Brasil – penúltimo lugar em educação.

Chegou a notícia de que o Brasil está em penúltimo lugar num ranking internacional sobre educação.

Primeira reação: vergonha! É vergonhoso e triste constatar que essa é a imagem do nosso país que é apresentada ao resto do planeta; que quase 4 milhões de nossas crianças vivem num universo em que a escola é uma ficção; que 63% dos moradores das áreas rurais, especialmente no norte e nordeste do país, não tem acesso a um colégio; que 3 em cada 10 adultos não conseguem entender o que estão lendo; que a maioria dos estudantes que tiveram contatos superficiais com algum método de ensino serão adultos com importantes deficiências na hora de obterem um trabalho com melhor remuneração.

Segunda reação: riso (por que parece uma piada – de mau gosto, mas uma piada)! A lista em que aparecemos em penúltimo lugar foi composta com 40 países, que MERECERAM o status de serem avaliados! Ou seja: nós AINDA estamos no grupo que recebe nota. Os governantes que mantêm o discurso sobre educação e o futuro das nossas crianças, entre outras babas eleitorais pra enganar otário, PODEM CONTINUAR usufruindo dos recursos que deveriam ser utilizados para melhorar aquelas estatísticas degradantes do parágrafo acima. Pois podemos perder um lugar e ainda continuaremos entre os 40 do topo!

Terceira reação: desânimo! Pois não verei a luz no fim desse túnel! Mesmo que hoje, agora, nesse exato momento, por um estalo de Dedos do Cara em Pessoa, todas as consciências fossem mudadas, e os eleitores acordassem de seus sono esplêndido para a necessidade de exigir soluções, e toda essa corja política que tem o poder para mudar a situação começasse a trabalhar, o tempo necessário para que uma mudança fosse notável, nessas condições especialíssimas, seria de uma geração. Deixo de presente esse sonho aos meus netos.

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6 Comentários em “Brasil – penúltimo lugar em educação.”

  1. Juliana Tritô Says:

    Adorei seu texto. Então, quero parabenizá-lo e aproveitar o tema para também me expressar a respeito dessa questão.

    Sou Brasileira e amo as pessoas do meu país, mas meu sentimento quanto a esse problema não é de vergonha já que, há muito tempo, não me identifico com o Brasil. O cerne do problema é a Educação, mas que não consiste, apenas, na “transmissão de conteúdos pré-programados” e sim, primordialmente, transmissão de valores. Portanto, o problema é a Educação, mas em um contexto mais amplo.

    A causa disso é bem maior do que a péssima qualidade do ensino nas escolas, umas vez que também nos deparamos com “analfabetos culturais”, “analfabetos políticos”, “analfabetos de valores” e afins.

    Por exemplo, compreender a beleza e o mistério da vida nos faz valorizar a nós mesmos e ao próximo. Então, nos tornamos pessoas mais civilizadas, que preservam a sociedade. No entanto, boa parte da população brasileira passa pela vida despercebida, sem nunca ter entrado em contato com algum tipo de Arte ou atividade que lhe desperte o questionamento. Muitas vezes, essa população não valoriza sequer sua própria cultura popular… Não entende sua história e prefere ignorar a realidade em troca de “pão e circo” (Bolsa Família e similares).

    Infelizmente, não vejo mais solução para o Brasil e também me encontro desanimada – uma vez que essa parcela da população se acomodou numa “Esmola” (solução imediatista, insuficiente e passageira) e a Classe Média (a que “paga o pato”) apenas reclama, mas nada faz… E o pior disso tudo é que muitos ainda vêm afirmar que odeiam Política. [risos] Este é o maior absurdo.

    Parafraseando Bertolt Brecht, “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo da vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Mas não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”

    Todos nós somos seres Políticos, mas a Corrução Brasileira distorceu essa ideia. A Política nasceu há séculos, no berço da Filosofia (Atenas), e com uma ideia completamente pura e distinta do que ocorre hoje no Brasil. Segundo os Gregos Antigos, Político era alguém que zelava/guardava pela sua cidade. Portanto, Pólitico era um guardião digno de tal função. Em minha opinião, é inapropriado chamar de Política essa palhaçada que fazem aqui no Brasil.

