Paulo Santana

Resolvi postar esses dois e-mails que o sistema me devolveu.

Caro Paulo Sant’ana! Leitor assíduo de sua coluna, acabo de ler a contundente resposta ao presidente do SIMERS (06/06/13).  É bom esclarecer que sou médico e optei pela interiorização há 33 anos. No meu tempo nós reinventávamos a medicina todos os dias (e nós nos benzíamos todos os dias). Uma das razões para a recusa dos médicos quando o assunto é uma ida para a “Cochinchina brasileira”, obviamente, é a perda de todos os aparentes atrativos que os centros oferecem, mas algo importante, geralmente esquecido, é o fato da medicina não ir junto! É isso. Hoje os técnicos formados estão mais e mais dependentes de todo o aparato tecnológico que acompanha a profissão. E os pacientes querem ser tratados com aquilo que eles sabem que existe! Quando o tratamento falha, a culpa não é da falta de recursos decorrente de uma política centralizadora, mas dos médicos. Esse ônus, para alguns, pode ter mais peso do que um “salário astronômico.” Concordo com você! Que venham os cubanos! Nós somos melhores! Mas uma coisa eu afirmo: “os 4 mil prefeitos que imploram ao governo para que traga médicos estrangeiros”, quando a dor acontecer com eles, ou com seus familiares, vão procurar um centro maior em busca de tratamento. Eles não vão recorrer aos seus médicos, cuja vinda foi solicitada de forma tão veemente, por que a tecnologia a que eles têm direito (os pacientes e os médicos) não faz parte desse pacote de importação. É mais ou menos como contratar 10 mil brigadianos e não oferecer a esses profissionais armas e munições adequadas. Como já vi acontecer no interior em que vivo… Um abraço.

***

Paulo Santana. Hoje (07/06/13) vejo que você, usando novamente o poder de púlpito conferido por sua coluna, focado em seu ponto de vista não abrangente, continua, em seu mister, a formar a opinião dos outros. Desta vez, mais macio e menos deselegante, mas igualmente lastimável. Como um sino torto que toca de um lado só! O que é uma pena! Pois quando uma pessoa, supostamente inteligente, diz bobagens usando um meio de comunicação poderoso, como o jornal Zero Hora, essa bobagem é absorvida por milhares de seus leitores e passa a ser considerada uma verdade. Não que você esteja mentindo. Está contando uma verdade pela metade. O que é uma forma rebuscada de mentir. Uma verdade maquiada, em que apenas é dito o que alicia a mente dos leitores, enaltece uma história mal contada por políticos interessados e faz um desfavor à sociedade.

Informe, Paulo, aos seus leitores – numa divisão mais democrática das culpas – como os 4 mil prefeitos aplicam, ou desviam, as verbas destinadas à saúde. Quais são as condições dos postos de saúde nas pequenas cidades do interior. Quanto custa um hospital “interiorizado” (e aproveite para informal quanto custa um estádio de futebol para a Copa).  Como fazer diagnósticos sem a tecnologia que o poder público não “exporta” para Roraima. Como a ida dos médicos para os confins desse Brasil vai solucionar a falta de leitos, as emergências congestionadas ou fechadas, as filas do SUS, as mortes por falta de recursos básicos e por aí podíamos continuar ad nauseam, nunca esquecendo que o citado nessa última frase não está acontecendo na Cochinchina, reusando um de seus exemplos, mas nos grandes centros!

Uma verdade completa, ou pelo menos a versão mais aproximada que nós, mentirosos, conseguimos elaborar, deve levar em conta essa complexa gama de fatores que tornam a medicina, empregada no outro Brasil, tão deprimente. E também seria interessante alertar os leitores sobre o fato de que não adianta colocar qualquer médico, de qualquer nacionalidade, inclusive a brasileira, naqueles lugares para onde ninguém quer ir, inclusive você, sem dar a esses médicos condições de exercer a medicina. Ou isso, ou fica instituída a pajelança. Bem! Depois que a definição de futebol passou a ser segurar uma garrafa de cerveja, eu não duvido de mais nada.

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