Afinal! O remédio é falso ou verdadeiro?

Sou médico! E há dias em que fico revoltado com a ausência nos noticiários de um escândalo em particular! Todos nós já estamos fartos de mensalões, cachoeiras e roselis, pra ficar nos recentes que têm nomes e sobrenomes e dão orgasmos na mídia.  Quando digo que sinto falta de um escândalo me refiro ao dia em que as manchetes vomitarão, revoltadas, babando adjetivos indignados, a realidade dos medicamentos falsos, inexistentes, que sob o aval do governo, são derramados sobre o povo doente e necessitado, com rótulos de coisas verdadeiras, quando se percebe, se desconfia ou se sabe, que não passam de engodos bem embalados, para que os sem recursos para uma averiguação adequada se mediquem, acreditem que estão tratando suas doenças, na esperança de que aquele produto vá suavizar sua dor e amenizar sua patologia.

Há momentos em que sinto a falta dos recursos financeiros e tecnológicos (de que o governo dispõe) para fazer a análise correta de certas drogas que vejo meus pacientes crédulos, pacíficos, e embalados pela quimera da economia financeira, usarem na vã esperança de que um dia alcançarão a cura ou o equilíbrio dos seus males.

Gostaria de saber o que realmente há dentro de muitos genéricos e a quase maioria dos similares que circulam livremente nas farmácias, com a liberação oficial e a maquiagem que a propaganda e a arte gráfica permitem.

Duvido que haja alguém nesse país que não tenha pensado, num dia qualquer: “Será que isso que eu estou tomando é um remédio de verdade?”  “Porque aquele outro que custa mais caro funcionou e esse não?” “Como a minha pressão e a minha diabete só se normalizam quando eu compro aquele medicamento que sai o dobro do preço?” Não só duvido como desafio qualquer um, que realmente necessita usar medicamentos de uso específico, contínuos e vitais, a contradizer a minha dúvida.

Já afirmei, em algum lugar neste blog, que a Anvisa, trabalhando em tempo integral e proporcionalmente à sua capacidade, levaria cerca de 80 anos para fazer todos os testes de dosagens e bioequivalência em todos os medicamentos que circulam neste país. Já que credibilidade não é um artigo vitalício isso é uma porta escancarada para a fraude. Sem dúvida uma deixa para aquela piada de mau gosto: “Eu faço de conta de que lhe prescrevo um remédio de verdade e você faz de conta que fica bom!”

Mas voltando ao início da conversa. Vamos trocar de escândalo?

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13 Comentários em “Afinal! O remédio é falso ou verdadeiro?”

  1. Clarice Says:

    Só existe uma coisa pior que ler tudo isso e ficar espantado com essa realidade! E ser uma prova viva dessa falta de vergonha do governo , de permitir que se compre genéricos , na esperança, de ficar curado . Usei durante trinta dias um antidepressivo do laboratório EMS, cloridrato de bupropiona, certa que ficaria boa. Ao invés disso, passei 30 dias afundada numa cama. Três dias depois de tomar o ético, Zetron do laboratório Libbs,já era uma nova pessoa, conforme prometido pela bula. Pobre de mim. Pobre dos médicos que receitam e pobre do povo , sem dinheiro e ingênuo, que compra o genérico ou o similar,e se fode, e alem de tudo chama o médico de incompetente! Pobre médico. Pobre paciente. Feliz de mim ,que me dei conta a tempo!

    • romacof Says:

      Pensei que só eu estava vendo isso! Cheguei a avaliar a possibilidade de que uma Síndrome Conspiratória estava me fazendo ver coisas que na verdade não existiam. É bom saber que não sou o maluco. Obrigado, Clarice.


  2. tenho tido problemas frequentes com similares e, principalmente, com farmácias que “enfiam” nos pacientes o que não pedi…

    • romacof Says:

      Nesse caso, Dr. Camargo, é a outra ponta da ilicitude que afeta a sua prescrição e a saúde do paciente. Nesse comércio há uma gíria que apelida um determinado remédio como BO (be-ó). BO, para o cliente, representaria uma abreviação de bonificado. Para o comerciante significa “bom pra otário”. Esses “beós” rendem para o proprietário da farmácia margens que variam de 50% nos “beós zum-zum” (um pra um) a 66% nos “beós bi-zum” (dois pra um), enquanto a margem comercial normal oscila entre 5 a 15%. Com aproximadamente 500 substância são fabricados 15 mil apresentações farmacêuticas no país. A Anvisa não tem condições de efetuar todos os complexos e demorados testes de bioequivalência e fixação nas proteínas plasmática de tudo que anda por aí. Não existe o milagre econômico que permite que um medicamento de custo 100 e lucro 5 tenha o mesmo poder que um outro com custo 20 e lucro 10. O que interessa nesse caso é ganhar o dobro oferecendo um produto que aparenta custar um quinto. O paciente que se exploda!


      • vou mudar um pouco de assunto, mas nem tanto… meu amigo Dr já tomou conhecimento dos estragos que o ALENDRONATO tem causado?