    Como se vê, trata-se de problema complexo de calamidade educacional e que afeta todas as classes sociais. São vários fatores interligados, mas que chegam numa consequência bem simples: desigualdade social. Por exemplo, muitos “políticos” corruptos se internam nos hospitais particulares mais caros do país (a custa do nosso dinheiro), enquanto crianças morrem nos corredores dos hospitais públicos por falta de estrutura no atendimento; e pacientes crônicos têm seus medicamentos suspensos por “corte no orçamento”.

    Contudo, eu não sinto vergonha… Sinto revolta.

    P.S: O PBF (Programa Bolsa Família) ajuda muitas pessoas, mas acredito que o benefício social só seria efetivo se houvesse políticas públicas de suporte (educacionais) voltadas para essas famílias.

    • romacof Says:

      “… o cerne do problema é a Educação, mas que não consiste, apenas, na “transmissão de conteúdos pré-programados” e sim, primordialmente, transmissão de valores. Portanto, o problema é a Educação, mas em um contexto mais amplo.
      A causa disso é bem maior do que a péssima qualidade do ensino nas escolas, umas vez que também nos deparamos com “analfabetos culturais”, “analfabetos políticos”, “analfabetos de valores” e afins…”
      (Juliana) Perfeito!

      Ontem atendi um rapaz de vinte e cinco anos e tive o seguinte sofrimento: “Qual é o seu nome? // Celso(*). // Celso com “C” ou Selso com “S”? // Tanto faz! // Quantos anos você tem? // Só fazendo a conta!” (e por ai vai…!). Ele veio obrigado por uma norma trabalhista que exigiu um atestado. Ele não é um ser humano que desempenha o papel de servente de pedreiro. Ele é um servente de pedreiro sem pretensões a se tornar um ser humano. Ele é um igual a muitos. Aos vinte e cinco anos. Ele vota. Ele pensa que não paga impostos, mas paga. Ele é a negação da democracia. Ele é o aculturamento sem perspectivas. Ele é o descaso. A casca morta. Ele é o pedaço do Brasil pelo qual poucos choram. Ele não vive. Ele é um dado estatístico enterrado.

      (*) O nome foi propositadamente mudado.

  2. camargo Says:

    nem preciso falar do meu acordismo com o teu pensamento… por isso mesmo, dá uma olhada na minha ultima postagem (se ainda não conhece o assunto). Será que um tal José pode ser a luz no fim do túnel? (Ou como diria a Grasi, sempre trocando os ditados: a luz no fim do poço?)

    • romacof Says:

      Guarde o seu otimismo um pouco mais. Sempre é bom dar a um político um tempo para que o seu rabo se revele. Lembra dos girinos? Aqui é o contrário. Um girino quando perde o rabo vira sapo. Um príncipe quando cresce o rabo vira político.

  3. Li Says:

    Fico triste,muito triste.
    Pena que é pior do que se imagina.
    Conversando com algumas pessoas,ou tentando,descubro que elas não sabem e não querem saber do que lhes diz respeito.
    Pergunto porque são contra os Direitos Humanos,elas não sabem.
    Pergunto se já leram a DUDH,não e nem sabem o que é.
    Pergunto se já leram a Constituição,o Código de Defesa do Consumidor,se conhecem as leis de trânsito….não sabem.
    Pergunto se já leram um livro chamado Bíblia….
    Todos possuem quem explique esse livro para eles.
    Não gostam de ler,nem de pensar.
    Vejo que pessoas assim jamais irão melhorar.
    É triste!

    • romacof Says:

      Conheço um borracheiro que chegou a prefeito. Quando lhe perguntaram se ele pretendia trazer uma faculdade para a cidade ele respondeu: “Pra quê? Pra despois o pessoar vir pedir aumento nas borracharia?”


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