Chama o Dexter!

Assisto à série Dexter em que o mocinho é um simpático psicopata serial killer. São apresentados roteiros inteligentemente engendrados que induzem o espectador a torcer pelo êxito do assassino. (Vire a página!)

Quando alguém invade uma escola atirando e matando o assunto desarmamento sempre vem a tona. Concordo, em parte, com a argumentação de que não são as armas que matam, mas as pessoas. Digo em parte por que também não podemos dizer que são as pessoas que matam, ou pelo menos as pessoas normais. O que realmente mata é a possibilidade da arma ser utilizada com o fim de matar. Essa possibilidade pode ser gerada na mente de qualquer um de nós. Basta um estímulo adequado. O jovem que apagou 26 vidas em Sandy Hook é um desequilibrado. Falo de pessoas que poderiam ser rotuladas de mentalmente sãs em qualquer sociedade. Se um indivíduo for cutucado de forma relativamente intensa por coisas consideradas normais, ou comuns, tais como ciúmes, sensação de perda, depressão, indignação, e por aí vai, ele pode transpor o tênue limite entre o “eu me controlo” e o “eu perdi o controle”! (Vá saber onde fica o limiar de cada um dos nossos 7 bilhões de irmãos!)

Não acho apreciável a condição que me é imposta:  devo cercar a minha casa, andar em carro blindado e me deslocar minimamente por áreas públicas; obediente ao sistema que me prende para que o bandido ande solto. Acredito que sei como reagiria se me fosse dado o direito de andar armado. O mesmo não posso dizer da grande maioria das pessoas que conheço. Isso não significa que eu sou melhor do que eles. Nesse momento estou sóbrio e de cara, mas amanhã ao amanhã pertence. E não acredito que o poder público, ao licenciar um indivíduo como portador de uma arma, seja sábio o suficiente para treinar o novo atirador em potencial e educá-lo moral e filosoficamente sobre aquele novo poder. (Na verdade nem acredito que os seres humanos possam ser educados nesse assunto!)

O ideal seria educar a arma! Só poderia ser usada se estivesse presa à mão do usuário. Uma vez usada só poderia ser retirada em um destravamento policiado, ou cortando a mão do atirador. É claro que vai aparecer o gaiato argumentando que ao atirador que pretende matar um lote e depois se matar essas restrições não fazem cócegas. Mas também é claro que ao chip que “educa” a arma podem ser adicionadas inúmeras sub-rotinas que impeçam vários “ses” aventáveis e inclusive inutilizem a arma que “fotografa” uma criança como alvo. E o gaiato grita lá do fundo: “Garanto que vai surgir o destravamento ilegal, assim como qualquer ilegalidade imaginável.” E é verdade! O alarme do carro não impede o roubo, só o complica tornando-o menos provável. (Nós somos assim! Fazer o quê?)

Também podemos chamar o Dexter.

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3 Comentários em “Chama o Dexter!”

  1. Li Says:

    Concordo contigo,em parte,rs.

    Teu bom senso me dá inveja,uma inveja branca.

    Passei para desejar BOAS FESTAS, para ti,tua família e para teus leitores.

    Muita alegria,fé,esperança,magia,amor,saúde…e tudo mais que o coração ousar sonhar.

    • romacof Says:

      Obrigado Li pelos votos múltiplos! Veja só como são as palavras. Você diz “…e tudo mais que o coração ousar sonhar”. Respondo egresso da UTI do Cardiologia, mas já no quarto. Vê só que maneira mais estúpida (ou entupida) de passar o Natal. E o coração nem sonhava com isso. Quase que o Dexter me acha!

  2. Li Says:

    Melhoras,meu querido!
    Que em 2013 teu coração pulse tranquilo.

    O coração sonha coisas que nem imaginamos…e nos prega cada peça !


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