        • romacof Says:

          Dr Mauro! O alendronato de sódio, via oral, na dosagem de 70 mg semanais tem sido utilizado para minimizar as consequências da osteopenia e da osteoporose em pessoas que absorvem o cálcio, mas que não têm esse cálcio alocado na estrutura óssea. A finalidade é fazer com que o cálcio administrado deixe a circulação e seja realmente utilizado no reforço das estruturas de sustentação, evitando fraturas, principalmente na coluna lombar e na articulação coxo-femural. Isso é útil principalmente nas senhoras que entraram na menopausa e que já não dispõem dos recursos hormonais adequados, que cumpriam essa função, já que a reposição artificial desses hormônios pode causar câncer de colo e de mama. Nessa estratégia a administração via oral de alendronato tem se mostrado eficaz. Na odontologia se observa que a administração via oral só muito tardiamente faz com que apareça o efeito colateral chamado osteonecrose (ouvi dois relatos a respeito – os dois com uso parenteral da medicação). Essa consequência não está bem explicada. A teoria diz que é porque os ossos da mandíbula apresentem uma acentuada exposição aos traumas decorrentes dos procedimentos cirúrgicos. Na prática médica (usando a via oral na dose recomendada) isso não se verifica e os dentistas que argui não se manifestaram preocupados com a osteonecrose citada em suas pacientes que fazem uso de alendronato.

          Como acredito que sua cauística em odontologia deve ser bem maior a observação pode mostrar dados um pouco diferentes.


          • Pode mesmo. Reconheço a “boa intenção” inicial do fabricante, porém, considerando-se as consequências, é muito estranho que os problemas não sejam estudados e divulgados com mais critério.

            No momento estamos com um caso já bastante grave de osteonecrose, de uma paciente que ameaçava levar um colega à justiça devido ao não sucesso dos procedimentos por ele executados. No histórico da paciente, mas somente depois de muita arguição da nossa parte, descobrimos que ela tomava bifosfonatos há mais de 5 anos. Realmente, não há cicatrização. Não ouve movimentação ortodôntica (o colega é ortodontista) no início, porém houve trauma devido à tentativa de movimentação. Do trauma passou à suspeita de doença periodontal, depois foi feita a endodontia pq a dor não cedia, e a dor não cedeu após a endodontia. A paciente procurou um bucomaxilo que realizou a extração, e aí é que ficou pior. Não houve cicatrização, com sintomas de osteomielite e o local ainda encontra-se “aberto”, há mais de 6 meses. Já foi tentado outros tipos de tamponamento, sem sucesso, o osso não se reorganiza.

            no caso dela observamos em radiografias e tomografias que o trabeculado ósseo está compacto. A mandíbula está praticamente sem osso medular, quase só cortical. Então é fácil supor que não há oxigenação suficiente para qualquer processo de repado.

            principalmente na Europa, o número de ações judiciais contra fabricantes de bifosfonatos é grande, assim como é grande a quantidade de casos, o que, infelizmente, é pouco divulgado por aqui.

            Não há dúvidas da necessidade do medicamente para a oncologia, no entanto, a administração preventiva para osteoporose é por demais temerária, pra não dizer que é uma loucura.

            um dos maiores problemas é que não há ainda informação sistemáticas aos dentistas sobre estes problemas e a necessidade de mudanças nos precedimentos para pacientes que fazem uso do medicamento.

            alguns estudos:

            http://www.revistasobrape.com.br/arquivos/ed_dez_07/ARTIGO%2004.PDF

            http://www.slideshare.net/danielhoeltz/bifosfonatos-e-osteonecrose

            • romacof Says:

              Pelo que parece está havendo uma lacuna na comunicação triangular entre os fabricantes de alendronato, os médicos e os dentistas. Como a osteonecrose pode aparecer em pacientes que utilizam o alendronato via oral há pelo menos 3 anos, embora a causa real não tenha sido bem explicada e se prende mais à teoria da exposição acentuada da mandíbula à traumas, acredito que um questionamento básico se faz necessário na anamnese da paciente. Se ela está usando um bifosfonato, qualquer atividade mais evasiva deveria ser suspensa até que o médico e o dentista estabelecessem as prioridades e uma estratégia, que incluisse desde a suspender da medicação (e o tempo necessário), e adiar o procedimento odontológico (pelo tempo necessário).

              Acredito que casos como esses devem ocorrer sem que uma área saiba da outra.


              • o medicamento causa aumento da atividade óssea. Como a mandíbula tem a característica de corticais próximas e medula que sofre pressão constante, esta atividade é ainda mais aumentada pelo estímulo. O problema maior é que existe cárie, doença periodontal, que levam a inflamações e necessidades de reparo. POde haver necessidade de endodontia, e aí ainda mais necessidade de reparo. Também pode acontecer traumas acidentais. Imagine a paciente que toma o medicamento e não cuidou das cáries e entra nesta sequência que citei? Da maneira como está, já vai tarde o tempo do alerta, principalmente por parte do fabricante. Diante do que já presenciei, e diante da grande incidência de problemas odontológicos no Brasil, tenho pedido PELO AMOR DE DEUS que as pacientes que tomam este medicamento como preventivo para osteoporose parem, e imediatamente. Que procurem seu médico e busquem outras alternativas. O problema é bastante grave. Os dentistas estão mal informados, a maioria dos médicos também, e os fabricantes do medicamento só querem vender.

  3. Li Says:

    Eu sou usuária de genéricos…
    Ciente que uso algo pro forma,nada mais.

    Entrego meu remédio ao altíssimo e o resto é só ilusão.

    Para quem vive num país como o nosso,tudo depende da corda bamba.
    E do equlíbrio do artista.Infelizmente.

    • romacof Says:

      Li! Não podemos generalizar sobre os genéricos! 🙂 Aqueles que são submetidos às análises pela Anvisa, em princípio, são de boa qualidade. O problema principal está na grande quantidade de similares, que não foram avaliados quimicamente, mas receberam o aval porque preencheram as exigências burocráticas para serem considerados produtos comerciais.


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