode acontecer que Tio Lula volte, que o espírito bolivariano resolva dar um mergulho em águas pra cá das Tordesilhas, que o Brasil volte a deitar em berço esplêndido, e os marqueteiros desencavem um coelho macho da cartola. Espero estar errado em todas as minhas teorias da conspiração, mas quem duvida?


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